«--Ora bom dia, _seu_ Pedro!
--Bom dia, Sr. Medeiros!
--Ainda o fazia dormindo
e vejo que é dos primeiros!...
«Então estranhou a cama?
passou mal, não é verdade?
--Não, senhor! pelo contrario,
perfeitamente á vontade.
«--Li agora na _Gazeta_
um facto bem curioso!
um sujeito, um estrangeiro...
mas que homem ardiloso!
«Engole uma espada inteira!
que barriga! Ave Maria!
--Mas é serio?--Oh! se o não fosse
a folha não o diria...
«O que é isto?! onde se atira
já de esporas? onde vai?!
--Vou... eu ia até lá embaixo.
--Não, senhor, hoje, não sahe.
«--Mas escute, _seu_ Medeiros...
--Não escuto, não senhor;
já queria pôr-se ao fresco?
enganou-se, meu amor!
«Ó homem, 'stou te estranhando!
você que é tão pagodeiro!
--Eu ia vêr se lá embaixo
recebia hoje dinheiro...
«--Qual dinheiro, qual historia!
eu bem sei o que isto é!...
Sabes que mais, pucha um banco
e vamos tomar café.
«--Já que de todo é preciso
vou lhe fallar francamente...
--Pois desembucha, rapaz,
fallando se entende a gente.