I
Não distantes do mar, entre rochedos, brotam as águas que, em seu breve
curso, desoladas se internam na aridez, até que de todo as bebe o areal
adusto e as confunde perdidas na amargura de ondas salgadas que destroem
e queimam.
Foi-lhes árduo o caminho. Apenas surgem da terra e viram o dia,
encontraram a fragura impenetrável, madrasta avara de mirrados líquenes.
Depois, como cativos escoltados por alcantis que os cingem ao caminho
apertado no sombrio vale estreito, nem sequer por momentos gloriosos
sentiram a liberdade das campinas que amorosas quisessem e se exaltassem
em seu fecundante afago. Por fim, engolfando-se em mares insaciáveis,
estéril se dissipa para sempre esse anseio de amor que prometia a rosa e
o trigal e a sombra viridente e que, infeliz, nasceu só para sofrer, por
negra sorte cedo condenado a jamais se expandir em formosura e
nunca amassar o pão que mata a fome. Malfadadas, essas águas das fontes
junto ao mar beijaram o pequenino campo minguado entre rochas rebeldes e
soberbas, e eis que o mar as vem beber e logo as lança nas suas
profundezas insondáveis.
Foi seu destino serem infecundas!