«_Enfrea as iras de Neptuno indomito._»
Imperio premit, et vinclis, et carcere frœnat.
VIRG. _AEn._ Lib. I, v. 54.
«_Ve d’Adria o golpho tempestuoso e fero._»
É o golpho de Veneza, antigamente chamado de Adria, ou Adriatico, d’uma
cidade d’este nome.
«_Alli, fugindo aos clamorosos brados._»
No meio do seculo V, foram destruidas por Attila, rei dos Hunos, as
cidades de Aquilea, Altino, Concordia, Opitergo e Padua, todas visinhas
ao golpho, então chamado Adriatico. Os habitantes destas cidades,
fugindo ao furor irresistivel, e cruel ferocidade dos barbaros, se
foram refugiar nas pequenas e desertas ilhotas do mar Adriatico, e
fundaram assim o começo de Veneza. (Vid. _Anquétil, Millot, e la
Istoria de Vinegia per ***_)
«_Emporio foi depois do rico oriente._»
_Antes que ha India fosse descuberta pelos Portuguezes, ha mayor parte
da especiaria, droga, e pedraria se vazava pelo mar roxo, donde ya
ter á cidade Dalexandria, e dalli ha compravão hos Venezianos, que a
espalhaavão pela Europa._
CASTANHEDA Lib. I, cap. 1.
«_E do alado Leão tremeu gran tempo._»
Um leão com azas era o timbre, ou armas da republica, ou senhoria de
Veneza.
«_E segue a esteira das cortadas ondas._»
_Esteira_, ou _esteiro_, que assim, e indifferentemente escrevem e
usam os nossos classicos, é aquelle sulco, que os navios vão fazendo e
deixando depoz si nas aguas, e que bom espaço se conserva depois. Maior
é talvez o numero das pessoas que sabem a simplicissima razão physica
deste natural phenomeno, do que o das que o nome portuguez lhe conhecem.
«_Foi a patria d’heroes, foi mãe de sabios._»
.......... All’ Adria in seno Un popolo d’eroi s’aduna......
MATEST. _Ezio_: atto I.
«_Adriades gentis, oh! vinde as frentes._»
Assim como de _Tagus_ Latino fez Camões _Tagides_; e outros do
Douro--_Durius_--_Duriades_ etc.; quem me impede a mim, que de _Adria_,
faça _Adriades_?
«_Qual Verona folgou com seu Catullo._»
.......... Gaudet Verona Catullo, Pelignae dicar gloria gentis ego.