CAPITULO XLII.

_Conferencias na Junta dos tres estados sobre o chamado voto da

nação, dirigido a Napoleão; intrigas do Conde da Ega, e seu partido,

para que Junot fosse pedido para Rei de Portugal; fórma-se hum outro

partido, que contraría esta pertenção, servindo-se para isso do Juiz do

povo; conclusão deste negocio._

[Sidenote: 1808

Maio.]

A Intriga trabalhou muito nestes dias. Em quanto por huma parte se

expedião os emissarios, e as cartas ás provincias, para persuadirem,

e apressarem as papeletas das camaras, ministros, prelados, e outras

pessoas, e corporações de representação, para se unirem ás que se

forjavão na capital, aprazava-se o dia 23 para as conferencias da Junta

dos tres estados; e o Conde da Ega, á testa do seu partido, projectava

nada menos, que o fazer com que Junot fosse pedido a seu amo, para

Rei de Portugal. Aqui está descoberto o enigma: eis-aqui o fim, a que

tendião os descarados louvores, as reiteradas intimativas da sábia

politica, com que elle governava Portugal, os testemunhos de affecto,

e enthusiasmo, que soubera inspirar aos Portuguezes, de que os papeis

públicos fazião sem cessar enfadonhas repetições: tudo o contrario

do que se via; mas tudo encaminhado a enganar os póvos estrangeiros,

e o proprio Napoleão, de fórma que este se persuadisse, de que Junot

era o homem, que convinha para Rei de Portugal, como aquelle, que

tinha sabido ganhar a vontade aos Portuguezes, e saberia igualmente

conservallos na obediencia.

[Sidenote: 1808

Maio.]

Parece, que este projecto estava meditado havia muito tempo; sendo

esta a razão, porque Junot mais de huma vez tinha representado a seu

amo, que a nação Portugueza era talvez aquella, de que o genio mais

pedia, que o chéfe, que a governasse, fosse revestido de titulos

aparatosos, e de huma grande representação. Este facto he authentico;

mas Napoleão se tinha contentado com dar ao seu delegado o titulo de

Duque d’Abrantes; e quando Junot se ensaiava, para montar o ultimo

degráo, achou entre as suas proprias creaturas, quem lhe desconcertou o

plano.

Carrion de Nizas, official de cavallaria do seu exercito, percebendo,

ou suspeitando as suas vistas, determinou, por emulação, encontrallas.

Unio-se a Verdier, negociante Francez, que a pezar de ser nascido em

Portugal, e de mãi Portugueza, nunca se quizera naturalizar neste

reino, onde se achava estabelecido; e ambos trabalhárão na contramina,

associando ao seu partido o Desembargador Francisco Duarte Coelho,

hum antigo Secretario de D. Lourenço de Lima, e mais dous ou tres

Portuguezes.

[Sidenote: 1808

Maio.]

Não conheço as personagens; mas a julgar pela opinião mais geral,

Carrion era hum destes presumidos sabios, a que em frase vulgar

chamamos papelões; assim mesmo passava pelo homem mais instruido do

exercito Francez, ainda que alguns lhe preferírão o General de-Laborde.

He o mesmo, que estava incumbido de escrever a historia da entrada dos

Francezes em Portugal, e chegou a publicar alguns versos passageiros

sobre este assumpto. Delle se tinha servido Junot, para pesquizar, e

arrecadar todas as raridades, e preciosidades das sciencias, e das

artes, que pudesse descobrir pelos musêos, livrarias, e casas, tanto

públicas, como particulares. Mostrava ser muito versado na historia

Natural, e Monetaria; porque os diamantes, e as medalhas de ouro, e

prata erão os productos, que mais o encantavão; mas tambem lhe servião

livros, e outros objectos semelhantes.

[Sidenote: 1808

Maio.]

Foi elle o que conduzio do mosteiro de Belém sete grossos volumes, que

continhão a Biblia Sagrada, escrita de pena, e com tarjas preciosas, e

cobertos os mesmos volumes com capas de veludo carmezim, guarnecidas de

praça; tudo obra antiga, e hum dos primores da arte do famoso seculo

dos Medicis, que o fastuoso Papa Leão X. tinha mandado por mimo a ElRei

D. Manoel. São estas as Biblias, de que falla o mesmo Monarca em seu

testamento, deixando-as em legado áquelle mosteiro.[19] Carrion os

trouxe na sua propria sege, e veio enterrado em Biblias até o pescoço.

[Sidenote: 1808

Maio.]

Verdier passa por hum homem muito vivo, de muitos talentos, e de

alguns estudos. Não era Francez, nem Portuguez; sim hum daquelles

homens, que a natureza destinou, para zombarem de tudo, e que pertencem

ao mundo inteiro. Tinha sido muito favorecido pelo legitimo governo

de Portugal; Junot na sua entrada se lembrou de o chamar a si; porque

precisava de homens, que o informassem do estado do paiz; a final ficou

mal visto dos Portuguezes, e desgraçado para com Junot.

De quem se lembrarião os conjurados, para testa de ferro da sua

importante, e arriscada intriga? Lembrárão-se do Juiz do povo, José de

Abreo Campos; porque esta era a época, em que os nomes valião mais,

que as cousas; e assim como Junot se servio da Junta dos tres estados,

porque este appellido dava idéas de representação nacional, elles se

servírão do Juiz do povo, porque esta denominação dava alguns visos

do poder tribunicio, que tão formidavel tinha sido entre os antigos

Romanos, e de tanto pezo em algumas das républicas modernas.

[Sidenote: 1808

Maio.]

He necessario fazer justiça ao Campos: he hum homem de poucas

luzes, constituido pela sua situação em huma ordem mediana; mas

muito patriotico, e tinha já a esse tempo sustentado huma luta bem

desproporcionada ás suas forças, para conservar na vara da sua insignia

as Armas Reaes. Sondárão, e conhecêrão o seu espirito, delle se

servírão destramente, para os seus fins; e tanto o trabalhárão, que

admira não o terem feito enlouquecer.

[Sidenote: 1808

Maio.]

No dia 22 de manhã foi chamado a casa do Desembargador Francisco

Duarte Coelho, e introduzido para a sua livraria, onde concorrêrão

tambem quasi todos os da sociedade. Alli lhe disserão, que estava

nas suas mãos fazer a felicidade da nação, já que os nossos maiores

se não tinhão sabido aproveitar na acclamação d’ElRei D. João IV.,

que debaixo destas vistas se estava trabalhando em hum papel, que na

tarde desse mesmo dia lhe havião de entregar, para que se guiasse

por elle na conferencia, a que havia de assistir no seguinte. Via-se

entre Portuguezes, (Carrion não se achava presente) e fallavão-lhe

em felicidade da nação, o que era bastante, para exaltar o seu

patriotismo; mas estupefacto com a novidade, e incerto do que quererião

delle, recolheo-se a sua casa cheio de confusão.

De tarde o mandárão chamar a casa de Verdier, e ahi lhe foi dito, que

não tinhão tido tempo de concluir o papel; mas que a toda a hora,

que o concluissem, lho levarião a casa. Era meia noite, quando hum

Desembargador, e o antigo secretario de D. Lourenço lhe forão entregar

tres exemplares, hum em Francez, e dous em Portuguez.

Seguio-se no dia immediato a conferencia na Junta dos tres estados,

onde concorrêrão os deputados do clero, e dos tribunaes, que Junot

havia convidado. O Juiz do povo, que assistio por parte da casa dos

vinte e quatro, teve ordem para entrar sem a sua vara; porque elle

lhe tinha sabido conservar até então as Armas Reaes, que sómente lhe

vierão a ser tiradas em consequencia de ordem posterior, a 4 de junho

seguinte, e substituidas pelas da cidade.

[Sidenote: 1808

Maio.]

O acto principiou por huma oração do Conde da Ega, de que he facil

adivinhar a substancia; e pôz-se depois em discussão o chamado

voto da nação Portugueza, que se devia dirigir ao usurpador, que a

nação aborrecia, mas de que as baionetas fazião o direito. A pena

tambem recusa entrar nas miudezas deste negocio: direi sómente o que

respeita a intriga, de que vou tratando. Tocou ao Juiz do povo dar o

seu parecer, e alguem levantou por elle a voz, dizendo, que estava

conforme. Não era assim. O Juiz contrariou a asserção do seu procurador

sem titulo, e disse entre outras cousas, que se o seu voto não era

necessario, o dispensassem de o dar, e se era necessario, devião

ouvir-se os da casa dos vinte e quatro, porque erão estes, e não elle,

os que representavão o povo.

[Sidenote: 1808

Maio.]

Houve sobre isto grande bulha, teimando-se com o Juiz do povo, que

subscrevesse ao que chamavão voto geral da nação, até que elle para

se desembaraçar do negocio tirou d’algibeira hum dos papeis, que lhe

tinhão levado, e disse: _Como póde ser esse o voto geral, se o

contrario diz este papel, que hontem á meia noite me forão levar a

minha casa._ O papel em Portuguez dizia o seguinte.

[Sidenote: 1808

Maio.]

_Os Portuguezes, lembrados de serem de origem Franceza, descendentes

dos primeiros conquistadores deste bello paiz em 1147, e de deverem

á França, sua mãi patria, o beneficio da independencia, que tiverão

como nação em 1640, não podem deixar de recorrer agradecidos, e com

todo o respeito, á paternal protecção, que benignamente lhes offerece

o maior dos Monarcas, que já mais o mundo vio. O grande, e immortal

Napoleão se digna participar-nos pelos nossos deputados a sua imperial

vontade, quer, que sejamos felices, e sempre ligados pelos vinculos

mais indissoluveis da nossa filiação ao systema continental da familia

Europea; quer, que vivamos unidos, para gozarmos finalmente as doçuras

de huma longa paz, á sombra dos sabios governos, que institue fundados

sobre as melhores bases de legislação, de liberdade dos mares, e de

commercio. He este pois o nosso unico interesse, assim como o de todas

as nações confederadas. Continue por tanto a nossa deputação junto a S.

M. I. e R. a confirmar os nossos votos unanimes, e diga._

_SENHOR, desejamos ser ainda mais, do que já fomos, quando

abrimos o oceano ao universo inteiro._

_Queremos huma constituição, e hum Rei constitucional, que seja

Principe do sangue de V. imperial familia._

[Sidenote: 1808

Maio.]

_Somos contentes com huma constituição, que seja em tudo semelhante á

que V. M. I. e R. houve por bem dar ao ducado de Varsovia, alterando-se

unicamente o modo de eleger os representantes nacionaes, que deve

ser pelas camaras, para melhor se conformar com os nossos antigos

costumes._

_Queremos huma constituição, em que, bem como na de Varsovia, a

religião do Estado seja a Catholica Apostolica Romana, protestando pela

admissão de todos os principios da ultima concordata do imperio Francez

com a Sé Romana, em que todos os cultos porém sejão livres, públicos, e

civilmente tolerados._

_Em que todos os cidadãos sejão iguaes ante a lei. Em que o nosso

territorio Europeo seja dividido em oito departamentos, e que as

dioceses, sendo reguladas por esta divisão civil, admittão sómente hum

Arcebispo, e sete Bispos._

_Em que as nossas colonias, fundadas, e regadas com o nosso sangue

pelos nossos antepassados, sejão consideradas, como provincias, ou

departamentos annexos ao nosso reino, e que os seus representantes,

sendo já chamados, achem na nossa constituição os titulos, que lhes

competem, logo que queirão, ou possão vir occupar os lugares da sua

representação._

_Em que no ministerio haja Ministro encarregado da instrucção

pública, além dos outros, que forem necessarios._

[Sidenote: 1808

Maio.]

_Em que haja liberdade da imprensa, como se acha estabelecida no

imperio Francez, porque a ignorancia, e o erro causárão a nossa

decadencia._

_Em que o poder executivo se instrua por hum conselho d’Estado, e

sejão os seus decretos cumpridos por Ministros, que fiquem responsaveis

pela sua execução._

_Em que o poder legislativo se divida em duas camaras, e se

communique com o executivo._

_Em que a ordem judiciaria seja independente, e julgue pelo codigo

Napoleão. Em que os crimes sejão julgados públicamente com justiça, e

brevidade._

_Em que todos os funcionarios públicos sejão os mais benemeritos

d’entre os nacionaes, como se determina no titulo 11.^o da dita

constituição Polaca._

_Em que os bens dos corpos de mão morta voltem todos á circulação._

[Sidenote: 1808

Maio.]

_Em que a distribuição dos impostos seja proporcionada ás posses,

e bens de cada individuo, sem que algum fique isento de pagallos;

procurando-se, que a sua arrecadação seja facil, e suave._

_Em que a divida anterior do Estado em toda a sua extensão seja

consolidada, e garantida; pois não faltão meios, para o conseguir._

_Queremos igualmente, que a organização das corpos de administração

civil, economica, e judiciaria seja reformada com a mesma sabedoria,

que tanto tem feito prosperar o imperio Francez, e por conseguinte, que

o número immenso dos nossos funcionarios públicos seja reduzido; mas

desejamos, e pedimos, que a todos os demittidos sejão vitaliciamente

conservados os seus ordenados, ou pensões decentes, e relativas aos

cargos, officios, e beneficios, de que ficarem destituidos, e que

vagando qualquer emprego, lhes seja dado, com preferencia, se tiverem

merecimentos, e costumes._

[Sidenote: 1808

Maio.]

_Escusado era lembrar esta medida de equidade do grande Napoleão;

mas querendo S. M. I. e R. conhecer a nossa opinião sobre tudo o que

nos convém, dá-nos evidentes provas de ser ainda mais nosso pai, do

que nosso Soberano; pois que, como bom pai, se digna consultar os seus

filhos, e liberalizar lhes os meios da sua prosperidade._ Conclue

com hum _viva_ ao usurpador, e sua dynastia.

[Sidenote: 1808

Maio.]

O grande ponto consistia no artigo do Rei constitucional, que fosse

Principe da familia de Napoleão; porque era o da exclusiva de Junot.

Quanto ao mais, vê-se claramente, quaes erão os bens, que os authores

do papel procuravão aos Portuguezes: a sujeição a hum Principe

estrangeiro, e hum Principe da familia do Corso, qual o Corso nos

quizesse dar, pedindo-se-lhe este presente com a mesma humiliação,

com que as rãs o pedírão a Jupiter, para acabar de devorar-nos alguns

restos, que ainda conservassemos, da nossa substancia, segundo os

invariaveis principios da politica Corsica; o maldito systema do

federalismo com a França, que he o que tem segurado a escravidão da

Europa; as reformas, e as liberdades Gallicanas, que tem destruido até

os germes da verdadeira liberdade civil, substituido a guerra eterna, a

desolação, e a miseria, á paz, á tranquillidade, e abundancia, de que

as nações gozavão á sombra dos governos legitimos; e em fim debaixo de

hum nome errado a religião dos Francezes dos nossos tempos, aquella

mesma, que tem convertido os templos em cavalhariças, anniquilado os

asylos da virtude, e collocado a libertinagem, e a immoralidade sobre

as ruinas do culto de nossos pais. Apartemos daqui os olhos.

Não obstante este incidente, assentou-se, que passasse o pertendido

voto da nação, e ficárão nomeadas as pessoas, que o havião de

formalizar por escrito, e aplanar humas pequenas dúvidas, que se

suscitárão. O Conde da Ega pedio ao Juiz do povo, e levou o original

Francez.

[Sidenote: 1808

Maio.]

A pouco espaço baixou nova ordem, que anticipava para o dia 24 a

conferencia, que se ajustára para 25. No mesmo dia 24 o Juiz do povo se

levantou ás 5 horas, para se ir aconselhar com o seu letrado, e achou

huma carta, que lhe tinhão mettido por baixo da porta com obreia preta

no sobrescrito, em que se lhe fazião ameaças de morte, se assinasse

algum papel. Foi depois chamado ao quartel-general, onde Junot lhe

fallou pelas 11 horas, todo enfurecido, increpando-o de andar mettido

com cabeças revolucionarias, como as que tinhão feito aquelle papel,

e rompendo em grandes ameaças; mas no maior conflicto entrou huma

personagem, que lançou agua na fervura com palavras mansas, dizendo,

que todos erão Portuguezes; e Junot mais brando despedio o Juiz,

dizendo-lhe, que erão horas de ir para a casa dos vinte e quatro, e que

esperava não tivesse mais dúvidas.

[Sidenote: 1808

Maio.]

Foi, e achou ao entrar na mesma casa outra carta semelhante á

primeira; e passando depois á Junta dos tres estados, ahi se achavão já

os da conferencia, e se leo, e conferio o chamado voto, procedendo-se

immediatamente a pollo em limpo, e tambem huma carta de agradecimentos

á chamada deputação Portugueza. Não vi estes papeis, não sei, nem quero

saber o que continhão. He verdade, que na casa da assembléa não estavão

tropas, nem para ella se achavão peças apontadas; mas era o mesmo;

porque tudo obedecia á voz imperiosa de hum General, e de hum exercito,

acostumados a ser obedecidos sem réplica.

[Sidenote: 1808

Maio.]

O Juiz do povo, depois de tantos trabalhos, foi ainda chamado nesse

mesmo dia á Intendencia, onde Lagarde o esteve interrogando, e fazendo

exames nos seus papeis. O resultado foi contra Verdier, o qual, por

ordem de Junot, foi degradado para Thomar, onde administrava huma boa

fabrica de fiação; e ahi se conservou até os primeiros movimentos da

restauração. Então o povo o perseguio, como partidista Francez, e de

origem Franceza: fugindo ao povo, veio outra vez metter-se em Lisboa, e

Junot o fez reter em casa com guardas á vista, em quanto governou nesta

capital.

Tornando ás papeladas, convocárão-se novamente o clero, nobreza, e

tribunaes, não já por deputados, mas em corpo, para as assinarem.

O clero ajuntou-se a 27, a nobreza a 28, e os tribunaes a 30, e

assinárão-se tres vias, que se dizião destinadas, huma para se remetter

direitamente a Napoleão, outra para a chamada deputação, e a terceira,

para ficar depositada na torre do tombo.

[Sidenote: 1808

Maio.]

Hum fidalgo Portuguez foi o portador das que se dirigião para

França; mas apenas entrou no territorio da Hespanha, vio-se rodeado

de patriotas Hespanhoes, que estiverão a pontos de o matarem: a muito

custo retrocedeo para Portugal, e não sei, se he verdade o que dizem,

que o seu criado, e o seu cavallo sahírão pouco airosos da acção. O

facto era muito público, para que Junot, que sempre procurava cobrir

as fraquezas do seu partido, deixasse de dar-lhe alguma satisfação.

Fez-nos dizer pelo seu fiel Lagarde em huma gazeta, que não obstante

o terem os _insurgentes_ embaraçado a viagem do portador das

segundas vias, havia toda a probabilidade de que as primeiras tivessem

chegado á presença do Imperador; porque tinhão sido expedidas por hum

correio. Tão insensatos nos suppunha, que acreditassemos, que confiára

as primeiras vias a hum simples correio, reservando as segundas para

serem apresentadas por hum fidalgo. He necessario voltarmos outra vez

os olhos sobre Bayona, e Madrid, para continuarmos os successos da

Hespanha, desde o ponto, em que os deixámos.

Historia geral da invasão dos francezes em Portugal e da restauração deste reino (Volume II) · 第 30 / 35 题