Lubbock não fica satisfeito com a resposta dada por Müller a esta

pergunta «Como é que os sons podem exprimir o pensamento»? posto

adjective de eloquente a resposta. Lefèvre qualifica-a de excesso de

mysticismo anglicano por parte de Müller, e observa que «o grito vago,

fixado, precisado pelo habito, por convenção, por analogia com certas

impressões traduzidas em onomatopêas nos basta para comprehender como a

tal ordem de sensações ou de movimentos cerebraes se pôde ligar tal ou

tal som.» D'este modo não haveria na linguagem as flôres artificiaes de

que falla Müller, e, como pensamos, todas essas syllabas-mães

mergulhariam raizes na interjeição ou na onomatopêa, acabando de

fixal-as o habito.

A moderna applicação da Historia a todos os ramos dos conhecimentos

humanos produziu, na sciencia da linguagem, um estudo encantador--a

biographia de cada palavra, muitas vezes em opposição com as regras

phoneticas que determinam as mudanças possiveis das letras. O verdadeiro

caracter de universalidade da Historia provém certamente não do facto de

abranger a generalidade dos povos, mas sim a generalidade dos assumptos,

e é por isso que ella envolve, na sua immensa esphera, todas as

sciencias. Tudo tem uma historia, e o historiador universal tem de

abranger a historia de tudo.

Max Müller[66] faz, a traços poeticos, a biographia da palavra

_palacio_. Sobre as margens do Tibre, uma das sete collinas era chamada

_collis Palatinus_. Palatinus derivava-se de Palas, divindade pastoral,

cuja festa se celebrava a 21 de abril. Nero mandou demolir todas as

casas particulares d'esta collina para ahi edificar o seu aureo palacio,

_domus aurea_, a que se principiou a dar o nome de _Palatium_,

conservando-se como typo dos palacios reaes da Europa. De _palatium_

nasceu o adjectivo _palatino_, a que se juntou a palavra _abobada_ para

significar o ponto mais elevado da bocca, porque _abobada_ era

realmente, como observa Müller, uma palavra muito propria para designar

o palacio da bocca. O illustre professor d'Oxford, lembrando a phrase de

Ennius--_palatum coeli_--, para exprimir a abobada dos céos, faz sentir

a evidente analogia que ha entre a concepção do palacio da bocca e a de

uma abobada, e entre a concepção de uma abobada e a sumptuosa habitação

dos imperadores.

Tomando por instrumento de investigação a philologia, a Historia não

abriu os vocabularios das differentes raças para estudar sómente a

biographia das palavras, mas quiz tambem deletrear n'elles a condição

social, a civilisação d'essas raças.

A critica philologica descobriu que os Hos da India central não conhecem

os termos affectuosos; que os Algonquinos, povo da America

septentrional, não possuem o verbo _amar_; que os Bosmejans não teem

nomes proprios para distinguir os individuos; que as tribus brazilicas

desconhecem as noções de _côr_, _genero_, _espirito_, etc., por isso que

não apparecem nos seus vocabularios palavras correspondentes a estas

noções[67].

Se os vocabularios foram considerados testimunhos importantes para a

historia da civilisação dos povos, as litteraturas, os monumentos

litterarios principiaram a reputar-se, perante a critica moderna, a

photographia do estado do espirito d'esses povos, e dos seus costumes. É

por isso que Henri Taine[68] disse: «A historia transformou-se ha cem

annos na Allemanha e ha sessenta em França, pelo estudo das

litteraturas.» A litteratura copia o povo, como o livro copia o homem.

Os monumentos litterarios são a concretisação da alma das nações: tudo o

que ella sentia no _momento_ em que produziu, influenciada pela força do

meio physico, clima, e pelas disposições hereditarias, _raça_, está alli

condensado. Uma epopéa é um composto determinado pela acção simultanea

d'estas tres forças primordiaes reconhecidas por Taine.

Interrogado o _Mahabharata_, reproduz a nossos olhos o cyclo tempestuoso

das conquistas dos aryas, quando, avançando para o sul, se propozeram

assenhorear as regiões do Ganges. O _Ramayana_ é tambem um symbolo sob a

fórma de uma epopéa. A serenidade e abundancia que succedem aos

trabalhos de Rama, para rehaver o throno e a esposa, representam a

conquista pacifica do Meio-dia da India depois da conquista guerreira. É

o poema da _posse_, como o _Mahabharata_ é o poema da lucta. Ambos elles

respondem eloquentemente ás interrogações da Historia, ambos elles

caracterisam a alma da raça arya ao tempo em que rolava do alto do

Thibet para, como uma onda enorme, alagar talvez o mundo[69]. Eis-aqui

porque já haviamos dito que as obras de arte e de litteratura são as que

mais profundamente caracterisam a civilisação de um povo.

Nos tempos modernos, a Historia, depois do rumo que lhe imprimiu Vico,

pôde extrahir grandes recursos do estudo dos symbolos; quando ella

chegou a lêr esses alphabetos mudos, permitta-se-nos a expressão, dos

povos primitivos, descobriu segredos importantissimos. Na poesia do

_Ramayana_ conseguiu reconhecer em Rama e em Sita uma dupla

personificação da agricultura, da força que move o arado e do sulco que

esse movimento produz na terra[70], o que plenamente confirma a exegese

em que o _Ramayana_ é o poema da conquista do sul da peninsula

indostanica pelo trabalho sereno, pela paz. O symbolismo juridico,

interrogado pela Historia, produziu a _poesia do direito_, concepção

encantadora que em Portugal só tem originado, até hoje, um unico

livro[71]. Assim é que a symbolica vai encontrar na _stipulacão_ a

_palha_ (_stipula_), que intervinha nos contractos[72] e que até algumas

vezes se cosia aos documentos[73]; na prova pelo _fogo_ o symbolo da

pureza, porque, segundo os antigos, o fogo, sendo o grande purificador,

«não podia conjurar contra o innocente[74].»

Em Portugal, as mulheres accusadas de adulterio _purgavam-se a ferro

caldo_. O ferro, aquecido pelo fogo, accusava o crime ou a innocencia: o

fogo, diz o _Ramayana_, vê tudo o que ha de manifesto e tudo o que ha de

occulto. Bastaria só este facto para demonstrar que o symbolismo tanto

abrangia a religião como o direito. Por um lado o fogo tinha um caracter

divino, encarnava-se em Vesta, a que os gregos chamavam Estia, _fogo

domestico_[75]; por outro lado revestia um caracter juridico, porque

pela prova do fogo ficava a mulher legalmente rehabilitada. De modo que

no _ferro caldo_ não só se póde distinguir o elemento religioso e o

elemento juridico, mas tambem a relação existente entre os dous

elementos: sendo o adulterio um crime que principalmente affecta a vida

de familia, a superstição continuou a fazel-o julgar pelo fogo, que na

mythologia grega tinha um caracter divino de domesticidade.

Antigamente, o historiador fugia dos symbolos pela mesma razão que os

caminhantes fugiam da Sphynge: por não poder adivinhar o que elles

diziam. Mas depois de Vico, o primeiro philosopho da Historia, as

allegorias tornaram-se claras, luminosas. Desde esse momento tanto se

dilatou a esphera da Historia, que um só individuo passou a representar

uma generalisação: Achilles o _valor commum a todos os homens fortes_,

Ulysses a _prudencia commum a todos os sabios_[76]. Esta generalisação

illustrou ao mesmo passo o passado e o futuro: o passado, porque

interpretou a antiguidade; o futuro, porque produziu a etymologia das

linguagens poeticas.

Pelo auxilio que a archeologia e o estudo das litteraturas vieram

prestar á Historia, chegou-se á concepção da ethnographia, sciencia que

dá o conhecimento dos usos, costumes, aptidões e religiões dos povos, e

cuja denominação foi fixada em 1826 por Balbi[77]. Esta nova sciencia

veio, pois, completar o estudo do grupo humano sob o ponto de vista

zoologico (anthropologia) e sob o ponto de vista historico e geographico

(ethnologia). Como se fossem tres grandes linhas, as tres sciencias

cruzaram-se em triangulo: dentro d'elle ficou o homem. O _homo sapiens_

de Linneu mais propriamente se poderia denominar desde então _homo

triplex_.

Toda a importancia da ethnographia não está, como por muito tempo se

julgou, no interesse maior ou menor que póde despertar á imaginação o

conhecimento da estranha maneira de viver dos povos. A sciencia moderna

deu ás narrativas dos _touristes_ um valor até agora desconhecido,

e foi d'este modo que a ethnographia revestiu um caracter altamente

scientifico. Sob este ponto de vista, presta um grande auxilio a

interpretação dos phenomenos sociaes, á sciencia da sociedade ou

_sociologia_, como lhe chamou Augusto Comte. Herbert Spencer

encontrou grandes subsidios na historia das superstições, quando

reconheceu que ellas pertenciam ao numero de certas particularidades de

que parcialmente depende a maneira por que a unidade social se comporta

no meio das condições ambientes, inorganicas, organicas e

superorganicas[78].

As civilisações antigas teem-se reconstruido em grande parte pelas

investigações archeologicas, que são para a ethnographia um poderoso

instrumento de averiguação. A sciencia moderna tem conseguido fazer a

historia geral da civilisação da humanidade desde a idade de pedra até

nossos dias, como se o homem actual podesse realmente retroceder ao

passado e voltar ao presente com as provas materiaes do modo como a sua

existencia se desenvolveu, de cyclo em cyclo, sobre a face da terra. Na

grande resurreição da humanidade pela sciencia, o mais insignificante

fragmento de barro serviu para a reconstrucção historica de uma

civilisação.

Do conjuncto das sciencias que estudam o passado, e que são dominadas

pela Historia, porque se apoiam sobre factos historicos, trazem origem

algumas sciencias novas, entre as quaes mencionaremos a _sciencia das

religiões_. Com quanto recentissima, são realmente admiraveis as

conquistas, as descobertas já realisadas por esta sciencia. Uma d'ellas

é, seguramente, a affirmação da unidade historica das religiões. A

crença de que cada religião possuia sua autochthonia, ou pelo menos

certa originalidade, cahiu perante o resultado das investigações

modernas, as quaes poderam levar o espirito humano á conclusão de que as

religiões teem uma origem asiatica commum, que se encontra nos _Vedas_.

A demonstração d'esta verdade é admiravelmente desenvolvida por Emilio

Durnouf[79].

Achou-se que as religiões derivam de um elemento primitivo, o fogo,

considerado sob o ponto de vista de tres funcções distinctas: uma

_physica_, outra _psychologica_, a ultima _metaphysica_. A estas tres

funcções correspondem tres phenomenos, que impressionaram o espirito dos

aryas, quando ainda estanciavam nos valles do Oxus: o movimento, a vida,

o pensamento. Estes tres phenomenos abrangem a totalidade dos phenomenos

naturaes.

Espraiando a vista por todas as cousas inanimadas que os rodeavam, os

aryas chegaram á convicção de que todas essas cousas se moviam por

effeito do calor, proveniente do sol. Reconheceram o calor na chamma, no

raio, nas nuvens formadas pela evaporação das aguas, no vento produzido

pelos movimentos vibratorios do ar devidos á presença do calor, que o

rarefaz, ou á sua ausencia, que o condensa; em tudo, finalmente. Depois,

fixando a sua attenção nos corpos organicos, encontraram a mesma causa

de vida: viram os vegetaes enfolhar e florir animados pelo ósculo tépido

da primavera, e pender feridos de morte no inverno; viram os animaes

mover-se cheios de actividade e de vida quando o calor lhes retemperava

os membros, e enfermar e morrer quando o frio os enregelava.

Portanto foram levados a concluir que residia no calor a causa de todo o

movimento nos corpos inorganicos, e de todos as phenomenos vitaes nos

corpos organisados.

Mas a presença ou a ausencia de calor, estudada no corpo humano,

produziu a noção de tres funcções differentes.

FUNCÇÃO PHYSICA.--O corpo do homem ganhava pelo calor a actividade, a

vida, que perdia pelo resfriamento.

FUNCÇÃO PSYCHOLOGIGA.--Desde o momento em que o corpo do homem se

tornava cadaver por um resfriamento geral, a faculdade de pensar

desapparecia.

FUNCÇÃO METAPHYSICA.--Se pela ausencia da luz o mundo ficasse

sepultado em trevas, a intelligencia humana, dado que podesse

funccionar, ficaria inteiramente desajudada do auxilio da vista, que é o

sentido pelo qual nós adquirimos a percepção de quasi todas as idéas,

especialmente a idéa da harmonia das cousas, e conseguintemente do

principio de que emanam[80].

Assentes estes principios, vejamos como se póde affirmar a unidade

historica das religiões pela sua filiação commum no elemento vedico do

calor. Tomemos na religião que seguimos um exemplo, o dogma da trindade.

Temos no christianismo o _Padre_, o _Filho_ e o _Espirito_, e na

trindade aryana a concepção de tres deuses que resumiam o nucleo da

theogonia: _Savitri_, _Agni_ e _Vâyu_.

_Savitri_, o productor, o pai celeste, é o sol.

_Agni_, é o fogo, habita na terra. O seu nascimento é mystico: se por um

lado tem um pai terrestre, _Twastri_, que quer dizer _carpinteiro_, por

outro lado descende do céo, e foi concebido pela vontade de _Vâyu_ no

ventre de _Mâyâ_.

_Vâyu_, no sentido material é o vento, o ar em movimento, que alimenta a

luz e o fogo; no sentido metaphysico é o espirito de vida, a

immortalidade em si mesma.

Todos estes tres deuses estão, pois, substancialmente identificados na

trindade aryana como na trindade christã. São uma concepção metaphysica

baseada sobre uma concepção muito vaga da natureza.

Mas a unidade historica das religiões póde ainda acompanhar-se na vida

de _Agni_, o deus que se humanisa, porque desce á terra.

_Twastri_, seu pai, é o carpinteiro, que fricciona os dous bocados de

madeira, de que ha-de sahir o «filho divino».

_Mâyâ_ é a personificação da potencia productora sob a fórma de mulher.

_Agni_ nasce homem e transforma-se em deus quando um sacerdote,

collocando-o sobre o altar, derramou sobre a sua cabeça o licôr sagrado,

_sôma_, e o ungiu com a manteiga do sacrificio. Entre os aryas da Asia

central a vacca era o typo por excellencia dos animaes, produz o leite,

o qual produz a manteiga. A manteiga clarificada é a materia animal que

melhor serve para alimentar o fogo. O _sôma_ é um licôr alcoolico,

produzido pelo succo da asclepias acida, que, fermentado, e lançado ao

fogo, cria chammas esplendidas.

O _sôma_ das religiões do Oriente transforma-se nas religiões do

Occidente em vinho, o licôr sagrado. Assim como _Agni_ reside no _sôma_,

Christo reside no vinho, tambem sob uma fórma mystica. Ainda vamos

encontrar no vinho o elemento vedico do fogo: a uva amadurece pelo

calor, concentra-o, e transmitte-o a quem bebe o seu succo. O bolo que

na religião indiana é feito de farinha e manteiga, materias

eminentemente combustiveis e nutritivas, transforma-se na religião

christa na hostia feita de farinha e agua, convindo lembrar que a

combinação do hydrogenio com o oxygenio, de que resulta a agua, tem por

condição, essencial o calor. _Agni_ como Christo residem n'esta offrenda

solida: são o sacrificador que se offerece a si mesmo como victima.

Eis o dogma da eucharistia.

Seguindo o luminoso rastro de Burnouf, poderiamos levar mais longe a

demonstração da unidade historica das religiões, mesmo sem sahirmos do

christianismo; poderiamos descer a minuciosidades, mostrar como a

_estrella dos magos_ é a _savanagraha_, a estrella fatidica; como a

vacca do presepe de Bethlem é a vacca mystica dos aryas, e como nem

siquer falta o jumentinho que para alguns áryas traz sobre o dorso o

fructo de que se extrahe o licôr sagrado; pelo que especialmente toca

aos ritos, seria curioso mostrar, por exemplo, acompanhando Burnouf,

como a grande época do anno christão consiste justamente nas ceremonias

da _renovação do fogo_, quer dizer, na Paschoa; mas o nosso fim é tão

sómente fazer sentir que a unidade das religiões é uma verdade, e que

essa verdade foi conquistada por uma sciencia nova, baseada sobre factos

historicos, e portanto filha da Historia universal philosophica.

A grande obra de simplificação da Philosophia positiva releva

principalmente no mobil que impelliu o espirito humano a descobrir o

principio de unidade das religiões.

Realmente é assombroso acompanhar a marcha da idéa religiosa, semelhante

a uma grande corrente aryana, desde o seu berço asiatico, e através das

mythologias dos antigos povos gregos, latinos e germanos, até ao

christianismo, em que _Agnus_, o cordeiro immaculado, parece não ser

mais que uma leve alteração morphologica de _Agni_.

A sciencia moderna está já dirigindo as suas vistas para a America, no

indefesso empenho de encontrar a unidade das origens da civilisação. De

Chavencey, estudando o mytho americano de Votan, encontrou n'elle uma

contrafacção, á parte o elemento indigena já introduzido, das legendas

asiaticas de Phra-Ruang e de Pyú-Tsau-ti[81]. «Tem-se notado, observa

Maury[82] a analogia de muitas tradições religiosas dos antigos

mexicanos e de algumas crenças christãs ou buddicas, a conformidade de

certos monumentos e symbolos da America central com figuras e emblemas

christãos e japonezes. As populações boreaes encontravam um caminho já

traçado para o novo mundo pelo estreito de Behring e ilhas Aleutianas.»

Especialmente pelo que toca á religião, a philosophia applicada á

Historia é muitas vezes accusada de acintemente demolidora. Esta

accusação, na materia de que vimos tratando, refere-se principalmente á

vida de Christo. Ora é preciso observar que deve haver n'este assumpto

tres pontos distinctos, correspondentes a tres elementos differentes: a

theoria de Christo, a legenda de Christo e a vida de Jesus[83]. Christo,

estudado na pureza sublime da sua vida, merece o respeito de todos os

philosophos. «De alguma crença que a critica racional nos despoje, diz

Stuart Mill[84], resta-nos Christo; figura unica, que se eleva tanto

acima dos seus precursores como dos seus successores, e d'aquelles

mesmos que tiveram o privilegio de receber directamente de sua bocca o

seu ensinamento.»

Desde o momento em que o espirito moderno tratou de procurar nos factos

sociaes a estabilidade de principios que rege os phenomenos naturaes,

querendo assim reduzir todas as nossas concepções fundamentaes a um

estado de homogeneidade e, portanto, dar á philosophia um caracter

definitivo de positividade, a Historia, fornecendo uma grande base para

os estudos de observação, veio occupar um ponto culminante na esphera

dos conhecimentos humanos. Esta superioridade de posição, que a Historia

conquistou na hierarchia das sciencias, provém da necessaria relação que

ha entre os factos e as idéas. De modo que se póde dizer que um grande

numero de sciencias, se é que não são todas ellas, concorrem de mãos

dadas para erigir o vasto monumento da Historia. As obras colossaes

precisam de um immenso concurso de trabalho; quando Cheops e Cephten

pensaram em levantar as duas mais altas pyramides do Egypto, diz-se que

cêrca de cem mil homens carreavam materiaes. A Historia é tambem uma

pyramide. E assim como as do Egypto dominavam com as suas quatro faces

os quatro pontos cardeaes do mundo, a Historia abrange com a sua vista

de aguia a esphera dos conhecimentos humanos.

((1878))

[1] Referimo-nos principalmente ás antas ou dolmens. Vide Adolpho

Coelho, _Algumas observações ácerca do diccionario bibliographico

portuguez e seu auctor_, pag. 10, e Augusto Filippe Simões,

_Introducção á archeologia da peninsula iberica_, pag. 76.

[2] _Historia universal_, introducção, cap. VII.

[3] _Introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanité._

[4] _Les origines de la civilisation_, cap. IX, traducção franceza

de Ed. Barbier.

[5] _Expedition to the Rocky mountains_, vol. III, pag. 52.

[6] _Scienza nuova_, liv. II, Da sabedoria poetica.

[7] _L'homme selon la science_, traducção franceza de Ch.

Letourneau, pag. 235.

[8] _Les origines de la civilisation_, cap. III.

[9] _Scienza nuova_, liv. II.

[10] Paulo Janet. _A familia._

[11] _Considérations sur les causes de la grandeur des romains et de

leur décadence._ Cap. I.

[12] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, neuvième leçon.

[13] Theophilo Braga. _Historia da poesia popular portugueza._

[14] _Les sciences et la philosophie_, por Th.-Henri Martin, pag.

30.

[15] Cantu. _Hist. univ._ Liv. XI, cap. I.

[16] Ibidem, cap. IV.

[17] Cantu. _Hist. univ._ Liv. XI, cap. VI.

[18] _Introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanité._

[19] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, sixième édition,

pag. 228.

[20] _Principes de philosophie positive_, por Augusto Comte, pag.

96.

[21] Cousin. _Premiers essais de philosophie_, pag. 380.

[22] Ibidem, pag. 379.

[23] _Discours sur l'histoire universelle_--Avant-propos.

[24] _Disc. sur l'hist. univ._ Troisième partie, chapitre VIII.

[25] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, onzième leçon.

[26] Theophilo Braga. _Poesia do direito_, pag. 168.

[27] Vico. _Scienza nuova_, liv. I.

[28] _Scienza nuova._ Liv. IV.

[29] _Historia universal._ Introd.

[30] _Introduction a l'histoire de la philosophie_, sixième Edition,

pag. 239 e 240.

[31] _Poesia do Direito_, pag. 13.

[32] «O seu livro é um Apocalypse, cada dia se descobre alli o

germen d'uma sciencia nova, a Philosophia da Historia, a Symbolica

do Direito, a Critica da Arte.» Theophilo Braga. _A Poesia do

Direito._

[33] H. Taine. _La Fontaine et ses fables_, troisième édition, pag.

8.

[34] _Histoire de la litteratura anglaise_, tome premier, pag. 22.

[35] _Physiologie des ecrivains et des artistes._

[36] _Le monde marche_, seconde édition, pag. 214.

[37] _De l'esprit des lois_, livre quatorzième, chapitre III.

[38] _Histoire de la navigation de Jean Hugues de Linschot,

hollandois, aux Indes Orientales._ Amsterdam, 1619.

[39] Capitulos XXIX e XXX.

[40] _Introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanité._

[41] Theophilo Braga. _Introducção á Historia da litteratura

portugueza_, pag. 6.

[42] Joaquim Pedro Fragoso de Siqueira. _Memorias economicas da

Academia_, tom. V.

[43] _Les peuples de la France_, pag. 16.

[44] _Le génie des religions._ (Ed. de 1869), cap. II, pag. 15.

[45] Jacques de Boisjoslin. _Les peuples de la France_, pag. 12 e

155.

[46] _Lettres sur la philosophie de l'histoire_, pag. 115.

[47] _Principes de philosophie positive_, pag. 140.

[48] Obra citada, pag. 88.

[49] Idem, pag. 119.

[50] _Introducção á archeologia da peninsula iberica_ pelo dr.

Augusto Filippe Simões, pag. 2.

[51] «Quem souber porém que o bronze é uma liga de cobre e estanho,

que o segundo d'estes metaes é menos commum que o primeiro e de mais

difficil extracção, e finalmente que, sem se conhecerem ambos, não

se inventaria a sua liga, de certo perguntará porque se não faz

preceder a época do bronze pela época do cobre? A razão é simples.

Em quasi todas as nações da Europa apparecem tão numerosos os

objectos de bronze e tão raros os de cobre, que se teem refusado os

archeologos a admittir uma época só caracterisada por este metal.»

Dr. Augusto Filippe Simões.

[52] Capitulo VI do _Genesis_.

[53] Com razão observa Quatrefages que o polygenismo, habitualmente

olhado como um resultado do _livre pensamento_, começou por ser

biblico e dogmatico. _L'espèce humaine_, deuzième édition, pag. 22.

[54] Quatrefages. A proposito da discussão americana entre

esclavistas e negrophilos.

[55] Dumont. _Hæckel et la théorie de l'évolution en Allemagne._

Segundo Dumont a theoria da evolução apparece em germen nas velhas

religiões pantheistas da India e do Egypto. O philosopho Parmenides

concebia a geração da vida como gradual e resultante d'ensaios

successivos. Chapitre premier.

[56] Topinard. _L'Anthropologie_, pag. 550.

[57] Este ponto é considerado inatacavel por Quatrefages. «Se toda a

terra, diz elle, não é invadida dentro de alguns annos por certas

especies, se os rios e os oceanos não são igualmente invadidos, a

estas luctas se deve.»

Da importancia da Historia Universal Philosophica na esphera dos conhecimentos humanos · 第 3 / 4 段