CAPITULO XXVII.

_Successos mais notaveis da viagem da Familia Real até o Brasil. Os

Inglezes occupão a ilha da Madeira. Liberdade do commercio do Brasil.

Sentimentos da corte de Marrocos sobre a resolução da de Portugal._

Entre os grandes acontecimentos conhecidos, que tem espantado

o mundo, e mudado a sua face, nenhum merece mais a attenção dos

homens, e nenhum tem sido pintado com cores tão diversas, quanto aos

seus effeitos moraes, como o descubrimento d’America. O artista,

o commerciante, o maritimo, o cortezão, e em fim o grande número

daquelles, que se nutrem da gloria, dos lucros, ou dos prazeres,

vendo aberta diante dos seus passos huma nova, e immensa carreira

á sua industria, e ás suas especulações, mil maneiras, até então

desconhecidas, de satisfazerem aos seus appetites, novos objectos de

luxo, e poderosos estimulos, que excitão a sua ambição, vendo em fim

diante dos olhos hum novo mundo mais rico, e mais bello, que o antigo,

e multiplicadas prodigiosamente as obras da creação, deixão arrastar-se

destas idéas lisongeiras, até o ponto de avaliarem hum tal successo,

como o mais vantajoso, o mais apreciavel de quantos nos offerece a

historia. Mas o filosofo austero, em cuja balança peza mais huma gota

de sangue humano, do que todas essas vantagens quimericas, ou reaes;

que sujeita os factos a huma severa analyse; que se não contenta com

a superficie das cousas, sem lhe ter patenteado o amago; não póde

consolar-se de tantas mortes, incendios, naufragios, perfidias, que tem

occasionado as descubertas de Colombo; não acredita, que a prata, e o

ouro alli amontoados com profusão, as drogas, e todos os presentes,

que huma terra nova offereceo aos habitantes da antiga, os indemnizem

dos venenos, das novas doenças, e assinaladamente de hum novo mal, até

então desconhecido, que inficiona a especie humana, mesmo nas fontes da

geração, que tudo forão buscar os Europeos á desgraçada America. Elle

pois amaldiçoa taes inventos, taes prazeres, taes riquezas, que tão

caro nos tem custado.

Respeito as suas opiniões; mas sou obrigado a interrompello. Suspende

o teu juizo! Tu ignoras os altos destinos, que a Providencia terá

reservado para esta rica ametade do globo: ella já serve de abrigo

a grandes Principes, e a multidões de familias, que perseguidas no

outro continente, forão alli buscar o seu asylo: as suas producções, e

os metaes preciosos, que se arrancão das suas entranhas, empregão-se

em forjar as armas, e sustentar os exercitos, que combatem na Europa

pela sua liberdade: ella está preparando huma hospedagem segura, e

tranquilla a nações numerosas, se succumbirem ao poder enorme do seu

oppressor. Sabes tu, se as metropolis opprimidas terão de renascer nas

colonias? Se o espirito humano, retrogradando na Europa, por effeitos

de huma revolução espantosa, que ameaça reduzilla aos horrores dos

tempos barbaros, irá prosperar na America? Se em fim da America voltara

a paz á Europa, e com a paz a justiça, a humanidade, e a moralidade,

hoje proscriptas, e fugitivas? Mas sem nos entranharmos pelas regiões

tenebrosas do futuro, sigamos a historia do passado.

Nós deixamos o Principe Regente, e toda a Real Familia embarcados na

esquadra Portugueza, fazendo proas ao occidente; agora os seguiremos

na sua derrota para o Brasil. Huma briza de nordeste, que assoprou

repentinamente, tinha feito sahir os navios do porto de Lisboa,

cortando quasi todos huma amarra, em 29 de novembro de 1807; mas

depressa mudou outra vez o tempo, e ás 8 horas da tarde já o vento era

sul, e os horizontes muito carregados ameaçavão tempestade. Ficárão

toda a noite as duas esquadras Portugueza, e Ingleza, em hum e outro

bordo, e com a manhã apparecêrão espalhados os navios, e o cabo de

Espichel a cousa de quatro leguas da náo almirante Portugueza. Cresceo

então o vento, e os navios, não podendo avançar para o sul, pairárão,

e descahírão hum pouco para o norte: os officios, que no 1.^o de

dezembro forão expedidos pelo Almirante Inglez ao seu ministerio,

são datados da náo Hybernia a 22 leguas ao oeste do Téjo. Foi o mais

bello espectaculo, dizia nos mesmos officios o Almirante, e disse

tambem Lord Strangford, a união amigavel, as salvas, e os cortejos

reciprocos destas duas esquadras, que hum dia antes estavão em termos

de hostilidade: a scena infundio os mais vivos sentimentos de gratidão

em todos os espectadores, excepto no exercito Francez, que estava sobre

os outeiros.

Sim os Francezes ainda observárão huma parte destes movimentos; o que

não concorreo pouco, para se persuadirem de que os Inglezes conduzião

para o Tamiza a esquadra Portugueza, com o rico deposito, que levava

dentro em si. Falsas noticias, que posteriormente se espalhárão por

Lisboa, os firmárão tanto nesta persuasão, que huns 15 dias depois

o proprio Junot deo públicamente por certo o ter desembarcado em

Inglaterra a Familia Real, depois de huma horrorosa tempestade.

O temporal foi na verdade violentissimo até o dia 4: eu me lembro de

que hum tufão de vento demolio huma parte dos telhados da ribeira das

náos, e de outros edificios da cidade, arrojou para a costa muitas das

embarcações, que estavão no porto, e levantou tanto o mar, que inundou

varias ruas, e levou barcos até o adro da igreja do corpo santo. Em

quanto isto acontecia sobre a terra, erão tão acossados os navios da

esquadra, que a maior parte delles ficou maltratada: a náo D. João de

Castro, e o brigue lebre desarvorárão, e forão obrigados a separar-se.

Tal era a primeira hospedagem, que a Familia Real Portugueza recebia de

hum elemento, a que os seus antepassados derão a lei por longos tempos;

mas que tem por natureza o ser inconstante.

Se a estes contratempos ajuntarmos o desarranjo, e a escassez de

viveres, com que a nossa esquadra tinha sahido do Téjo, he facil de

conjecturar a situação crítica, em que ella devia achar-se. A tudo

supprio o trabalho da nossa gente, a actividade do infatigavel Smith,

e o soccorro generoso, que por sua ordem prestou a esquadra Ingleza.

Fizerão-se os concertos precisos, proverão-se os nossos navios dos

generos mais necessarios, e finalmente a 5 se separou a náo Hybernia,

em que andava Smith, da esquadra Portugueza, que continuou a sua

viagem, sempre em conserva com as quatro náos Inglezas, que já em outro

lugar dissemos, forão destinadas para acompanharem a Familia Real,

o London de 100 peças, o Bedford, o Malborough, e o Monarca de 74,

commandadas pelo Commodoro Moore.

O tempo era menos procelloso, mas sempre máo, e na noite de 9 sobreveio

huma nova tempestade, que dispersou toda a esquadra. Pela manhã se vio

sómente a fragata Urania com a náo almirante o Principe Real, a que no

dia seguinte se reunio o Affonso de Albuquerque; e estes tres navios

forão seguindo juntos a sua viagem. No Principe Real ião embarcados a

Rainha, o Principe Regente, o Principe da Beira, e os Senhores Infantes

D. Miguel, e D. Pedro Carlos; no Affonso d’Albuquerque a Senhora

Princeza D. Carlota, com a Senhora Princeza D. Maria Teresa, e tres

Infantes; as mais Pessoas Reaes hião na náo Rainha de Portugal.

A 11 se passou a ilha da Madeira, de que sómente se vio a sombra por

entre a cerração do horizonte; a 13 reunio-se a fragata Minerva; a 14

pela manhã se descobrio a ilha do Ferro; a 15 ajuntou-se o Bedford. A

Minerva mandou-se a 21 para a ilha de S. Tiago, huma das de Cabo verde,

que se achavão perto; e os quatro navios continuárão a derrota com os

tempos costumados.

Então mesmo se aproximava huma expedição Ingleza á ilha da Madeira,

que foi occupar, prevenindo algum golpe de mão dos Francezes, para ser

restituida ao nosso legitimo Soberano, logo que as circumstancias o

permittissem. Este successo faz conhecer, qual seria a sorte do Brasil,

e das outras colonias Portuguezas, se a nossa corte, em lugar da sábia

medida, que tomou, adoptasse o louco projecto de submetter-se aos

Francezes.

A 10 de janeiro pelas 11 horas da manhã se cortou a linha, e o

emisferio austral vio pela primeira vez sobre si hum Soberano Europeo,

com toda a sua Real Familia. A 19 chegou o brigue tres corações,

mandado pelo Governador de Pernambuco com viveres, para o fornecimento

das Pessoas Reaes; e finalmente a 22, ao nascer do sol, se descobrio

terra: era a da Bahia, em cujo porto surgírão os quatro navios no dia

seguinte. O Principe Regente dormio já em terra nessa noite; a Rainha,

e mais Pessoas Reaes desembarcárão no outro dia.

A carta Regia de 28 de janeiro foi hum dos primeiros, e mais

assignalados bens, que os póvos do Brasil recebêrão com a presença

do Soberano, vendo abertos os seus portos ao commercio de todas as

nações, que se reputavão em paz com a Corôa de Portugal, e livre a

importação de todo o genero de fazendas, e mercadorias, ou fossem

nacionaes, ou estrangeiros os navios, que as conduzissem, pagando o

vinho, aguardente, e azeite, direitos dobrados, dos que até então

se pagavão, e os mais effeitos 24 por 100. Ficou igualmente livre a

nacionaes, e estranhos a exportação de toda a qualidade de fazendas, e

productos coloniaes, á excepção do páo Brasil, e outros artigos, de que

a exportação já era prohibida, por serem notoriamente estancados.

Esta legislação desviava-se muito dos principios, que as nações

Europeas tem seguido relativamente ás suas colonias; mas era huma

consequencia necessaria dos acontecimentos, que desligavão o Brasil

da sua metropoli, e o resultado das sábias meditações de hum governo,

que queria chamar a abundancia, e a riqueza para hum paiz, onde hia

estabelecer o seu asento, e que não tinha fábricas, nem industria.

O mesmo illuminado ministerio, de que ella emanou, a saberá reduzir

aos seus justos limites, quando as circumstancias o permittirem,

equilibrando em balança imparcial os interesses da metropoli, e das

colonias; e esta obra, não só está começada, mas muito adiantada com

as acertadas providencias, que se tem seguido áquella carta Regia. O

decreto de 11 de junho de 1808 reduzio a 16 por 100 os direitos de

entrada nas alfandegas do Brasil, para todas as fazendas, e mercadorias

de propriedade nacional, importadas em embarcações nacionaes, e

diminuio a terça parte dos direitos estabelecidos para os generos, que

se denominão molhados; concedeo além disso aos vassallos Portuguezes

a baldeação para paizes estrangeiros das mercadorias, que assim

importassem, nas alfandegas do Rio de janeiro, Bahia, Pernambuco,

Maranhão, e Pará; pagando sómente 4 por 100. O decreto de 20 de outubro

do mesmo anno reduzio os mesmos direitos de entrada no Brasil dos

mesmos generos molhados, que fossem da producção de Portugal, e ilhas,

ao estado, em que se achavão antes da carta Regia de 28 de janeiro. São

ainda muito mais amplas a favor das manufacturas, do commercio, e da

navegação de Portugal as isenções, e franquezas concedidas no alvará de

28 de abril de 1809.

As nações da Europa tem sido arguidas por muitos escritores de

tratarem com dureza as suas colonias, e eu não direi, que estes carecem

absolutamente de razão; mas he necessario confessar, que tem exaggerado

muito, procedendo huns de boa fe, mas sem o conhecimento necessario dos

factos; e outros com malicia, querendo atear o fogo da discordia entre

as colonias, e as metropolis, para que divididas, e enfraquecidas,

possão mais facilmente ser subjugadas humas depois das outras: he huma

obra bem conhecida deste mesmo genio depredador, que tem dividido, e

devastado a Europa.

Os vassallos do mesmo Soberano devem gozar dos mesmos direitos

por toda a extensão dos seus Estados; mas para haver igualdade de

direitos, he necessario contemplarem-se todas as relações, que os

determinão. Todos devem participar igualmente dos beneficios; mas na

mesma proporção devem concorrer para os encargos. Segundo o fatal

encadeamento da politica moderna, o primeiro tiro de peça disparado

na Europa leva a guerra até as extremidades do globo: então as

metropolis são devoradas pelo ferro, pelo fogo, pelos recrutamentos,

pela fome, e por todos os estragos, que aquelle flagello traz comsigo:

exhaurem-se os thesouros, e he então necessario recorrer aos impostos

extraordinarios, aos emprestimos forçados, e a outros meios violentos

de haver dinheiro; e bem longe de conseguirem das suas colonias meios

proporcionaes, são ainda obrigadas a destinar huma parte das suas

forças, para as protegerem, e defenderem. Mesmo em tempos de paz nunca

as colonias forão tão carregadas de impostos, como as metropolis. Que

muito he pois, que aquellas fação a favor destas alguns sacrificios

commerciaes? Se os não fazem, he melhor não ter colonias; mas dividida

a cabeça dos seus membros, nem huma, nem os outros podéráõ prosperar,

nem talvez existir; porque nas circumstancias presentes só grandes

massas de força unida são as que podem resistir aos choques violentos,

que abalão o mundo. As fábricas de Portugal não se sustentavão, senão

pelo consumo das colonias; o commercio prosperava, porque lhe servião

de alimento as materias coloniaes; se pois faltar aquelle consumo, e

estas materias tomarem outro caminho, as fabricas não levantaráõ mais

cabeça, e o commercio não sahirá do extremo de languidez, a que se acha

reduzido, as alfandegas se reduziráõ a nada; e por fim as vertigens,

que a cabeça sentir, hão de produzir nos membros o seu effeito.

Toda a difficuldade consiste em achar o termo, até onde se póde

estender a protecção concedida ás colonias, sem que seja damnosa ás

metropolis; e se algum ministerio se póde propôr, como modelo a este

respeito, parece-me ser o Hespanhol debaixo do reinado de Carlos

III.: sem prejudicar os interesses da mãi patria, elle soube animar

a industria dos paizes filiaes de tal modo, que a Hespanha, e suas

colonias estreitamente unidas por hum interesse commum, prosperárão ao

mesmo tempo. E que resultou daqui? Que quando a mãi agonizante precisou

do soccorro das filhas, estas, contentes com a sua sorte, ricas, e

obedientes, em lugar de se revoltarem, lhe abrírão espontaneamente os

seus thesouros, para a sustentarem na sua luta gloriosa.

A 26 de fevereiro sahírão da Bahia as náos Principe Real, Affonso

d’Albuquerque, Medusa, (que entrára neste porto em 16 do mesmo mez)

e Bedford, a fragata Urania, a charrua activo, e dous mercantes: o

tempo foi sempre sereno até o Rio de janeiro. Avistou-se Cabo frio

na tarde de 6 de março, e no dia seguinte entrárão todos os navios

naquelle immenso porto, que pela sua extensão, belleza, e segurança,

parece destinado a commandar huma navegação tambem immensa. Já nelle se

achavão os que se havião separado na viagem.

Defendido dos baldões da Europa pelo vasto pego do Atlantico,

vio-se em fim o Principe Regente em plena liberdade, para lançar os

fundamentos de hum novo imperio, que ainda que nos primeiros tempos não

poderia desenvolver forças, vantagens, e recursos proporcionados á sua

extensão, por ser necessario, que primeiro se povoassem os desertos,

se cultivassem as terras, se propagasse a industria, e se creassem

de novo todas as instituições accommodadas á nova ordem de cousas,

que ia nascer; promettia hum futuro de grandezas, e de prosperidades.

Os Francezes em Portugal não cessavão de metter a bulha este novo

estabelecimento; mas os que pensassem, não podião deixar de prever, o

quanto elle lhes seria fatal. O imperio Portuguez, que devia engrossar

todos os dias no Brasil com a emigração da Europa, se huma nova

revolução não désse huma nova face ás cousas, obrando de acordo com as

possessões Hespanholas, e com o imperio Britanico, faria huma massa

colossal capaz, não só de insultar o poder, e as ameaças de Napoleão,

mas até de lhe minar os alicerces do throno, em que se assenta. Por

primeiro ensaio elle lhe fez abortar o grande projecto, a que o havia

conduzido a sua pérfida, e ambiciosa politica de se fazer senhor de

ambos os mundos, sem lhe custar senão palavras, e folhas de papel:

pouco tempo depois lhe arrebatou o covil de Cayena, d’onde os seus

corsarios infestavão os mares; e tudo o que possuia na Guiana, por onde

se lisongeava de poder invadir ambas as Americas.

A Europa devia assombrar-se com estes successos, pela sua novidade, e

pelos seus resultados; mas a Europa os ouvio, e respondeo friamente;

porque se achava affeita a novidades estrondosas; e porque não ousava

exprimir-se, senão pela linguagem do seu Dictador. He necessario passar

á Africa, para encontrar huma corte, que olhou para elles, como devia,

e soube exprimir-se com dignidade. E he huma das cortes, a que chamamos

barbaras! Copiarei a carta, que o primeiro Ministro do Imperador de

Marrocos escreveo ao consul Portuguez Jorge Pedro Collaço: monumento

importante, e bem capaz de fazer mudar a opinião, que commummente se

tem daquella corte.

Carta.

_Em nome de Deos clemente, e misericordioso. Não ha força, nem

poder, senão em Deos._

_Recebi a vossa carta, e inclusa nella a que o vosso Principe

Regente de Portugal dirigio ao Imperador, meu Senhor. Por noticias,

que se não podem duvidar, consta, que o vosso Principe se retirou

para os seus Estados do Brasil com a sua Augusta Familia, os seus

Ministros, alguns grandes do reino, e familiares: o que nos tem

causado hum vivo desgosto, e maior sentimento, por se ver obrigado a

deixar o lugar da sua costumada, e antiga residencia; mas por outra

parte estimamos a Real resolução, que tomou; pois vai ser Soberano

independente nos seus vastos Estados; o que lhe he melhor, do que

ficar, e ser por outrem governado; e muito mais por aquelles, que

não tem religião, nem boa fé. Pelo que respeita á carta, que o vosso

Principe dirigio ao Imperador, meu Senhor sobre a exportação do gado,

e trigo, devo dizer-vos, que como a cidade de Lisboa, e reino de

Portugal se achão occupados por aquelle inimigo, ficou infructifera,

até vermos, se com effeito o evacuar, e ficar o governo restituido

aos Portuguezes, que figurem, e governem em nome da Real Pessoa do

vosso Principe. Neste caso tudo o que pedireis vos será concedido com

maior abundancia, do que tem sido até agora; e vós ficai d’aviso,

para nos participar des as noticias, que sordes recebendo de Lisboa,

e do estado do reino. 11 de dezembro de 1807._

_Mohamed Salavis._

_A nosso amigo Jorge Pedro Collaço, consul geral de Portugal._

Se todas as cortes da Europa tivessem pensado como a de Marrocos,

e sustentado a sua honra, e os seus principios com todos os seus

recursos, a Europa não estaria hoje encadeada. Que vergonha para os

paizes mais civilizados do mundo, e para hum seculo, a que chamão de

luzes!

Vou continuar com os negocios de Portugal na Europa; porque os do

Brasil só entrão por incidencia no meu plano.

Historia geral da invasão dos francezes em Portugal e da restauração deste reino (Volume II) · 第 3 / 35 题