do seu grande haver e poder, passou áquem do mar com Naforra, filha do
rei de Tunes, para perseguir e destruir os christãos. Tarifa, e o seu
poder era tamanho, que se não poude tomar, e pois rei D. Affonso viu que
não pode ser certo, houve receio de por si veiu a Portugal a demandar
ajuda ao IV Affonso de Portugal, seu sogro, e a elle prouve muito de
lh'a fazer com seu corpo e com seu poder; logo sem tardança começou o
caminho para a fronteira, e mandou que os seus se fossem apoz elle. De
Evora levou cem cavalleiros e mil peões, de que Esteves Carvoeiro foi
por alferes. Lidaram com os mouros, e o rei de Portugal entendeu com
elrei de Granada, e rei de Castella com Abenamarim, e foi mercê de Deus
que nunca mouro tornou rosto, e morreram delles tantos que não poderam
dar conta. O rei Abenamarim e o de Granada fugiram. No arrayal de elrei
Abenamarim acharam grande haver em ouro e prata, e o houve el-rei de
Castella. Mataram alli Naforra, e muitos mouros ricos, e outros mouros,
e meninos infinitos. Captivaram um filho de Abenamarim, um seu
sobrinho e uma sua neta. Deus seja para sempre bento, por tanta
mercê, quanta fez aos christãos.==
Pag. 133
E D. Manuel...... accrescentou aos titulos do seu dictado os de
senhor da conquista, navegação e commercio da Ethiopia, Arabia,
Persia e India.»
Nesse mesmo anno de 1499 mandou elrei lavrar os portuguezes de ouro, com
a legenda==_Emanuel Rex Portugaliae, Algarbiorum citra et ultra in
Africa, et Dominus Guinae_, e ao redor das armas==_Conquista, Navegaçam,
Commercio Aetiopiae, Arabiae, Persiae, Indiae._
Decorrido pouco tempo eram já insufficientes esses titulos para
corresponderem com exactidão aos descobrimentos, ás conquistas, á
influencia e poder dos portuguezes. Hoje, que vivêmos ao crespusculo da
nossa passada gloria, conservâmos ainda a antiga formula, van lembrança
do largo patrimonio que dividimos com as outras nações.
Pag. 153
«O numero dos mortos nesses tres dias orçava por dous mil.»
Os judeus, na allegação ao pontifice Paulo III, descrevendo as scenas de
sangue e agonia, que neste quadro tentámos esboçar, affirmavam que
mais de quatro mil pessoas haviam nesses tres dias cahido ás mãos dos
assassinos, em Lisboa e nas aldêas circumvisinhas; mas as memorias
coévas e os historiadores calculam consoantemente em dous mil o numero
dos que foram victimas na horrorosa hecatomba.
INDICE
Introducção V
I Fundação da monarchia 9
II Ultimos annos de D. Sancho II 29
III Batalha do Salado 45
IV Morte de D. Maria Telles 55
V Tomada de Ceuta 69
VI Regencia do infante D. Pedro.--Combate de Alfarrobeira 87
VII Conspiração da nobreza contra D. João II 99
VIII Primeira viagem de Vasco da Gama á India 115
IX Descobrimento do Brasil 135
X Matança nos christãos novos de Lisboa 147
XI Conquista de Goa 157
XII Defensa de Mazagão 175
XIII Desastre de Alcacer-quibir.--Reinado do cardeal D. Henrique 189
Notas 205