==Era de 1378. Rei Abenamarim, senhor de alem do mar, confiando em si e

do seu grande haver e poder, passou áquem do mar com Naforra, filha do

rei de Tunes, para perseguir e destruir os christãos. Tarifa, e o seu

poder era tamanho, que se não poude tomar, e pois rei D. Affonso viu que

não pode ser certo, houve receio de por si veiu a Portugal a demandar

ajuda ao IV Affonso de Portugal, seu sogro, e a elle prouve muito de

lh'a fazer com seu corpo e com seu poder; logo sem tardança começou o

caminho para a fronteira, e mandou que os seus se fossem apoz elle. De

Evora levou cem cavalleiros e mil peões, de que Esteves Carvoeiro foi

por alferes. Lidaram com os mouros, e o rei de Portugal entendeu com

elrei de Granada, e rei de Castella com Abenamarim, e foi mercê de Deus

que nunca mouro tornou rosto, e morreram delles tantos que não poderam

dar conta. O rei Abenamarim e o de Granada fugiram. No arrayal de elrei

Abenamarim acharam grande haver em ouro e prata, e o houve el-rei de

Castella. Mataram alli Naforra, e muitos mouros ricos, e outros mouros,

e meninos infinitos. Captivaram um filho de Abenamarim, um seu

sobrinho e uma sua neta. Deus seja para sempre bento, por tanta

mercê, quanta fez aos christãos.==

Pag. 133

E D. Manuel...... accrescentou aos titulos do seu dictado os de

senhor da conquista, navegação e commercio da Ethiopia, Arabia,

Persia e India.»

Nesse mesmo anno de 1499 mandou elrei lavrar os portuguezes de ouro, com

a legenda==_Emanuel Rex Portugaliae, Algarbiorum citra et ultra in

Africa, et Dominus Guinae_, e ao redor das armas==_Conquista, Navegaçam,

Commercio Aetiopiae, Arabiae, Persiae, Indiae._

Decorrido pouco tempo eram já insufficientes esses titulos para

corresponderem com exactidão aos descobrimentos, ás conquistas, á

influencia e poder dos portuguezes. Hoje, que vivêmos ao crespusculo da

nossa passada gloria, conservâmos ainda a antiga formula, van lembrança

do largo patrimonio que dividimos com as outras nações.

Pag. 153

«O numero dos mortos nesses tres dias orçava por dous mil.»

Os judeus, na allegação ao pontifice Paulo III, descrevendo as scenas de

sangue e agonia, que neste quadro tentámos esboçar, affirmavam que

mais de quatro mil pessoas haviam nesses tres dias cahido ás mãos dos

assassinos, em Lisboa e nas aldêas circumvisinhas; mas as memorias

coévas e os historiadores calculam consoantemente em dous mil o numero

dos que foram victimas na horrorosa hecatomba.

INDICE

Introducção V

I Fundação da monarchia 9

II Ultimos annos de D. Sancho II 29

III Batalha do Salado 45

IV Morte de D. Maria Telles 55

V Tomada de Ceuta 69

VI Regencia do infante D. Pedro.--Combate de Alfarrobeira 87

VII Conspiração da nobreza contra D. João II 99

VIII Primeira viagem de Vasco da Gama á India 115

IX Descobrimento do Brasil 135

X Matança nos christãos novos de Lisboa 147

XI Conquista de Goa 157

XII Defensa de Mazagão 175

XIII Desastre de Alcacer-quibir.--Reinado do cardeal D. Henrique 189

Notas 205

Quadros de historia portugueza · 第 6 / 6 段