SECULO XVI

Rafaelo Sanzio d’Urbino, nascido em 1483, morto em 1520, facilmente

julgado o principe dos pintores: nenhum (se não for o moderno francez,

Mr. David) poderá rivaliza-lo. O brilhante colorido de Ticiano,

a belleza das tintas de Corregio, a gigantesca altivez de Miguel

Angelo não fazem a menor sombra á gloria do grande Romano. Raphael

levou a sua arte ao grau de perfeição, de que é capaz a humanidade.

Pertender dar uma ideia d’elle é tentar o impossivel: o estudo das suas

producções é o unico meio de o conhecer. Elle ainda vive repartido

por seus quadros, um dos mais bellos e ricos ornamentos das cidades

que os possuem. Digam-o os templos de Roma, as casas dos principes, o

Vaticano (onde existe a sua famosa _Biblia_), e sobre tudo a egreja de

_S. Pietro in monte_ situada no Janiculo; onde se conserva o primeiro

quadro do universo, a unica producção da arte, que excede a natureza,

a maior honra do ingenho humano, a melhor obra de Raphael, a sua

_Transfiguração_. Tal foi um dos primeiros homens do mundo, de quem

(e com mais razão por ventura, do que Horacio dizia de si) podêmos

asseverar, que não morreu todo: _Non omnis moriar_; ou como ja se disse

em portuguez; _O sabio não vai todo á sepultura_. A belleza principal

das suas obras é o desenho e attitudes.

Julio Romano (Giulio Pippi) n. 1492, m. 1546: foi discipulo de

Raphael. Em suas obras, que principalmente se acham em Roma, se ve que

o caracter d’este pintor era a fôrça e ardimento: o seu colorido é

obscuro, mas o desenho admiravel.

João Francisco Penni (il Fattore) n. em 1488, m. em 1528; trabalhou

quasi sempre debaixo das vistas, e pelos desenhos de Raphael, seu

mestre. Suas obras principaes são as galerias do Vaticano.

Polidoro de Caravaggio n. 1495, m. 1543; foi bom colorista, correcto no

desenho, nobre e fero nos ares de cabeça.

José Ribera, hespanhol, e por isso dito _il Spagnoleto_, nasc. em

Valença em 1589, e m. em 1656. O seu caracter é o vigor e expressão:

todas as figuras austeras e carregadas, prophetas, philosophos, tudo

quanto exige um pincel forte e vigoroso, sahia de suas mãos, como das

da natureza. Suas obras principaes existiam na cartuxa de Napoles; e

entre ellas, a mais conhecida é a collecção dos prophetas.

Perrino del Vague Buonacorsi n. em 1500, m. em 1547; foi tão feliz

imitador do stylo de Raphael, seu mestre, que muitos de seus quadros

passam por d’elle.

Innocenzio d’Imola n..., m...; desenhou segundo a maneira de Raphael,

mas coloriu muito bem. Seus quadros são preciosos e raros.

Giulio Clovio n. 1498, m. 1578. Trabalhou sempre em miniatura, e

apprendeu o desenho com seu mestre, Julio Romano.

Federico Barrocci n. 1528, m. 1612. Suas excellentes obras, que se

acham em Milão, Bolonha, Pesaro, Loreto e Roma, se distinguem pela

belleza do colorido (pouco vulgar na sua eschola) e que assemelha ao

de Corregio, grande exactidão de desenho, muita sciencia de luz, e

graciosos ares de cabeça.

Thadeo, e Federico Zucaro, irmãos: morto o primeiro em 1566; o segundo

em 1609. Thadeo tinha grande ingenho e bom colorido; Federico, menos

habil, acabou quasi todas as obras, que seu irmão começara. Acham-se em

Veneza, Tivoli e Roma.

Antonio Tempesta n. 1555, m. 1630. Foi eminente em batalhas, caçadas,

mercados, animaes etc.--Roma.--

José Cesar d’Arpin (Il cavalier Giuseppino) n. 1560, m. 1640. Seus

quadros grandes, que se vem no Capitolio, são historicos e bons; e

notaveis, sobre tudo, pela belleza dos cavallos.

Michel Angelo Ameriggi de Caravaggio, n. 1569, m. 1609. Suas obras são

mui faceis de conhecer pelo ar de relêvo, que dava a todas as figuras

por via do assombrado. Esta originalidade imita bem a natureza. O seu

desenho é preciso e fero.--Roma e Napoles.--

Domenico Feti n. 1589, m. 1624. Imitou o _antigo_, e Julio Romano;

donde houve um caracter de desenho fero e vigoroso, com quanto

incorrecto. Seus quadros, mui procurados, se distinguem por uma graça

particular, e picante.--Roma.--

Giovani Lanfranco n. 1581, m. 1647. Foi eminente nas grandes obras,

como platafundos, cupulas, etc.--Napoles.--

O retrato de Venus e estudos de historia litterária · 第 61 / 133 题