_Thebaida_
A Thebaida, uma das tres grandes divisões do antigo Egypto, e que tinha
Thebas por capital, era famosa pelos desertos que a éste e oéste
cercavam a sua parte habitada. Foi n'uma destas solidões que nos
primeiros seculos do christianismo se refugiaram muitissimos christãos,
já para fugirem á perseguição, já para se esquivarem ás seducções do
mundo, entregando-se ao jejum, á oração e a todas as austeridades da
vida ascetica.
O mais illustre d'entre elles, Santo Antonio, dera o exemplo,
distribuindo a sua fortuna aos pobres, para viver do trabalho das suas
mãos. A sua reputação de santidade espalhou-se ao longe, e a breve
trecho, milhares de discipulos se gruparam em volta d'elle. Durante
algum tempo, foi, d'algum modo repovoado de monges e anachoretas. Mas
afinal a despovoação geral do Egypto produziu a extincção de quasi todos
os mosteiros, que se haviam creado.
Hoje, só as cellas vasias, marcadas com o symbolo dos christãos, indicam
a assistencia d'esses religiosos nos templos pagãos arruinados, bem como
as grutas dos sepulchros da Thebaida.
--Na linguagem ordinaria, _Thebaida_, diz-se d'um deserto, d'uma solidão
profunda, em que se vive retirado do mundo; mas esta palavra está longe
de ser tomada sempre n'este sentido. Faz-se muitas vezes uso d'ella, em
poesia, especialmente para designar um retiro favorito, que
propositadamente se escolhe, longe do bulicio, para o goso das doçuras
da amisade, ou dos encantos do amor.
Lembra-nos até que Theophilo Gautier disse já n'uma das suas esplendidas
poesias:
«Um bom _cottage_ inglez, eis a _Thebaida_ sua!»