[40] Gaspar Nicolas, natural de Guimarães, foi escrivão da tabola de

Coimbra e das cizas da mesma cidade, como consta de varios diplomas de

nomeação e quitação, das chancellarias de D. Manoel e D. João III, no

Arch. Nac. da Torre do Tombo.

Era, pois, como hoje diriamos, um funccionario de fazenda, e, portanto,

no caso de se occupar da materia que foi assumpto ao seu, desde seculos,

rarissimo livro.

Tito de Noronha determinou, em 1874, o começo da actividade officinal de

Germão Galharde, pelo conhecimento que teve do exemplar e edição citados

no texto; exemplar, pertencente, ou que veiu a pertencer ao sr. visconde

de Azevedo. Innocencio, porém já em 1859 notava que no catalogo da

livraria de Joaquim Pereira da Costa andava descripto um exemplar da

_Pratica Darismetyca_, com a data de 1519. Ao diligente bibliographo,

parecia, comtudo, _erro_ semelhante data, e aqui vêmos como se enganou!

Germão Galharde, como está registado no começo da nota ^1, de pag. 44,

fez 2.^a edic. do Tratado sobredito em 1530.

[41] Eis as expressões do fecundissimo polygrapho:

«Duvido se tem V. m. já noticia de outro livrinho que estou imprimindo,

e o fiz mais depressa do que a _Calsada dos Galhardos_. Chamo-lhe

Pantheon, terá quatro até sinco folhas, com 2500 versos.»

Bibliot. Nacion. de Lisbôa--MM s.--Fundo antigo, 155. «Cartas de D.

Francisco Manuel de Mello a Antonio Luiz de Azevedo, com introd. e

notas, por Edgar Prestage--Imp. Nac. 1911». É a n.^o 24, e o passo lê-se

a pag. 70.

[42] Este pateo é o primeiro, á esquerda, na rua de Santo Ambrosio,

tendo o portão que lhe dá entrada o n.^o 17. Depois que os Galhardos o

largaram, habitaram ahi _as Patinhas_, isto é, as filhas de um Don José

Patiño que exerceu aqui, em Lisbôa, qualquer cargo official do seu

país.--Um appelido estrangeiro convertido em assumpto de galhofa.

Morreram _as Patinhas_, e succedeu na denominação do pateo um tal José

Alexandre, que ahi persistiu até ha pouco.

Hoje, o Pateo é _Villa_, porque os estrangeirismos, ainda que prestem a

riso, são-nos mais bem acceitos, do que o que sempre teve sabor

nacional. Já o dizia, ainda que por fórma muito mais conceituosa, no

seculo XVII, um dos nossos mais distinctos escriptores.

Emfim, a _Villa_ appellida-se «_Domingues_», e voltará a andar por ali

outra vez o dominio castelhano...

[43] Frontispicio:

«_Reportorio dos tempos em linguajem português.

Foy impresso em Lixboa em casa de Germão Galharde, Anno 1560._»

Fecho:

«_Acabou-se o Reportorio dos Tempos em linguagem português. Agora

nouamente emendado e impresso cõ muytas cousas acrescentadas de nouo_,

etc., _O qual foy impresso em a muy nobre e s[~e]pre leal cidade de

Lixboa, em casa da viuua, molher que foi de Germão Galharde [~q] sancta

gloria aja. Anno de 1560._»

[44] Reservados da Bibliotheca Nacional--A--443.

[45] Tendo nosso presado amigo, sr. dr. Antonio Baião, publicado no

Archivo Historico Portuguez, vol. VII, pag. 150 e seg., (1909) o

extracto desta denuncia, como fazendo parte de suas noticias ácerca da

_Inquisição em Portugal e Brazil_, appensaremos aos presentes _Estudos_

o seu teor, na integra, para que nossos benignos leitores possam ajuisar

plenamente do valor deste documento, não só quanto ao caso que nos

occupa, senão tambem quanto ao que elle revela, sob o ponto de vista do

triste estado dos espiritos em Portugal, na época tão bem retratada no

predito documento.

Ao nosso presado amigo muito agradecemos o grande obsequio que lhe

ficámos devendo, com a copia deste depoimento, que tão amavel quão

solicitamente se serviu communicar-nos.

[46] Entre as gravuras frontispiciaes conhecidas do seculo XVI algumas

ha que foram executadas para obras que não chegaram até nós. Lembra-nos,

por exemplo, a que se vê na Sala dos Reservados da Bibliotheca Nacional,

n.^o A--149, que deve ter sido expressamente aberta para obra differente

daquella em que ali se nos patenteia, e que todavia, se não conhece.

Porventura se terá presente o que, referindo-nos em uma das Notas do

Cap. IV, á _Primeira Parte da Chronica dos Menores_, de Fr. Marcos de

Lisboa, se nos offereceu ponderar, a respeito de obras que se sabe terem

sido impressas, mas que de todo desappareceram.

[47] Nosso venerado Patrono, Diogo Barbosa Machado, já déra noticia

desta obra, com a competente indicação, _ipsis verbis_, do respectivo

titulo.

A ella se referiu, repetindo-o, ainda que menos pontualmente, o

incançavel Innocencio, notando, com assás de razão, as imperfeições

infelismente commettidas pelo douto Antonio Ribeiro dos Santos, no

tocante a este particular motivo.

Ultimamente, o Sr. Anselmo Braamcamp Freire deu a descripção da obra, e

seu titulo, imprimindo este com toda a perfeição, _in_ Archivo Historico

Portuguez, vol. VIII, n.^{os} 8 a 11 (92 a 95--1911), fielmente

transcriptos uma e outro dos que lhe deu a Sr.^a D. Carolina Michaëlis

de Vasconcellos, por copia do exemplar que a S. Ex.^a pertence. É este

mesmo titulo que está presente na occasião, e se transcreve de

preferencia aos dois citados _supra_.

[48] Manda, todavia, a Ordenação, no Liv. II, Tit. 61, «que qualquer

pessoa que de nós tiver Privilegio, de qualquer sorte que seja, ou que o

tenha por respeito da pessoa com quem viver, em qualquer maneira que

pelo Privilegio da tal pessoa guardado fôr, tenha lança de _vinte

palmos_, ou dahi para cima, em sua casa».--Isto é, tenha lança de

4,^{m}40, ou superior a esta medida.

Vê-se, portanto, do confronto dos dois textos que a medida-padrão destas

armas diminuira, pelo discurso do tempo, muito perto de 0,50.

Na Europa do XIV.^o seculo, a medida mais commum das lanças com que se

armava a gente collecticia a soldo de qualquer procer, era, segundo

Cibrario, _in_ Economia Politica da Meia Edade, de _dezoito pés_, o que

corresponde a 5,^{m}94.

[49] Carta de 14 de fevereiro de 1530, _in_ Deslandes, Doc. para a Hist.

da Typ. Portug.

[50] Este vocabulo, e o seguinte em abreviatura, «morador», denunciam

uns restos de barbarismos de concordancia, que ainda nesta epoca já

adiantada do seculo, e até no seguinte, transparecem aqui, ali, no

commum falar e escrever.

Reinava uma como especie de preguiça em acommodar á fórma feminina os

vocabulos em _or_, e um que outro mais.

A materia foi superiormente versada pelo tão infeliz, quão abalisado

philologo Francisco Dias Gomes, que em sua «_Analyse sobre a elocução e

estylo de Sá de Miranda_», deu, entre varios exemplos, um, com o

primeiro dos dois apontados vocabulos, tirado de Ruy de Pina:--«E a

entregou aa Ifante Dona Briatriz como _titor_ que era do duque Dom Diogo

seu filho.»

Correlativamente, os determinativos não acompanhavam a fórma feminina

que designavam, como n'aquelle caso que nos occorre do informador de

Christovão Rodrigues de Oliveira: «_Os_ dignidades que ha na See.»

A Memoria de Francisco Dias lê-se entre as de Litteratura da Academia,

tom. IV, pag. 26 e segg.

[51] A freguezia de Santa Engracia só teve Breve de desannexação da de

Santo Estevão em 1568. Só depois de 1606 é que o edificio parochial foi

patente ao culto. O parocho de Santo Estevão pastoreou durante _trinta e

um annos_ ambas as freguezias cummulativamente; isto é, desde 1576, anno

em que começou, emfim, a vigorar a desannexação, até 1607, em que havia

já na nova parochia cartorio proprio, e independente da parochia

_mater_. Veja-se o que escrevemos no vol. VIII, pag. 5, do Archivo

Historico Portuguez--1910--Art. _As Tenças Testamentarias da Infanta D.

Maria_.

[52] Já temos advertido que o livro do guarda-roupa do Arcebispo de

Lisboa não pode ser da data que anda em costume attribuir-se-lhe;--1551.

O proprio livro contém em alguma de suas paginas, ao referir-se á

Misericordia, e ás esmolas que esta Instituição recebia, a confirmação

do que affirmamos.

Como, porém, o auctor conta ter sido no anno de 1551 que o Arcebispo lhe

commetteu o encargo de fazer o livro, nada se oppõe a que desde este

anno elle começasse a colligir os materiaes para elle, dirigindo-se aos

parochos, para alcançar os «roles» das vias publicas, feitos--é

evidente--á face das _desobrigas_. E como entre encommenda-los e o

conseguir have-los á mão sempre mediaria algum tempo, sendo 25 os

parochos collaboradores n'esta obra de louvores ás grandezas e

magnificencias lisbonenses, pareceu-nos que pelos termos que empregámos

alcançariamos exprimir com exacção o nosso pensamento.

[53] E portanto _atafaneiro_. É vóz arabica;--«_atahana_».

[54] O traçado descrito e os pormenores são os que resultam da leitura

do passo respectivo no Tom. VIII dos _Elementos para a Historia do

Municipio de Lisboa_, de nosso tão distinto colega, sr. Freire de

Oliveira, aliada á do muito elucidativo texto tecnico da valedora

monografia _A Cêrca Moura de Lisboa_, do nosso prestante amigo sr.

Vieira da Silva.

Nossa, é só a conjectura de que os edificadores da cêrca de D. Fernando

apoiariam o postigo de Santo André á torre que a _barbacã_ ou cinta

muralhada que circundava o monte do Castello ali poderia ter,

aproveitando os lanços d'esta para ligarem á velha a nova cêrca,

partindo, para a continuação da obra, do baluarte de S. Lourenço. Resta

uma pergunta:--Tinha _toda_ a muralha que abraçava o monte do Castello,

desde a Porta de D. Fradique até á porta da Alcaçova ou de S. Jorge ou

vice-versa, antiguidade egual á do baluarte de S. Lourenço? Por outra, é

tudo obra mourisca, ou anterior, se tal baluarte o é tambem?

[55] Villa Quente, que um desagregamento do solo pendurado do monte do

Castello subvertera em 1531, e passa, a nosso vêr, menos

justificadamente, por um _tremor de terra_ mais, a ajuntar á longa lista

dos que tem affligido Lisboa, no decorrer dos seculos, era um punhado de

humildes casas, semeadas entre o começo da actual calçada de Santo

André, e o «caminho que ía ao postigo do Monis», diante de cuja entrada

havia uma «cruz de pao». A rampa que o pequeno povoado occupava para o

N. da cinta muralhada que circumdava o monte do Castello, e o abrangia

como um annel, em toda a sua circumferencia, estendia-se pelo limitado

espaço que servia de recosto á cêrca de Santo Antão (Colleginho), vindo

confundir-se com os meandros de betesgas e encruzilhadas que o separavam

da Mouraria, constituindo o que alguma vez se chamou «o bairro da rua

suja».

[56] _Historia de Portugal_, vol. I, 3.^a ed. MDCCCLXIII; nota XXIII, a

pag. 531.

[57] Aforamento de um chão junto da Porta de Santo André, da banda de

fóra, no principio da rua que vai da dita Porta para o postigo de Sam

Lourenço, feito pela cidade ao dr. Affonso Figueira, onde este

magistrado edificara umas casas que partiam da banda do Poente _com muro

e torre da cidade, &_.

Esta _torre_ é a que suppomos existir já na barbacã do Castello, no

angulo formado pelo lanço que devia descer da Porta de D. Fradique a

entestar com a parte que se continuava na rua que ia ao baluarte de S.

Lourenço.

Deveria jazer pela parte posterior do actual _Passo_, e terá sido

aproveitada para guarda do Postigo de Santo André. Dominava assim a

aspera calçada que se lhe desenrolava em frente, e vinha ligar-se á

muito antiga «Rua dos Cavalleiros.»

Lista de erros corrigidos

Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:

+----------+---------------------+----------------------+

| | Original | Correcção |

+----------+---------------------+----------------------+

|#pág. 11| Bernaldim | Bernardim |

|#pág. 16| testemunh | testemunho |

|#pág. 22| ondo | onde |

|#pág. 22| admtitir | admitir |

|#pág. 46| typographfa | typographia |

|#pág. 57| quo | que |

|#pág. 66| persuadido | persuadidos |

| | | |

|#nota 38| Portugteza | Portugueza |

+----------+---------------------+----------------------+

Os símbolos de igual (da pág. 81) foram substituídos por traços longos

('--').

Noticia de livreiros e impressores de Lisbôa na 2ª metade do seculo XVI · 第 5 / 5 段