III.

Passa o vento os do portico da Igreja

Esculpidos umbraes: correndo as naves

Sussurrou, sussurrou entre as columnas

De gothico lavor: no orgam do coro

Veio em fim murmurar e esvaecer-se.

Mas porque sôa o vento?--Está deserto,

Silencioso ainda o sacro templo:

Nenhuma voz humana ainda recorda

Os hymnos do Senhor. A natureza

Foi a primeira em celebrar seu nome

Neste dia de lucto e de saudade!

Trévas da quarta feira eu vos saudo!

Negras paredes, velhas testemunhas

De todas essas orações de mágoa,

Ou esperança, ou gratidão, ou sustos,

Depositados ante vós nos dias

De uma crença fervente, hoje enlutadas

De mais escuro dó, eu vos saudo!

A loucura da cruz não morreu toda

Apoz dezoito seculos!--Quem chore

Do sofrimento o Heróe existe ainda.

Eu chorarei--que as lagrymas são do homem--

Pelo Amigo do povo, assassinado

Por tyrannos, e hypocritas, e turbas

Envilecidas, barbaras, e servas.

A Harpa do Crente Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta · 第 18 / 76 题