BOCAGE (_vendo-os sair_)
A vilania e a jactancia... a cobiça e a hypocrisia!... Ahi estão os
homens, ahi estão os vicios, que me ensopam a satyra em fel... que me
inflammam de raios a musa!... Bem o prevejo, bem o presinto...
Contribuirão elles para me abreviar a vida... pagar-lhes-hei eu com a
immortalidade do ridiculo!...
MARQUEZ
Guarde para mais a lyra, Manuel Maria. Não vê como os castiga o despreso
da gente de bem?--(_a Gonçalo_) Hade voltar... e hade voltar breve.
D. FELICIA (_consolada_)
Hade... hade... que m'o diz o coração!
MANUEL SIMÕES (_sempre impaciente_)
Ainda bem! (_ao Marquez insinuante e respeitoso_) Então agora... as
escripturas...
MARQUEZ
Podem ler-se e assignar-se.
(_O Tabellião torna a pegar nas escripturas_. _O Marquez, D. Felicia e
Manuel Simões voltam aos seus logares, mas sem se sentarem_.--_Francisco
e D. Maria Gertrudes estão á E.; Gonçalo e D. Maria Joanna á D.; Bocage
na extremidade da D._)
FRANCISCO (_a D. Maria Gertrudes_)
Finalmente... vou firmar a minha ventura!
GONÇALO (_a D. Maria Joanna_)
Ao menos... levo a esperança!
BOCAGE (_pensativo e com os olhos nos dois pares_)
E a mim... (_comsigo, dolorosamente, em quanto D. Maria Joanna que o
observa, se lhe aproxima com Gonçalo Mendo, cuja attenção chama pelo
gesto_) a mim... que me fica?
D. MARIA JOANNA
Fica-lhe... a posteridade!
(_cae o panno_)
FIM
* * * * *
A propriedade d'esta peça no imperio do Brazil pertence a Francisco
Pereira da Cunha Novaes.
Rio de Janeiro, 1865.
*Notas:*
[1] Este periodo, e os seguintes, marcados com commas, supprimem-se na
representação para abreviar as respectivas scenas.