XI.

_A Lamentação._

Como assim jaz e solitaria e quêda

Esta cidade outrora populosa!

Qual viuva ficou e tributaria

A senhora das gentes.

Chorou durante a noite: em pranto as faces

Sosinha, entregue á dôr, nas penas suas

Ninguem a consolou: os mais queridos

Contrarios se volveram.

As amplas ruas de Sion são ermas,

E cubertas de relva: os sacerdotes

Gemem: as virgens pallidas suspiram

Involtas na amargura.

Dos filhos de Israel nas cavas faces

Está pintada a macilenta fome;

Mendigos vão pedir, pedir a estranhos,

Um pão de infamia eivado.

O tremulo ancião, de longe, os olhos

Volta a Jerusalem, della fugindo;

Vê-a, suspira, cáe, e em breve expira

Com seu nome nos labios.

Que horror!--as proprias mães os seus filhinhos

Despedaçaram: barbaras quaes tygres,

Os sanguinosos membros palpitantes

No ventre sepultaram.

Grande Deus, nosso opprobrio olha piedoso!

Cessa de Te vingar! Vê-nos escravos,

Servos de servos em paiz estranho;

Adoça nossos males!

Acaso serás Tu sempre inflexivel?

Esquecèste de todo a nação tua?

O pranto dos hebreus não Te commove?

És surdo a seus lamentos?

A Harpa do Crente Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta · 第 26 / 76 题