CAPITULO XIV.

Entrei em casa com cara de quem voltava da missa.

Meu tio estava almoçando.

--Quem é? perguntou ouvindo os meus passos, e sem volver os olhos.

--Sou eu... tio... respondi, entre dentes.

--Quem?

--O Sr. moço; respondeu por mim Nicoláo.

--Senta-te, meu filho; o almoço não se diminuio, nem o jantar... nem o

amor. Disse com natural bondade.

A minha cadeira estava como d'antes á sua esquerda, o talher e o prato

no lugar do costume.

Sentei-me e cruzei os braços como um penitente.

Meu tio continuou a almoçar sem dar palavra.

Eu tinha almoçado no becco...

Nicoláo trouxe a nata, sobremesa que meu tio nunca dispensava ao almoço.

Regeitou-a. O preto carregou as sobrancelhas admirado. Pôz-lhe o café na

chicara; sorveu-o e, emfim, levantou-se.

Levantei-me tambem.

--Agora venha esta sobremesa, melhor que todas as natas, disse abrindo

os braços.

Atirei-me n'elles como o prodigo nos de seu pae.

Solucei devéras, pela primeira vez em dias de minha vida.

Tambem pela primeira vez a modo que vi lagrimas nos olhos de meu tio.

Este capitulo ia tomando fórma de _eça_?

Memorias de um pobre diabo · 第 39 / 83 题