pergunta «Como é que os sons podem exprimir o pensamento»? posto
adjective de eloquente a resposta. Lefèvre qualifica-a de excesso de
mysticismo anglicano por parte de Müller, e observa que «o grito vago,
fixado, precisado pelo habito, por convenção, por analogia com certas
impressões traduzidas em onomatopêas nos basta para comprehender como a
tal ordem de sensações ou de movimentos cerebraes se pôde ligar tal ou
tal som.» D'este modo não haveria na linguagem as flôres artificiaes de
que falla Müller, e, como pensamos, todas essas syllabas-mães
mergulhariam raizes na interjeição ou na onomatopêa, acabando de
fixal-as o habito.
A moderna applicação da Historia a todos os ramos dos conhecimentos
humanos produziu, na sciencia da linguagem, um estudo encantador--a
biographia de cada palavra, muitas vezes em opposição com as regras
phoneticas que determinam as mudanças possiveis das letras. O verdadeiro
caracter de universalidade da Historia provém certamente não do facto de
abranger a generalidade dos povos, mas sim a generalidade dos assumptos,
e é por isso que ella envolve, na sua immensa esphera, todas as
sciencias. Tudo tem uma historia, e o historiador universal tem de
abranger a historia de tudo.
Max Müller[66] faz, a traços poeticos, a biographia da palavra
_palacio_. Sobre as margens do Tibre, uma das sete collinas era chamada
_collis Palatinus_. Palatinus derivava-se de Palas, divindade pastoral,
cuja festa se celebrava a 21 de abril. Nero mandou demolir todas as
casas particulares d'esta collina para ahi edificar o seu aureo palacio,
_domus aurea_, a que se principiou a dar o nome de _Palatium_,
conservando-se como typo dos palacios reaes da Europa. De _palatium_
nasceu o adjectivo _palatino_, a que se juntou a palavra _abobada_ para
significar o ponto mais elevado da bocca, porque _abobada_ era
realmente, como observa Müller, uma palavra muito propria para designar
o palacio da bocca. O illustre professor d'Oxford, lembrando a phrase de
Ennius--_palatum coeli_--, para exprimir a abobada dos céos, faz sentir
a evidente analogia que ha entre a concepção do palacio da bocca e a de
uma abobada, e entre a concepção de uma abobada e a sumptuosa habitação
dos imperadores.
Tomando por instrumento de investigação a philologia, a Historia não
abriu os vocabularios das differentes raças para estudar sómente a
biographia das palavras, mas quiz tambem deletrear n'elles a condição
social, a civilisação d'essas raças.
A critica philologica descobriu que os Hos da India central não conhecem
os termos affectuosos; que os Algonquinos, povo da America
septentrional, não possuem o verbo _amar_; que os Bosmejans não teem
nomes proprios para distinguir os individuos; que as tribus brazilicas
desconhecem as noções de _côr_, _genero_, _espirito_, etc., por isso que
não apparecem nos seus vocabularios palavras correspondentes a estas
noções[67].
Se os vocabularios foram considerados testimunhos importantes para a
historia da civilisação dos povos, as litteraturas, os monumentos
litterarios principiaram a reputar-se, perante a critica moderna, a
photographia do estado do espirito d'esses povos, e dos seus costumes. É
por isso que Henri Taine[68] disse: «A historia transformou-se ha cem
annos na Allemanha e ha sessenta em França, pelo estudo das
litteraturas.» A litteratura copia o povo, como o livro copia o homem.
Os monumentos litterarios são a concretisação da alma das nações: tudo o
que ella sentia no _momento_ em que produziu, influenciada pela força do
meio physico, clima, e pelas disposições hereditarias, _raça_, está alli
condensado. Uma epopéa é um composto determinado pela acção simultanea
d'estas tres forças primordiaes reconhecidas por Taine.
Interrogado o _Mahabharata_, reproduz a nossos olhos o cyclo tempestuoso
das conquistas dos aryas, quando, avançando para o sul, se propozeram
assenhorear as regiões do Ganges. O _Ramayana_ é tambem um symbolo sob a
fórma de uma epopéa. A serenidade e abundancia que succedem aos
trabalhos de Rama, para rehaver o throno e a esposa, representam a
conquista pacifica do Meio-dia da India depois da conquista guerreira. É
o poema da _posse_, como o _Mahabharata_ é o poema da lucta. Ambos elles
respondem eloquentemente ás interrogações da Historia, ambos elles
caracterisam a alma da raça arya ao tempo em que rolava do alto do
Thibet para, como uma onda enorme, alagar talvez o mundo[69]. Eis-aqui
porque já haviamos dito que as obras de arte e de litteratura são as que
mais profundamente caracterisam a civilisação de um povo.
Nos tempos modernos, a Historia, depois do rumo que lhe imprimiu Vico,
pôde extrahir grandes recursos do estudo dos symbolos; quando ella
chegou a lêr esses alphabetos mudos, permitta-se-nos a expressão, dos
povos primitivos, descobriu segredos importantissimos. Na poesia do
_Ramayana_ conseguiu reconhecer em Rama e em Sita uma dupla
personificação da agricultura, da força que move o arado e do sulco que
esse movimento produz na terra[70], o que plenamente confirma a exegese
em que o _Ramayana_ é o poema da conquista do sul da peninsula
indostanica pelo trabalho sereno, pela paz. O symbolismo juridico,
interrogado pela Historia, produziu a _poesia do direito_, concepção
encantadora que em Portugal só tem originado, até hoje, um unico
livro[71]. Assim é que a symbolica vai encontrar na _stipulacão_ a
_palha_ (_stipula_), que intervinha nos contractos[72] e que até algumas
vezes se cosia aos documentos[73]; na prova pelo _fogo_ o symbolo da
pureza, porque, segundo os antigos, o fogo, sendo o grande purificador,
«não podia conjurar contra o innocente[74].»
Em Portugal, as mulheres accusadas de adulterio _purgavam-se a ferro
caldo_. O ferro, aquecido pelo fogo, accusava o crime ou a innocencia: o
fogo, diz o _Ramayana_, vê tudo o que ha de manifesto e tudo o que ha de
occulto. Bastaria só este facto para demonstrar que o symbolismo tanto
abrangia a religião como o direito. Por um lado o fogo tinha um caracter
divino, encarnava-se em Vesta, a que os gregos chamavam Estia, _fogo
domestico_[75]; por outro lado revestia um caracter juridico, porque
pela prova do fogo ficava a mulher legalmente rehabilitada. De modo que
no _ferro caldo_ não só se póde distinguir o elemento religioso e o
elemento juridico, mas tambem a relação existente entre os dous
elementos: sendo o adulterio um crime que principalmente affecta a vida
de familia, a superstição continuou a fazel-o julgar pelo fogo, que na
mythologia grega tinha um caracter divino de domesticidade.
Antigamente, o historiador fugia dos symbolos pela mesma razão que os
caminhantes fugiam da Sphynge: por não poder adivinhar o que elles
diziam. Mas depois de Vico, o primeiro philosopho da Historia, as
allegorias tornaram-se claras, luminosas. Desde esse momento tanto se
dilatou a esphera da Historia, que um só individuo passou a representar
uma generalisação: Achilles o _valor commum a todos os homens fortes_,
Ulysses a _prudencia commum a todos os sabios_[76]. Esta generalisação
illustrou ao mesmo passo o passado e o futuro: o passado, porque
interpretou a antiguidade; o futuro, porque produziu a etymologia das
linguagens poeticas.
Pelo auxilio que a archeologia e o estudo das litteraturas vieram
prestar á Historia, chegou-se á concepção da ethnographia, sciencia que
dá o conhecimento dos usos, costumes, aptidões e religiões dos povos, e
cuja denominação foi fixada em 1826 por Balbi[77]. Esta nova sciencia
veio, pois, completar o estudo do grupo humano sob o ponto de vista
zoologico (anthropologia) e sob o ponto de vista historico e geographico
(ethnologia). Como se fossem tres grandes linhas, as tres sciencias
cruzaram-se em triangulo: dentro d'elle ficou o homem. O _homo sapiens_
de Linneu mais propriamente se poderia denominar desde então _homo
triplex_.
Toda a importancia da ethnographia não está, como por muito tempo se
julgou, no interesse maior ou menor que póde despertar á imaginação o
conhecimento da estranha maneira de viver dos povos. A sciencia moderna
deu ás narrativas dos _touristes_ um valor até agora desconhecido,
e foi d'este modo que a ethnographia revestiu um caracter altamente
scientifico. Sob este ponto de vista, presta um grande auxilio a
interpretação dos phenomenos sociaes, á sciencia da sociedade ou
_sociologia_, como lhe chamou Augusto Comte. Herbert Spencer
encontrou grandes subsidios na historia das superstições, quando
reconheceu que ellas pertenciam ao numero de certas particularidades de
que parcialmente depende a maneira por que a unidade social se comporta
no meio das condições ambientes, inorganicas, organicas e
superorganicas[78].
As civilisações antigas teem-se reconstruido em grande parte pelas
investigações archeologicas, que são para a ethnographia um poderoso
instrumento de averiguação. A sciencia moderna tem conseguido fazer a
historia geral da civilisação da humanidade desde a idade de pedra até
nossos dias, como se o homem actual podesse realmente retroceder ao
passado e voltar ao presente com as provas materiaes do modo como a sua
existencia se desenvolveu, de cyclo em cyclo, sobre a face da terra. Na
grande resurreição da humanidade pela sciencia, o mais insignificante
fragmento de barro serviu para a reconstrucção historica de uma
civilisação.
Do conjuncto das sciencias que estudam o passado, e que são dominadas
pela Historia, porque se apoiam sobre factos historicos, trazem origem
algumas sciencias novas, entre as quaes mencionaremos a _sciencia das
religiões_. Com quanto recentissima, são realmente admiraveis as
conquistas, as descobertas já realisadas por esta sciencia. Uma d'ellas
é, seguramente, a affirmação da unidade historica das religiões. A
crença de que cada religião possuia sua autochthonia, ou pelo menos
certa originalidade, cahiu perante o resultado das investigações
modernas, as quaes poderam levar o espirito humano á conclusão de que as
religiões teem uma origem asiatica commum, que se encontra nos _Vedas_.
A demonstração d'esta verdade é admiravelmente desenvolvida por Emilio
Durnouf[79].
Achou-se que as religiões derivam de um elemento primitivo, o fogo,
considerado sob o ponto de vista de tres funcções distinctas: uma
_physica_, outra _psychologica_, a ultima _metaphysica_. A estas tres
funcções correspondem tres phenomenos, que impressionaram o espirito dos
aryas, quando ainda estanciavam nos valles do Oxus: o movimento, a vida,
o pensamento. Estes tres phenomenos abrangem a totalidade dos phenomenos
naturaes.
Espraiando a vista por todas as cousas inanimadas que os rodeavam, os
aryas chegaram á convicção de que todas essas cousas se moviam por
effeito do calor, proveniente do sol. Reconheceram o calor na chamma, no
raio, nas nuvens formadas pela evaporação das aguas, no vento produzido
pelos movimentos vibratorios do ar devidos á presença do calor, que o
rarefaz, ou á sua ausencia, que o condensa; em tudo, finalmente. Depois,
fixando a sua attenção nos corpos organicos, encontraram a mesma causa
de vida: viram os vegetaes enfolhar e florir animados pelo ósculo tépido
da primavera, e pender feridos de morte no inverno; viram os animaes
mover-se cheios de actividade e de vida quando o calor lhes retemperava
os membros, e enfermar e morrer quando o frio os enregelava.
Portanto foram levados a concluir que residia no calor a causa de todo o
movimento nos corpos inorganicos, e de todos as phenomenos vitaes nos
corpos organisados.
Mas a presença ou a ausencia de calor, estudada no corpo humano,
produziu a noção de tres funcções differentes.
FUNCÇÃO PHYSICA.--O corpo do homem ganhava pelo calor a actividade, a
vida, que perdia pelo resfriamento.
FUNCÇÃO PSYCHOLOGIGA.--Desde o momento em que o corpo do homem se
tornava cadaver por um resfriamento geral, a faculdade de pensar
desapparecia.
FUNCÇÃO METAPHYSICA.--Se pela ausencia da luz o mundo ficasse
sepultado em trevas, a intelligencia humana, dado que podesse
funccionar, ficaria inteiramente desajudada do auxilio da vista, que é o
sentido pelo qual nós adquirimos a percepção de quasi todas as idéas,
especialmente a idéa da harmonia das cousas, e conseguintemente do
principio de que emanam[80].
Assentes estes principios, vejamos como se póde affirmar a unidade
historica das religiões pela sua filiação commum no elemento vedico do
calor. Tomemos na religião que seguimos um exemplo, o dogma da trindade.
Temos no christianismo o _Padre_, o _Filho_ e o _Espirito_, e na
trindade aryana a concepção de tres deuses que resumiam o nucleo da
theogonia: _Savitri_, _Agni_ e _Vâyu_.
_Savitri_, o productor, o pai celeste, é o sol.
_Agni_, é o fogo, habita na terra. O seu nascimento é mystico: se por um
lado tem um pai terrestre, _Twastri_, que quer dizer _carpinteiro_, por
outro lado descende do céo, e foi concebido pela vontade de _Vâyu_ no
ventre de _Mâyâ_.
_Vâyu_, no sentido material é o vento, o ar em movimento, que alimenta a
luz e o fogo; no sentido metaphysico é o espirito de vida, a
immortalidade em si mesma.
Todos estes tres deuses estão, pois, substancialmente identificados na
trindade aryana como na trindade christã. São uma concepção metaphysica
baseada sobre uma concepção muito vaga da natureza.
Mas a unidade historica das religiões póde ainda acompanhar-se na vida
de _Agni_, o deus que se humanisa, porque desce á terra.
_Twastri_, seu pai, é o carpinteiro, que fricciona os dous bocados de
madeira, de que ha-de sahir o «filho divino».
_Mâyâ_ é a personificação da potencia productora sob a fórma de mulher.
_Agni_ nasce homem e transforma-se em deus quando um sacerdote,
collocando-o sobre o altar, derramou sobre a sua cabeça o licôr sagrado,
_sôma_, e o ungiu com a manteiga do sacrificio. Entre os aryas da Asia
central a vacca era o typo por excellencia dos animaes, produz o leite,
o qual produz a manteiga. A manteiga clarificada é a materia animal que
melhor serve para alimentar o fogo. O _sôma_ é um licôr alcoolico,
produzido pelo succo da asclepias acida, que, fermentado, e lançado ao
fogo, cria chammas esplendidas.
O _sôma_ das religiões do Oriente transforma-se nas religiões do
Occidente em vinho, o licôr sagrado. Assim como _Agni_ reside no _sôma_,
Christo reside no vinho, tambem sob uma fórma mystica. Ainda vamos
encontrar no vinho o elemento vedico do fogo: a uva amadurece pelo
calor, concentra-o, e transmitte-o a quem bebe o seu succo. O bolo que
na religião indiana é feito de farinha e manteiga, materias
eminentemente combustiveis e nutritivas, transforma-se na religião
christa na hostia feita de farinha e agua, convindo lembrar que a
combinação do hydrogenio com o oxygenio, de que resulta a agua, tem por
condição, essencial o calor. _Agni_ como Christo residem n'esta offrenda
solida: são o sacrificador que se offerece a si mesmo como victima.
Eis o dogma da eucharistia.
Seguindo o luminoso rastro de Burnouf, poderiamos levar mais longe a
demonstração da unidade historica das religiões, mesmo sem sahirmos do
christianismo; poderiamos descer a minuciosidades, mostrar como a
_estrella dos magos_ é a _savanagraha_, a estrella fatidica; como a
vacca do presepe de Bethlem é a vacca mystica dos aryas, e como nem
siquer falta o jumentinho que para alguns áryas traz sobre o dorso o
fructo de que se extrahe o licôr sagrado; pelo que especialmente toca
aos ritos, seria curioso mostrar, por exemplo, acompanhando Burnouf,
como a grande época do anno christão consiste justamente nas ceremonias
da _renovação do fogo_, quer dizer, na Paschoa; mas o nosso fim é tão
sómente fazer sentir que a unidade das religiões é uma verdade, e que
essa verdade foi conquistada por uma sciencia nova, baseada sobre factos
historicos, e portanto filha da Historia universal philosophica.
A grande obra de simplificação da Philosophia positiva releva
principalmente no mobil que impelliu o espirito humano a descobrir o
principio de unidade das religiões.
Realmente é assombroso acompanhar a marcha da idéa religiosa, semelhante
a uma grande corrente aryana, desde o seu berço asiatico, e através das
mythologias dos antigos povos gregos, latinos e germanos, até ao
christianismo, em que _Agnus_, o cordeiro immaculado, parece não ser
mais que uma leve alteração morphologica de _Agni_.
A sciencia moderna está já dirigindo as suas vistas para a America, no
indefesso empenho de encontrar a unidade das origens da civilisação. De
Chavencey, estudando o mytho americano de Votan, encontrou n'elle uma
contrafacção, á parte o elemento indigena já introduzido, das legendas
asiaticas de Phra-Ruang e de Pyú-Tsau-ti[81]. «Tem-se notado, observa
Maury[82] a analogia de muitas tradições religiosas dos antigos
mexicanos e de algumas crenças christãs ou buddicas, a conformidade de
certos monumentos e symbolos da America central com figuras e emblemas
christãos e japonezes. As populações boreaes encontravam um caminho já
traçado para o novo mundo pelo estreito de Behring e ilhas Aleutianas.»
Especialmente pelo que toca á religião, a philosophia applicada á
Historia é muitas vezes accusada de acintemente demolidora. Esta
accusação, na materia de que vimos tratando, refere-se principalmente á
vida de Christo. Ora é preciso observar que deve haver n'este assumpto
tres pontos distinctos, correspondentes a tres elementos differentes: a
theoria de Christo, a legenda de Christo e a vida de Jesus[83]. Christo,
estudado na pureza sublime da sua vida, merece o respeito de todos os
philosophos. «De alguma crença que a critica racional nos despoje, diz
Stuart Mill[84], resta-nos Christo; figura unica, que se eleva tanto
acima dos seus precursores como dos seus successores, e d'aquelles
mesmos que tiveram o privilegio de receber directamente de sua bocca o
seu ensinamento.»
Desde o momento em que o espirito moderno tratou de procurar nos factos
sociaes a estabilidade de principios que rege os phenomenos naturaes,
querendo assim reduzir todas as nossas concepções fundamentaes a um
estado de homogeneidade e, portanto, dar á philosophia um caracter
definitivo de positividade, a Historia, fornecendo uma grande base para
os estudos de observação, veio occupar um ponto culminante na esphera
dos conhecimentos humanos. Esta superioridade de posição, que a Historia
conquistou na hierarchia das sciencias, provém da necessaria relação que
ha entre os factos e as idéas. De modo que se póde dizer que um grande
numero de sciencias, se é que não são todas ellas, concorrem de mãos
dadas para erigir o vasto monumento da Historia. As obras colossaes
precisam de um immenso concurso de trabalho; quando Cheops e Cephten
pensaram em levantar as duas mais altas pyramides do Egypto, diz-se que
cêrca de cem mil homens carreavam materiaes. A Historia é tambem uma
pyramide. E assim como as do Egypto dominavam com as suas quatro faces
os quatro pontos cardeaes do mundo, a Historia abrange com a sua vista
de aguia a esphera dos conhecimentos humanos.
((1878))
[1] Referimo-nos principalmente ás antas ou dolmens. Vide Adolpho
Coelho, _Algumas observações ácerca do diccionario bibliographico
portuguez e seu auctor_, pag. 10, e Augusto Filippe Simões,
_Introducção á archeologia da peninsula iberica_, pag. 76.
[2] _Historia universal_, introducção, cap. VII.
[3] _Introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanité._
[4] _Les origines de la civilisation_, cap. IX, traducção franceza
de Ed. Barbier.
[5] _Expedition to the Rocky mountains_, vol. III, pag. 52.
[6] _Scienza nuova_, liv. II, Da sabedoria poetica.
[7] _L'homme selon la science_, traducção franceza de Ch.
Letourneau, pag. 235.
[8] _Les origines de la civilisation_, cap. III.
[9] _Scienza nuova_, liv. II.
[10] Paulo Janet. _A familia._
[11] _Considérations sur les causes de la grandeur des romains et de
leur décadence._ Cap. I.
[12] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, neuvième leçon.
[13] Theophilo Braga. _Historia da poesia popular portugueza._
[14] _Les sciences et la philosophie_, por Th.-Henri Martin, pag.
30.
[15] Cantu. _Hist. univ._ Liv. XI, cap. I.
[16] Ibidem, cap. IV.
[17] Cantu. _Hist. univ._ Liv. XI, cap. VI.
[18] _Introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanité._
[19] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, sixième édition,
pag. 228.
[20] _Principes de philosophie positive_, por Augusto Comte, pag.
96.
[21] Cousin. _Premiers essais de philosophie_, pag. 380.
[22] Ibidem, pag. 379.
[23] _Discours sur l'histoire universelle_--Avant-propos.
[24] _Disc. sur l'hist. univ._ Troisième partie, chapitre VIII.
[25] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, onzième leçon.
[26] Theophilo Braga. _Poesia do direito_, pag. 168.
[27] Vico. _Scienza nuova_, liv. I.
[28] _Scienza nuova._ Liv. IV.
[29] _Historia universal._ Introd.
[30] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, sixième Edition,
pag. 239 e 240.
[31] _Poesia do Direito_, pag. 13.
[32] «O seu livro é um Apocalypse, cada dia se descobre alli o
germen d'uma sciencia nova, a Philosophia da Historia, a Symbolica
do Direito, a Critica da Arte.» Theophilo Braga. _A Poesia do
Direito._
[33] H. Taine. _La Fontaine et ses fables_, troisième édition, pag.
8.
[34] _Histoire de la litteratura anglaise_, tome premier, pag. 22.
[35] _Physiologie des ecrivains et des artistes._
[36] _Le monde marche_, seconde édition, pag. 214.
[37] _De l'esprit des lois_, livre quatorzième, chapitre III.
[38] _Histoire de la navigation de Jean Hugues de Linschot,
hollandois, aux Indes Orientales._ Amsterdam, 1619.
[39] Capitulos XXIX e XXX.
[40] _Introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanité._
[41] Theophilo Braga. _Introducção á Historia da litteratura
portugueza_, pag. 6.
[42] Joaquim Pedro Fragoso de Siqueira. _Memorias economicas da
Academia_, tom. V.
[43] _Les peuples de la France_, pag. 16.
[44] _Le génie des religions._ (Ed. de 1869), cap. II, pag. 15.
[45] Jacques de Boisjoslin. _Les peuples de la France_, pag. 12 e
155.
[46] _Lettres sur la philosophie de l'histoire_, pag. 115.
[47] _Principes de philosophie positive_, pag. 140.
[48] Obra citada, pag. 88.
[49] Idem, pag. 119.
[50] _Introducção á archeologia da peninsula iberica_ pelo dr.
Augusto Filippe Simões, pag. 2.
[51] «Quem souber porém que o bronze é uma liga de cobre e estanho,
que o segundo d'estes metaes é menos commum que o primeiro e de mais
difficil extracção, e finalmente que, sem se conhecerem ambos, não
se inventaria a sua liga, de certo perguntará porque se não faz
preceder a época do bronze pela época do cobre? A razão é simples.
Em quasi todas as nações da Europa apparecem tão numerosos os
objectos de bronze e tão raros os de cobre, que se teem refusado os
archeologos a admittir uma época só caracterisada por este metal.»
Dr. Augusto Filippe Simões.
[52] Capitulo VI do _Genesis_.
[53] Com razão observa Quatrefages que o polygenismo, habitualmente
olhado como um resultado do _livre pensamento_, começou por ser
biblico e dogmatico. _L'espèce humaine_, deuzième édition, pag. 22.
[54] Quatrefages. A proposito da discussão americana entre
esclavistas e negrophilos.
[55] Dumont. _Hæckel et la théorie de l'évolution en Allemagne._
Segundo Dumont a theoria da evolução apparece em germen nas velhas
religiões pantheistas da India e do Egypto. O philosopho Parmenides
concebia a geração da vida como gradual e resultante d'ensaios
successivos. Chapitre premier.
[56] Topinard. _L'Anthropologie_, pag. 550.
[57] Este ponto é considerado inatacavel por Quatrefages. «Se toda a
terra, diz elle, não é invadida dentro de alguns annos por certas
especies, se os rios e os oceanos não são igualmente invadidos, a
estas luctas se deve.»