integramente, mas só em relação ao sol e á lua. (_Coaracy e Jacy_),
acho noticia della no _Thesouro_ do padre João Daniel (citado em [1]);
e o que então faziam os indios, quando apparecia a lua nova, me serviu
á composição que vae incluida neste livro.
Sem embargo das razões allegadas pelo Sr. Dr. Magalhães, que todas
são de incontestavel procedencia, conservei Tupan nos versos que ora
dou a lume; fil-o por ir com as tradicções litterarias que achei,
tradicções que nada valem no terreno da investigação scientifica,
mas que tem por si o serem acceitas e haverem adquirido um como direito
de cidade.]
[Footnote 9: É ocioso explicar em notas o sentido desta palavra e de
outras, como _pocema, mussurana, tangapema, kanitar_, com as quais todo
o leitor brasileiro está já familiarisado, graças ao uso que dellas
teem feito poetas e prosadores. É tambem desnecessario fundamentar com
trechos das chronicas a scena do sacrificio do prisioneiro, na estancia
XI; são cousas comezinhas.]
[Footnote 10: Simão de Vasconcellos (_Not. do Bras._, liv. 2o.) citando
Marcgraff e outros autores, conta, como verdadeira, a fabula a que
alludem estes versos. Aproveitou-se d'alli uma comparação poetica:
nada mais.]
[Footnote 11: Veja G. Dias, _Ult. Cant._, pag. 159:
... Quando meu corpo
Á terra, mãe commum...]
[Footnote 12: _Anagé_ na lingua geral, quer dizer gavião.]
[Footnote 13: Tratando de descobrir a significação de _Panenioxe_,
conforme escreve Rodrigues Prado, apenas achei no escasso vocabulario
guaycurú, que vem em Ayres do Casal, a palavra _nioxe_ traduzida por
jacaré. Não pude accertar com a significação do primeiro membro da
palavra, _pane_; ha talvez relação entre elle e o nome do rio
Yppané.]
[Footnote 14:«Estas duas armas (lança e facão) tem sido tomadas aos
portuguezes e hespanhóes, e algumas compradas a estes que
inadvertidamente lh'as tem vendido.» (RODR. PRADO, _Hist. dos Índios
Cavalleiros_.)]
[Footnote 15: Nanine é o nome transcripto na _Hist. dos Índios
Cavalleiros_. Na lingua geral temos _niani_, que Martius traduz por
_infans._ Esta fórma pareceu mais graciosa; e não duvidei adoptal-a,
desde que o meu distincto amigo, Dr. Escragnolle Taunay, me asseverou
que, no dialecto guaycurú, de que elle ha feito estudos, _niani_
exprime a ideia de _moça franzina, delicada_, não lhe parecendo que
exista a fórma empregada na monographia de Rodrigues Prado.]
[Footnote 16: Os Guaycurus dividem-se em nobres, plebeus ou soldados, e
captivos. Do proprio texto que me serviu esta composição se vê a que
ponto repugna aos nobres toda a alliança com pessoas de condição
inferior.
A este proposito direi a anedocta que me foi referida por um distincto
official da nossa armada, o capitão de fragata Sr. Henrique Baptista,
que em 1857 esteve no Paraguay commandando o _Japorá_, entre o forte
Coimbra e o estabelecimento Sebastopol. Ia muita vez a bordo do
_Japorá_ um chefe guaycurú, Capitãosinho, muito amigo da nossa
officialidade. Tinha elle uma irmã, que outro chefe guaycurú,
Lapagata, cortejava e desejava receber por espôsa. Lapagata recebêra o
titulo de capitão das mãos do presidente de Matto-Grosso. Oppunha-se
com todas as forças ao enlace o Capitãozinho. Um dia, perguntando-lhe
o Sr. H. Batista por que motivo não consentia no casamento da irmã com
Lapagata, respondeu o altivo Guaycurú:
--Oponho-me, porque eu sou capitão por herança de meu pae, que já o
era por herança do pae delle. Lapagata é capitão de papel.]
[Footnote 17: As bocayuvas servem de alimento aos Guaycurús; nas
proximidades de sazonarem os cocos fazem elles grandes festas. (Veja
CASAL e PRADO).]
[Footnote 18: Taes eram os adornos das mulheres guaycurús. (Veja PRADO,
CASAL e D'AZARA).]
[Footnote 19: «As moças ricas vão enfeitadas, como se ornariam para o
proprio noivado.» (AIRES DO CASAL, _Coroa._, 280).]
[Footnote 20: Allude a um trecho do propheta Daniel:
«9.--E lavei-te na agua, e alimpei-te do teu sangue; e te ungi com
um oleo;
«13.--E foste enfeitada de ouro e prata, e vestida de linho e de roupas
bordadas, e de diversas cores; nutriste-te da farinha e de mel e de
azeite, e foste mui aformoseada em extremo.» (DANIEL, XV)]
[Footnote 21: Rebecca, filha da Mesopotamia.]
[Footnote 22: Bento do Amaral Gurgel, que dirigiu a companhia de
estudantes por occasião daquella e da seguinte invasão, em 1711.]
[Footnote 23: Angela pratica o inverso daquelle conselho attribuido aos
rabbinos de Constantinopla, respondendo aos judeus de Hespanha que
batisassem os corpos, conservando as almas firmes na Lei. Angela
conserva o baptismo da alma, e entrega o corpo ao supplicio como se
fosse verdadeiramente judeu. Nega a fé com os labios, confessando-a no
coração: maneira de conciliar o sentimento christão e a piedade
filial.]
[Footnote 24: A verdadeira pronúncia desta palavra é _an-hanga._ É
outro caso em que fui antes com a maneira corrente e commum na poesia.]
[Footnote 25: Il y aurait une fort grande injustice à juger jésuites
du seizième siècle et leurs travaux, d'après les idées que peut
inspirer le système suivi dans les missions. Là on peut voir des
projets ambitieux s'allier à des vues habiles: dans les premiers
travaux exécutés par les pères de la compagnie, au Brésil, tout fut
désintéressé; et au besoin, Le récit de leurs souffrances pourrait
le prouver. (F. DENIS, _Le Brésil._)]
[Footnote 26: Veja nota [8].
«... E na verdade tem occasiões em que festejam muito a lua, como
quando apparece nova; porque então saem de suas choupanas, dão saltos
de prazer, saudam-n'a e dão-lhe as boas vindas.» (JOÃO DANIEL, _Thes.
descob. no Amaz._, part. II, cap. X)]
[Footnote 27: Não me recordo de haver lido nos velhos escriptos sobre
os nossos aborigenes a crença que Montaigne lhes attribue acerca das
almas boas e más. Este grande moralista tinha informações certamente
exactas a respeito dos indios; e aquella crença traz certamente um ar
de verossimilhança. Não foi só isso o que me induziu a fazer taes
versos; mas tambem o que achei poetico e gracioso na abusão.]
[Footnote 28: Tinha planeado uma composição de dimensões maiores, e
não a levei a cabo, por intervirem outros trabalhos, que de todo me
divertiram a attenção. Foi o nosso eminente poeta e litterato Porto
Alegre, hoje barão de Santo Angelo, que ha cerca de quatro annos, me
chamou a attenção para a relação de Monterroyo Mascarenhas, _Os
Orizes conquistados_, que vem na _Rev. Inst. Hist._, t. VIII.
A aspereza dos costumes daquelle povo, habitante do sertão da Bahia,
cêrca de duzentas legoas da capital, sua rara energia, as
circumstancias singulares da conquista e conversão da tribu, eram
certamente um quadro excellente para uma composição poetica. Ficou em
fragmento, que ainda assim não quis excluír do livro.]
[Footnote 29: «Lastimosamente cegos de discurso, reconhecem e adoram
por deus a coruja, chamando na sua linguagem _Oitipô-cupuaaba_; e o
motivo de sua adoração consiste na beneficio que recebem desta ave,
que, naturalmente inimiga das cobras, numerosissimas naquelle paiz, as
espia nos mattos, e lhes tira a vida.» (J. F. MONTERROYO MASCARENHAS,
_Os Orizes conquistados._)]
INDICE
Advertencia
CHRYSALIDAS
Musa consolatrix
Visio
Quinze annos
Stella
Epitaphio do Mexico
Polonia
Erro
Elegia
Sinhá
Horas vivas
Versos a Corinna
Ultima folha
PHALENAS
Flor da mocidade
Quando ella falla
Manhã de inverno
La marchesa de Miramar
Sombras
Ite, missa est
Ruinas
Musa dos olhos verdes
Noivado
A Elvira
Lagrimas de cêra
Livros e flôres
Passaros
O verme
Un vieux pays
Luz entre sombras
Lyra chineza
Uma ode de Anacreonte
Pallida Elvira
AMERICANAS
Potyra
Niani
A Christã nova
José Bonifacio
A visão de Jaciuca
A Gonçalves Dias
Os semeadores
A flôr do embiroçu
Lua nova
Sabina
Ultima jornada
Os Orises
OCCIDENTAES
O desfecho
Circulo vicioso
Uma creatura
A Arthur de Oliveira, enfermo
Mundo interior
O corvo
Perguntas sem resposta
To be or not to be
Lindoya
Suave mari magno
A mosca azul
Antonio José
Spinoza
Gonçalves Crespo
Alencar
Camões
1802-1835
José de Anchieta
Soneto de Natal
Os animaes iscados da peste
Dante
A Felicio dos Santos
Maria
A uma senhora que me pediu versos
Clodia
Velho fragmento
No alto