XI

Tres annos ja são passados

Que Dom Sisnando a não via,

N’essa joven, linda dama

Sua filha não conhecia.

—‘Ei-la aqui, senhor,’ dizia

A mãe, que d’um braço a trava,

‘Ei-la aqui.’—Os olhos crava

O pae na formosa filha,

E de assombro e maravilha

Mudo, estatico ficou.

Cora Adozinda, suspira,

E—‘Pae!’ disse em voz tremente

Submissa...—; languidamente

Ajoelha, osculo frio

Na paterna mão imprime:

Pranto que atelli reprime,

Corre agora em sôlto rio.

—‘Que tens tu, filha querida,

Que assim choras tam carpida?

É teu pae, que hade querer-te,

Que hade amar-te como eu te amo.’

E tomou-a nos seus braços,

E a levanta Auzenda bella.

Pasma o pae, suspira ella;

E a custo os doces abraços

De pae, de filha se deram.

Romanceiro I: Romances da Renascença · 第 26 / 209 题