SCENA VIII.

Jorge _e_ Julia.

Jorge.--Não tenho animo... Sou um imbecil...

Julia (_sem o vêr, sentando-se em cadeira_).--A minha querida

vingança!... Não vim só para soffrer... Alguem ha-de soffrer comigo...

Jorge (_dirigindo-se com irresolução_).--Animo!

Julia (_voltando-se de repente, e erguendo-se_).--O senhor!... (_Quer

retirar-se_).

Jorge (_sustendo-a_).--Não me fuja...

Julia.--Retire essa mão, senhor!

Jorge.--Esse enfado é muito pouco senhoril... Esta mão não mancha a sua

pureza...

Julia.--Para mim tem o horror de mão que me feriu com um punhal... O

senhor não tem dignidade nenhuma... Retire-se, que meu marido póde

vêl-o.

Jorge.--Que veja... Eu não temo seu marido...

Julia.--Pois não o tema a elle, mas respeite-me a mim, para que a sua

posição de marido seja respeitada... (_Eduardo tem vindo por entre as

barracas esconder-se atraz da mais proxima do dialogo_).

Jorge.--Eu já me não respeito na minha posição... Seu marido que tire

represalias, que eu sou indifferente a todos os ultrajes d'essa ordem.

Eduardo (_á parte_).--Eu é que sou o cynico...

Julia.--Então devo acreditar que o senhor requintou em immoralidade...

Jorge.--Acredite o que quizer... Saiba que foi uma paixão que me

perverteu... Hei-de cuspir na sociedade, visto que a não posso calcar

aos pés... Despreso todas as formalidades... Para a desesperação não ha

conveniencias a guardar...

Eduardo (_á parte_).--Eu é que sou o cynico!...

Julia.--Pois, senhor, eu entendo que as devo guardar todas... Snr.

Jorge, tenha vergonha diante da sua propria consciencia. (_Vai

retirar-se_).

Jorge (_segurando-a_).--Ha-de ouvir-me... Que destino deu ás minhas

cartas?

Julia.--Entreguei-as a sua senhora.

Jorge.--Isso foi um vil procedimento...

Julia.--Deveria antes entregal-as a meu marido?

Jorge.--Não tenho nada com seu marido, Julia... Não me cite tantas vezes

o nome de seu marido, que é de nenhuma importancia n'este objecto...

Scenas Contemporaneas · 第 104 / 121 题