_Porque meu avô, que em paz descance, costumava gastar huma boa parte
das compridas noites do Inverno ao seu lume, elogiando muito a pessoa de
V. m. e fallando sempre no seu prestimo, e cançasso no serviço dos
amigos: e tambem pela justa paixaõ, a qual, como Portuguez velho, por
muitas vias sei, pela sua naçaõ naõ cessa de mostrar: tudo isto me
obriga a dar-lhe o incommodo de concorrer com todos os seus bons
officios, para que se imprima o mais breve este livrinho, parto dos
Grammaticos defunctos contra a_ pedantaria _do_ tempo: _em o qual livro
achará V. m. as verdades mais importantes, naõ forjadas neste, mas sim
no outro mundo, donde ha pouco cheguei a salvamento. Naõ quero todavia,
que a sua bolsa padeça detrimento; por isso que o portador entregará
50 libras estrellinas: e, se mais for preciso, mais irá: nem seria
necessário tanto, se eu naõ quizesse, que a Ediçaõ fosse em tudo
completa, e que se estampassem 6000 volumes. Receba pois esta obra, como
toda consagrada aos merecimentos da sua veneranda pessoa: e peça-lhe
encarecidamente, faça por aqui aprender a ler seus netos; porque assim,
naõ duvido, terá a satisfacçaõ de os ver em sua vida os melhores
doutores; por isso que naõ lhes falta esperteza, do que estou bem
inteirado. Deos guarde a V. m, muitos annos._
_Londres 25 de Fevereiro de 1800._