A voz de Adozinda bella
Todos clara conheceram;
C’os olhos na alta janella
De toda a parte correram:
—‘Vive, inda vive!’ bradavam,
‘A innocente! vinde ve-la.’
E uns aos outros recontavam
Das virtudes, da paciencia
D’aquelle anjo d’innocencia
Que, ha muito, morta julgavam.
—Outra vez se torna a ouvir
O mesmo clamor sahir
Da torreada prisão:
—‘Uma sêde, uma só d’agua,
Uma só por compaixão,
Que me abraso n’esta fragua,
Que me estalla o coração!’