Dom Sisnando é criminoso
Quanto o podia ficar;
Do intento abominoso
Nada resta a consummar.
Ja tristemente acordou
De seu delirio fatal,
E surrindo amargamente,
Á infeliz assim fallou:
—‘E era por isto... innocente!
Que tanto se recatava
Tua virtude fingida?
Ah! essa alma corrompida
Mais do que teu corpo estava.
E tu...’
—Não pôde ouvir mais
A triste mãe; não lhe soffrem
As intranhas maternais
Ouvir a filha adorada
De tal modo calumniada,
E por quem, e em que momento!
C’um suffocado lamento,
Que do peito rebentando
Trouxe aos labios alma e vida,
Quebra o silencio:—‘Ah, Sisnando!
Ah, senhor, mattae-me embora;
A desgraçada sou eu.’
E a terra n’aquella hora
Rasgada não soverteu
O infeliz, que meio morto,
No abysmo do crime absorto,
D’este golpe inesperado
A violencia cedeu!