Alguns d'estes documentos foram indicados pelo erudito conservador

do Archivo Nacional e meu amigo o Sr. Pedro de Azevedo; outros

rebusquei-os propositamente com o auxilio do valioso trabalho do Sr.

Gama Barros, _A administração Publica em Portugal_, entre os que

pertencem á região de Entre-Vouga-e-Douro.

[28] No mesmo pensar encontro-me com o Sr. Alberto Sampaio na

_Portugalia_, II, 216 (_As povoas maritimas do norte de Portugal_).

Assim se exprime: «As unicas povoações, vizinhas do mar, existentes

então (no tempo dos romanos), eram Calem e Portucale».

[29] É o Sr. Conselheiro Luis de Magalhães, em _A arte e a natureza

em Portugal_, vol. IV. A descrição da ria immensa de Aveiro, com as

salinas espelhadas que a cobrem, com os seus cones alvissimos de

sal, que marchetam a planicie sem fim, é um d'estes primores de

prosa gracil e diaphana, que mais ninguem poderia escrever com igual

coração e com pulso comparavel. Parece que a seducção d'esse

panorama não me será mais intensa, quando com os olhos o vir, do que

quando o adivinhei naquellas tão poupadas paginas.

[30] A grandíssima maioria das povoações d'estas epocas era nos

altos; ahi tem sido encontrados os seus vestigios. Para a alguma se

attribuir situação aberta como a de Aveiro, necessario seria

documentar a excepção.

Não repugna absolutamente admitti-la no nosso caso, mas é hypothese

pura. E depois, lá temos o distinctivo _briga_. O nome da cidade

comsigo traz a natureza do seu assento. No Algarve, _Ossonoba_ e

_Balsa_, não demoravam em outeiros. (Vide _Religiões da Lusitana_

II, 85).

[31] _Portugalia_, II, 220, «As póvoas marítimas do norte de

Portugal», pelo Sr. Alberto Sampaio.

[32] Explicação geologica d'estes phenomenos: «C'est après avoir

traversé les marécages du Vouga, que l'on entre dans les terrains

anciens; ce sont d'abord des schistes luisants, généralement cachés

par des dêpots superficiels: sables des dunes, graviers pliocènes et

graviers kaoliniques appartenant au Crétacique. Ces derniers ne

montent pas plus haut qu'Estarreja et le Pliocène est rarement

visible depuis la voie ferrée. Parfois ce soubassement de roches

solides n'existe pas, ou du moins ne se trouve qu'à une certaine

profondeur au-dessous du niveau de la mer; dans ce cas, la côte

subit des alternances d'accroissement et de décroissement qui

peuvent être funestes à l'homme trop empressé de s'approprier le

terrain que les sables ont gagné sur la mer; tel est le cas à

Espinho». _Promenade au Gerez (Souvenirs d'un géologue)_, por Paul

Choffat, 1895, p. 1.

[33] Poderia aqui investigar-se das alterações da costa que possam

ter modificado o aspecto do surgidouro do Vouga. Um apello,

publicado no _Arch. Port._, II, 301, teve em resposta o silencio.

Não tratando dos factos de periodos geologicos ou indeterminados

(_Arch. Port._, VII, 274 e X, 193) pouco é o que se tem recolhido e

ás vezes antagonico. Açoreamentos em epocas historicas foram notados

na Povoa de Varzim, Villa do Conde, Fão, Esposende, Vianna, em

Setubal, no Algarve (_Portugalia_, I e II. _passim_), e eu mostro

que na faixa de Esmoriz a Mira elles se deram tambem em epoca que

não posso precisar. Num mappa que illustra o _Hisp. & Port.,

Itinerarium_ de Martin Zeiler (1656) Aveiro é situada ao norte do

Vouga. E não é o unico mesmo de datas mais recentes.

[34] Ha um documento do sec. XI que faz uma referencia aproveitavel

debaixo d'este aspecto: é o n.º DCCCXV do anno 1095 (doação á sé de

Coimbra da igreja de S. Christovam, junto a Ilhavo)... _Ista igitur

auctoritate confissus ingressus sum et ego densissimam silliamm_

(silvam) _que ab antiquis temporibus habitaculum erat bestiarum..._

[35] Entre as cartas antigas que folheei, desejo destacar uma do

sec. XVII, assinada por N. Sanson. _christ. Gall. regis geografo_

(_Hispaniae antiquae tabulae_, 1641). O mappa de Portugal antigo

individúa, na região que andei estudando, _Conimbrica_ em Condeixa,

_Aeminium_ na margem norte do Mondego; _Talabriga_ ao N. do Vouga,

um pouco afastada do estuario, a 20 ou 25 _milliaria_ da foz do

Vouga (isto é, na altura onde eu localizo esta povoação); e,

seguindo no mesmo rumo, _Langobriga_. É na Bibliotheca Nacional, um

grosso volume _in-folio_, recentemente encadernado com o

dístico--Mappas--e sem frontispicio.

[36] Esta lenda porém reproduz-se em mais localidades, fóra d'esta

região.

[37] ... _pecuniis publicis, cum reliquo publico apparatu, ademtis_.

Isto dá bem a entender que havia uma perfeita organização politica,

e n'ella se estribava a organização de uma defesa militar contra a

invasão romana.

DO AUTOR

ESTUDOS DO ALTO-MINHO (SERIE 1.ª)

Publicados

I--Epigraphia christiano-latina (uma inscripção inedita).

II--Um passeio archeologico no concelho dos Arcos de Valdevez (visita ás

antas da serra do Soajo).

III--Machados de duplo anel.

IV--Ainda a inscripção christã de S. Pedro de Arcos.

V--Uma primicia de epigraphia funeraria romana.

VI--O portico da matriz de Monção.

VII--Um castro com muralhas.

VIII--Um erro de amanuense nas inquirições de D. Affonso III (C. Sancti

Salvatoris Darcus).

IX--Um Grovio autentico (cippo de Villa-Mou).

X--Ara celtiberica da epoca romana (um novo «Genio»).

PAGINAS ARCHEOLOGICAS (SERIE 2.ª)

Publicadas

I--Estatueta ithyphallica.

II--Cemiterio da epoca romana em Vianna do Alemtejo.

III--Situação conjectural de Talabriga.

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Paginas Archeologicas III - Situação conjectural de Talabriga · 第 3 / 3 段