XI

O Jorge queixava-se, principiava a sentir um desequilibrio nas finanças da

casa; Ermelinda e Alberto tinham exigencias imprudentes.

--Um luxo por ahi além--dizia a Joaquina--nem que fossem uns

principes--e depois cá estão as costas largas! que poupe, que poupe;

d'aqui por diante nem carne se ha-de ver na panella, t'arrenego!--

Os noivos levavam uma vida ociosa, d'uma tranquilidade aerea. Ermelinda

queria vestidos caros, luxuosos,

--que podessem apparecer diante da baroneza de Lindoso, da mulher do

commendador Bernardo, das Castrinhos, das Cardosas, as suas novas amigas

do _hig-life_, com quem se encontrava no Palacio, no S. João.--

E eram despezas superfluas de trem, de presentes generosos, de noites

seguidas de theatro, de passeios, uma vertigem doce, um rodar

inexperiente no plano inclinado da economia.

O Alberto secundava-a; tinha da sua individualidade uma ideia balofa, um

desprezo das mediocridades, das coisas reles

--não podia realmente viver d'outra fórma, ali, onde todos o conheciam,

onde elle tratava por tu toda a rapaziada elegante! não se tinha casado

para ser um burguez amarrado á bisca sueca, ou ao loto com as senhoras

visinhas! não faltava mais nada que agora o casamento o viesse privar da

liberdade dos seus gozos.--

O Jorge começava a comprehender que fôra talvez um erro aquelle

casamento; de dia para dia Alberto revelava-se irascivel, grosseiro,

indelicado para com Ermelinda, quando lhe não satisfaziam exigencias de

dinheiro.

A Divorciada · 第 28 / 63 题