II

Quem o sabe?—No castello

Nem a propria mãe, que a adora,

Que pela filha querida

Dera tudo, dera a vida...

Nem a propria mãe sabê-lo!

E como é que Auzenda ignora,

Por que incanto ou maravilha,

Que ao pino da meia noite

Todos os dias a filha

O escuro parque atravessa,

E tenteando a treva espessa

Vai sosinha áquella grutta

Que no mais claro do dia

Ninguem a entrar ousaria?

—Mas vai; não o sabe Auzenda:

N’este segredo fatal

Coisa sobrenatural,

Coisa medonha, tremenda

Ha por certo... oh! que inda mal!

Romanceiro I: Romances da Renascença · 第 46 / 209 题