A ideia refere-se maximamente aos habitadores dos campos, esses, mais
que todos, engeitados da civilisação moderna.
E comtudo é á sua illustração que de mais vontade nos deveremos
applicar. A agricultura é a melhor e mais verdadeira mãe dos povos, e,
como diz Castilho,--só um povo que lhe quer, e a quer, e a serve com
desenganada preferencia, só esse é rico, rico sem fausto, mas sem
receio de empobrecer--o trabalho da terra é a fonte de todos os outros
trabalhos, e assim, não é justo que nós, que em ocio desfructamos o
trabalho do camponez, lh'o suavisemos em troca--com algumas gottas do
balsamo da instrucção?
Além d'isso, se trabalhamos em proveito da sua illustração, é em
proveito nosso que trabalhamos.
O cultivador, que ler, conhecerá melhor o tempo, as estações, a
qualidade do torrão, da semente, o que mais convém a este ou est'outro
terreno, e que especie de grão deve lançar á terra. Com este progresso
na agricultura o lavrador produzirá melhor, mais, e mais barato.
Não será, pois, tambem em o nosso proveito?
Ainda que não fossem elles homens, e, como taes, com igual direito a se
illustrarem, bastaria a perspectiva do proprio lucro para nos fazer
cuidar d'elles com affinco, pois que, curando d'elles, de nós curamos em
realidade.