XIII

Dom Sisnando é criminoso

Quanto o podia ficar;

Do intento abominoso

Nada resta a consummar.

Ja tristemente acordou

De seu delirio fatal,

E surrindo amargamente,

Á infeliz assim fallou:

—‘E era por isto... innocente!

Que tanto se recatava

Tua virtude fingida?

Ah! essa alma corrompida

Mais do que teu corpo estava.

E tu...’

—Não pôde ouvir mais

A triste mãe; não lhe soffrem

As intranhas maternais

Ouvir a filha adorada

De tal modo calumniada,

E por quem, e em que momento!

C’um suffocado lamento,

Que do peito rebentando

Trouxe aos labios alma e vida,

Quebra o silencio:—‘Ah, Sisnando!

Ah, senhor, mattae-me embora;

A desgraçada sou eu.’

E a terra n’aquella hora

Rasgada não soverteu

O infeliz, que meio morto,

No abysmo do crime absorto,

D’este golpe inesperado

A violencia cedeu!

Romanceiro I: Romances da Renascença · 第 55 / 209 题