Devo muito ao Rio de Janeiro, não é por estar na sua presença.
Ha um sentimento que eleva o cão acima de muitos homens: o
reconhecimento do bem que se lhe faz.
Verdade, verdade; por esse lado, corro parelhas com a parentella de
Pythagoras, cada vez mais numerosa, apezar das _bolas_.
Quando cheguei a esta capital, contava ella apenas _seis peccados
mortaes_; dias depois, prefazia o numero dos indicados na cartilha.
Não vim prefazer o setimo, como já pensaram; foi o ministerio n. 7, que
se criou depois da minha chegada.
De haver a minha estrella influido para essa _criação_, é que não é
nenhum juizo temerario, caipora depois de mim, só eu mesmo.
Isto não é politica.
Lembro-me que o programma do _Camarão_ rematava assim (_vide esse
periodico n. 1, I.ª colum. ultimas linhas_).
«Não somos politicos; a politica é uma escada; os _tolos_ são os degráos
por onde os _ladinos_ sobem....»
Bem bonita definição.
«Não somos _tão tolos_, continuava a rezar o programma, que de nós
deixemos fazer degráos, nem _tão ladinos_ que queiramos subir.»
Linda epigraphe para a testa de um _jornal_ intitulado _O modesto_.
E, pois, nunca fui _tão tolo_ nem _tão ladino_, isto é, _politico_.
O que eu aspirava _ex-corde_, dos _seios da alma_, como hoje dizem,
dando a alma a propriedade de _amas de leite_, era ser _literato_.