Se em toda a vida passa a enfermidade, se a formosura é incerta, e se o
lírio e a estrela e a nuvem e o mármore mais duro, e a alegria e o riso
e a doçura infinita da bondade e a própria luz do sol são perecíveis; se
a criação inteira que os olhos vêem e que a nossa alma sente, toda a
beleza íntima e a do mundo, decai e desfalece, sofre e se apaga: se só
tu és eterno, Senhor! em tua caridade e teu saber, e se a suprema
harmonia, que é o teu sonho, não distingue o prazer e a dor, a caricia,
o flagelo, a rosa e o cardo, por igual divinos em teu divino
ser--se é esse o teu querer, bendita seja a hora em que encontrei a
dríade enferma do inverno que em seu dissipado encanto e em sua mágoa
correu a ensinar-me a crer em teus desígnios e me segredou louvor e
obediência, a inteira abdicação em teu mistério!