[15] Sismondi. De la litteratura du Midi--tomo I, pg. 289.

[16] Os que sobre esta materia desejarem mais ampla instrucção consultem

as dissertações de Mr. Fauriel ácerca da origem da Epopeia Cavalleirosa,

no 8.^o vol. da _Revue des Deux-Mondes_ (anno se bem nos lembra, de

1832). A opinião de Mr. Fauriel, contraria á de Sismondi, põe o berço da

maior e melhor parte das novellas de cavallaria na Provença; mas antes

de abraçar essa opinião cumpre lêr e pesar maduramente as reflexões de

Sismondi, que o põe na Normandia, a pag. 273 e seg. do 1.^o vol. da sua

Historia Litteraria do Meio-dia da Europa.

[17] Não appareceu este novo artigo quer nos seguintes numeros do vol.

4.^o quer nos demais volumes, emquanto A. Herculano foi collaborador

permanente do Panorama. De outros mui variados assumptos litterarios o

auctor se occupou nesses volumes. A melhor conjectura sobre tal

interrupção não é a de um simples esquecimento, mas a de que o auctor,

certo de haver esclarecido a materia especial d'estes artigos onde mais

interessava, tencionasse porventura ligar o porseguimento d'ella a

certos pontos da nossa historia litteraria que demandavam vagarosa

meditação.

[18] Sem exceptuar a dos espectadores, que, bem como tudo o mais,

permitta-se-nos a expressão, é preciso crear de novo.

Sobre isso publicaremos brevemente um artigo que, dizendo respeito a um

objecto realtivo á civilização e moral publicas, entra naturalmente no

plano d'este jornal.

[19] E impressas em Napoles em 1517. Esta rara edição existe na

bibliotheca publica do Porto, e pertencia segundo nossa lembrança, á

livraria do Visconde Balsemão.

[20] O mesmo succedeu aos dramas portugueses contemporaneos: d'ahi

provém, principalmente, a extrema raridade das primeiras edições de

alguns d'elles, como de Jorge Ferreira, que só são conhecidos nas

edições mutiladas.

[21] Como hoje tanta gente faz criticas dramaticas--as mais difficeis de

todas--bom será que reparem nesta observação de Schlegel acêrca do

gracioso, personagem especial do drama peninsular. E ainda o grande

critico alemão não apontou o motivo principal d'este elemento dramatico:

o gracioso faz com que o drama seja em verdade a representação da vida,

onde sempre o terrivel e o lepido se cruzam e misturam

inextricavelmente. Não ser o gracioso elemento necessario do enredo tem

por motivo a natureza d'esse papel: o burlesco póde deixar de ser

necessidade da acção; mas nunca de ser essencivel á _fórma_ da acção: no

quadro dramatico o gracioso não é _desenho_, é _côr_; é a sombra do

clarão do bello e sublime. A tragedia classica, e a tragedia de Racine

morreu, porque não havia ahi o contraste: a comedia de Moliere vive, e

viverá para sempre, porque nella as lagrymas tolhem ás vezes o riso: na

comedia antiga apparecia o drama; na tragedia apenas havia poesia.

[22] Julgamos dever notar aqui que os nossos modernos actores ainda não

chamam geralmente qualquer drama, senão _comedia_, embora elle seja

tragico. Porventura é isto uma _tradição de bastidores_, conservada

desde o seculo XVII, em que entre nós eram tão vulgares as

representações dos dramas de Lope e Calderon, como na propria Hespanha.

[23] Para prova de quanto se podem aproveitar as leis como fontes da

historia, não dos reis ou dos soldados, mas do _progresso das nações_,

deixando as leis civis de que poderiamos apontar circumstancias de

extraordinaria curiosidade, limitar-nos-hemos a dizer que d'estas mesmas

constituições d'Evora se deprehende o uso antiquissimo das

representações nas igrejas, e de outras indecencias semelhantes que o

povo julgava então ou licitas ou piedosas. «Deffendemos, diz a

constituição 10 do titulo 15, a todas as pessoas ecclesiasticas e

seculares, de qualquer estado e condição que sejam, que não _comam nas

egrejas, nem bebam, em mezas_, nem sem mezas; nem cantem, nem bailem, em

ellas, nem em seus adros: nem os leigos façam ajuntamentos dentro dellas

sobre cousas profanas; nem se façam nas ditas igrejas, ou adros dellas,

jogos alguns, posto que seja em vigilia de sanctos ou d'alguma festa;

nem _representações, ainda que sejam da paixão de nosso Senhor J. C., ou

da sita resurreição ou nascença; de dia, nem de noite_, sem nossa

especial licença; porque _dos taes autos_ se seguem muitos

inconvenientes que muitas vezes trazem escandalo nos corações d'aquelles

que não estão muito firmes na nossa sancta fé catholica, _vendo as

desordens e excessos que nisto se fazem_.» D'esta passagem se póde

concluir que o uso de fazer autos nas igrejas data pelo menos do decimo

sexto seculo, sendo, além d'isso, provavel, que semelhante usança

remonte a epocha muito mais remota; porque os costumes populares levam

muitos annos, tanto a estabelecer-se como a destruir-se; e com effeito,

ainda no fim do seculo XVII o bispo do Porto, D. Fernando Corrêa de

Lacerda, fulminava censuras contra taes comedias, como se vê de uma sua

ordenança que lemos, ainda mais curiosa que a antecedente constituição;

mas que por brevidade não apontaremos aqui.

[24] Nasceu em 31 de Outubro de 1750. Falleceu em 11 de Outubro de 1839.

[25] Na capa d'este artigo se omittiram por esquecimento em seguida ao

titulo as palavras _Panorama_--1844.

Opúsculos por Alexandre Herculano - Tomo 09 · 第 13 / 13 段