Fazer um capitulo só para dizer que, a principio, os convivas, ausente
o Rubião, fumavam os proprios charutos, depois do jantar,--parecerá
frivolo aos frivolos; mas os considerados dirão que algum interesse
haverá nesta circumstancia em apparencia minima.
De facto, uma noite, um dos mais antigos lembrou-se de ir ao gabinete
de Rubião; lá fôra algumas vezes, alli se guardavam as caixas de
charutos, não quatro nem cinco, mas vinte e trinta de varias fabricas
e tamanhos, muitas abertas. Um criado (o hespanhol) accendeu o gaz.
Os outros convivas seguiram o primeiro, escolheram charutos e os que
ainda não conheciam o gabinete admiraram os moveis bem feitos e bem
dispostos. A secretária captou as admirações geraes; era de ebano, um
primor de talha, obra severa e forte. Uma novidade os esperava: dous
bustos de marmore, postos sobre ella, os dous Napoleões, o primeiro e o
terceiro.
--Quando veiu isto?
--Hoje ao meio dia, respondeu o criado.
Dous bustos magnificos. Ao pé do olhar aquilino do tio, perdia-se no
vago o olhar scismatico do sobrinho. Contou o criado que o amo, apenas
recebidos e collocados os bustos, deixara-se estar grande espaço em
admiração, tão deslembrado do mais, que elle pode miral-os tambem, sem
admiral-os.--_No me dicen nada estos dos pícaros_, concluiu o criado
fazendo um gesto largo e nobre.