Rubião ainda quiz valer ao major, mas o ar de fastio com que Sophia o
interrompeu foi tal, que o nosso amigo preferiu perguntar-lhe se, não
chovendo na seguinte manhã, iriam sempre passear á Tijuca.
--Já fallei a Christiano; disse-me que tem um negocio, que fique para
domingo que vem.
Rubião, depois de um instante:
Vamos nós dous. Sahimos cedo, passeamos, almoçamos lá; ás tres ou
quatro horas estamos de volta...
Sophia olhou para elle, com tamanha vontade de acceitar o convite, que
Rubião não esperou resposta verbal.
--Está assentado, vamos, disse elle.
--Não.
--Como não?
E repetiu a pergunta, porque Sophia não lhe quiz explicar a negativa,
aliás, tão obvia. Obrigada a fazel-o, ponderou que o marido ficaria
com inveja, e era capaz de adiar o negocio só para ir tambem. Não
queria atrapalhar os negocios delle, e podiam esperar oito dias.
O olhar de Sophia acompanhava essa explicação, como um clarim
acompanharia um padre-nosso. Vontade tinha, oh! se tinha vontade de ir
na manhã seguinte, com Rubião, estrada acima, bem posta no cavallo,
não scismando á toa, nem poetica, mas valente, fogo na cara, toda
deste mundo, galopando, trotando, parando. Lá no alto, desmontaria
algum tempo; tudo só, a cidade ao longe e o ceu por cima. Encostada
ao cavallo, penteando-lhe as crinas com os dedos, ouviria Rubião
louvar-lhe a affouteza e o garbo... Chegou a sentir um beijo na nuca...