_Successos mais notaveis da viagem da Familia Real até o Brasil. Os
Inglezes occupão a ilha da Madeira. Liberdade do commercio do Brasil.
Sentimentos da corte de Marrocos sobre a resolução da de Portugal._
Entre os grandes acontecimentos conhecidos, que tem espantado
o mundo, e mudado a sua face, nenhum merece mais a attenção dos
homens, e nenhum tem sido pintado com cores tão diversas, quanto aos
seus effeitos moraes, como o descubrimento d’America. O artista,
o commerciante, o maritimo, o cortezão, e em fim o grande número
daquelles, que se nutrem da gloria, dos lucros, ou dos prazeres,
vendo aberta diante dos seus passos huma nova, e immensa carreira
á sua industria, e ás suas especulações, mil maneiras, até então
desconhecidas, de satisfazerem aos seus appetites, novos objectos de
luxo, e poderosos estimulos, que excitão a sua ambição, vendo em fim
diante dos olhos hum novo mundo mais rico, e mais bello, que o antigo,
e multiplicadas prodigiosamente as obras da creação, deixão arrastar-se
destas idéas lisongeiras, até o ponto de avaliarem hum tal successo,
como o mais vantajoso, o mais apreciavel de quantos nos offerece a
historia. Mas o filosofo austero, em cuja balança peza mais huma gota
de sangue humano, do que todas essas vantagens quimericas, ou reaes;
que sujeita os factos a huma severa analyse; que se não contenta com
a superficie das cousas, sem lhe ter patenteado o amago; não póde
consolar-se de tantas mortes, incendios, naufragios, perfidias, que tem
occasionado as descubertas de Colombo; não acredita, que a prata, e o
ouro alli amontoados com profusão, as drogas, e todos os presentes,
que huma terra nova offereceo aos habitantes da antiga, os indemnizem
dos venenos, das novas doenças, e assinaladamente de hum novo mal, até
então desconhecido, que inficiona a especie humana, mesmo nas fontes da
geração, que tudo forão buscar os Europeos á desgraçada America. Elle
pois amaldiçoa taes inventos, taes prazeres, taes riquezas, que tão
caro nos tem custado.
Respeito as suas opiniões; mas sou obrigado a interrompello. Suspende
o teu juizo! Tu ignoras os altos destinos, que a Providencia terá
reservado para esta rica ametade do globo: ella já serve de abrigo
a grandes Principes, e a multidões de familias, que perseguidas no
outro continente, forão alli buscar o seu asylo: as suas producções, e
os metaes preciosos, que se arrancão das suas entranhas, empregão-se
em forjar as armas, e sustentar os exercitos, que combatem na Europa
pela sua liberdade: ella está preparando huma hospedagem segura, e
tranquilla a nações numerosas, se succumbirem ao poder enorme do seu
oppressor. Sabes tu, se as metropolis opprimidas terão de renascer nas
colonias? Se o espirito humano, retrogradando na Europa, por effeitos
de huma revolução espantosa, que ameaça reduzilla aos horrores dos
tempos barbaros, irá prosperar na America? Se em fim da America voltara
a paz á Europa, e com a paz a justiça, a humanidade, e a moralidade,
hoje proscriptas, e fugitivas? Mas sem nos entranharmos pelas regiões
tenebrosas do futuro, sigamos a historia do passado.
Nós deixamos o Principe Regente, e toda a Real Familia embarcados na
esquadra Portugueza, fazendo proas ao occidente; agora os seguiremos
na sua derrota para o Brasil. Huma briza de nordeste, que assoprou
repentinamente, tinha feito sahir os navios do porto de Lisboa,
cortando quasi todos huma amarra, em 29 de novembro de 1807; mas
depressa mudou outra vez o tempo, e ás 8 horas da tarde já o vento era
sul, e os horizontes muito carregados ameaçavão tempestade. Ficárão
toda a noite as duas esquadras Portugueza, e Ingleza, em hum e outro
bordo, e com a manhã apparecêrão espalhados os navios, e o cabo de
Espichel a cousa de quatro leguas da náo almirante Portugueza. Cresceo
então o vento, e os navios, não podendo avançar para o sul, pairárão,
e descahírão hum pouco para o norte: os officios, que no 1.^o de
dezembro forão expedidos pelo Almirante Inglez ao seu ministerio,
são datados da náo Hybernia a 22 leguas ao oeste do Téjo. Foi o mais
bello espectaculo, dizia nos mesmos officios o Almirante, e disse
tambem Lord Strangford, a união amigavel, as salvas, e os cortejos
reciprocos destas duas esquadras, que hum dia antes estavão em termos
de hostilidade: a scena infundio os mais vivos sentimentos de gratidão
em todos os espectadores, excepto no exercito Francez, que estava sobre
os outeiros.
Sim os Francezes ainda observárão huma parte destes movimentos; o que
não concorreo pouco, para se persuadirem de que os Inglezes conduzião
para o Tamiza a esquadra Portugueza, com o rico deposito, que levava
dentro em si. Falsas noticias, que posteriormente se espalhárão por
Lisboa, os firmárão tanto nesta persuasão, que huns 15 dias depois
o proprio Junot deo públicamente por certo o ter desembarcado em
Inglaterra a Familia Real, depois de huma horrorosa tempestade.
O temporal foi na verdade violentissimo até o dia 4: eu me lembro de
que hum tufão de vento demolio huma parte dos telhados da ribeira das
náos, e de outros edificios da cidade, arrojou para a costa muitas das
embarcações, que estavão no porto, e levantou tanto o mar, que inundou
varias ruas, e levou barcos até o adro da igreja do corpo santo. Em
quanto isto acontecia sobre a terra, erão tão acossados os navios da
esquadra, que a maior parte delles ficou maltratada: a náo D. João de
Castro, e o brigue lebre desarvorárão, e forão obrigados a separar-se.
Tal era a primeira hospedagem, que a Familia Real Portugueza recebia de
hum elemento, a que os seus antepassados derão a lei por longos tempos;
mas que tem por natureza o ser inconstante.
Se a estes contratempos ajuntarmos o desarranjo, e a escassez de
viveres, com que a nossa esquadra tinha sahido do Téjo, he facil de
conjecturar a situação crítica, em que ella devia achar-se. A tudo
supprio o trabalho da nossa gente, a actividade do infatigavel Smith,
e o soccorro generoso, que por sua ordem prestou a esquadra Ingleza.
Fizerão-se os concertos precisos, proverão-se os nossos navios dos
generos mais necessarios, e finalmente a 5 se separou a náo Hybernia,
em que andava Smith, da esquadra Portugueza, que continuou a sua
viagem, sempre em conserva com as quatro náos Inglezas, que já em outro
lugar dissemos, forão destinadas para acompanharem a Familia Real,
o London de 100 peças, o Bedford, o Malborough, e o Monarca de 74,
commandadas pelo Commodoro Moore.
O tempo era menos procelloso, mas sempre máo, e na noite de 9 sobreveio
huma nova tempestade, que dispersou toda a esquadra. Pela manhã se vio
sómente a fragata Urania com a náo almirante o Principe Real, a que no
dia seguinte se reunio o Affonso de Albuquerque; e estes tres navios
forão seguindo juntos a sua viagem. No Principe Real ião embarcados a
Rainha, o Principe Regente, o Principe da Beira, e os Senhores Infantes
D. Miguel, e D. Pedro Carlos; no Affonso d’Albuquerque a Senhora
Princeza D. Carlota, com a Senhora Princeza D. Maria Teresa, e tres
Infantes; as mais Pessoas Reaes hião na náo Rainha de Portugal.
A 11 se passou a ilha da Madeira, de que sómente se vio a sombra por
entre a cerração do horizonte; a 13 reunio-se a fragata Minerva; a 14
pela manhã se descobrio a ilha do Ferro; a 15 ajuntou-se o Bedford. A
Minerva mandou-se a 21 para a ilha de S. Tiago, huma das de Cabo verde,
que se achavão perto; e os quatro navios continuárão a derrota com os
tempos costumados.
Então mesmo se aproximava huma expedição Ingleza á ilha da Madeira,
que foi occupar, prevenindo algum golpe de mão dos Francezes, para ser
restituida ao nosso legitimo Soberano, logo que as circumstancias o
permittissem. Este successo faz conhecer, qual seria a sorte do Brasil,
e das outras colonias Portuguezas, se a nossa corte, em lugar da sábia
medida, que tomou, adoptasse o louco projecto de submetter-se aos
Francezes.
A 10 de janeiro pelas 11 horas da manhã se cortou a linha, e o
emisferio austral vio pela primeira vez sobre si hum Soberano Europeo,
com toda a sua Real Familia. A 19 chegou o brigue tres corações,
mandado pelo Governador de Pernambuco com viveres, para o fornecimento
das Pessoas Reaes; e finalmente a 22, ao nascer do sol, se descobrio
terra: era a da Bahia, em cujo porto surgírão os quatro navios no dia
seguinte. O Principe Regente dormio já em terra nessa noite; a Rainha,
e mais Pessoas Reaes desembarcárão no outro dia.
A carta Regia de 28 de janeiro foi hum dos primeiros, e mais
assignalados bens, que os póvos do Brasil recebêrão com a presença
do Soberano, vendo abertos os seus portos ao commercio de todas as
nações, que se reputavão em paz com a Corôa de Portugal, e livre a
importação de todo o genero de fazendas, e mercadorias, ou fossem
nacionaes, ou estrangeiros os navios, que as conduzissem, pagando o
vinho, aguardente, e azeite, direitos dobrados, dos que até então
se pagavão, e os mais effeitos 24 por 100. Ficou igualmente livre a
nacionaes, e estranhos a exportação de toda a qualidade de fazendas, e
productos coloniaes, á excepção do páo Brasil, e outros artigos, de que
a exportação já era prohibida, por serem notoriamente estancados.
Esta legislação desviava-se muito dos principios, que as nações
Europeas tem seguido relativamente ás suas colonias; mas era huma
consequencia necessaria dos acontecimentos, que desligavão o Brasil
da sua metropoli, e o resultado das sábias meditações de hum governo,
que queria chamar a abundancia, e a riqueza para hum paiz, onde hia
estabelecer o seu asento, e que não tinha fábricas, nem industria.
O mesmo illuminado ministerio, de que ella emanou, a saberá reduzir
aos seus justos limites, quando as circumstancias o permittirem,
equilibrando em balança imparcial os interesses da metropoli, e das
colonias; e esta obra, não só está começada, mas muito adiantada com
as acertadas providencias, que se tem seguido áquella carta Regia. O
decreto de 11 de junho de 1808 reduzio a 16 por 100 os direitos de
entrada nas alfandegas do Brasil, para todas as fazendas, e mercadorias
de propriedade nacional, importadas em embarcações nacionaes, e
diminuio a terça parte dos direitos estabelecidos para os generos, que
se denominão molhados; concedeo além disso aos vassallos Portuguezes
a baldeação para paizes estrangeiros das mercadorias, que assim
importassem, nas alfandegas do Rio de janeiro, Bahia, Pernambuco,
Maranhão, e Pará; pagando sómente 4 por 100. O decreto de 20 de outubro
do mesmo anno reduzio os mesmos direitos de entrada no Brasil dos
mesmos generos molhados, que fossem da producção de Portugal, e ilhas,
ao estado, em que se achavão antes da carta Regia de 28 de janeiro. São
ainda muito mais amplas a favor das manufacturas, do commercio, e da
navegação de Portugal as isenções, e franquezas concedidas no alvará de
28 de abril de 1809.
As nações da Europa tem sido arguidas por muitos escritores de
tratarem com dureza as suas colonias, e eu não direi, que estes carecem
absolutamente de razão; mas he necessario confessar, que tem exaggerado
muito, procedendo huns de boa fe, mas sem o conhecimento necessario dos
factos; e outros com malicia, querendo atear o fogo da discordia entre
as colonias, e as metropolis, para que divididas, e enfraquecidas,
possão mais facilmente ser subjugadas humas depois das outras: he huma
obra bem conhecida deste mesmo genio depredador, que tem dividido, e
devastado a Europa.
Os vassallos do mesmo Soberano devem gozar dos mesmos direitos
por toda a extensão dos seus Estados; mas para haver igualdade de
direitos, he necessario contemplarem-se todas as relações, que os
determinão. Todos devem participar igualmente dos beneficios; mas na
mesma proporção devem concorrer para os encargos. Segundo o fatal
encadeamento da politica moderna, o primeiro tiro de peça disparado
na Europa leva a guerra até as extremidades do globo: então as
metropolis são devoradas pelo ferro, pelo fogo, pelos recrutamentos,
pela fome, e por todos os estragos, que aquelle flagello traz comsigo:
exhaurem-se os thesouros, e he então necessario recorrer aos impostos
extraordinarios, aos emprestimos forçados, e a outros meios violentos
de haver dinheiro; e bem longe de conseguirem das suas colonias meios
proporcionaes, são ainda obrigadas a destinar huma parte das suas
forças, para as protegerem, e defenderem. Mesmo em tempos de paz nunca
as colonias forão tão carregadas de impostos, como as metropolis. Que
muito he pois, que aquellas fação a favor destas alguns sacrificios
commerciaes? Se os não fazem, he melhor não ter colonias; mas dividida
a cabeça dos seus membros, nem huma, nem os outros podéráõ prosperar,
nem talvez existir; porque nas circumstancias presentes só grandes
massas de força unida são as que podem resistir aos choques violentos,
que abalão o mundo. As fábricas de Portugal não se sustentavão, senão
pelo consumo das colonias; o commercio prosperava, porque lhe servião
de alimento as materias coloniaes; se pois faltar aquelle consumo, e
estas materias tomarem outro caminho, as fabricas não levantaráõ mais
cabeça, e o commercio não sahirá do extremo de languidez, a que se acha
reduzido, as alfandegas se reduziráõ a nada; e por fim as vertigens,
que a cabeça sentir, hão de produzir nos membros o seu effeito.
Toda a difficuldade consiste em achar o termo, até onde se póde
estender a protecção concedida ás colonias, sem que seja damnosa ás
metropolis; e se algum ministerio se póde propôr, como modelo a este
respeito, parece-me ser o Hespanhol debaixo do reinado de Carlos
III.: sem prejudicar os interesses da mãi patria, elle soube animar
a industria dos paizes filiaes de tal modo, que a Hespanha, e suas
colonias estreitamente unidas por hum interesse commum, prosperárão ao
mesmo tempo. E que resultou daqui? Que quando a mãi agonizante precisou
do soccorro das filhas, estas, contentes com a sua sorte, ricas, e
obedientes, em lugar de se revoltarem, lhe abrírão espontaneamente os
seus thesouros, para a sustentarem na sua luta gloriosa.
A 26 de fevereiro sahírão da Bahia as náos Principe Real, Affonso
d’Albuquerque, Medusa, (que entrára neste porto em 16 do mesmo mez)
e Bedford, a fragata Urania, a charrua activo, e dous mercantes: o
tempo foi sempre sereno até o Rio de janeiro. Avistou-se Cabo frio
na tarde de 6 de março, e no dia seguinte entrárão todos os navios
naquelle immenso porto, que pela sua extensão, belleza, e segurança,
parece destinado a commandar huma navegação tambem immensa. Já nelle se
achavão os que se havião separado na viagem.
Defendido dos baldões da Europa pelo vasto pego do Atlantico,
vio-se em fim o Principe Regente em plena liberdade, para lançar os
fundamentos de hum novo imperio, que ainda que nos primeiros tempos não
poderia desenvolver forças, vantagens, e recursos proporcionados á sua
extensão, por ser necessario, que primeiro se povoassem os desertos,
se cultivassem as terras, se propagasse a industria, e se creassem
de novo todas as instituições accommodadas á nova ordem de cousas,
que ia nascer; promettia hum futuro de grandezas, e de prosperidades.
Os Francezes em Portugal não cessavão de metter a bulha este novo
estabelecimento; mas os que pensassem, não podião deixar de prever, o
quanto elle lhes seria fatal. O imperio Portuguez, que devia engrossar
todos os dias no Brasil com a emigração da Europa, se huma nova
revolução não désse huma nova face ás cousas, obrando de acordo com as
possessões Hespanholas, e com o imperio Britanico, faria huma massa
colossal capaz, não só de insultar o poder, e as ameaças de Napoleão,
mas até de lhe minar os alicerces do throno, em que se assenta. Por
primeiro ensaio elle lhe fez abortar o grande projecto, a que o havia
conduzido a sua pérfida, e ambiciosa politica de se fazer senhor de
ambos os mundos, sem lhe custar senão palavras, e folhas de papel:
pouco tempo depois lhe arrebatou o covil de Cayena, d’onde os seus
corsarios infestavão os mares; e tudo o que possuia na Guiana, por onde
se lisongeava de poder invadir ambas as Americas.
A Europa devia assombrar-se com estes successos, pela sua novidade, e
pelos seus resultados; mas a Europa os ouvio, e respondeo friamente;
porque se achava affeita a novidades estrondosas; e porque não ousava
exprimir-se, senão pela linguagem do seu Dictador. He necessario passar
á Africa, para encontrar huma corte, que olhou para elles, como devia,
e soube exprimir-se com dignidade. E he huma das cortes, a que chamamos
barbaras! Copiarei a carta, que o primeiro Ministro do Imperador de
Marrocos escreveo ao consul Portuguez Jorge Pedro Collaço: monumento
importante, e bem capaz de fazer mudar a opinião, que commummente se
tem daquella corte.
Carta.
_Em nome de Deos clemente, e misericordioso. Não ha força, nem
poder, senão em Deos._
_Recebi a vossa carta, e inclusa nella a que o vosso Principe
Regente de Portugal dirigio ao Imperador, meu Senhor. Por noticias,
que se não podem duvidar, consta, que o vosso Principe se retirou
para os seus Estados do Brasil com a sua Augusta Familia, os seus
Ministros, alguns grandes do reino, e familiares: o que nos tem
causado hum vivo desgosto, e maior sentimento, por se ver obrigado a
deixar o lugar da sua costumada, e antiga residencia; mas por outra
parte estimamos a Real resolução, que tomou; pois vai ser Soberano
independente nos seus vastos Estados; o que lhe he melhor, do que
ficar, e ser por outrem governado; e muito mais por aquelles, que
não tem religião, nem boa fé. Pelo que respeita á carta, que o vosso
Principe dirigio ao Imperador, meu Senhor sobre a exportação do gado,
e trigo, devo dizer-vos, que como a cidade de Lisboa, e reino de
Portugal se achão occupados por aquelle inimigo, ficou infructifera,
até vermos, se com effeito o evacuar, e ficar o governo restituido
aos Portuguezes, que figurem, e governem em nome da Real Pessoa do
vosso Principe. Neste caso tudo o que pedireis vos será concedido com
maior abundancia, do que tem sido até agora; e vós ficai d’aviso,
para nos participar des as noticias, que sordes recebendo de Lisboa,
e do estado do reino. 11 de dezembro de 1807._
_Mohamed Salavis._
_A nosso amigo Jorge Pedro Collaço, consul geral de Portugal._
Se todas as cortes da Europa tivessem pensado como a de Marrocos,
e sustentado a sua honra, e os seus principios com todos os seus
recursos, a Europa não estaria hoje encadeada. Que vergonha para os
paizes mais civilizados do mundo, e para hum seculo, a que chamão de
luzes!
Vou continuar com os negocios de Portugal na Europa; porque os do
Brasil só entrão por incidencia no meu plano.