NOTAS

[A] A ordem constitutiva do Mosteiro tem a data de 28 de Novembro. O

lugar da escolha foi concedido no anno precedente por Catharina de

Medicis aos Capuchinhos, vindos da Italia, e a doação foi confirmada por

Henrique III em 24 de setembro de 1574. Vide _Boverio_, Annali di Frati

minori.

[B] O _Mercure-Galant_ deo á luz uma descripção, muito curiosa, da grande

botica do Convento.

[C] Em 1617 contavam-se 655 Religiosos nas duas Custodias de Pariz e de

Roão, e entre elles 209 clerigos.

Em 1685 haviam em França 5:681 Capuchinhos.

[D] Não inventamos: um dos seos mais ardentes admiradores, tambem

Capuchinho, falla d’elle nestes termos: _Tantarum segete scientiarum,

factus est dives ut Galliæ Phœnix hac nostra ætate communiter sit

appelatus_. Vide o vasto Repertorio de Diniz de Gênes. _Bibliotheca

scriptorum ordinis minorum Sancti Francisci capucinorum._

Wading, mais moderado, contenta-se em chamar o Padre Ivo de

Pariz—_egregius concinnator, insignis Capuccinus_.

O autor anonymo dos elogios manuscriptos dos Capuchinhos da Cidade de

Pariz não pôz limites ao seu enthusiasmo, quando disse: «a natureza

parece ter querido exgotar-se, quando cedeo a tão grande personagem tudo

quanto podia dar-lhe com abundancia de grandeza, tão rara quam admiravel.»

Nasceo em 1590, Ivo de Pariz, tomou o habito religioso em 27 de setembro

de 1620, seis annos depois que o Padre Ivo de Evreux regressou doente do

Brazil, e afinal falleceo em 14 de ouctubro de 1678.

Este religioso conseguio imprimir vinte e oito obras de sua lavra, cujos

titulos principaes vamos reproduzir seguindo a ordem chronologica de suas

publicações.

_Os felizes resultados da piedade, ou os triumphos da vida religiosa

sobre o mundo, e contra a heresia._ 4.ª edicção, Pariz 1634. 2 vol. em 12.

_Da indifferença._ 2.ª edicção. Pariz. 1640. em 8.º

_A theologia natural._ Pariz. 1640-1643. 4 T. em 4.º

_Astrologiæ novæ methodus et fatum universi observatum, a Franc Allaeo

Arabe Christiano._ Pariz. 1654. Temeo este Capuchinho, apesar de atrevido

e credulo, publicar este livro com o seo nome, e por isso deo-o á luz sob

o titulo _Fatum Mundi_.

_Jus naturale rebus creatis á Deo constitutum_ etc. etc. Parisiis. 1658

in folio.

O _Fatum Mundi_ foi reimpresso em 1658, e no anno seguinte appareceu esta

obra.

_Dissertatio de libro præcedenti ad amplissimos viros senatus Britanniæ

Armoricæ._ Parisiis. 1659. in folio.

_Digestum sapientiæ in quo hebetur scientiarum omnium rerum divinarum

et humanarum nexus_ etc. etc. 1654-1659. 3 vol. in fol, reimpressos com

augmentos em 1661.

_O Magistrado christão, coordenado pelo Padre Ivo, seo sobrinho._ Pariz.

1688 em 12.

_As falsas opiniões do Mundo._ Pariz 1688 em 12 etc. etc.

Vê-se, que não ha analogia alguma entre os estudos d’estes dois

Capuchinhos.

Uma das obras do Padre Ivo de Pariz foi queimada pela mão do carrasco.

[E] E não Silvére, como por descuido disse em sua biographia o veneravel

Eyriés. (Vid Mr. Prarond. _Les hommes utiles de l’arrondissement

d’Abbeville._ 1858—in 8.º)

[F] Vid o Manuscripto da Bibliotheca mazarina, ja citada, que tem este

titulo «_Annales des R. P. Capucins de la Province de Paris, la mer et la

source de toutes celles de ça les monts._» N. 2879 pet in 4.º

[G] Francisco de Bourdemare, ou Boudemard, natural de Ruão, deixou a

Provincia, onde gosava sua familia de muita consideração para em Orleans

fazer-se Capuchinho. Como noviço entrou no Convento d’esta Cidade, em 2

de outubro de 1603, porem é muito provavel, que voltasse para a Normandia

antes de ir residir no grande Convento da rua de Santo Honorato.

[H] O Padre Leonardo morreu em Pariz com 72 annos de idade, no dia 4 de

setembro de 1640. Antonio Fauro, seo pae, era conselheiro do parlamento

de Pariz.

O livro dos _Elogios-historicos_, manuscripto da Bibliotheca Imperial,

o qualifica como «o maior homem, que ja teve, e que nunca mais terá, a

Religião dos Capuchinhos.» Encontra-se elle outra vez Provincial na rua

de Santo Honorato no anno de 1615.

[I] Vide à respeito da expedicção protestante do Sr. Villegagnon, as

Relações circunstanciadas de Niculau Barre, de João de Lery e do Anonymo

conhecido por Chrispim. É certo que estabeleceram os Calvinistas seo

predominio na Bahia do Rio de Janeiro, porem á elle se podem oppôr

diversos pamphletos, escriptos por causa do Chefe da empresa. Estas peças

satyricas fazem parte das ricas collecções da _Bibliotheca do Arsenal_.

[J] Como se verá em outro lugar, logo após a publicação da primeira

parte da viagem, a antiga expedição de Ravardière foi precedida pelas

de Riffault em 1594, e de De-Vaux, o companheiro d’este ultimo, que

misturando-se com os Indios dedicou-se muito ao descobrimento d’este paiz.

[K] Julgamos dever reproduzir aqui o texto d’esta concessão renovada: não

conhecemos o primeiro. «Luiz, a todos os que virem a presente. Saude.

O defunto Rei Henrique, o grande, nosso muito honrado senhor e pae, a

quem Deos perdoe, tendo por Cartas patentes de julho de 1605 constituido

e estabelecido o Sr. de Revardiere de la Touche, seo lugar-tenente

general na America, desde o rio do Amazonas até a Ilha da Trindade, e

havendo elle feito duas viagens ás Indias para descobrir as enseadas e

rios proprios para o desembarque e estabelecimento de colonias, no que

seria bem succedido, pois apenas chegou n’esse paiz soube predispôr

os habitantes das ilhas do Maranhão e terra firme, os Tupinambás e

Tobajaras, e outros a procurarem nossa protecção e sugeitarem-se á nossa

authoridade, tanto por seo generoso e prudente procedimento, como pela

affeição e inclinação natural, que n’estes povos se encontram para com

a nação franceza, bem conhecida por elles pela remessa que fizeram dos

seos embaixadores, que morreram apenas chegaram ao porto de Caucalle, e

dos quaes teriamos ainda recebido iguaes protestos, segundo as narrações

feitas pelo Sr. de Ravardiere, tudo isto depois nos daria occasião de lhe

fazer expedir nossas Cartas patentes de outubro de 1610 para regressar,

como Chefe, ao dito paiz, continuar seos progressos, como teria feito, e

ahi demorar-se-ia dois annos e meio em paz, e 18 mezes tanto em guerra

como em treguas com os portuguezes etc. etc.»

Guardamos para a proxima publicação do livro de Claudio d’Abbeville, de

que este é o complemento, todas as occorrencias politicas, relativas

á expedicção, e reservamos tambem para ella os traços biographicos de

Razilly, de Ravardiere e de Pezieux.

[L] Pode-se ler tudo isto minuciosamente na _Carta de obediencia_ dada ao

Padre Ivo na _Chronologia historica dos Capuchinhos da Cidade de Paris_

pag. 193. Tem a data de 27 de agosto de 1611, e começa assim: «_Venerando

in Christo Patri Ivoni Ebroiense predicatori ordinis fratrum minorum

Sancti Francisci Capucinorum, frater Leonardus pariensis ejusdem ordinis

in Provincia parisiensi licet immeritus salutem in domino, in eo qui est

nostra salus_».

[M] Descançam seos restos mortaes no Brazil, pois foi o unico de seos

companheiros, que não voltou á Europa. O padre Ambrosio de Amiens,

pelos seos estudos, tinha-se distinguido na Sorbona, e quando ia

requerer licença para seguir a carreira da magistratura, ou dedicar-se

simplesmente á advocacia, resolveo em 1575 entrar na Ordem dos

Capuchinhos: foi um dos primeiros irmãos, que tomou o habito no Convento

da rua de Santo Honorato, onde por diversas vezes exerceo o cargo de

Guardião.

Deve-se collocar entre os annos de 1584 e 1586 a epocha das corajosas

dedicações, em que elle afrontou os horrores do contagio para soccorrer

a população parisiense, que então lhe deo o sobrenome pelo qual era

conhecido. A sua idade, ja avançada, devia isental-o d’esta viagem, porem

não foi possivel resistir-se ás suas instancias, e nem a todos os meios,

que empregou para fazer parte d’essa missão, que foi de grande utilidade.

Vêde o _Manuscripto_ da Bibliotheca Imperial intitulado «_Eloges

historiques de tous les grands hommes, et de tous les illustres religieux

de la Province de Pariz_.»

[N] O Padre Honorato de Champigny morreo com cheiro de Santidade em 1621.

[O] Sabemos d’esta obra por Guibert apenas, pois nenhuma outra

bibliographia especial a menciona. Bourdemare publicou suas observações

sob o titulo _Relatio de populis brasiliensibus_. Madrid. 1617 in 4.º

Leon Pinelli falla de Frei J. Francisco de Burdemar (assim escreveo

elle) como falla de Ivo d’Evreux por ouvir dizer. Affirma o _Livro dos

elogios_ ter emprehendido duas viagens á America, e afinal que morrera

como _forasteiro_ n’um dos Conventos da sua Ordem em Hespanha, um anno

antes da publicação do seo livro. Parece-nos, que a expressão pelo

biographo usada da palavra espanhola—_forasteiro_, quer dizer pura e

simplesmente—_estrangeiro_.

[P] O Padre Arsenio de Pariz tambem não tardou em deixar o Brasil, porem

o triste resultado dos negocios do Maranhão não arrefeceu o seo zelo

pelas missões. Foi para o Canadá onde prégou aos Hurons depois de haver

convertido os Tupinambás.

Foi Superior das missões da America do Norte por cinco annos e depois

morreo no grande Convento de Pariz, em 20 de Junho de 1645 contando 46

annos de habito. É muito provavel, que tivesse por successor na America

o Padre Angelo de Luynes, Guardião de Noyon, pois foi Commissario e

Superior das missões do Canadá em 1646.

[Q] O Convento dos Capuchinhos da Cidade d’Evreux foi edificado em 1612

«na extremidade de um suburbio da cidade do lado do meio dia, devido

em parte aos cuidados e á liberalidade de João le Jau, então grande

penitenciario e vigario geral da diocese.» Vide _Histoire civile et

ecclesiastique du comté d’Evreux_, pag. 365. O abbade Lebeurier, cujas

luzes e zelo archiologico são conhecidos, prestou-se a fazer a este

respeito todas as pesquizas possiveis, porem, infelizmente, debalde.

[R] O manuscripto que temos á vista, e que dá conta summaria da viagem

de Arcanjo de Pemuroke, não nos diz claramente o nome da localidade

onde saltaram os Missionarios, e por isso nos limitamos a transcrever a

narração do seo desembarque: «foram alguns soldados á terra, e acharam

diversos obstaculos, que nos pareceram máos prognosticos, como fossem

alguns portuguezes e um sacerdote secular, que assolavão os gentios

contra os francezes, e do _Forte_ souberam nossos soldados, que os

portuguezes projectavam tomar a costa do Maranhão, e d’ella expellir

os francezes, o que fez suspeitar aos Padres que poucos fructos aqui

colheriam:» _Ms. da herdade dos Capuchinhos da rua de Santo Honorato_.

[S] Circumscripto a um pequeno quadro, apenas podemos dar mui

summariamente a descripção dos acontecimentos, que deram em resultado o

abandono do Maranhão pelos francezes.

Acabou-se tudo em 21 de novembro de 1614, depois da batalha onde falleceu

o infeliz Pézieux.

Alem da grande _Memoria_ publicada pela Academia Real das Sciencias de

Lisboa á respeito d’esta expedicção, encontram-se mais amplas informações

sobre este periodo da historia do Maranhão e suas missões pelos Jesuitas

na vasta e preciosa publicação do Dr. A. J. de Mello Moraes, intitulada

«_Corographia historica, chronologica, genealogica, nobiliaria e politica

do Imperio do Brasil_.» (Vide o Tomo 3º, publicado em 1860).

[T] Sua morte está marcada nos _Obituarios_ da Ordem no dia 29 d’Agosto

de 1632, isto é, no anno em que foi celebrado o tractado de Castelnaudary.

Contava n’esse tempo 47 annos de Religião, e n’ella sempre foi conhecido

pelo _Religioso escossez_, embora pertencesse realmente a uma familia

gaulesa.

[U] Ordinariamente calam os historiadores esta ultima circumstancia, e

não se encontra nem se quer referida summariamente e sem commentarios

senão na collecção diplomatica (Quadro elementar) do Visconde de

Santarem. A Carta authographa, que prova o captiveiro de Ravardiere

existe na _Bibliotheca da rua Richelieu_, onde a vimos. Ella contraria,

repita-se, o que se passou um anno antes no campo de Jeronymo

d’Albuquerque. Está escripta com muita moderação, e foi derigida a M. de

Puysieux (Vid _fonds franç._—Nº 228—15 p. 197.)

[V] Informações inexactas sem duvida fizeram com que Mr. Ferdinand Diniz

mencionasse aqui este facto, nunca acontecido.—Do traductor.

[W] Lembro-me com prazer duma delicada expressão do sabio Augusto de

Saint Hilaire.

Lery, como se sabe, viajou pelo Rio de Janeiro no tempo de Villegagnon,

isto é em 1556. A primeira edicção da sua interessante narrativa

somente appareceu em 1571. Nosso Ivo d’Evreux, cujo estylo tem tantos

pontos de contacto com o d’este escriptor, leria seo livro? N’elle nada

encontramos, que nos leve a responder pela afirmativa. Multiplicaram-se

porem as edicções de Lery e a tal ponto, que a quinquagesima e ultima foi

em 1611.

[X] Este projecto de dupla aliança entre as duas corôas ja era de 1612,

porem foi annunciado officialmente em 25 de Março do mesmo anno, mas só

foi executado d’ahi ha tres annos.

Partiram os Missionarios a 19 de Março. Os esponsaes do rei de França com

a infanta ainda não preocupavam os espiritos como depois aconteceo, por

exemplo, em 1615.

Todos os factos relativos aos dois reinados são minuciosamente descriptos

no livro intitulado «_Inventaire generale de l’histoire de France par

Jean de Serre, commençant á Pharamond et finissant á Louis XIII_. Paris,

Mathurin Henault, in 18. (Vid o T. VIII).

[Y] Podia ainda ver-se, ha alguns mezes atraz, na casa de um vendedor de

curiosidades, da rua do Petit Leon, um desenho attribuido a Luiz XIII,

quando menino, representando muito bem a figura d’um Tupinambá enfeitado

com pinturas exquisitas.

[Z] Devo ainda a Mr. Ferdinand Diniz a seguinte communicação, feita em

carta, por mim sempre muito presada, de 16 de setembro de 1873.

«O segundo exemplar conhecido da obra do Padre Ivo d’Evreux pertence ao

Sr. Dr. Court, habil e zeloso bibliographo e possuidor, por sua fortuna,

de grandes raridades.

«Tive em minhas mãos este precioso exemplar, que custou 800 francos.

«Tem mais duas ou tres folhas do que o da Bibliotheca Imperial.

«O feliz possuidor do exemplar conhecido mora em Pariz, _rue du Centre n.

4_; actualmente anda viajando em beneficio da saude alterada de um seo

irmão, porem quando elle voltar, irei de novo visitar seo thesouro.»—Do

traductor.

[AA] É geral a obscuridade, que reina sobre a biographia d’estes antigos

viajantes, tão importantes debaixo do ponto de vista da historia. O

veneravel Eyriés, que citamos as vezes, é bem pouco baseiado em suas

ideias, por exemplo, quando affirma que Claudio d’Abbeville viveo

até 1632, quando os Manuscriptos da casa de Santo Honorato o dão por

fallecido em Ruão no anno de 1616 com 23 annos de religião.

Tambem não é exacto o attribuir-se-lhe a _Vida da bemaventurada Coletta_,

virgem da Ordem de Santa Clara, pois appareceo este livro em 1616, em

12, e em 1628 em 8º: as iniciaes, que traz no frontespicio bem poderiam

evitar este engano, na verdade pequeno.

O opusculo, de que estamos tractando, acha-se na _Bibliotheca do

Arsenal_, onde o examinamos.

[AB] Essa compilação, verdadeiramente curiosa, começou em 18 de novembro

de 1709, e se compunha outr’ora de 3 vol. em 4.º. O T. 1º, infelizmente

perdido, continha os _Annaes da Provincia_, e provavelmente ficamos

privados de algumas preciosas particularidades sobre a missão do Padre

Ivo: tinha o titulo de—_Capuchinhos da rua de Santo Honorato_, 4.º (Ter.)

[AC] O Padre Pascoal d’Abbeville foi eleito 19º Provincial do Convento

da rua de Santo Honorato: a divisão havida em 1629 foi provavelmente por

causa do numero sempre crescente de Religiosos nos tres Conventos de

Pariz.

[AD] Em geral não são conhecidos estes versos de Ronsard, derigidos ao

fundador da França antarctica, a essa personagem voluvel, ora huguenote,

ora fervoroso catholico; cujas severidades excentricas Lery evitou

fugindo para as mais longinquas florestas:

Douto Villegaignon, como te enganas!

Tu pretendes em vão tornar ameno

D’America o viver estranho e rude...

Acaso não vês tu que a nova gente

Tão nua é no trajar como no peito

É nua de malicia?—que não sabe

Ao vicio e á virtude o nome ao menos?

—Que não sonha com Reis nem com Senados,

E, isenta do temor, das leis ao jugo,

Á mercè das paixões a vida passa?

Ignoras, por ventura, que ahi mostra-se

Cada homem de si livre senhor;

e Leis, Senádos, Reis, em si resume?

Não é a terra e o ar commum a todos?

Vê-se, áquella, cobrir ferro importuno

O seio virginal de longos sulcos?...

Commum é tudo ahi, como dos rios

São as aguas perennes que trasbordam

Sem processo intentar de plena posse.

Oh, não queiras, por isso, dessa gente

O repouso turbar dos velhos usos!

Si ha remorso em tua alma, em paz os deixa;

Não procures, p’ra os campos estenderem.

Ensinar-lhes á terra pôr limites!

Choverão os processos, e a fraude

Á amisáde terá então de unir-se!

Logo após, d’ambição o duro espinho

(Como a nòs acontece, desgraçados!)

Tormento lhes será—negro, incessante.

—Seu repouso não quebres: são felizes;

Elles gosam na terra a edade d’oiro.

(Traducção do Sr. J. T. de Souza.)

[AE] Vide a «Correspondencia e a Collecção Peiresc.»

[AF] Este estimavel escriptor deo d’isto uma prova no seo poema da

primeira semana, somente impresso em 1610 embora fallecesse seo auctor em

1599.

Ja o ardente Cocuyo á Nova Espanha

Vai nas azas dois fachos conduzindo,

Outros dois flamejando ergue na fronte.

Á luz d’este esplendor de regios leitos

Nos cortinados arabescos pintam-se,

Á luz d’este esplendor em noite negra

O habil artesão o marfim pule,

Conta o avaro, no cofre, seu thesouro,

Veloz o escriptor a penna guia.

Traducção do Sr. J. T. de Souza.

[AG] _Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuitica pela Bahia,

Porto Seguro, Pernambuco, Espirito Santo, Rio de Janeiro, etc. escripta

em duas cartas ao Padre Provincial em Portugal_. Lisboa. 1847 em 8.º

[AH] _Tratado descriptivo do Brasil em 1587_, etc. Rio de Janeiro, 1851

em 8.º Foram estas duas obras exhumadas pelo Sr. F. A. de Varnhagem,

historiador tão conhecido do Brasil. Esta ultima obra, de que existe um

Manuscripto na _bibliotheca imperial_ de Pariz foi tambem reproduzida

por seo habil edictor na _Revista_ trimensal. Morreo Gabriel Soares em

1591 n’uma praia deserta, após deploravel naufragio: como se vê foi quasi

contemporaneo de Ivo d’Evreux.

[AI] Affirma Berredo ser este indio um amigo dedicado dos franceses,

porem melhor informado o _Jornal de Timon_ nos deo o nome deste selvagem,

educado nas missões do Sul. Ja se vê, que não podia ter muita affeição

aos francezes.

Para urdir este horrivel estratagema, basta somente o odio, que nutriam

certos indios contra os dominadores do seo paiz, não sendo necessario ser

filho de Ruão ou de Rochelles.

[AJ] Vide _Berredo, Annaes historicos do Maranhão_, e tambem o _Jornal de

Timon_ de J. Lisboa, ns. 11 e 12, 1858, Lisboa. Diz este escriptor ter

fallecido Jeronimo d’Albuquerque em 1618 succedendo-lhe no governo seo

filho Antonio d’Albuquerque.

[AK] Partiram para Goiana em 1635 os Missionarios da Ordem dos

Capuchinhos, cujos trabalhos podem ser vistos nos manuscriptos legados

pelo grande Convento de Pariz.

[AL] Vide a respeito d’estes povos a rapida visita, que lhes fez

Castelnau em 1851: _Expedicção scientifica nas partes centraes d’America

do Sul_. T. 2º pag. 316.

[AM] Vide _Trabalhos da Commissão scientifica de exploração_. Rio de

Janeiro. Typ. de Laemmert—1862 in 4.º

[AN] Na _Corographia historica_ do Dr. Mello Moraes encontram-se noticias

minuciosas sobre as missões dos jesuitas e administração dos indios no

Maranhão. Desde o principio do seo T. 3º teve este escriptor o cuidado

de confessar o immenso auxilio, que lhe prestaram as obras doadas ao

Instituto Historico do Rio de Janeiro pelo conselheiro Antonio de

Vasconcellos de Drumond e Menezes. Em suas longas viagens, o diplomata, a

quem se deve tão preciosas informações sobre a Africa, não se limitou a

estas investigações, pois ainda colheu muitos manuscriptos á respeito do

Brazil, que hoje servem de base ao historiador.

Cego ha muitos annos, faz ainda muita honra á sua patria.

[AO] Tres annos antes da partida dos Capuchinhos para Maranhão, o padre

du Jarric dedicava ao Rei menino o seguinte livro: «_Segunda parte

da historia das coisas mais memoraveis, acontecidas tanto nas indias

orientaes como nos outros paizes descubertos pelos portuguezes, no

estabelecimento e progresso da fé christan e catholica, e principalmente

do que fizeram e soffreram os religiosos da companhia de Jesus para este

fim ate o anno de 1600_» pelo Padre Pedro du Jarric, da mesma companhia

em Bordeaux, Simon Mellange. 1610 em 4.º Tudo quanto diz respeito ao

Brazil acha-se n’este vasto resumo desde pag. 248 até 359, porem deve

procurar-se os factos curiosos, citados n’esta noticia no livro 5º do que

o auctor chamou _Historia das Indias Orientaes_, parte 3ª pag. 490.

[AP] Desta primeira edicção, publicada em 1621, tornou-se, para assim

dizer, impossivel ser encontrado um sò exemplar.

A segunda edicção sahio com o titulo _Arte de grammatica da lingua

brasilica do padre Luiz Figueira, Theologo da Companhia de Jesus_.

Lisboa, Miguel Deslande, anno 1687, pet. em 12.º O sabio bibliographo

portuguez o Sr. Innocencio Francisco da Silva não reproduz exactamente

este titulo, porem menciona uma edicção da Bahia em 1851 pelo Sr. João

Joaquim da Silva Guimarães, cujo titulo é muito extenso.

A grammatica do Padre Anchieta—_Arte da grammatica da lingua mais usada

na costa do Brasil_, appareceo em Coimbra no anno de 1595, em 8º, e

d’ella em Portugal apenas se conhece um exemplar.

[AQ] Santo Eloy, perto de Gisors, no destricto de Euro, é uma povoação de

381 habitantes, á 25 kil. de Andelys.

Ha tambem Santo Eloy de Fourques, aldeia do Euro, a 25 kil. de Bernay.

Estamos propensos a crer, que foi na primeira, onde residio o nosso

Missionario.

[AR] Vide _Bibliographia Normanda_.

Derigimo-nos directamente á douta officiosidade do Sr. Frère afim de

obtermos o conhecimento do _Supplemento necessario_, porem apesar de

constantes investigações vio-se na impossibilidade de nos dar outras

noticias alem das que colhemos em sua excellente obra.

[AS] Quevilly, _Clavilleum_, povoação do Senna inferior, distante de Ruão

apenas 6 kil. e faz parte do districto de Grande Couronne.

[AT] Mais tarde foi chamado Maximiliano de Baux para encarregar-se

da egreja do culto reformado em Ruão, viveo até a idade de 84 annos,

e falleceo em 1674 deixando reputação de homem recto, e de costumes

austeros.

Vide os irmãos Haag, a _França protestante_.

[AU] _Cupucinorum Annales_. Lugduni, 1632, em fol. e depois a traducção

italianna—_Annali di Fratri minori Cappucini_ etc. Venetia 1643 em 4.º

[AV] _Annales seu sacrarum historiarum ordinis minorum sancti Francisci

qui Capucini nuncupantur_ etc. Lugduni. 1676.

[AW] _Annales ordinis minorum_. 2.ª edic., Roma, 1731. Depois os

_Scriptores ordinis minorum_. 1650, em fol.

[AX] _Bibliotheca scriptorum ordinis minorum_, Genova, 1680 em 4.º,

reimp. em 1691 in fol. Este ultimo depois de algumas linhas, em que

fallou do merecimento de _Ivo Ebroycensis, vulgo de Evreux_, dá tambem

noticia do seu livro: _scripsit gallicé Relationem sui itineris et

navigationis sociorum que Capucinorum ad regnum Marangani: cui etiam

adjunxit historiam de moribus illarum nationum_. Rothomagi. 1654. Vid T.

1º em 4.º

[AY] _Historia da Normandia_. T. VI pag. 414. Masseville prova com toda

a evidencia ter se contentado com traduzir o Padre Diniz de Gênes, pois

disse ter o nosso Missionario, «dado uma Relação geographica das regiões,

por onde se embrenhou, e particularmente do paiz do _Marangan_». _Regni

Marangani_, escreveo seo predecessor.

[AZ] Vede este precioso manuscripto na Bibliotheca de Caen. Uma

bibliotheca americana organisada pelo coronel Antonio de Alcedo.

Madrid. 1791, 2 vol. em 8º, não menciona o Padre Ivo, causando-nos tal

omissão pouco desgosto, á vista de se dizer ahi haver o Padre Claudio

d’Abbeville, seu companheiro, convertido com infatigavel zelo os

selvagens do Canadá!

[BA] A primeira edicção do _Epitome_, hoje rarissima por ter sido

suprimida por ordem da Inquisição, só traz no seu titulo aberto a

gravura o anno da impressão 1629 e o nome de _Antonio de Léon_, e

não o de Pinelo. Não falla de Ivo d’Evreux, isto é, deste livro, que

pertence a Bibliotheca de Santa Genoveva. Na edicção em 3 vol. pequenos

em fol., por Barcia, assim menciona invertendo o seu titulo: _Fr. Ivon

d’Evreux, capuchino. Relacion de su viage al Reino de Marangano, com sus

companeros: historia de los costumbres de aquellas naciones_. Imp. em

1654 em 4º francez.

[BB] Isaac de Razilly, cavalleiro da ordem de São João de Jerusalem,

primeiro capitão do almirantado de França, chefe d’esquadra da armada

real na provincia da Bretanha, foi nomeiado almirante da frota real,

em expedicção nas costas da Barbaria no anno de 1630, e adjunto de

Ravardière: em 3 de septembro d’esse mesmo anno estava elle em Safy

resgatando captivos.

Viagem ao norte do Brazil feita nos annos 1613 a 1614, pelo Padre Ivo D'Evreux · 第 7 / 277 题