VIII

Entendera Cormenin que o rustico, por ser rustico, nem por isso devia

ficar privado d'esse pão do espirito, que é a leitura.

Partindo d'esta verdade, imaginou elle uma bibliotheca de 200 ou 300

volumes de materia comezinha e de facil digestão para o povo: cada

concelho possue uma d'estas bibliothecas dividida em tantas menores,

quantas as aldeias e logares que em si conta, e em relação a ellas

numeradas. Cada uma d'estas livrariasinhas é enviada pelo

administrador do concelho ao parocho de cada aldeia, a fim d'elle

distribuir gratuitamente os volumes a quem d'elles precisar e os pedir,

assentando o nome de cada leitor n'um rol, e riscando-o á maneira, que

se vier fazendo entrega dos volumes.

Depois de seis mezes passados, todas as obras que compõem a

livrariasinha se devem achar em casa do parocho, que a remette á aldeia

que tem a Bibliotheca de numero immediato, recebendo em troca a que lá

estava para o mesmo fim.

Passado tempo, quando cada aldeia tenha tido por espaço de seis mezes

cada uma das bibliothecas parciaes, isto é, todos os livros do concelho

por partes e por varias vezes, far-se-há troca da bibliotheca toda com a

do concelho seguinte, continuando sempre assim com o mesmo systema

de leitura, de sorte que em poucos annos poucos livros terão, passando

por milhares de mãos e através de milhares de intelligencias, feito o

gyro do paiz, e levado a instrucção aos mais necessitados, sem que para

isso se exijam grandes despezas.

A este alvitre, tão simples como economico e proficuo, chamou

Cormenin.--Systema das Bibliothecas Ruraes Ambulantes.

Leituras Populares · 第 11 / 36 题