_Se é possivel, está feito; se é impossivel se fará_
Impotente, gottoso, e já velho leão
Queria achasse algum remedio á velhice.
_O impossivel aos reis allegar é illusão_.
Eis uma verdade que Colonne, quartel mestre geral das finanças, sob Luiz
XVI, era demasiado fino e cortezão para ignorar. Leviano, espirituoso,
incapaz d'um plano fortemente concebido e pacientemente executado, elle
devia deixar as finanças do reino n'um estado ainda mais deploravel do
que as tinha encontrado ao entrar para o ministerio. As suas operações
aventureiras só deviam augmentar o mal geral e o numero dos
descontentes. N'essa côrte tão prodigiosamente descuidada na vespera
d'uma catastrophe e em que só Luiz XVI tinha o sentimento dos seus
deveres, sem ser dotado da energia necessaria para bem os cumprir, o
luxo e a prodigalidade eram tão insaciaveis como se os cofres do estado
estivessem pejados. Para crear elogiadores entre os homens de lettras, o
ministro concedeu pensões a um grande numero d'elles.
Maria Antonietta era a primeira a dar o exemplo do luxo e não punha
qualquer freio ao seu prazer pelo gasto. Um dia que ella precisava d'uma
somma consideravel dirigiu-se a Colonne, cuja facil condescendencia ella
conhecia. Antes de lhe expor o pedido, ella disse-lhe n'esse tom de
mulher e rainha que não quer recusa:
--«O que tenho a pedir-lhe é difficil talvez, Colonne!»
O espirituoso ministro respondeu, inclinando-se graciosamente:
--«_Se é possivel, está feito; se é impossivel, far-se-ha!_»
Não era possivel commentar mais finamente o verso de La-Fontaine.
Nas guerras da republica, a possibilidade do _impossivel_ foi expressa
d'uma maneira mais nobre por um general francez, no ardor d'um combate
encarniçado. Um official que elle acabava de encarregar d'uma operação
perigosa, respondeu-lhe que era impossivel.
--«Impossivel, senhor?--respondeu o general--Olhe que essa palavra não é
franceza!»