_Cresus_
Cresus, rei da Lydia, submetteu a maior parte das cidades da Asia Menor,
e levou as suas conquistas até ao rio Halys. A fama do seu poder e das
suas riquezas, constantemente renovadas pelas areias auriferas do
Pactolo, tornou proverbial o nome de Cresus, para designar um homem
cumulado dos bens da fortuna. Elle perguntou um dia a Solon, que fôra
visitar a sua côrte, se conhecia um homem mais feliz do que elle. O
philosopho respondeu-lhe que nenhum homem póde ser saudado com o nome de
feliz antes da sua morte. Cresus não tardou a experimentar os effeitos
d'esta triste verdade. Um de seus filhos foi morto na caça, o outro
tornou-se mudo, e elle proprio, depois de ter visto os seus Estados
invadidos por Cyro, foi vencido na celebre batalha de Thimbreia e cahiu
nas mãos do vencedor, que ordenou a sua morte. Quando o conduziam ao
supplicio, vieram-lhe á memoria as palavras de Solon, e elle pronunciou
tres vezes, suspirando, o nome do legislador atheniense. Instruido da
causa d'esta exclamação, Cyro, commovido de piedade e tocado d'aquelle
exemplo das vicissitudes humanas, perdoou a Cresus e admittiu-o no
numero dos seus conselheiros.
Esta bella legenda philosophica da vida de um homem, que foi
successivamente, e d'um modo tão frisante, o favorito e o joguete da
fortuna, é narrada por Herodoto, mas Xenophonte não falla d'ella.
--O nome de _Cresus_ passou a designar um homem opulento, coberto de
todos os favores da fortuna.