III

Elle era um moço bonito

como na côrte não ha,

tinha os olhos e os cabellos

da côr do jacarandá.

Um porte airoso, engraçado,

rapagão desempenado

de metter inveja a cem!

se na estrada elle passava,

a moça que o espiava

lhe ficava querendo bem.

Mas elle guardava firme

no fundo do coração

pela bella Margarida

a mais ardente paixão.

E as moças da visinhança

ao verem sua esquivança

ás festas, se ella não ia,

diziam de enciumadas:

«--Pedro está de azas quebradas;

pobre moço! quem diria?!

«--E tem só vinte e tres annos

e alguma cousa de seu!

vejam só o que é fortuna;

tão feliz nunca fui eu!

--E dizem que casa breve?

--Eu não sei, mas elle deve

casar-se p'ra o fim do anno.

--Que lhe faça bom proveito...

--E o velho está satisfeito?

--Pudera não! bem ufano!»

Tal eram os commentarios

que em toda a parte faziam

as moças da visinhança,

que em festas se reuniam;

mas elle, surdo aos rumores

que faziam seus amores

nas discussões femenis,

nada via além do encanto

d'aquelle amor puro e santo,

d'aquelles olhos gentis.

Mas quem era a linda moça

a quem Pedro tanto amava?

quem era a virgem formosa

que elle assim idolatrava?

era rica ou pobresinha?

tinha-lhe amor ou não tinha?

Não é o que queres saber?

lá vamos, leitor querido,

satisfazer teu pedido,

já tudo vamos dizer.

Scenas da Roça: Poema de costumes nacionaes · 第 11 / 48 题