baixar a sua elevação, e por vezes são de volta perfeita; os arcos
ramificam-se, vendo-se cobertos de ornatos as abobadas pendentes, como
se observa nas da igreja de _Saint Étienne-du-Mont_ (França), de que
damos a gravura, e cuja construcção, principiada em 1517, não estava
concluida em 1563.
[Figura 267: Igreja Saint-Étienne-du-Mont]
[Figura 268]
Muitas igrejas ruraes, e até outras de maiores dimensões, tinham no
seculo XVI, unicamente abobadas imitadas com madeira, e como estes
forros cheios de obra de talha são importantes pela sua construcção,
seria conveniente fallarmos d'elles; tinham como nos edificios civis da
mesma época, collocadas as vigotas sobre a grossura das paredes, ao que
chamam _freixaes_, e os pontaes formando a ogiva ou a volta perfeita.
Estes eram firmados sobre vigas transversaes, chamadas _linhas_. O pau
de _fileira_ era sustentado de distancia em distancia por peças de
madeira, _penduraes_, erguendo-se verticalmente das linhas até ao tecto
de forma abobadada.
O forro que occultava os curvos e formava o contorno apparente da
abobada era coberto de pinturas, e as juntas das linhas ficavam
dissimuladas por fasquias ornamentadas.
*Altares*
O estylo do Renascimento mudou tambem, como deve suppôr-se, o systema da
ornamentação dos altares, e as fórmas antigas foram modificadas.
Existem ainda, em algumas igrejas ruraes, retabulos em madeira do seculo
XVI, no genero d'aquelle de que apresentamos a gravura na pag. 284 [fig.
269], encimado com docel horisontal. Não será nunca demasiado,
recommendar-se a conservação dos antigos altares, e se esse livro
chegasse ás mãos dos reverendos parochos, rogar-lhes-hiamos que tivessem
isto em attenção, embora, infelizmente, estejam sempre dispostos a
destruir tudo o que é antigo, como aconteceu ultimamente ao bellissimo
tecto da igreja matriz de Maravilla, em Santarem, para o substituir por
trabalho moderno de mau gosto e sem nenhum estylo!
Alguns retabulos representam a vida de Jesus Christo, ou a do orago da
igreja, figurando em uma serie de composições cujas figurinhas são
modeladas com delicadeza extraordinaria e bom colorido.
Muitos retabulos de madeira com figuras do seculo XVI, ficaram
desprezados e escondidos nos forros das igrejas, depois de terem sido
substituidos por pessimas pinturas, e ahi ficarem até que os
especuladores os descobrissem para separar as peças umas das outras, e
vendel-as por bom preço inculcando-as como objectos raros.
[Figura 269: Altar de madeira do seculo XVI]
*Pias baptismaes*
Appareceram _pias baptismaes_, novamente collocadas, sendo cobertas de
folhagem e cercaduras. Em algumas, a circumferencia é dividida em quatro
almofadas encaixilhando composições religiosas executadas em
baixo-relevo. Outras, como esta de que dâmos exemplo, foi ornada com
medalhões. Porém, as pias baptismaes com fórma de calix hemispherico são
sempre em maior numero.
[Figura 270: Pia baptismal do seculo XVI]
*Tumulos*
Dispondo-se n'essa época de bellos materiaes (marmores, alabastros,
porphyros, etc.), que os artistas no renascimento podiam empregar nas
construcções de limitadas dimensões, facilitando ás esculpturas a maior
delicadeza na sua execução, os haviam preferido para os monumentos
funebres. Os tumulos destinados aos papas, cardeaes, aos reis, principes
e nobres, construidos na Italia, França, e Belgica, são n'este genero o
que ha de mais sumptuoso e primoroso.
As pedras das campas tiveram igualmente mudanças nas fórmas dos desenhos
gravados ao traço, como na architectura. A volta perfeita, durante o
curso do seculo XVI, substitue a ogiva pela arcada que moldura a effigie
do finado; estas molduras eram muito simples, comparadas com as que se
faziam antes; as regras e a ornamentação das duas architecturas eram tão
diversas, que não podiam deixar de produzir de outra maneira essa
influencia.
*ARCHITECTURA CIVIL*
Os primeiros ensaios do estylo do Renascimento, no qual a
_multiplicidade das ordens_ era um dos principaes caracteres,
appareceram em França em 1498, e em Portugal em 1559, sendo o principal
exemplo d'este estylo no reino a capella-mór da igreja dos Jeronymos, em
Belem.
Esta architectura desenvolveu-se muito em França, como se vê no augmento
dos palacios de Blois e de Chambord, chegando á perfeição pelo talento
do archiecto Philibert de Lorme e o esculptor Germain Pilon. Posto que
continuasse a florescer com mais ou menos acceitação, até que Perrault,
no reinado de Luiz XIV, seguiu o exemplo dado por Miguel Angelo,
delineando a fachada do palacio do Louvre, tendo portanto abandonado a
_multiplicidade das ordens_ e as minudencias do periodo antecedente,
empregando n'aquelle edificio uma unica ordem, em maior escala e em
estylo mais ousado.
[Figura 271: Casa no estylo do Renascimento, em Périgueux]
[Figura 272: Escada no estylo do Renascimento, em Périgueux]
[Figura 273: Janella no estylo do Renascimento, no castello de
Puy-Guilhem (Bordogne)]
[Figura 274: Fragmento d'uma casa de madeira, em Lisieux]
Na Inglaterra, o estylo da Renascença obteve voga muito depois que em
França. Durante o longo reinado da rainha Isabel conservaram sempre nos
seus palacios e _villas_, o estylo gothico, na mesma época em que já o
esculptor João Goujon igualava quasi a execução do antigo nos ornamentos
do pateo do palacio do Louvre. Foi sómente em 1608, que appareceram em
Oxford (Inglaterra), os primeiros ensaios do estylo da Renascença no
portal da sua Universidade, tendo as cinco ordens sobrepostas.
[Figura 275: Fragmento d'uma casa de madeira, em Caen]
Uma casa que se conserva em Périgueux (França), d'este estylo [fig.
272], em que se notam as janellas das trapeiras, que se destacam sobre o
telhado, são de uma notável elegância.
[Figura 276: Chaminé do seculo XVI]
Outro exemplo, na mesma localidade, em que se vê o corrimão de cantaria
e as abobadas pendentes, ornadas de figuras em baixo-relevo, patenteiam
a importancia que se dava no seculo XVI a esta parte dos edificios,
grav. da pag. 288 [fig. 272]; assim como o desenho d'uma vistosa janella
do palacio de Puy-Guilhem (França), grav. da pag. 289 [fig. 273].
As casas construidas de madeira são algumas vezes mais cheias de
ornamentações que as outras edificadas de cantaria; e os entalhadores
d'aquella época desenvolveram superior talento na execução de lavores
dos madeiros que molduravam as janellas, as trapeiras e os prumos dos
cunhaes.
Ahi está a fachada de uma casa de Lisieux [fig. 274], cidade que possue
ainda bellos exemplos em architectura do seculo XVI; assim como outro
fragmento, representado pela gravura de pag. 291 [fig. 275], da
decoração de uma casa de Caen. Estes dois exemplos, tomados ao acaso
entre mil, bastarão para demonstrar como o estylo do Renascimento ficou
assignalado sobre a madeira nas construcções civis do seculo XVI.
Muitas vezes os grandes aposentos se distinguem por decorações especiaes
e por magnificas chaminés. Finalmente, as cristas, as espigas
construidas em chumbo ou barro cozido que coroavam os telhados,
apresentam no seculo XVI extraordinaria elegancia e excessiva altura.
[Figura 277: Castello de Chevillon]
*ARCHITECTURA MILITAR*
Os castellos do Renascimento, posto que cercados de fossos cheios d'agua
e muitas vezes guarnecidos de torres, todavia já não são praças fortes
na verdadeira accepção da palavra, mas elegantes habitações, nas quaes
tinham em vista sómente conservar as apparencias feudaes. É o que
facilmente se comprehenderá examinando a perspectiva do castello de
Chevillon (França), pag. 293 [fig. 277], cujas torres, que se reflectem
na agua, não mostram absolutamente nada de fortaleza que podesse
resistir aos ataques da infanteria e muito menos da artilheria.
A architectura dos castellos, além das muralhas que os cingiam e os seus
fossos cheios de agua, confunde-se muito com a architectura civil; as
salas, as escadas, as galerias não são menos ornadas do que os palacios
e as casas das camaras; os arabescos e as molduras são até, ás vezes,
prodigalisadas com excesso, como indica a grav. da pag. 295 [fig. 278].
Grande numero de castellos compõe-se simplesmente de um pateo quadrado,
rodeado de construcções ruraes, no fundo do qual está collocada a
habitação senhorial; as janellas d'estas casas quasi sempre foram depois
mudadas ou alteradas, mas conservando quasi intacta a torre com os
angulos cortados que encerra a escada, e que occupa o meio do edificio:
estas _fidalguias_, como eram designadas ás vezes, são bastante communs
nos campos.
A França possue ainda centenares de notáveis castellos do seculo XVI,
mui conhecidos dos _touristes_. Lembram os typos mais grandiosos e
magestosos das construcções d'esta ordem. Limitar-nos-hemos a apresentar
dois lindos monumentos do Renascimento: taes como, o castello de
_Azay-le-Rideau_, distincto pela sua rica ornamentação, e o de
_Bernesq_, pag. 296 [fig. 279] e 297 [fig. 280].
Em seguida apresentamos um especimen dos modestos solares de que ha
grande numero edificados no paiz.
[Figura 278: Ornamentação do castello do Chantelou (França)]
Os castellos, construidos de madeira, continuaram a ser notaveis no
seculo XVI, nas localidades onde esse material de construcção estava
mais em uso; com torres nos angulos, defendidos por fossos cheios
d'agua, e lendo cantaria só na base. Até o pombal senhorial, que fazia
parte do recinto, era tambem de madeira.
[Figura 279: Vista geral do castello d'Azay-Rideau (Indre-et-Loire)]
[Figura 280]
Para entrar no pateo d'estes solares rodeados de agua, era preciso
geralmente atravessar um torreão desligado das outras habitações, tal
como aquelle que existe ainda em _Beuvillers_, do qual em seguida damos
a gravura.
[Figura 281: Vista geral do castello de Bellou (Calvados)]
Estando os castellos menos expostos que as casas urbanas ás mudanças e
reconstrucções, teem por este motivo conservado melhor os madeiramentos
elevados, e os espigões de chumbo ou de barro cosido.
[Figura 282: Entrada do castello de Beuvillers]
Para vermos qual a importancia d'este ornato, copiamos aqui o especimen
de um espigão do Renascimento da antiga fabrica de _Prédauge_, pag. 300
[fig. 283], proximo de Lisieux: ha ainda muitas outras n'esta
localidade, não obstante o subido preço que os adelos offerecem para os
obter, mas o atilado juizo dos seus possuidores não sacrifica de certo
os objectos d'arte ao vil interesse.
[Figura 283: Fabrica de Prédauge (França)]
CAPITULO VIII
*PERIODO MODERNO*
Diremos apenas algumas palavras ácerca do periodo moderno da
architectura.
No seculo XVII e no XVIII procurou-se imitar uma certa disposição
architectonica, que havia prevalecido na Italia nas fachadas das
igrejas, no ultimo quartel do seculo XVI, consistindo em collocar o
portal no meio de columnas que abrangessem a largura da nave principal e
as duas lateraes; depois em sobrepôr outra Ordem de architectura por
cima da primeira, ainda que não correspondesse ao espaço occupado pela
nave principal, onde as suas abobadas se erguiam acima dos telhados
inferiores pertencentes ás naves lateraes.
Esta diminuição de largura dada á fachada, na parte superior, era
disfarçada por um ornato accessorio do feitio de um _S_ deitado,
_quartellas_, para ligar a elevação da segunda Ordem com a parte
inferior que decorava o portal, e ao mesmo tempo servia-lhe de
_contraforte_.
Os jesuitas, que construiram n'essa epoca as suas igrejas adoptando esta
disposição, foram os promotores principaes de tal incoherencia, sobrepôr
as columnas que não correspondiam ás divisões dos andares. Por este
motivo ficou designada _Estylo dos Jesuítas_, que foi adoptado nas
igrejas do seculo XVII.
*ARCHITECTURA RELIGIOSA*
Para exemplo dâmos a gravura da igreja da Sorbonna (França), construida
por ordem de Richelieu, de 1635 a 1659, a qual se compõe de uma Ordem
corinthia na parte inferior, tendo por cima outra Ordem composita,
limitada por um frontão, e sobre os lados as quartellas servindo de
contrafortes para esconder a falta de ligações das naves lateraes com a
decoração principal da fachada. A torre, com feitio de cupula,
apresentava um tambor cylindrico.
[Figura 284: Igreja da Sorbonna]
Em Portugal, em todas as igrejas d'essa época, imitaram egual
disposição. Os planos foram delineados sob a mesma influencia religiosa,
e assim se construiram as igrejas de Santo Estevão, a do Espirito Santo,
o seminario de Santarem, etc.
*Disposição interna nas igrejas*
[Figura 285: Interior da igreja de S. Sulpicio]
A fórma interna era, em geral, muito simples. Constava de arcadas
macissas separadas por pilares, algumas vezes decoradas de pilastras;
pondo em communicacão essas arcadas da nave principal com as outras
lateraes. Uma unica ordem de janellas se collocavam na parte superior,
por cima d'essas arcadas; e ora de volta inteira, ora de verga
horisontal, davam claridade á nave. As naves lateraes e as capellas
correspondentes ás aberturas das arcadas recebem luz por janellas de
egual feitio.
O interior da igreja de S. Sulpicio (França) mostra esta disposição, que
era a mais seguida; portanto, não mostravam indicio algum do
_triforium_, nem logar para a galeria, como se costumava construir no
seculo XVI.
*Torres*
Edificaram-se torres de differentes fórmas. A cupula da igreja da
Sorbonna mostra-nos as que ficam mais usuaes para os grandes edificios;
para as outras de menor grandeza, adoptavam as torres em abobada
hemispherica e lanternim, como se vê na gravura; as quaes foram muito
communs até o final do seculo XVIII.
[Figura 286]
*Altares*
Os retabulos ornados com columnas e frontões foram empregados em toda a
parte para decorarem os altares-móres, desde o fim do seculo XIII, e
formavam verdadeiros monumentos na architectura moderna, que a _moda_
havia introduzido tambem dentro das igrejas ogivaes. Foi d'elles que
derivaram os elementos para as fachadas das igrejas modernas, as quaes,
ainda que combinadas com arte, produziam todavia effeito um tanto
theatral, pouco proprio da magestade da casa de Deus, não obstante terem
apparencia vistosa, como se poderá julgar pela gravura da pag. 305 [fig.
287].
Apezar de que estes altares são muitas vezes pouco harmoniosos no
estylo, convirá comtudo conserval-os como exemplar da original decoração
da época.
[Figura 287: Grande retabulo do seculo XVII]
*Tumulos*
Durante o periodo, de que tratamos, os tumulos eram notaveis pelo
emprego de marmores de variadissimas côres.
[Figura 288: Tumulo com estatuas deitadas]
Apparecem alguns com a fórma das antigas quilhas de navios, apresentando
o bôjo dos dois lados; porém, as fórmas da época antecedente continuam
ainda a ser seguidas, apparecendo por esta rasão as estatuas dos finados
deitadas sobre as campas; porém o maior numero eram representados de
joelhos como se estivessem em oração, pag. 307 [fig. 289].
Em Portugal são raros os tumulos d'essa época, em que appareçam
representados em vulto os finados que n'elles jazem.
[Figura 289: Estatua do seculo XVII (reinado de Luiz XIII)]
*ARCHITECTURA CIVIL*
Se lançarmos a vista sobre a architectura civil da França, da Allemanha
e da Belgica, no seculo XVII, veremos que se construia grande numero de
casas com elevadissimas empenas com os lados em fórma de degraus e
rematadas por grandissimas quartellas, que datam do seculo XVI, pag. 308
[fig. 390].
[Figura 290: Casa allemã da primeira metade do seculo XVII]
[Figura 291: Edificação do começo do seculo XVII]
A empena da gravura que damos para exemplo d'esta especie de
construcções é de 1620.
No seculo XVII, as casas mais importantes tinham as escadas com
patamares mui espaçosos; e os pontos de apoio eram executados com
demasiada grossura. Os balaustres da grade da escada tinham a fórma
quadrangular e o seu corrimão era tambem de grande grossura.
[Figura 292: Palacio de Caillerie (Bayeux)]
As duas gravuras das pag. 309 [fig. 291] e 310 [fig. 292], mostram o
estylo das casas do seculo XVII. Na primeira gravura, já as janellas não
têem pinazios de cantaria, assim como as vidraças não têem os caixilhos
guarnecidos de chumbo para segurar os vidros, sendo substituidos por
pinazios de madeira. As trapeiras conservam as primitivas fórmas,
mostrando os prumos recortados em fórma de quartellas, e os seus
frontões de feitio circular ou triangular, conforme eram empregados no
seculo XVI. Os pannos das chaminés tinham a fórma quadrangular, e
terminavam em frontões.
[Figura 293: Fachada com portal em Trévières, de 1647]
A outra casa, que é de estylo mais adiantado, pois data de 1664,
apresenta um bello portal terminado por frontão, os telhados com
bastante elevação, e as chaminés extremamente altas.
Estas combinações são caracteristicas do seculo XVII.
Ha nos suburbios de Lisboa, no palacio de Palhavã (que foi por nós
restaurado e ampliado no anno de 1862), um bellissimo portal, no estylo
Toscano, de perfeita composição e obra de acabamento apurado, e haverá
poucos nos outros paizes que lhe possam ser comparados, e sem duvida o
celebre architecto Vignola não se negaria a firmar com a sua assignatura
o desenho para esta construcção, tanto mais por ser delineado segundo a
escola d'este artista.
[Figura 294: Uma parte do castello de Harcourt]
O estylo da primeira metade do seculo XVII, o qual predominou durante o
principio do seculo seguinte, apresenta um caracter grandioso, e os
monumentos d'essa época distinguem-se, pelo seu nobre aspecto, das
outras edificações mais importantes do tempo presente.
As outras gravuras apresentam construcções pertencentes ao ultimo
quartel do seculo XVII, e seguem a ordem da antiguidade de suas
edificações. A primeira gravura pertence a uma azenha, posto que na sua
fachada parecerá um palacete. É do anno de 1664, pag. 311 [fig. 293].
As duas partes symetricas flanqueadas por pilastras e o frontão separado
por muitas ordens de frizos sobrepostos, (de pessimo effeito) que occupa
a parte central, parecem caracterisar uma data um pouco mais antiga,
posto que este estylo se perpetuou, em alguns monumentos, até ao
principio do seculo XVIII.
A parte da casa de Harcourt, que representa a outra gravura, pag. 312
[fig. 294], pertence ao principio do seculo XVIII, mas foi edificio
delineado com mais talento e apresenta um aspecto mais regular e nobre.
No seculo XVIII a architectura modificou-se sensivelmente, e o grande
numero dos edificios d'esta época está bem patente, e será escusado
descrever o seu caracter architectonico.
No actual seculo XIX, tem-se feito bastantes alterações na architectura,
e por isso não apresenta um caracter bem distincto, o que se deverá
attribuir ao estado presente social; portanto, não se póde definir a
fórma do estylo que deverá representar a sua architectura.
Finalmente para que qualquer estudo offereça sempre interesse para ser
cultivado pelos estudantes, é preciso não se explicar tudo aos
principiantes, sobre a materia de que se occupam, mui principalmente
n'esta moderna sciencia; para que a curiosidade de a profundar lhes
desperte o desejo de se instruirem cada vez mais, o que lhes facilitará
gradualmente o seu desenvolvimento; afim de evitar que uma demasiada
applicação venha a produzir-lhes o cansaço em conhecer todos os segredos
da archeologia, porque o estudo se não é facil, é sobejamente agradavel
e util. Por minha parte, julgar-me-hei feliz se as noções que deixo
n'estas paginas, poderem suscitar o amor a tão profícuos estudos, porque
d'ahi, no meu entender, virá engrandecimento para o nosso fim.
[Figura 295]
Notas:
[1] Dolmen é composto de duas palavras celticas, _dol_ mesa, e _men_
pedra.
[2] _Menhir_ e _peulvan_ derivam da língua celtica, e têem quasi a mesma
significação; compõem-se de duas palavras _men_ pedra, e _hir_ longo;
_peul_, pilar, _vain_ ou _maen_, pedra: isto é, pedra alongada.
[3] Nome composto de duas palavras dos bretões: _crom_, curva; _leck_,
pedra.
[4] Esta palavra é saxonia e significa «pedras enfileiradas.»
[5] Os antiquarios inglezes designam pelo nome de _trilithos_ a mesma
combinação de pedras, indicando um monumento composto de tres grandes
pedras.
[6] King era da opinião de que havendo pedras erguidas no centro dos
circulos, eram estes destinados para as assembléas civis; em quanto
aquelles em que havia dolmen serviam para as ceremonias religiosas.
[7] Antigamente os orientaes tinham, como os celtas, veneração religiosa
pelas _grandes pedras toscas_; assim como os hebreus, a ponto de Moysés
lhes prohibir que as adorassem.
[8] É notavel que a relação da liga d'este metal, seja egual á dos
bronzes descobertos em regiões tão distantes.
[9] Os machados e frechas achados na Europa comparados com os que usavam
os selvagens da America e os da Nova Hollanda e da Nova Zelandia, causam
admiração por terem as mesmas formas, e muitas vezes, egual materia.
[10] Collocavam tambem nas estradas pedras que serviam para descançar os
viajantes, e para os cavalheiros montarem a cavallo.
[11] Talvez seja derivado da palavra _musæ_, as musas, porque era
principalmente nos templos d'estas deusas que o pavimento de musaico
fôra empregado.
[12] Como foi descoberto, n'este anno, no Outeiro de Ferreira de Zezere
um forno romano, tendo dentro telhas curvas com lavôres.
[13] Actualmente está entulhada até a nascença do arco da abobada.
[14] As de oliveira para Minerva; as de murta para Venus; as do pinheiro
para Pan, etc.
[15] No tempo do imperador Justiniano houve uma luta entre a facção
verde e azul, em que pereceram 40:000 homens. Depois d'este horrivel
acontecimento ficaram abolidas as côres.
[16] Caligula consentiu em que pozessem almofadas ou tapetes nos
assentos de pedra.
[17] Os logares estavam numerados e gravados na pedra, e cada espectador
entrava com um bilhete de forma circular _tossera theatralis_, que
designava o logar que devia occupar.
[18] Foi Quinto Catulos o primeiro que mandou estender um toldo de
purpura.
[19] Suppõe-se que o uso de immolar os primeiros sobre o tumulo dos
guerreiros, e os escravos sobre a sepultura de seus donos, deram origem
a estes combates.
[20] Pompeu foi quem introduziu este uso em Roma; e Mecenas quem
construiu primeiro estes monumentos publicos.
[21] Nas thermas d'este imperador havia 1:600 banheiras de porphyro e
marmore; e n'este edificio podiam 3:000 pessoas tomar banho.
[22] Havia em Roma 856 thermas.
[23] Veja-se na gravura da pag. 82 [fig. 69], os algarismos da planta
que designam os diversos aposentos.
[24] Depois do incendio de Roma, no tempo de Nero, contavam-se ainda
48:000 casas, separadas umas das outras.
[25] O maior sabio agronomo da antiguidade, nascido no seculo I da era
christã.
[26] A mais importante foi a do imperador Adriano, pois comprehendia uma
superficie de dez milhas.
[27] O uso de se queimarem os corpos procedia de um mytho religioso que
se conservou na Grecia e na Italia até o estabelecimento do
christianismo.
[28] O maior cippo descoberto em Portugal foi achado em _Citania_
(Guimarães). É de granito e de extraordinarias dimensões.
[29] Esta palavra de origem grega tem a mesma significação que os
romanos davam ao _cippo_.
[30] Espécie de enxadão, de que os coveiros se serviam.
[31] Em Cetobriga (Setubal) existem cemiterios com os dois modos de
enterramentos; o de incineração, estava collocado no centro de Troia, e
o outro para os corpos sem serem queimados, existia na margem do Sado.
[32] Que é como a espuma: Venus saindo do mar.
[33] Latona, da qual nasceram, na ilha de Dellos, Apollo e Diana.
[34] Lucina, divindade romana que presidia aos partos.
[35] Como havia na Sé de Lisboa, e na igreja de S. Christovam de
Coimbra.
[36] Veja-se a nossa obra, escripta em francez no anno 1868, com o
titulo--_Mémoire d'Archéologie sur la véritable signification des signes
qu'on voit gravés sur les anciens monuments du Portugal_, in-4.^o e avec
344 fac-similes.
[37] Mais proprio seria representar o vitello.
[38] Veja-se a nossa obra já citada na nota da pag. 126 e 127 [Nota 36].