Tres annos ja são passados
Que Dom Sisnando a não via,
N’essa joven, linda dama
Sua filha não conhecia.
—‘Ei-la aqui, senhor,’ dizia
A mãe, que d’um braço a trava,
‘Ei-la aqui.’—Os olhos crava
O pae na formosa filha,
E de assombro e maravilha
Mudo, estatico ficou.
Cora Adozinda, suspira,
E—‘Pae!’ disse em voz tremente
Submissa...—; languidamente
Ajoelha, osculo frio
Na paterna mão imprime:
Pranto que atelli reprime,
Corre agora em sôlto rio.
—‘Que tens tu, filha querida,
Que assim choras tam carpida?
É teu pae, que hade querer-te,
Que hade amar-te como eu te amo.’
E tomou-a nos seus braços,
E a levanta Auzenda bella.
Pasma o pae, suspira ella;
E a custo os doces abraços
De pae, de filha se deram.