«E, se os emigrados teem toda a esperança no paiz, o paiz não se hade

vexar envergonhado, dos seus filhos hoje proscriptos, antes com elles

deve e pode contar para todos os sacrificios que a salvação da patria em

perigo tem o direito de exigir dos cidadãos probos e dedicados. A grande

palavra de Danton, de que ninguem consegue partir do solo que embalou o

berço em que vagiu a infancia, levando a patria pegada ás solas dos

sapatos, tem-n'a presente constantemente os emigrados no espirito. Com

sobresaltada attenção espiam os successos; com a alma em susto,

forçados, a, raivosamente, cruzarem os braços, n'uma inefficacia

provisoria, assistem ao desesperador espectaculo do crescente

amesquinhamento do paiz, que, com fervoroso impeto, respeitam e amam.

«Mas, aguardando sempre, não se differenciam dos seus concidadãos,

injuriados pelo roubo das liberdades outr'ora conquistadas nem se

desinteressam das preoccupações que os agitam. Os de fóra continuam a

fazer causa commum com os que, a dentro de fronteiras, mal podem

expressar seus queixumes. Do exilio os alentam, da terra estrangeira

lhes clamam a esperança no futuro. Solde-se assim um pacto santo. Que a

ultima palavra que pronunciamos seja a que em breve, verbo

reformador, ascenda de todos os corações generosos e irrompa em todos os

puros labios, como a consummação, salutar e fecunda, da grande obra

iniciada a 31 de janeiro:

«Viva Portugal!

«Viva a Republica!»

Este manifesto era assignado, entre outros emigrados, por Alves da

Veiga, Basilio Telles, alferes Malheiro, Antonio Claro, Carlos Infante

da Camara, Annibal Cunha, José Sampaio, Alipio Augusto Trancoso e José

Tavares Coutinho.

A obra iniciada a 31 de janeiro... essa veiu a consummar-se quasi vinte

annos depois.

FIM

Indice

_Do TEXTO_

Pag.

Palavras de um soldado 3

Capitulo I--O movimento de 31 de Janeiro filia-se no «ultimatum» de

1890 7

» II--O primeiro rebate do conflicto diplomatico anglo-portuguez 14

» III--Serpa Pinto, á frente de 6.000 homens, derrota os

makololos revoltados 20

» IV--O governo progressista cede ante as exigencias da

Grã-Bretanha 27

» V--O protesto contra o «ultimatum» echoa de norte a sul

do paiz 34

» VI--Serpa Pinto, heroe africano, perde o prestigio 40

» VII--O partido republicano nasce da dispersão do reformista 48

» VIII--João Chagas abandona enojado a imprensa monarchica 54

» IX--O Dr. Alves da Veiga assume a chefia civil do movimento 62

» X--O Directorio recusa a sancção official á revolta 69

» XI--A crise ministerial dos «vinte sete dias» 75

» XII--«E as armas que nos foram entregues para defeza das

instituições, voltal-as-hemos contra ellas» 82

» XIII--Vinte annos apoz a derrota 92

» XIV--A alvorada triumphante: caçadores 9 inicia o movimento 96

» XV--Proclama-se a Republica no edificio da camara Municipal 107

» XVI--O choque sangrento--A guarda municipal desbarata os

revoltosos 114

» XVII--A noite negra do traidor Castro--O destino de tres

officiaes 121

» XVIII--O dia seguinte ao da derrota 129

» XIX--Para as despezas da revolta bastou um conto de reis 138

» XX--Triste balanço: o das victimas da insurreição 144

» XXI--A serenidade de uns e o desalento de muitos 149

» XXII--O julgamento dos revoltosos 156

_Das GRAVURAS_

Quartel de infanteria 18, e campo da Regeneração, onde se reuniram as

tropas sublevadas na madrugada de 31 de Janeiro 15

Elias Garcia 19

Encontro dos revoltosos com as tropas fieis ao governo 23

Alves da Veiga (1891) 31

Na rua de Santo Antonio 39

João Chagas (1891) 47

A guarda municipal entrincheirada na egreja de Santo Ildefonso 55

Capitão Leitão (1891) 63

Uma carga de cavallaria 71

Rodrigues de Freitas (1891) 79

Levantando os feridos 87

José Sampaio (Bruno) (1891) 95

Proclamação da Republica 103

A Bandeira da Revolta que foi hasteada na camara Municipal 111

Basilio Telles (1891) 115

Bombardeamento da Camara Municipal pelas tropas fieis ao governo 119

Tenente Coelho (1891) 127

Santos Cardoso, preso a bordo 135

Actor Verdial (1891) 139

Revoltosos presos a bordo do _India_ 143

Antonio José de Almeida (1891) 147

Os prisioneiros a bordo 151

Dr. Affonso Costa (1891) 157

Conselho de guerra a bordo do transporte _India_ 161

O tumulo das victimas no cemiterio do Repouso, no Porto 167

* * * * *

A sahir brevemente o 5.º volume

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IV--*A Vida dos Animaes* (No Paiz do Leão).

V--*Narrativas e Lendas da Historia Patria* (D. João I, o rei eleito do

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povo).

VI--_Victor Hugo_--*O Bom Bispo*.

VII--*Narrativas e Lendas da Historia Patria* (Os filhos de D. João I).

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A Revolução Portugueza: O 31 de Janeiro (Porto 1891) · 第 11 / 11 段