--Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou entrando em
casa.
Nada de cachorro. Só então é que elle se lembrou de havel-o mandado
dar á comadre Angelica. Correu á casa da comadre, que era distante. De
caminho accudiram-lhe todas as ideias feias, algumas extraordinarias.
Uma ideia feia, é que o cão tivesse fugido. Outra extraordinaria é
que algum inimigo, sabedor da clausula e do presente, fosse ter com a
comadre, roubasse o cachorro, e o escondesse ou matasse. Neste caso, a
herança... Passou-lhe uma nuvem pelos olhos; depois começou a vêr mais
claro.
--Não conheço negocios de justiça, pensava elle, mas parece que não
tenho nada com isso. A clausula suppõe o cão vivo ou em casa; mas se
elle fugir ou morrer, não se ha de inventar um cão; logo, a intenção
principal... Mas são capazes de fazer chicana os meus inimigos. Não
cumprida a clausula...
Aqui a testa e as costas das mãos do nosso amigo ficaram em agua. Outra
nuvem pelos olhos. E o coração batia-lhe rapido, rapido. A clausula
começava a parecer-lhe extravagante. Rubião pegava-se com os santos,
promettia missas, dez missas... Mas lá estava a casa da comadre. Rubião
picou o passo; viu alguém; era ella? era, era ella, encostada á porta e
rindo.
--Que figura que o senhor vem fazendo, meu compadre? Meio tonto,
jogando com os braços.