D. Pedro de Castro, maravilhado, bateu o guante nas solhas do coxote:

--Vida de Christo! Que ter n'uma hoste o Snr. D. Garcia, é ter

juntamente, para marchas e conselho, enrolados n'um só, Annibal e

Aristoteles!

Um rumor d'admiração correu pela hoste:

--Boa traça, boa traça!

E Tructesindo, radiante, bradava:

--Andar, andar, bésteiros! E vós, senhores, recuae para a lomba do

cerro, como para palanque, que vae ser grande a vista! Já seis bésteiros

descarregavam da mula o Bastardo amarrado. Outros cercavam, com mólhos

de cordas. E, como magarefes para esfolar uma rez, toda a rude turma se

abateu sobre o malfadado, arrancando por cordas que desatavam a

cervilheira, o saio, as grevas, os sapatões de ferro, depois a grossa

roupa de linho encardido. Agarrado pelos compridos cabellos, filado

pelos pés, onde se cravavam agudas unhas no furor de o manter, com os

braços esmagados sob outros grossos braços retêsos, o possante Bastardo

ainda se estorcia, urrando, cuspindo contra as faces confusas da

matulagem um cuspo avermelhado, que espumava!

Mas, por entre o escuro tropel que o cobria, o seu corpo, todo despido,

branquejava, atado com cordas mais grossas. Lentamente o seu furioso

urrar esmorecia, arquejado e rouquenho. E um após outro se erguiam os

bésteiros, esfalfados, bufando, limpando o suor do esforço.

No emtanto os Cavalleiros d'Hespanha, de Santa Ireneia, desmontavam

cravando o couto das lanças entre o tojo e as pedras. Todos os recostos

dos outeiros se cubriam da mesnada espalhada, como palanques em tarde de

justa. Sobre uma rocha mais lisa, que dous magros espinheiros toldavam

de folha rala, um pagem estendera pelles d'ovelha para o Snr. D. Pedro

de Castro, para o senhor de Santa Ireneia. Mas só o velho _Castellão_ se

accommodou, para uma repousada delonga, desafivelando o seu corselete de

ferro tauxeado d'ouro.

Tructesindo permanecera erguido, mudo, com os guantes apoiados ao punho

da sua alta espada, os olhos fundos ávidamente cravados na tenebrosa

lagôa que, com morte tão fera e tão suja, vingaria seu filho... E pela

borda do _Pego_, peões, e alguns cavalleiros d'Hespanha, remexiam com

virotões, com os coutos das ascumas, a agua lodosa, na curiosidade das

negras bichas escondidas, que o povoavam.

Subitamente a um brado de D. Garcia, que rondava, toda a chusma de peões

amontoada em torno ao Bastardo se arredou:--e o forte corpo appareceu,

nú e branco, sobre a terra negra, com um denso pello ruivo nos peitos, a

sua virilidade afogada n'outra matta de pello ruivo, e todo ligado por

cordas de canave que o inteiriçavam. N'aquella rigidez de fardo, nem as

costellas arfavam--apenas os olhos refulgiam, ensanguentados,

horrendamente esbugalhados pelo espanto e pelo furor. Alguns cavalleiros

correram a mirar a aviltada nudez do homem famoso de Bayão. O senhor dos

Paços d'Argelim mofou, com estrondo:

--Bem o sabia, por Deus! Corpo de manceba, sem costura de ferida!...

Leonel de Çamora raspou o sapato de ferro pelo hombro do malfadado:

--Vêde este _Claro-Sol_, tão claro, que se apaga agora, em agua tão

negra!

O Bastardo cerrava duramente as palpebras,--d'onde duas grossas lagrimas

escaparam, lentamente rolaram... Mas um agudo pregão resoou pela

ribanceira:

--Justiça! Justiça!

Era o Adail de Santa Ireneia, que marchava, sacudia uma lança, atroava

os cerros:

--Justiça! justiça que manda fazer o Senhor de Treixedo e de Santa

Ireneia, n'um perro matador!... Justiça n'um perro, filho de perra, que

matou vilmente, e assim morra vilmente por ella!...

Trez vezes pregoou por deante da hoste apinhada nos cerros. Depois

quedou, saudou humildemente Tructesindo Ramires, o velho Castro,--como a

julgadores no seu Estrado de julgamento.

--Aviae, aviae! bradava o Senhor de Santa Ireneia.

Immediatamente, a um commando do _Sabedor_, seis bésteiros, com as

pernas embrulhadas em mantas da carga, ergueram o corpo do Bastardo como

se ergue um morto enrolado no seu lençol, e com elle entraram na agua,

até ao mais alto pilar de granito. Outros, arrastando molhos de cordas,

correram pelo limoso passadiço de traves. Com um alarido d'_aguenta!

endireita! alça!_ n'um desesperado esforço o robusto corpo branco foi

mergulhado n'agua até ás virilhas, arrimado ao mais alto pilar, depois

n'elle atado com um longo calabre que, passando pela argola de ferro, o

suspendia, sem escorregar, tão seguro e collado como um rôlo de vela que

se amarra ao mastro. Rapidamente os bésteiros fugiram d'agoa,

desentrapando logo as pernas, que palpavam, raspavam no horror das

bichas sugadoras. Os outros recolheram pelo passadiço, n'uma fila que se

empurrava. No Pego ficava Lopo de Bayão bem arranjado para a vistosa

morte lenta, com a agoa que já o afogava até ás pernas, com cordas que o

enroscavam até ao pescoço como a um escravo no poste; e uma espessa

mecha dos cabellos louros laçada na argola de ferro, repuxando a face

clara, para que todos n'ella gozassem largamente a humilhada agonia do

_Claro-Sol_.

Então o attento da hoste, esperando espalhada pelos recostos dos cerros,

mais entristeceu o enevoado silencio do ermo. A agoa jazia sem um

arrepio, com as suas manchas, negras como uma lamina d'estanho

enferrujado. Entre as cristas das rochas, archeiros postados pelo

_Sabedor_, atalaiavam, para além, os descampados. Um alto vôo de gralha

atrevessou grasnando. Depois um bafo lento agitou as flamulas das lanças

cravadas no tojo denso.

Para despertar, aviar a lentidão das bichas, alguns peões atiravam

pedras á agoa lodosa. Já alguns cavalleiros hespanhoes rosnavam

impacientes com a delonga, n'aquella cova abafada. Outros, descendo

agachados a borda da lagôa, para mostrar que falladas bichas nunca

acudiriam, mergulhavam lentamente, n'agoa negra, as mãos descalçadas,

que depois sacudiam, rindo, e mofando o _Sabedor_... Mas de repente um

estremeção sacudiu o corpo do Bastardo; os seus rijos musculos, no

furioso esforço de se desprenderem, inchavam entre as cordas, como

cobras que se arqueiam; dos beiços arreganhados romperam, em rugidos, em

grunhidos, ultrages e ameaças contra Tructesindo covarde, e contra toda

a raça de Ramires, que elle emprasava, dentro do anno, para as labaredas

do Inferno! Indignado, um Cavalleiro de Santa Ireneia agarrou uma bésta

de garrunche, a que retesou a corda.

Mas D. Garcia deteve o arremesso:

--Por Deus, amigo! Não roubeis ás sanguesugas nem uma pinga d'aquelle

sangue fresco!... Vêde como veem! vêde como veem!

Na agoa espessa, em torno ás coxas mergulhadas do Bastardo, um fremito

corria, grossas bolhas empolavam,--e d'ellas, mollemente, uma bicha

surdio, depois outra e outra, lusidias e negras, que ondulavam, se

collavam á branca pelle do ventre, d'onde pendiam, chupando, logo

engrossadas, mais lustrosas com o lento sangue que já escorria. O

Bastardo emmudecera--e os seus dentes batiam estridentemente. Enojados,

até rudes peões desviaram a face cuspindo para as urzes. Outros, porém,

chasqueavam, assuavam as bichas, gritando--_a elle, donzellas! a elle!_

E o gentil Çamora de Cendufe, clamava rindo contra tão ensossa morte!

Por Deus! Uma apostura de bichas, como a enfermo d'almorreimas. Nem era

sentença de Rico-Homem--mas receita d'herbanista moiro!

--Pois que mais quereis, meu Leonel? acudio alegremente o _Sabedor_,

resplandecendo. Morte é esta para se contar em livros! E não tereis este

inverno serão á lareira, por todos os solares de Minho a Douro, em que

não volte a historia d'este Pego, e d'este feito! Olhae nosso primo

Tructesindo Ramires! Formosos tratos presenceou de certo em tão longo

lidar d'armas!... E como goza! tão attento! tão maravilhado!

Na encosta do outeiro, junto do seu balsão, que o Alferes cravára entre

duas pedras, e como elle tão quêdo, o velho Ramires não despregava os

olhos do corpo do Bastardo, com deleite bravio, n'um fulgor sombrio.

Nunca elle esperára vingança tão magnifica! O homem que atára seu filho

com cordas, o arrastára n'umas andas, o retalhára a punhal deante das

barbacans da sua Honra--agora, vilmente nú, amarrado tambem como cerdo,

pendurado d'um pilar, emergido n'uma agoa suja, e chupado por

sanguesugas, deante de duas mesnadas, das melhores d'Hespanha, que

miravam, que mofavam! Aquelle sangue, o sangue da raça detestada, não o

bebia a terra revolta n'uma tarde de batalha, escorrendo de ferida

honrada, atravez de rija armadura--mas, gota a gota, escuramente e

mollemente se sumia, sorvido por nojentas bichas, que surdiam famintas

do lodo e no lodo recahiam fartas, para sobre o lodo bolsar o orgulhoso

sangue que as enfartára. N'um charco, onde elle o mergulhára, viscosas

bichas bebiam socegadamente o cavalleiro de Bayão! Onde houvera homizio

de solares fundado em desforra mais dôce?

E a fera alma do velho acompanhava, com inexoravel goso, as sanguesugas

subindo, espalhadamente alastrando por aquelle corpo bem amarrado, como

seguro rebanho pela encosta da collina onde pasta. O ventre já

desapparecia sob uma camada viscosa e negra, que latejava, relusia na

humidade morna do sangue. Uma fila sugava a cinta, encovada pela ancia,

d'onde sangue se esfiava, n'uma franja lenta. O denso pello ruivo do

peito, como a espessura d'uma selva, detivera muitas, que ondulavam, com

um rasto de lodo. Um montão ennovelado sangrava um braço. As mais

fartas, já inchadas, mais relusentes, despegavam, tombavam mollemente:

mas logo outras, famintas, se aferravam. Das chagas abandonadas o sangue

escorria delgado, represo nas cordas, d'onde pingava como uma chuva

rala. Na escura agoa boiavam gordas postemas de sangue esperdiçado. E

assim sorvido, ressumando sangue, o malfadado ainda rugia, atravez

ultrages immundos, ameaças de mortes, de incendios, contra a raça dos

Ramires! Depois, com um arquejar em que as cordas quasi estalavam, a

bocca horrendamente escancarada e avida, rompia aos roucos urros,

implorando _agoa, agoa!_ No seu furor as unhas, que uma volta de amarras

lhe collára contra as fortes côxas, esfarrapavam a carne, cravavam-se na

fenda esfarrapada, ensopadas de sangue.

E o furioso tumulto esmorecia n'um longo gemer cançado--até que parecia

adormecido nos grossos nós das cordas, as barbas relusindo sob o suor

que as alagára como sob um grosso orvalho, e entre ellas a espantada

lividez d'um sorriso delirado.

No emtanto já na hoste derramada pelos cerros, como por um palanque, se

embotára a curiosidade bravia d'aquelle supplicio novo. E se acercava a

hora da ração de meridiana. O Adail de Santa Ireneia, depois o Almocadem

Hespanhol, mandaram soar os anafins. Então todo o áspero ermo se animou

com uma faina d'arraial. O almazem das duas mesnadas parára por detraz

dos morros, n'uma curta almargem d'herva, onde um regato claro se

arrastava nos seixos, por entre as raizes de amieiros chorões. N'uma

pressa esfaimada, saltando sobre as pedras, os peões corriam para a fila

dos machos de carga, recebiam dos uchões e estafeiros a fatia de carne,

a grossa metade d'um pão escuro: e, espalhados pela sombra do arvoredo,

comiam com silenciosa lentidão, bebendo da agoa do regato pelas concas

de pau. Depois preguiçavam, estirados na relva,--ou trepavam em bando

pela outra encosta dos morros, através do matto, na esperança

d'atravessar com um virote alguma caça erradia. Na ribanceira, deante da

lagôa, os cavalleiros, sentados sobre grossas mantas, comiam tambem, em

roda dos alforges abertos, cortando com os punhaes nacos de gordura nas

grossas viandas de porco, empinando, em longos tragos, as bojudas

cabaças de vinho.

Convidado por D. Pedro de Castro, o velho _Sabedor_ descançava,

partilhando d'uma larga escudella de barro, cheia de _bolo papal_, d'um

bolo de mel e flôr de farinha, onde ambos enterravam lentamente os

dedos, que depois limpavam ao forro dos morriões. Só o velho Tructesindo

não comia, não repousava, hirto e mudo deante do seu pendão, entre os

seus dous mastins, n'aquelle fero dever de acompanhar, sem que lhe

escapasse um arrepio, um gemido, um fio de sangue, a agonia do Bastardo.

Debalde o _Castellão_, estendendo para elle um pichel de prata, gabava o

seu vinho de Tordesillas, fresco como nenhum d'Aquilat ou de Provins,

para a sede de tão rija arrancada. O velho Rico-Homem nem attendera:--e

D. Pedro de Castro, depois de atirar dous pães aos alões fieis,

recomeçou discorrendo com Garcia Viegas sobre aquelle teimoso amor do

Bastardo por Violante Ramires que arrastára a tantos homizios e furores.

--Ditosos nós, Snr. D. Garcia! Nós a quem a edade e o quebranto e a

fartura já arredam d'essas tentações... Que a mulher, como m'ensinava

certo Physico quando eu andava com os moiros, é vento que consola e

cheira bem, mas tudo enrodilha e esbandalha. Vêde como os meus por ellas

penaram! Só meu pae, com aquella desvairança de zelos, em que matou a

cutello minha dôce madre Estevaninha. E ella tão santa, e filha do

Imperador! A tudo, tudo leva, a tonta ardencia! Até a morrer, como este,

sugado por bichas, deante d'uma hoste que merenda e mofa. E por Deus,

quanto tarda em morrer, Snr. D. Garcia!

--Morrendo está, Snr. D. Pedro de Castro. E já com o demo ao lado para o

levar!

O Bastardo morria. Entre os nós das cordas ensanguentadas todo elle era

uma ascorosa aventesma escarlate e negra com as viscosas pastas de

bichas que o cobriam, latejando com os lentos fios de sangue que de cada

ferida escorriam, mais copiosos que os regos d'humidade por um muro

denegrido.

O desesperado arquejar cessára, e a ancia contra as cordas, e todo o

furor. Molle e inerte como um fardo, apenas a espaços esbogalhava

horrendamente os olhos vagarosos, que revolvia em torno com enevoado

pavor. Depois a face abatia, livida e flaccida, com o beiço pendurado,

escancarando a bocca em cova negra, d'onde se escoava uma baba

ensanguentada. E das palpebras novamente cerradas, entumecidas, um muco

gotejava, tambem como de lagrimas engrossadas com sangue.

A peonagem, no emtanto, voltando da ração, reatulhava a ribanceira,

pasmava, com rudes chufas para o corpo pavoroso que as bichas ainda

sugavam. Já os pagens recolhiam manteis e alforges. D. Pedro de Castro

descera do cabeço com o _Sabedor_ até á borda da agoa lodosa, onde quasi

mergulhava os sapatos de ferro, para contemplar, mais de cerca, o

agonisante de tão rara agonia! E alguns senhores, estafados com a

delonga, afivelando os gibanetes, murmuravam:--«Está morto! Está

acabado!»

Então Garcia Viegas gritou ao Coudel dos Bésteiros:

--Ermigues, ide vêr se ainda resta alento n'aquella postema.

O Coudel correu pelo passadiço de traves, e arrepiado de nojo palpou a

livida carne, acercou da bocca, toda aberta, a lamina clara da adaga que

desembainhára.

--Morto! morto!--gritou.

Estava morto. Dentro das cordas que o arroxeavam o corpo escorregava,

engilhado, chupado, esvasiado. O sangue já não manava, havia coalhado em

postas escuras, onde algumas bichas teimavam latejando, relusindo. E

outras ainda subiam, tardias. Duas, enormes, remexiam na orelha. Outra

tapava um olho. O _Claro-Sol_ não era mais que uma immundice que se

decompunha. Só a madeixa dos cabellos louros, repuxada, presa na argola,

relusia com um lampejo de chamma, como rastro deixado pela ardente alma

que fugira.

Com a adaga ainda desembainhada, e que sacudia, o Coudel avançou para o

Senhor de Santa Ireneia, bradou:

--Justiça está feita, que mandastes fazer no perro matador que morreu!

Então o velho Rico-Homem atirando o braço, o cabelludo punho, com

possante ameaça, bradou, n'um rouco brado que rolou por penhascos e

cerros:

--Morto está! E assim morra de morte infame quem traidoramente me

affronte a mim e aos da minha raça!

Depois, cortando rigidamente pela encosta do cerro, atravez do matto, e

com um largo aceno ao Alferes do Pendão:

--Affonso Gomes, mandae dar as bozinas. E a cavallo, se vos praz, Snr.

D. Pedro de Castro, primo e amigo, que leal e bom me fostes!...

O _Castellão_ ondeou risonhamente o guante:

--Por Santa Maria, primo e amigo! que gosto e honra os recebi de vós. A

cavallo pois se vos praz! Que nos promette aqui o Snr. D. Garcia vêrmos

ainda, com sol muito alto, os muros de Monte-mór.

Já a peonagem cerrava as quadrilhas, os donzeis d'armas puxavam para a

ribanceira os ginetes folgados que a vasta agua escura assustava. E, com

os dous balsões tendidos, o Açor negro, as Treze Arruellas, a fila da

cavalgada atirou o trote pelo barranco empinado, d'onde as pedras soltas

rolavam. No alto, alguns cavalleiros ainda se torciam nas sellas para

silenciosamente remirarem o homem de Bayão, que lá ficava, amarrado ao

pilar, na solidão do Pego, a apodrecer. Mas quando a ala dos bésteiros e

fundibularios de Santa Ireneia desfilou, uma rija grita rompeu, com

chufas, sujas injurias ao «perro matador». A meio da escarpa, um

bésteiro, virando, retezou furiosamente a bésta. A comprida garruncha

apenas varou a agua. Outra logo zinio, e uma bala de funda, e uma setta

barbada,--que se espetou na ilharga do Bastardo, sobre um negro novello

de bichas. O Coudel berrou: «cerra! anda!» A récua das azemolas de carga

avançava, sob o estralar dos lategos: os moços da carriagem apanhavam

grossos pedregulhos, apedrejavam o morto. Depois os servos carreteiros

marcharam, nos seus curtos saios de couro crú, balançando um chuço

curto:--e o capataz apanhou simplesmente esterco das bestas, que chapou

na face do Bastardo sobre as finas barbas d'ouro.

A Illustre Casa de Ramires · 第 21 / 25 题