Sobre a _quinta dos Azulejos_ (tambem outr'ora chamada do _Principe_),
no largo do Poço, no logarejo do Paço do Lumiar, junto a Lisboa, veja-se
o que vem nas _Memorias de Castilho_, por Julio de Castilho, tomo I. O
poço que se via no meio do tal resumido largo já não existe. Engana-se
Castilho attribuindo a esta quinta, por conjectura vaga, a honra de ter
communicado ao logarejo o seu nome de Paço. Essa gloria, segundo o
erudito Vilhena Barbosa, pertence talvez á quinta dos Duques de Palmella.
É ainda hoje a quinta dos Azulejos um bellissimo especimen dos jardins
nobres e ricos do seculo XVIII. Pena e grande pena foi, que os modernos
proprietarios destruissem o arvoredo antigo, os buxos aparados, as
murtas, etc., dos jardins em estylo velho, para substituir essas
regradas opulencias vegetaes por outras invenções pertencentes ao
chamado jardim inglez. Estas serão muito bellas, mas desdizem dos
azulejos primitivos, que lá campeiam ainda, e são dos mais vistosos, dos
mais correctos, dos mais agradaveis que podem ver-se.
Quando, na muitos annos, visitou essa quinta o Poeta, ainda o estado
antigo da parte rustica do predio se conservava intacto. É lastima que o
alterassem.