Na ultima noite do carnaval, que foi justamente aos 8 dias do mez de
Fevereiro, do corrente anno[2] pelas 9 horas e meia da noite entrava no
theatro de S. João, d'esta heroica, e muito nobre e sempre leal cidade,
um dominó de setim.
Déra elle os dous primeiros passos no pavimento da platêa, quando um
outro dominó de velludo preto veio collocar-se-lhe frente a frente,
n'uma contemplação immovel.
O primeiro demorou-se um pouco a medir as alturas do seu admirador, e
virou-lhe as costas com indifferença natural.
O segundo, momentos depois, apparecia ao lado do primeiro, com a mesma
attenção, com a mesma penetração de vista.
D'esta vez o dominó-setim aventurou uma pergunta n'aquelle desgracioso
falsete, que todos nós conhecemos:
--Não quer mais do que isso?
--Do _qu'isso_!...--respondeu um mascara que passava por casualidade,
esganiçando-se n'uma risada que raspava o tympano.--_Olha do
qu'isso!_... Já vejo que és pulha!...