Não me culpes, Senhor, se eu esquecendo, em momentos mortais de
desalento, a sabedoria infinda do teu ser que o orbe rege e funde em
harmonia, sucumbi de fraqueza e de descrença perante os poderes da terra
no seu auge! Não me culpes, Senhor, se assim vencido, atónito de espanto
e de terror, senti passar a cólera das águas e tremi de sofrer sua
inclemência! Não me culpes, Senhor, se um instante de assombro me
oprimiu perante as iras da vossa criação e nelas vi tiranias indómitas
cruéis! Logo me emenda o erro, crê, e me resgata de vãos temores e de
fraquezas ímpias a inteira fé na suprema perfeição de quanto é teu. Mais
alta que os clamores da inundação, uma outra voz me ergue no desejo de
que a «tua vontade seja feita, quer nos céus, quer na terra»,
eternamente.