Prova-nos esta phrase ter o Padre Ivo escripto sua obra na Europa, e
saber da missão dirigida pelo Padre Archangelo.
Affirma Marcellino de Piza terem 565 indios recebido o baptismo n’esta
segunda expedição religiosa. (Vide _Annales historiarum ordinis minorum_.
Lugd. 1676 in fol.)
O Padre Archangelo, acompanhado por 12 confrades, portador de magnificos
ornamentos bordados pela Duqueza de Guize devia por certo cercar-se de
outra pompa, que não tiveram os quatro Geraes Capuchinhos, que deram
principio á missão.
Graças aos documentos, que nos são proporcionados pela marinha, e que
devemos ao obsequio do Sr. P. Margry, soubemos por uma carta inedicta
do Sr. de Beaulieu a Mr. de Razilly, que o Padre Archangelo, muito
conhecedor do valor do dinheiro abstrahindo o seo voto de pobresa, não
quiz embarcar-se antes de lhe haverem dado a esperança de conseguir
subsidios.
Apesar dos recursos, de que dispunha o seo chefe espiritual, ainda está
por fazer a historia d’esta segunda missão: não deixou até vestigios,
e ficará para sempre ignorada em quanto não descobrirmos o livro de
Francisco de Bourdenare.
Sabemos apenas que muito mais favorecido, que Ivo d’Evreux, por seos
superiores, recebeo, graças ás suas cartas de obediencia, o direito de
admittir noviços em seo Convento.
Não teve tempo de utilisar-se de tal privilegio, mas quando regressou á
Europa, em recompensa do seo zelo foi em 1615 nomeado Guardião do grande
Convento da rua de Santo Honorato.
Todos estes factos, omittidos naturalmente pelos historiadores do
Maranhão, acham-se referidos nos _Éloges historiques_, manuscripto da
Bibliotheca Imperial, e seria injustiça esquecer serem elles tambem
narrados pelo Padre Marcellino de Piza.
Depois de haver contado como o Geral dos Capuchinhos Paulo de Caesena
deo licença á Honorato de Pariz, então Provincial, para mandar á America
uma segunda missão, disse:—«_Ille nihil cunctatus, duodecim fratres ad
hanc expeditionem, aptos elegit quorum animosa phalanx navem conscençâ
secedens in Indiam, a barbara illa natione jam capucinorum placidis
moribus assueta per humaniter fuit excepta_.»
Na entrada dos portuguezes o Padre Archangelo de Pembroke retirou-se com
os Capuchinhos francezes ficando em lugar d’elles os Franciscanos, que em
numero de vinte se recolheram ao Mosteiro.
Sob a direcção de Frei Christovão Severino teve então o Convento nova
regra.
Foram as bases lançadas em 1624 porem só foram cumpridas pontualmente em
4 de Agosto do anno seguinte.
Abstemos-nos porem de offerecer ás vistas do leitor as desgraçadas
peripecias, porque passou este Mosteiro durante 225 annos: basta dizer,
que no fim de um seculo estava quasi reduzido a ruinas.
Em 1860 o actual Guardião, que tinha sob seo governo somente dois
franciscanos, mas que soube felizmente captar as sympathias dos
habitantes de São Luiz, recorreo á caridade publica afim de concertar-se
como merece este edificio, a que se ligam interessantes recordações do
paiz.
A Ordem é actualmente muito pobre, porem offerece grande contraste,
segundo é voz geral, quando em seo zelo é comparada com outros
Conventos[BL] opulentos da Cidade, que estão se arruinando.
Não foram em vão as supplicas de Frei Vicente de Jesus, pois elle
arrecadou grandes quantias, que chegaram para reparar os estragos do
tempo.
Conservando a humilde Capella, onde orou o Padre Ivo d’Evreux, fizeram-se
novas edificações que tornaram a Igreja de Santo Antonio a mais linda de
tão bella Cidade.