(Seculo XI até XIV)
Alvaro de Pedro viveu e pintou na Italia pelos annos de 1450. Nada mais
se sabe; mercês á incuria de nossos avoengos. Oxalá que este miseravel
e vergonhoso exemplo sirva de estimulo a netos, que possam melhor que
eu, transmittir á posteridade a memoria illustre de nossos coévos.
Noto de passagem que o traductor da oração de Belori assevera, com uma
intrepidez que me espanta, serem de Gonsalo Nuno, ou Nuno Gonsalves
as pinturas da capella de S. Vicente na sé de Lisboa. O mesmo dizem
Francisco de Hollanda e Bermudes.
João Annes. Deixadas conjecturas, nada mais sabemos deste pintor, senão
que vivia pelos annos de 1459 por uma carta de privilegio dada por D.
Affonso V. (_Vide_ Taborda, Cenaculo, etc.)
Vasco dito o grande (Gran Vasco). Sabemos por documentos d’aquelle
tempo, que vivia ainda nos fins do XV seculo. Seu stylo do antigo
modo Florentino faz julgar aos sabedores, que estudára com Pedro
Perugino. Desenho, ainda que rude, exacto, attitudes energicas, grande
conhecimento de architectura, bellas paizagens são os caracteres deste
insigne mestre, que fertil, e assiduo no trabalho enriqueceu todo
o reino com seus primores. Muitos templos de Lisboa, o da Ordem de
Christo em Thomar, e outros o attestam. Foi pintor de D. Affonso V,
e segundo o traductor portuguez de Belori, tambem de D. Manoel. Um
periodico de Lisboa (que infelizmente se intitula Mnemosine Lusitana)
quer que o melhor quadro de Vasco seja o da paixão de Christo no horto
(em Thomar): pintura (diz elle) porque um Inglez philologo, dava 6:000
cruzados, e uma boa copia. Desejava de todo o meu coração, que o
redactor, ou redactores tivessem, ao menos nisto, razão: em quanto a
mim o amor da patria m’o faz crer facilmente.