Entendera Cormenin que o rustico, por ser rustico, nem por isso devia
ficar privado d'esse pão do espirito, que é a leitura.
Partindo d'esta verdade, imaginou elle uma bibliotheca de 200 ou 300
volumes de materia comezinha e de facil digestão para o povo: cada
concelho possue uma d'estas bibliothecas dividida em tantas menores,
quantas as aldeias e logares que em si conta, e em relação a ellas
numeradas. Cada uma d'estas livrariasinhas é enviada pelo
administrador do concelho ao parocho de cada aldeia, a fim d'elle
distribuir gratuitamente os volumes a quem d'elles precisar e os pedir,
assentando o nome de cada leitor n'um rol, e riscando-o á maneira, que
se vier fazendo entrega dos volumes.
Depois de seis mezes passados, todas as obras que compõem a
livrariasinha se devem achar em casa do parocho, que a remette á aldeia
que tem a Bibliotheca de numero immediato, recebendo em troca a que lá
estava para o mesmo fim.
Passado tempo, quando cada aldeia tenha tido por espaço de seis mezes
cada uma das bibliothecas parciaes, isto é, todos os livros do concelho
por partes e por varias vezes, far-se-há troca da bibliotheca toda com a
do concelho seguinte, continuando sempre assim com o mesmo systema
de leitura, de sorte que em poucos annos poucos livros terão, passando
por milhares de mãos e através de milhares de intelligencias, feito o
gyro do paiz, e levado a instrucção aos mais necessitados, sem que para
isso se exijam grandes despezas.
A este alvitre, tão simples como economico e proficuo, chamou
Cormenin.--Systema das Bibliothecas Ruraes Ambulantes.