A Batalha das Lâmpadas

O sr. Buck que, apesar de aposentado, frequentemente descia para suas

grandes lojas de roupas em Kensington High Street, estava fechando as

instalações, sendo o último a sair. Era um anoitecer maravilhoso de

verde e ouro, mas isso não o incomodou muito. Se você tivesse chamado

sua atenção, ele teria concordado com seriedade, pois os ricos sempre

desejam ser artísticos.

Ele saiu para o ar frio, abotoando o casaco leve amarelo, e soltando

grandes nuvens de seu charuto, quando uma figura correu até ele em outro

casaco amarelo, mas desabotoado e com a parte de trás levantada pelo vento.

— Olá, Barker! — disse que o comerciante. — Algum de nossos artigos de

verão? Está muito atrasado. Leis fabris, Barker. Humanidade e progresso,

meu garoto.

— Oh, não começa — gritou Barker, batendo os pés no chão. — Fomos

derrotados.

— Derrotados... Por quê? — perguntou Buck, mistificado.

— Por Wayne.

Buck olhou para o rosto branco feroz de Barker pela primeira vez, que

brilhava à luz do lampião.

— Venha tomar uma bebida — disse ele.

Foram para um buffet almofadado deslumbrante, e Buck sentou-se de forma

lenta e preguiçosa em um banco, e puxou sua cigarreira.

— Como isso aconteceu? — perguntou Buck, encarando-o com seus grandes

olhos ousados.

— Como diabos vou saber? — gritou Barker. — Aconteceu assim, como um

sonho. Como podem duzentos homens derrotar seiscentos? Como podem?

— Bem — disse Buck, friamente —, como é que o fizeram? Você deve saber.

— Não sei, não posso descrever — disse o outro, tamborilando na mesa. —

Foi mais ou menos assim. Eramos seiscentos, marchávamos com essas

malditas poleaxes de Auberon – as únicas armas que temos. Marchamos em

dupla, lado a lado. Subimos por Holland Walk, entre as estacas altas que

pareciam ir direto como flechas para a Pump Street. Estava perto do

final da fila, e era uma longa fila. Quando o final dela ainda estava

entre as altas estacas, a cabeça da fila já estava atravessando Holland

Park Avenue. Então a cabeça mergulhou na rede de ruas estreitas do outro

lado, enquanto eu e o resto da cauda chegamos na grande travessa. Quando

também chegamos ao lado norte e surgiu uma pequena rua que apontava, de

forma torta, para Pump Street, tudo parecia diferente. As ruas se

torciam e se inclinavam tanto que a cabeça da nossa fila parecia

completamente perdida: poderia muito bem estar na América do Norte. E

todo esse tempo não vimos ninguém...

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Mapa do campo de batalha.

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Buck, que estava preguiçosamente batendo a cinza do cigarro no cinzeiro,

começou a espalhar as cinzas deliberadamente sobre a mesa, fazendo

linhas cinzentas emplumadas, uma espécie de mapa.

— Mas, embora as pequenas ruas estivessem desertas (o que me dava nos

nervos), enquanto nos aprofundávamos, algo começou a acontecer que eu

não conseguia entender. Às vezes, com um longo caminho pela frente –

como se fosse três voltas ou cantos à frente – de lá partia de repente

uma espécie de ruído, barulhos e gritos confusos, e depois parava. Então

aconteceu, algo que não posso descrever, uma espécie de tremor ou

cambaleio que veio para a parte de baixo da fila, como se a fila fosse

uma coisa viva, cuja cabeça tinha sido atingida, ou fosse um cabo

elétrico. Nenhum de nós sabia por que estávamos nos movendo, mas nos

movemos e empurramos. Então, nos recuperamos, e fomos pelas ruazinhas

sujas, de cantos arredondados, e formas retorcidas. As pequenas ruas

tortuosas começaram a me dar um sentimento que não posso explicar, como

se fosse um sonho. Eu me senti como se as coisas tivessem perdido a

razão, e nunca sairia do labirinto. Estranho ouvir-me falar assim, não

é? As ruas eram bem conhecidas, todas no mapa. Mas o fato permanece. Eu

não estava com medo de algo acontecer. Eu tinha medo de nada acontecer,

de nada acontecer por toda a eternidade de Deus.

Ele esvaziou o copo e pediu mais uísque. Bebeu, e prosseguiu:

— E então algo aconteceu. Buck, é a verdade solene, que nada nunca

aconteceu com você em toda a sua vida. Nada me aconteceu em toda minha vida.

— Nada aconteceu! — disse Buck, olhando. — O que você quer dizer?

— Nada jamais aconteceu — repetiu Barker, com uma obstinação mórbida. —

Você não sabe o que algo acontecer significa. Senta-se em seu escritório

esperando clientes, e os clientes vêm; anda na rua esperando os amigos,

e os amigos te encontram; quer um drinque, e o obtém; sente-se inclinado

a uma aposta, e a faz. Espera ganhar ou perder, e ganha ou perde. Mas

coisas acontecendo... —, e ele estremeceu incontrolavelmente.

— Vá em frente — disse Buck, brevemente. — Continue.

— À medida que caminhava cansado pelos cantos, algo aconteceu. Quando

algo acontece, acontece primeiro, e você vê depois. Acontece por si só,

e você não tem nada a ver com isso. Isso prova uma coisa terrível, que

existem outras coisas além de si mesmo. Só posso colocar desta forma.

Demos uma volta, duas voltas, três voltas, quatro voltas, cinco. Então

levantei-me lentamente da sarjeta de onde tinha caído meio sem sentidos,

e foi abatido novamente por homens batendo em cima de mim, e o mundo

estava cheio de rugir, e grandes homens caindo como pinos de boliche.

Buck olhou para o mapa com a testa enrugada.

— Isso foi em Portobello Road? —, perguntou ele.

— Sim — disse Barker —, em Portobello Road. Vi depois; mas, meu Deus,

que lugar era! Buck, já foi pisoteado na cabeça por homens com sapatos

de ponta de aço? Porque, quando tem essa experiência, como diz Walt

Whitman, “você reexamina as filosofias e religiões”.

— Não duvido — disse Buck. — Se isso foi Portobello Road, não viu o que

aconteceu?

— Sei o que aconteceu bem demais. Fui derrubado quatro vezes; uma

experiência que, como disse, tem um efeito sobre sua atitude mental. E

outra coisa aconteceu, também. Derrubei dois homens. Após a quarta queda

(não havia muito derramamento de sangue, mais brutais empurrões e coisas

atiradas, pois ninguém conseguia usar suas armas), após a quarta queda,

me levantei como um demônio, e tomei um poleaxe da mão de um homem e

golpeou onde vi o escarlate dos companheiros de Wayne, golpei de novo e

de novo. Dois deles caíram, sangrando nas pedras, graças a Deus, e eu ri

e me achei estatelado na sarjeta de novo, e me levantei novamente, e

golpei de novo, e quebrei minha alabarda em pedaços. Machuquei a cabeça

de um homem, no entanto.

Buck pousou o copo num estrondo, e cuspiu maldições pelo seu bigode espesso.

— Qual é o problema? — perguntou Barker, parando, pois o homem estava

calmo até o momento, mas agora sua agitação era muito mais violenta do

que a sua própria.

— O problema? — disse Buck, amargamente. — Não vê como esses maníacos

nos pegaram. Por que dois idiotas, um palhaço e o outro um louco

gritando, alteraram tanto homens sãos? Olhe aqui, Barker, vou dar-lhe um

panorama. Um jovem muito bem-educado deste século está dançando em uma

sobrecasaca. Ele tem em suas mãos uma alabarda do século XVII sem

sentido, com a qual ele está tentando matar homens em uma rua de Notting

Hill. Droga! Não vê como eles nos pegaram? Não importa como você se

sentiu, é assim que pareceu. O rei iria colocar a maldita cabeça de lado

e chamar isso de requintado. O superintendente de Notting Hill iria

levantar seu maldito nariz e chamar de heroico. Mas em nome de Deus o

que você teria chamado isso – dois dias atrás?

Barker mordeu o lábio:

— Não passou por isso, Buck. Não entende de combate – a atmosfera.

— Não nego a atmosfera — disse Buck, batendo na mesa. — Só digo que é a

atmosfera dele. É atmosfera de Adam Wayne. É a atmosfera que você e eu

pensamos já tinha desaparecido de um mundo educado para sempre.

— Bem, não desapareceu — disse Barker —, e se tiver quaisquer dúvidas,

empresta-me um poleaxe, e vou lhe mostrar.

Houve um longo silêncio, e então Buck virou-se para seu vizinho e falou

em um tom bem-humorado que vem de um poder de encarar fatos de frente –

com que ele concluiu grandes barganhas.

— Barker, você está certo. Esta coisa velha – esta luta, voltou. Voltou

de repente e nos pegou de surpresa. Por isso, a primeira batalha é de

Adam Wayne. Mas, a menos que a razão, a aritmética e tudo mais tenham

enlouquecido, a próxima e última deve ser nossa. Quando um problema

surge, há apenas uma coisa a fazer – estudar essa questão e ganhar.

Barker, uma vez que é luta, temos de compreender a luta. Preciso

entender de lutas tão friamente e completamente como entendo de roupas,

você deve entender a luta tão friamente e completamente como entende de

política. Agora, olhe para os fatos. Continuo sem hesitação com a minha

fórmula original. Luta, quando temos a força mais forte, é só uma

questão de aritmética. Deve ser. Você me pergunta agora como duzentos

homens podem derrotar seiscentos. Posso lhe dizer. Duzentos homens podem

derrotar seiscentos quando os seiscentos se comportam como tolos. Quando

eles esquecem as próprias condições em que estão lutando, quando lutam

em um pântano como estivessem em uma montanha, quando lutam em uma

floresta como se estivessem em uma planície, quando lutam nas ruas sem

lembrar do objetivo das ruas.

— Qual é o objetivo das ruas? — perguntou Barker.

— Qual é o objetivo do jantar? — gritou Buck, furiosamente. — Não é

óbvio. Esta ciência militar é mero senso comum. O objetivo de uma rua é

levar de um lugar para outro; portanto, todas as ruas se juntam, por

isso luta de rua é muito peculiar. Você avançou em uma colmeia de ruas

como se estivesse avançando em uma planície aberta onde pode ver tudo.

Em vez disso, estava avançando nas entranhas de uma fortaleza, com ruas

apontando, ruas virando, ruas pulando em você, e todas nas mãos do

inimigo. Sabe o que é Portobello Road? É o único ponto em sua jornada

onde duas ruas laterais encontram-se frente a frente. Wayne concentrou

seus homens nos dois lados, e quando deixou o suficiente de sua fila

passar, a cortou em duas como um verme. Não vê o que teria salvado você?

Barker balançou a cabeça.

— A “atmosfera” não pode ajudá-lo? — perguntou Buck, amargamente. — Devo

tentar explicações de forma romântica? Suponha que enquanto estava

lutando cegamente com os habitantes vermelhos de Notting Hill que

prenderam vocês por ambos os lados, ouvissem um grito atrás deles.

Suponha, oh, romântico Barker, que por trás das túnicas vermelhas

estivessem o azul e dourado de South Kensington, pegando-os pela

traseira, envolvendo-os, e jogando-os nas suas alabardas.

— Se isso tivesse sido possível — começou Barker, xingando.

— Isso teria sido possível — disse Buck, simplesmente —, tão simples

como a aritmética. Há um certo número de ruas que levam para Pump

Street. Não há novecentos; não há nove milhões. Elas não crescem durante

a noite. Não aumentam como cogumelos. Deve ser possível, com uma força

tão esmagadora como temos, avançar por todas ao mesmo tempo. Em cada uma

das artérias, ou caminhos, podemos colocar quase tantos homens como

Wayne pode colocar no campo todo. Uma vez que façamos isso, nós o temos

para a demonstração. É como uma proposição de Euclides.

– Acha que é certo? — Barker disse, ansioso, mas dominado pelo deleite.

— Vou dizer o que penso — disse Buck, levantando-se jovialmente. — Acho

que Adam Wayne teve uma pequena luta espiritualmente incomum, e acho que

estou confusamente com pena dele.

— Buck, você é um grande homem! — gritou Barker, levantando também. —

Você me fez recuperar a sensatez novamente. Tenho vergonha de dizer

isso, mas estava ficando romântico. Naturalmente, o que diz faz sentido

adamantino. Luta, sendo física, deve ser matemática. Fomos espancados

porque não fomos nem matemáticos, nem físicos, nem nada – porque

merecíamos ser espancados. Mantenhamos todos os caminhos, e com a nossa

força, devemos vencer. Quando vamos começar a próxima campanha?

— Agora — disse Buck, e saiu do bar.

— Agora! — gritou Barker, seguindo-o ansiosamente. — Quer dizer agora? É

tão tarde.

Buck voltou-se para ele, batendo no chão.

— Acha que a luta está sujeita a leis trabalhistas? — disse, e chamou um

táxi. — Para o portão da estação de Notting Hill — disse, e os dois

foram embora.

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Uma reputação genuína pode às vezes ser feita em uma hora. Buck, nos

próximos sessenta ou oitenta minutos, mostrou-se realmente um grande

homem de ação. Seu táxi levou-o como um raio do Rei para Wilson, de

Wilson para Swindon, de Swindon para Barker novamente. Se seu curso foi

irregular, teve a irregularidade de um relâmpago. Apenas duas coisas

carregava, seu inevitável charuto e o mapa de North Kensington e Notting

Hill. Havia, como repetidamente apontou, com toda a variedade de

persuasão e violência, apenas nove formas possíveis de chegar a Pump

Street dentro de um quarto de milha; três de Westbourne Grove, duas de

Ladbroke Grove, e quatro de Notting Hill High Street. E tinha

destacamentos de duzentos pessoas, estacionados em cada uma das entradas

antes da última luz verde do estranho pôr do sol que afundava no negro céu.

O céu estava particularmente negro e sozinho foi um falso protesto

contra o otimismo triunfante do superintendente de North Kensington. Mas

isto foi posto de lado pelo infeccioso senso comum do superintendente:

— Não há tal coisa, como noite em Londres. Só tem que seguir a linha de

postes de luz. Olhe, aqui está o mapa. Duzentos soldados púrpuras de

North Kensington sob meu comando marcham até Ossington Street, duzentos

mais sob o capitão Bruce, da guarda de North Kensington, até Clanricarde

Gardens^1 <#note7> . Duzentos soldados amarelos de West Kensingtons sob

o superintendente Swindon atacam a partir de Pembridge Road. Mais

duzentos de meus homens a partir das ruas do leste, afastando-se de

Queen’s Road. Dois destacamentos amarelos entram por duas estradas de

Westbourne Grove. Por fim, duzentos verdes de Bayswaters descem do norte

através de Chepstow Place, e mais duzentos do superintendente Wilson,

através da parte superior de Pembridge Road. Senhores, é mate em dois

lances. O inimigo deve amontoar-se em Pump Street e ser cortado em

pedaços, ou deve recuar atrás da Gaslight & Coke Co., e enfrentar meus

quatrocentos, ou deve recuar até a Igreja de São Lucas, e enfrentar

seiscentos do oeste. A menos que sejamos todos loucos, é claro. Vamos.

Para seus aposentos e aguardem o sinal do Capitão Brace para avançar.

Então só temos que caminhar por uma linha de postes de luz e esmagar

esse absurdo por pura matemática. E amanhã seremos todos civis novamente.

Seu otimismo brilhava como um grande fogo na noite, e corria em volta do

anel terrível onde agora Wayne estava mantido indefeso. A luta já havia

terminado. A energia de um homem por uma hora salvou a cidade da guerra.

Nos dez minutos seguintes Buck caminhou para cima e para baixo em

silêncio ao lado do aglomerado imóvel dos seus duzentos. Não tinha

mudado sua aparência de qualquer forma, exceto uma eslinga sobre seu

casaco amarelo para um estojo com um revólver. Assim, sua figura de

moderna veste leve mostrou-se estranhamente ao lado dos uniformes

pomposos púrpuras de seus alabardeiros, que obscuramente, mas ricamente

coloriam a noite negra.

Finalmente o som de uma trombeta estridente alcançou a rua, era o sinal

de avanço. Buck brevemente deu a ordem, e toda a linha púrpura, com seu

aço pouco brilhante, moveu-se para o beco lateral. Diante deles estava

uma inclinação de rua, longa, lisa, e brilhando no escuro. Era uma

espada apontada para Pump Street, o coração em que nove outras espadas

estavam apontados naquela noite.

Um quarto de hora marchando silenciosamente os trouxe quase ao alcance

de ouvir qualquer tumulto na cidadela condenada. Mas ainda não havia

nenhum som e não havia sinal do inimigo. Desta vez, pelo menos, eles

sabiam que estavam fechando mecanicamente, e marcharam sob a luz da

lamparina e do escuro sem nenhuma estranha sensação de ignorância que

Barker tinha sentido ao entrar em país hostil por apenas uma avenida.

— Parem, apontar armas! — gritou Buck, de repente, e enquanto falava

veio um barulho de pés andando ao longo das pedras. Mas as alabardas

foram niveladas em vão. A figura que corria era um mensageiro do

contingente do Norte.

— Vitória, Sr. Buck! — ele gritou, ofegante. — Eles foram derrubados. O

superintendente Wilson de Bayswater tomou Pump Street.

Buck ficou excitado:

— Então, por qual caminho estão recuando? Deve ser por St. Luke para

encontrar Swindon, ou pela companhia de gás para nos encontrar. Corra

como louco para Swindon, e veja se os amarelos estão mantendo a estrada

de St. Luke. Vamos manter esta, não tema. Nós os temos em uma armadilha

de ferro. Corra!

Conforme o mensageiro correu para dentro da escuridão, a grande guarda

de North Kensington continuou com a certeza de uma máquina. No entanto,

pouco mais de cem metros depois apontaram novamente suas alabardas

brilhando nas luzes dos postes em linha, pois novamente um barulho de

pés foi ouvido sobre as pedras, e mais uma vez provou-se ser apenas o

mensageiro.

— Lorde Superintendente, os amarelos de West Kensingtons mantêm a

estrada por St. Luke por vinte minutos desde a captura de Pump Street.

Não está a mais de duzentos metros de distância; eles não podem ter se

retirado por esse caminho.

— Então, eles estão recuando por aqui — disse o superintendente Buck,

com uma alegria final — e por sorte por uma estrada bem iluminada,

embora bem torcida. Para frente!

Conforme se moviam ao longo dos últimos trezentos metros de sua jornada,

Buck caiu, talvez pela primeira vez em sua vida, em uma espécie de

devaneio filosófico, pois homens da sua especie sempre se tornam gentis,

e melancólicos, pelo sucesso.

— Sinto muito pelo pobre velho Wayne, realmente sinto — ele pensou. —

Falou esplendidamente por mim naquele Conselho. Ele golpeou o velho olho

de Barker com espírito considerável. Mas não vejo o que um homem pode

esperar quando ele luta contra a aritmética, para não dizer nada da

civilização. E que farsa maravilhosa é todo este gênio militar! Suspeito

que só descobri o que Cromwell tinha descoberto, que um comerciante

sensato é o melhor general, e que um homem que pode comprar e vender

homens pode liderar e matá-los. A coisa é simples como a adição de uma

coluna numa caderneta. Se Wayne tem duzentos homens, ele não pode

colocar duzentos homens em nove lugares ao mesmo tempo. Se foram

expulsos de Pump Street, estão indo para algum lugar. Se não estão na

igreja, estão nas obras. E assim temos eles. Nós, os homens de negócios,

não devíamos ter nenhuma chance, mas as pessoas mais inteligentes do que

nós têm abelhas em seus chapéus que os impedem de raciocinar

corretamente, de modo que somente nós temos a razão. E assim eu, que sou

comparativamente estúpido, vejo as coisas como Deus as vê, como uma

vasta máquina. Meu Deus, o que é isso? — E colocou as palmas nos olhos e

voltou-se para trás.

Então, pela escuridão, gritou numa terrível voz:

— Eu blasfemei contra Deus? Estou cego.

— O que? — gemia outra voz atrás dele, a voz de um certo Wilfred Jarvis

de North Kensington.

— Cego! — gritou Buck. — Cego!"

— Estou cego também! — gritou Jarvis, em agonia.

— Tolos, todos vocês — disse uma voz grave atrás deles —, estamos todos

cegos. As lâmpadas apagaram.

— As lâmpadas! Mas por quê? Onde? — gritou Buck, virando furiosamente na

escuridão. — Como é que vamos chegar? Como vamos perseguir o inimigo?

Onde eles foram?

— O inimigo foi... — disse a voz áspera por trás, e então parou em dúvida.

— Onde? — gritou Buck, como um louco.

— Eles passaram — disse a voz rouca — para as fábricas de gás, e usaram

a sua chance.

— Grande Deus! — trovejou Buck, e pegou no revólver. — Quer dizer que

eles acabaram...

Mas quase antes de ter falado as palavras, foi arremessado como uma

pedra de catapulta para o meio dos seus próprios homens.

— Notting Hill! Notting Hill! — gritavam vozes assustadoras na

escuridão, e pareciam vir de todos os lados, pois os homens da North

Kensington, não familiarizados com a estrada, haviam perdido toda sua

orientação no mundo negro da cegueira.

— Notting Hill! Notting Hill! — gritavam as pessoas invisíveis, e os

invasores foram cortados horrivelmente com aço preto, com aço que não

reluzia contra qualquer luz.

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Buck, embora mutilado com o golpe de uma alabarda, manteve uma raivosa

mas esplêndida sanidade. Ele tateou loucamente pelo muro e encontrou.

Lutando com dedos rastejando ao longo do muro, encontrou uma abertura

lateral e recuou com os restos de seus homens. Suas aventuras durante

essa noite prodigiosa não podem ser descritas. Eles não sabiam se

estavam indo em direção ou para longe do inimigo. Não sabendo onde eles

mesmos estavam, ou onde os seus oponentes estavam, era mera ironia

perguntar onde estava o resto de seu exército. Pois uma coisa tinha

descido sobre eles que Londres não conhecia – escuridão, anterior a

existência das estrelas, e eles estavam perdidos nela como se tivessem

sido feitos antes das estrelas. Ocasionalmente, enquanto aquelas horas

terríveis passavam, eles fustigavam na escuridão contra homens vivos,

que os atingiram e a quem eles atingiam, com uma fúria idiota. Quando

finalmente o amanhecer cinzento chegou, descobriram que tinham andado de

volta para a beira da Uxbridge Road. Descobriram que nesses encontros

horríveis sem visão, os soldados de North Kensington, Bayswater e West

Kensington tinham se encontrado repetidamente e massacraram uns aos

outros, e ouviram que Adam Wayne estava barricado em Pump Street.

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1 <#text7>

Clanricarde Gardens, neste momento já não era um beco sem saída, mas

era conectado da Pump Street para Pembridge Square.

O Napoleão de Notting Hill · 第 23 / 30 题