leis; mas ha outra coisa muito facil, para que tu estás superiormente
habilitada e a que deves de todo em todo consagrar-te,--é não as fazer.
Não fazer leis, ó camara, eis a tua especialidade! cultiva-a, e serás
grande.
Não fizeste nada, não sabes fazer coisa alguma, não representas nenhuma
grande coisa que antes de ti se fizesse? Não é verdade isto?! Pois bem,
no mundo moderno, na sociedade actual, quem está n'esse caso só tem um
meio de não ser ridiculo:--é ficar em casa.
Cá fóra quem não domina e governa a critica tem de sujeitar-se a ser
trinchado por ella.... Fica pois em casa, tranquilla no teu rapé e no
teu voltarete.
Não queiras parecer-te com estes jovens burguezes que se arruinam, que
se encanalham, que se desgraçam voluntariamente para se darem nos salões
um falso ar de homens do mundo com que só elles se enganam. Chamam-se a
si mesmos os «janotas», põem a gravata branca e a casaca preta como a
outra gente, frisam-se um pouco mais do que os outros, acompanham-se das
suas mulheres ou das suas irmãs, de vestidos de bareje barata e de
narizes que, se se vendessem, custariam ainda mais barato do que as
barejes.... Correm de sala em sala, julgam-se no mais alto mundo, e
cerceiam no boi do jantar os excessos de despeza a que os obriga a sua
triste representação--de remendos brancos em pano preto! Não sabem, não
veem que os homens verdadeiramente distinctos e as mulheres
verdadeiramente elegantes não acceitam senão com repulsão os contactos
das suas mãos vermelhas e suadas, não lhes dando senão despreso--porque
elles não teem nascimento, nem dinheiro, nem ar, nem _toilette_, nem
orthographia, nem mão de redea!
O que estes são--na elegancia, não queiras tu, ó camara, voltar a sel-o,
como o foste--na politica! Não tornes cá.
Adeus. Vae com Nossa Senhora. Se te não abraçamos, se te não damos um
beijo, desculpa.... É que nós temos razões para desconfiar,--pelas tuas
moções d'ordem, pelos teus projectos de lei e pelos teus
discursos,--que tu usas _patchouly_ e comes alho.