N'esta época, as _abobadas_ conservam a fórma ogival, porém tendem a

baixar a sua elevação, e por vezes são de volta perfeita; os arcos

ramificam-se, vendo-se cobertos de ornatos as abobadas pendentes, como

se observa nas da igreja de _Saint Étienne-du-Mont_ (França), de que

damos a gravura, e cuja construcção, principiada em 1517, não estava

concluida em 1563.

[Figura 267: Igreja Saint-Étienne-du-Mont]

[Figura 268]

Muitas igrejas ruraes, e até outras de maiores dimensões, tinham no

seculo XVI, unicamente abobadas imitadas com madeira, e como estes

forros cheios de obra de talha são importantes pela sua construcção,

seria conveniente fallarmos d'elles; tinham como nos edificios civis da

mesma época, collocadas as vigotas sobre a grossura das paredes, ao que

chamam _freixaes_, e os pontaes formando a ogiva ou a volta perfeita.

Estes eram firmados sobre vigas transversaes, chamadas _linhas_. O pau

de _fileira_ era sustentado de distancia em distancia por peças de

madeira, _penduraes_, erguendo-se verticalmente das linhas até ao tecto

de forma abobadada.

O forro que occultava os curvos e formava o contorno apparente da

abobada era coberto de pinturas, e as juntas das linhas ficavam

dissimuladas por fasquias ornamentadas.

*Altares*

O estylo do Renascimento mudou tambem, como deve suppôr-se, o systema da

ornamentação dos altares, e as fórmas antigas foram modificadas.

Existem ainda, em algumas igrejas ruraes, retabulos em madeira do seculo

XVI, no genero d'aquelle de que apresentamos a gravura na pag. 284 [fig.

269], encimado com docel horisontal. Não será nunca demasiado,

recommendar-se a conservação dos antigos altares, e se esse livro

chegasse ás mãos dos reverendos parochos, rogar-lhes-hiamos que tivessem

isto em attenção, embora, infelizmente, estejam sempre dispostos a

destruir tudo o que é antigo, como aconteceu ultimamente ao bellissimo

tecto da igreja matriz de Maravilla, em Santarem, para o substituir por

trabalho moderno de mau gosto e sem nenhum estylo!

Alguns retabulos representam a vida de Jesus Christo, ou a do orago da

igreja, figurando em uma serie de composições cujas figurinhas são

modeladas com delicadeza extraordinaria e bom colorido.

Muitos retabulos de madeira com figuras do seculo XVI, ficaram

desprezados e escondidos nos forros das igrejas, depois de terem sido

substituidos por pessimas pinturas, e ahi ficarem até que os

especuladores os descobrissem para separar as peças umas das outras, e

vendel-as por bom preço inculcando-as como objectos raros.

[Figura 269: Altar de madeira do seculo XVI]

*Pias baptismaes*

Appareceram _pias baptismaes_, novamente collocadas, sendo cobertas de

folhagem e cercaduras. Em algumas, a circumferencia é dividida em quatro

almofadas encaixilhando composições religiosas executadas em

baixo-relevo. Outras, como esta de que dâmos exemplo, foi ornada com

medalhões. Porém, as pias baptismaes com fórma de calix hemispherico são

sempre em maior numero.

[Figura 270: Pia baptismal do seculo XVI]

*Tumulos*

Dispondo-se n'essa época de bellos materiaes (marmores, alabastros,

porphyros, etc.), que os artistas no renascimento podiam empregar nas

construcções de limitadas dimensões, facilitando ás esculpturas a maior

delicadeza na sua execução, os haviam preferido para os monumentos

funebres. Os tumulos destinados aos papas, cardeaes, aos reis, principes

e nobres, construidos na Italia, França, e Belgica, são n'este genero o

que ha de mais sumptuoso e primoroso.

As pedras das campas tiveram igualmente mudanças nas fórmas dos desenhos

gravados ao traço, como na architectura. A volta perfeita, durante o

curso do seculo XVI, substitue a ogiva pela arcada que moldura a effigie

do finado; estas molduras eram muito simples, comparadas com as que se

faziam antes; as regras e a ornamentação das duas architecturas eram tão

diversas, que não podiam deixar de produzir de outra maneira essa

influencia.

*ARCHITECTURA CIVIL*

Os primeiros ensaios do estylo do Renascimento, no qual a

_multiplicidade das ordens_ era um dos principaes caracteres,

appareceram em França em 1498, e em Portugal em 1559, sendo o principal

exemplo d'este estylo no reino a capella-mór da igreja dos Jeronymos, em

Belem.

Esta architectura desenvolveu-se muito em França, como se vê no augmento

dos palacios de Blois e de Chambord, chegando á perfeição pelo talento

do archiecto Philibert de Lorme e o esculptor Germain Pilon. Posto que

continuasse a florescer com mais ou menos acceitação, até que Perrault,

no reinado de Luiz XIV, seguiu o exemplo dado por Miguel Angelo,

delineando a fachada do palacio do Louvre, tendo portanto abandonado a

_multiplicidade das ordens_ e as minudencias do periodo antecedente,

empregando n'aquelle edificio uma unica ordem, em maior escala e em

estylo mais ousado.

[Figura 271: Casa no estylo do Renascimento, em Périgueux]

[Figura 272: Escada no estylo do Renascimento, em Périgueux]

[Figura 273: Janella no estylo do Renascimento, no castello de

Puy-Guilhem (Bordogne)]

[Figura 274: Fragmento d'uma casa de madeira, em Lisieux]

Na Inglaterra, o estylo da Renascença obteve voga muito depois que em

França. Durante o longo reinado da rainha Isabel conservaram sempre nos

seus palacios e _villas_, o estylo gothico, na mesma época em que já o

esculptor João Goujon igualava quasi a execução do antigo nos ornamentos

do pateo do palacio do Louvre. Foi sómente em 1608, que appareceram em

Oxford (Inglaterra), os primeiros ensaios do estylo da Renascença no

portal da sua Universidade, tendo as cinco ordens sobrepostas.

[Figura 275: Fragmento d'uma casa de madeira, em Caen]

Uma casa que se conserva em Périgueux (França), d'este estylo [fig.

272], em que se notam as janellas das trapeiras, que se destacam sobre o

telhado, são de uma notável elegância.

[Figura 276: Chaminé do seculo XVI]

Outro exemplo, na mesma localidade, em que se vê o corrimão de cantaria

e as abobadas pendentes, ornadas de figuras em baixo-relevo, patenteiam

a importancia que se dava no seculo XVI a esta parte dos edificios,

grav. da pag. 288 [fig. 272]; assim como o desenho d'uma vistosa janella

do palacio de Puy-Guilhem (França), grav. da pag. 289 [fig. 273].

As casas construidas de madeira são algumas vezes mais cheias de

ornamentações que as outras edificadas de cantaria; e os entalhadores

d'aquella época desenvolveram superior talento na execução de lavores

dos madeiros que molduravam as janellas, as trapeiras e os prumos dos

cunhaes.

Ahi está a fachada de uma casa de Lisieux [fig. 274], cidade que possue

ainda bellos exemplos em architectura do seculo XVI; assim como outro

fragmento, representado pela gravura de pag. 291 [fig. 275], da

decoração de uma casa de Caen. Estes dois exemplos, tomados ao acaso

entre mil, bastarão para demonstrar como o estylo do Renascimento ficou

assignalado sobre a madeira nas construcções civis do seculo XVI.

Muitas vezes os grandes aposentos se distinguem por decorações especiaes

e por magnificas chaminés. Finalmente, as cristas, as espigas

construidas em chumbo ou barro cozido que coroavam os telhados,

apresentam no seculo XVI extraordinaria elegancia e excessiva altura.

[Figura 277: Castello de Chevillon]

*ARCHITECTURA MILITAR*

Os castellos do Renascimento, posto que cercados de fossos cheios d'agua

e muitas vezes guarnecidos de torres, todavia já não são praças fortes

na verdadeira accepção da palavra, mas elegantes habitações, nas quaes

tinham em vista sómente conservar as apparencias feudaes. É o que

facilmente se comprehenderá examinando a perspectiva do castello de

Chevillon (França), pag. 293 [fig. 277], cujas torres, que se reflectem

na agua, não mostram absolutamente nada de fortaleza que podesse

resistir aos ataques da infanteria e muito menos da artilheria.

A architectura dos castellos, além das muralhas que os cingiam e os seus

fossos cheios de agua, confunde-se muito com a architectura civil; as

salas, as escadas, as galerias não são menos ornadas do que os palacios

e as casas das camaras; os arabescos e as molduras são até, ás vezes,

prodigalisadas com excesso, como indica a grav. da pag. 295 [fig. 278].

Grande numero de castellos compõe-se simplesmente de um pateo quadrado,

rodeado de construcções ruraes, no fundo do qual está collocada a

habitação senhorial; as janellas d'estas casas quasi sempre foram depois

mudadas ou alteradas, mas conservando quasi intacta a torre com os

angulos cortados que encerra a escada, e que occupa o meio do edificio:

estas _fidalguias_, como eram designadas ás vezes, são bastante communs

nos campos.

A França possue ainda centenares de notáveis castellos do seculo XVI,

mui conhecidos dos _touristes_. Lembram os typos mais grandiosos e

magestosos das construcções d'esta ordem. Limitar-nos-hemos a apresentar

dois lindos monumentos do Renascimento: taes como, o castello de

_Azay-le-Rideau_, distincto pela sua rica ornamentação, e o de

_Bernesq_, pag. 296 [fig. 279] e 297 [fig. 280].

Em seguida apresentamos um especimen dos modestos solares de que ha

grande numero edificados no paiz.

[Figura 278: Ornamentação do castello do Chantelou (França)]

Os castellos, construidos de madeira, continuaram a ser notaveis no

seculo XVI, nas localidades onde esse material de construcção estava

mais em uso; com torres nos angulos, defendidos por fossos cheios

d'agua, e lendo cantaria só na base. Até o pombal senhorial, que fazia

parte do recinto, era tambem de madeira.

[Figura 279: Vista geral do castello d'Azay-Rideau (Indre-et-Loire)]

[Figura 280]

Para entrar no pateo d'estes solares rodeados de agua, era preciso

geralmente atravessar um torreão desligado das outras habitações, tal

como aquelle que existe ainda em _Beuvillers_, do qual em seguida damos

a gravura.

[Figura 281: Vista geral do castello de Bellou (Calvados)]

Estando os castellos menos expostos que as casas urbanas ás mudanças e

reconstrucções, teem por este motivo conservado melhor os madeiramentos

elevados, e os espigões de chumbo ou de barro cosido.

[Figura 282: Entrada do castello de Beuvillers]

Para vermos qual a importancia d'este ornato, copiamos aqui o especimen

de um espigão do Renascimento da antiga fabrica de _Prédauge_, pag. 300

[fig. 283], proximo de Lisieux: ha ainda muitas outras n'esta

localidade, não obstante o subido preço que os adelos offerecem para os

obter, mas o atilado juizo dos seus possuidores não sacrifica de certo

os objectos d'arte ao vil interesse.

[Figura 283: Fabrica de Prédauge (França)]

CAPITULO VIII

*PERIODO MODERNO*

Diremos apenas algumas palavras ácerca do periodo moderno da

architectura.

No seculo XVII e no XVIII procurou-se imitar uma certa disposição

architectonica, que havia prevalecido na Italia nas fachadas das

igrejas, no ultimo quartel do seculo XVI, consistindo em collocar o

portal no meio de columnas que abrangessem a largura da nave principal e

as duas lateraes; depois em sobrepôr outra Ordem de architectura por

cima da primeira, ainda que não correspondesse ao espaço occupado pela

nave principal, onde as suas abobadas se erguiam acima dos telhados

inferiores pertencentes ás naves lateraes.

Esta diminuição de largura dada á fachada, na parte superior, era

disfarçada por um ornato accessorio do feitio de um _S_ deitado,

_quartellas_, para ligar a elevação da segunda Ordem com a parte

inferior que decorava o portal, e ao mesmo tempo servia-lhe de

_contraforte_.

Os jesuitas, que construiram n'essa epoca as suas igrejas adoptando esta

disposição, foram os promotores principaes de tal incoherencia, sobrepôr

as columnas que não correspondiam ás divisões dos andares. Por este

motivo ficou designada _Estylo dos Jesuítas_, que foi adoptado nas

igrejas do seculo XVII.

*ARCHITECTURA RELIGIOSA*

Para exemplo dâmos a gravura da igreja da Sorbonna (França), construida

por ordem de Richelieu, de 1635 a 1659, a qual se compõe de uma Ordem

corinthia na parte inferior, tendo por cima outra Ordem composita,

limitada por um frontão, e sobre os lados as quartellas servindo de

contrafortes para esconder a falta de ligações das naves lateraes com a

decoração principal da fachada. A torre, com feitio de cupula,

apresentava um tambor cylindrico.

[Figura 284: Igreja da Sorbonna]

Em Portugal, em todas as igrejas d'essa época, imitaram egual

disposição. Os planos foram delineados sob a mesma influencia religiosa,

e assim se construiram as igrejas de Santo Estevão, a do Espirito Santo,

o seminario de Santarem, etc.

*Disposição interna nas igrejas*

[Figura 285: Interior da igreja de S. Sulpicio]

A fórma interna era, em geral, muito simples. Constava de arcadas

macissas separadas por pilares, algumas vezes decoradas de pilastras;

pondo em communicacão essas arcadas da nave principal com as outras

lateraes. Uma unica ordem de janellas se collocavam na parte superior,

por cima d'essas arcadas; e ora de volta inteira, ora de verga

horisontal, davam claridade á nave. As naves lateraes e as capellas

correspondentes ás aberturas das arcadas recebem luz por janellas de

egual feitio.

O interior da igreja de S. Sulpicio (França) mostra esta disposição, que

era a mais seguida; portanto, não mostravam indicio algum do

_triforium_, nem logar para a galeria, como se costumava construir no

seculo XVI.

*Torres*

Edificaram-se torres de differentes fórmas. A cupula da igreja da

Sorbonna mostra-nos as que ficam mais usuaes para os grandes edificios;

para as outras de menor grandeza, adoptavam as torres em abobada

hemispherica e lanternim, como se vê na gravura; as quaes foram muito

communs até o final do seculo XVIII.

[Figura 286]

*Altares*

Os retabulos ornados com columnas e frontões foram empregados em toda a

parte para decorarem os altares-móres, desde o fim do seculo XIII, e

formavam verdadeiros monumentos na architectura moderna, que a _moda_

havia introduzido tambem dentro das igrejas ogivaes. Foi d'elles que

derivaram os elementos para as fachadas das igrejas modernas, as quaes,

ainda que combinadas com arte, produziam todavia effeito um tanto

theatral, pouco proprio da magestade da casa de Deus, não obstante terem

apparencia vistosa, como se poderá julgar pela gravura da pag. 305 [fig.

287].

Apezar de que estes altares são muitas vezes pouco harmoniosos no

estylo, convirá comtudo conserval-os como exemplar da original decoração

da época.

[Figura 287: Grande retabulo do seculo XVII]

*Tumulos*

Durante o periodo, de que tratamos, os tumulos eram notaveis pelo

emprego de marmores de variadissimas côres.

[Figura 288: Tumulo com estatuas deitadas]

Apparecem alguns com a fórma das antigas quilhas de navios, apresentando

o bôjo dos dois lados; porém, as fórmas da época antecedente continuam

ainda a ser seguidas, apparecendo por esta rasão as estatuas dos finados

deitadas sobre as campas; porém o maior numero eram representados de

joelhos como se estivessem em oração, pag. 307 [fig. 289].

Em Portugal são raros os tumulos d'essa época, em que appareçam

representados em vulto os finados que n'elles jazem.

[Figura 289: Estatua do seculo XVII (reinado de Luiz XIII)]

*ARCHITECTURA CIVIL*

Se lançarmos a vista sobre a architectura civil da França, da Allemanha

e da Belgica, no seculo XVII, veremos que se construia grande numero de

casas com elevadissimas empenas com os lados em fórma de degraus e

rematadas por grandissimas quartellas, que datam do seculo XVI, pag. 308

[fig. 390].

[Figura 290: Casa allemã da primeira metade do seculo XVII]

[Figura 291: Edificação do começo do seculo XVII]

A empena da gravura que damos para exemplo d'esta especie de

construcções é de 1620.

No seculo XVII, as casas mais importantes tinham as escadas com

patamares mui espaçosos; e os pontos de apoio eram executados com

demasiada grossura. Os balaustres da grade da escada tinham a fórma

quadrangular e o seu corrimão era tambem de grande grossura.

[Figura 292: Palacio de Caillerie (Bayeux)]

As duas gravuras das pag. 309 [fig. 291] e 310 [fig. 292], mostram o

estylo das casas do seculo XVII. Na primeira gravura, já as janellas não

têem pinazios de cantaria, assim como as vidraças não têem os caixilhos

guarnecidos de chumbo para segurar os vidros, sendo substituidos por

pinazios de madeira. As trapeiras conservam as primitivas fórmas,

mostrando os prumos recortados em fórma de quartellas, e os seus

frontões de feitio circular ou triangular, conforme eram empregados no

seculo XVI. Os pannos das chaminés tinham a fórma quadrangular, e

terminavam em frontões.

[Figura 293: Fachada com portal em Trévières, de 1647]

A outra casa, que é de estylo mais adiantado, pois data de 1664,

apresenta um bello portal terminado por frontão, os telhados com

bastante elevação, e as chaminés extremamente altas.

Estas combinações são caracteristicas do seculo XVII.

Ha nos suburbios de Lisboa, no palacio de Palhavã (que foi por nós

restaurado e ampliado no anno de 1862), um bellissimo portal, no estylo

Toscano, de perfeita composição e obra de acabamento apurado, e haverá

poucos nos outros paizes que lhe possam ser comparados, e sem duvida o

celebre architecto Vignola não se negaria a firmar com a sua assignatura

o desenho para esta construcção, tanto mais por ser delineado segundo a

escola d'este artista.

[Figura 294: Uma parte do castello de Harcourt]

O estylo da primeira metade do seculo XVII, o qual predominou durante o

principio do seculo seguinte, apresenta um caracter grandioso, e os

monumentos d'essa época distinguem-se, pelo seu nobre aspecto, das

outras edificações mais importantes do tempo presente.

As outras gravuras apresentam construcções pertencentes ao ultimo

quartel do seculo XVII, e seguem a ordem da antiguidade de suas

edificações. A primeira gravura pertence a uma azenha, posto que na sua

fachada parecerá um palacete. É do anno de 1664, pag. 311 [fig. 293].

As duas partes symetricas flanqueadas por pilastras e o frontão separado

por muitas ordens de frizos sobrepostos, (de pessimo effeito) que occupa

a parte central, parecem caracterisar uma data um pouco mais antiga,

posto que este estylo se perpetuou, em alguns monumentos, até ao

principio do seculo XVIII.

A parte da casa de Harcourt, que representa a outra gravura, pag. 312

[fig. 294], pertence ao principio do seculo XVIII, mas foi edificio

delineado com mais talento e apresenta um aspecto mais regular e nobre.

No seculo XVIII a architectura modificou-se sensivelmente, e o grande

numero dos edificios d'esta época está bem patente, e será escusado

descrever o seu caracter architectonico.

No actual seculo XIX, tem-se feito bastantes alterações na architectura,

e por isso não apresenta um caracter bem distincto, o que se deverá

attribuir ao estado presente social; portanto, não se póde definir a

fórma do estylo que deverá representar a sua architectura.

Finalmente para que qualquer estudo offereça sempre interesse para ser

cultivado pelos estudantes, é preciso não se explicar tudo aos

principiantes, sobre a materia de que se occupam, mui principalmente

n'esta moderna sciencia; para que a curiosidade de a profundar lhes

desperte o desejo de se instruirem cada vez mais, o que lhes facilitará

gradualmente o seu desenvolvimento; afim de evitar que uma demasiada

applicação venha a produzir-lhes o cansaço em conhecer todos os segredos

da archeologia, porque o estudo se não é facil, é sobejamente agradavel

e util. Por minha parte, julgar-me-hei feliz se as noções que deixo

n'estas paginas, poderem suscitar o amor a tão profícuos estudos, porque

d'ahi, no meu entender, virá engrandecimento para o nosso fim.

[Figura 295]

Notas:

[1] Dolmen é composto de duas palavras celticas, _dol_ mesa, e _men_

pedra.

[2] _Menhir_ e _peulvan_ derivam da língua celtica, e têem quasi a mesma

significação; compõem-se de duas palavras _men_ pedra, e _hir_ longo;

_peul_, pilar, _vain_ ou _maen_, pedra: isto é, pedra alongada.

[3] Nome composto de duas palavras dos bretões: _crom_, curva; _leck_,

pedra.

[4] Esta palavra é saxonia e significa «pedras enfileiradas.»

[5] Os antiquarios inglezes designam pelo nome de _trilithos_ a mesma

combinação de pedras, indicando um monumento composto de tres grandes

pedras.

[6] King era da opinião de que havendo pedras erguidas no centro dos

circulos, eram estes destinados para as assembléas civis; em quanto

aquelles em que havia dolmen serviam para as ceremonias religiosas.

[7] Antigamente os orientaes tinham, como os celtas, veneração religiosa

pelas _grandes pedras toscas_; assim como os hebreus, a ponto de Moysés

lhes prohibir que as adorassem.

[8] É notavel que a relação da liga d'este metal, seja egual á dos

bronzes descobertos em regiões tão distantes.

[9] Os machados e frechas achados na Europa comparados com os que usavam

os selvagens da America e os da Nova Hollanda e da Nova Zelandia, causam

admiração por terem as mesmas formas, e muitas vezes, egual materia.

[10] Collocavam tambem nas estradas pedras que serviam para descançar os

viajantes, e para os cavalheiros montarem a cavallo.

[11] Talvez seja derivado da palavra _musæ_, as musas, porque era

principalmente nos templos d'estas deusas que o pavimento de musaico

fôra empregado.

[12] Como foi descoberto, n'este anno, no Outeiro de Ferreira de Zezere

um forno romano, tendo dentro telhas curvas com lavôres.

[13] Actualmente está entulhada até a nascença do arco da abobada.

[14] As de oliveira para Minerva; as de murta para Venus; as do pinheiro

para Pan, etc.

[15] No tempo do imperador Justiniano houve uma luta entre a facção

verde e azul, em que pereceram 40:000 homens. Depois d'este horrivel

acontecimento ficaram abolidas as côres.

[16] Caligula consentiu em que pozessem almofadas ou tapetes nos

assentos de pedra.

[17] Os logares estavam numerados e gravados na pedra, e cada espectador

entrava com um bilhete de forma circular _tossera theatralis_, que

designava o logar que devia occupar.

[18] Foi Quinto Catulos o primeiro que mandou estender um toldo de

purpura.

[19] Suppõe-se que o uso de immolar os primeiros sobre o tumulo dos

guerreiros, e os escravos sobre a sepultura de seus donos, deram origem

a estes combates.

[20] Pompeu foi quem introduziu este uso em Roma; e Mecenas quem

construiu primeiro estes monumentos publicos.

[21] Nas thermas d'este imperador havia 1:600 banheiras de porphyro e

marmore; e n'este edificio podiam 3:000 pessoas tomar banho.

[22] Havia em Roma 856 thermas.

[23] Veja-se na gravura da pag. 82 [fig. 69], os algarismos da planta

que designam os diversos aposentos.

[24] Depois do incendio de Roma, no tempo de Nero, contavam-se ainda

48:000 casas, separadas umas das outras.

[25] O maior sabio agronomo da antiguidade, nascido no seculo I da era

christã.

[26] A mais importante foi a do imperador Adriano, pois comprehendia uma

superficie de dez milhas.

[27] O uso de se queimarem os corpos procedia de um mytho religioso que

se conservou na Grecia e na Italia até o estabelecimento do

christianismo.

[28] O maior cippo descoberto em Portugal foi achado em _Citania_

(Guimarães). É de granito e de extraordinarias dimensões.

[29] Esta palavra de origem grega tem a mesma significação que os

romanos davam ao _cippo_.

[30] Espécie de enxadão, de que os coveiros se serviam.

[31] Em Cetobriga (Setubal) existem cemiterios com os dois modos de

enterramentos; o de incineração, estava collocado no centro de Troia, e

o outro para os corpos sem serem queimados, existia na margem do Sado.

[32] Que é como a espuma: Venus saindo do mar.

[33] Latona, da qual nasceram, na ilha de Dellos, Apollo e Diana.

[34] Lucina, divindade romana que presidia aos partos.

[35] Como havia na Sé de Lisboa, e na igreja de S. Christovam de

Coimbra.

[36] Veja-se a nossa obra, escripta em francez no anno 1868, com o

titulo--_Mémoire d'Archéologie sur la véritable signification des signes

qu'on voit gravés sur les anciens monuments du Portugal_, in-4.^o e avec

344 fac-similes.

[37] Mais proprio seria representar o vitello.

[38] Veja-se a nossa obra já citada na nota da pag. 126 e 127 [Nota 36].

Noções elementares de archeologia · 第 12 / 13 段