Mas não te desamei, Senhor, porque assim fiz!...
Sempre que o coração tentou seus voos de candura, sempre que se sentiu
sujeito a forças sobre-humanas para as servir guardando os seus
mandados, no remorso e na dúvida, em todo o penar de angustia e em toda
a esperança, em afecto e ternura, em sonhos de pureza, aspirando ao
enlevo no Eterno, cansado deste mundo de fraqueza, ergui olhos chorosos
ao azul, onde cintilam astros diamantinos, e invoquei-te, Senhor, meu
Deus e Pai, a ti «que estás nos céus, nome santíssimo, para que tu me
acolhas no teu reino e eu fielmente cumpra a tua vontade; para que me
dês o pão de cada dia e me perdões quanto te dever, assim como aos meus
devedores também perdoo; para que afastes de mim a tentação e de todo o
mal me livres para sempre.»
E fui humilde então!... Nesses altares me despi totalmente da soberba e
ajoelhei prostrado, submisso, a escutar tua voz e a adorá-la, religioso,
confiado e crente, curvado como o canavial vergado ao vento.