Elle era um moço bonito
como na côrte não ha,
tinha os olhos e os cabellos
da côr do jacarandá.
Um porte airoso, engraçado,
rapagão desempenado
de metter inveja a cem!
se na estrada elle passava,
a moça que o espiava
lhe ficava querendo bem.
Mas elle guardava firme
no fundo do coração
pela bella Margarida
a mais ardente paixão.
E as moças da visinhança
ao verem sua esquivança
ás festas, se ella não ia,
diziam de enciumadas:
«--Pedro está de azas quebradas;
pobre moço! quem diria?!
«--E tem só vinte e tres annos
e alguma cousa de seu!
vejam só o que é fortuna;
tão feliz nunca fui eu!
--E dizem que casa breve?
--Eu não sei, mas elle deve
casar-se p'ra o fim do anno.
--Que lhe faça bom proveito...
--E o velho está satisfeito?
--Pudera não! bem ufano!»
Tal eram os commentarios
que em toda a parte faziam
as moças da visinhança,
que em festas se reuniam;
mas elle, surdo aos rumores
que faziam seus amores
nas discussões femenis,
nada via além do encanto
d'aquelle amor puro e santo,
d'aquelles olhos gentis.
Mas quem era a linda moça
a quem Pedro tanto amava?
quem era a virgem formosa
que elle assim idolatrava?
era rica ou pobresinha?
tinha-lhe amor ou não tinha?
Não é o que queres saber?
lá vamos, leitor querido,
satisfazer teu pedido,
já tudo vamos dizer.