E o Snr. D. Carlos, que os meus olhos buscaram, em vão, ansiosamente,

durante quatro horas, onde é que estava, onde estaria êle? Duas gazetas

o disseram no mesmo dia, em telegrama indêntico, de Mafra. Ei-lo:

_Mafra, 15, às 8 da noite. O Snr. D. Carlos retirou hoje às 5 e meia da

tarde; o resultado da caçada foi: 10 galinholas, 5 gamos e 15 coelhos_.

Por alma do sublime poeta do amor e das estrêlas, das florinhas e das

aves, dos anjos e das crianças, rezou o Snr. D. Carlos,

inconsolavelmente, uns trinta tiros de espingarda. Dez Padre-Nossos na

grelha, cinco Avè-Marias de escabeche e quinze Salvè-Raínhas, à Colete

Encarnado, em môlho de vilão.

_A cultura intelectual de sua majestade_: Transcrevo, duma publicação

comemorativa do centenário Henriquino, êste famoso documento do Snr. D.

Carlos. É um autógrafo. Diz assim:

«_Para celebrar a imorredoura memória, do Infante D. Henrique, nada

encontro melhor, do que, transcrever, a estância de Camões, que serve de

epígrafe à excelente e benemérita, tradução, do notável livro de

Major_».

Leram? Que indigência de frase e que pontuação! Um estudantinho imberbe

não escreveria aquilo.

E eis aí, a ligeiros traços, a vera efígie de sua majestade o Snr. D.

Carlos. Quem a olhar, exclamará por fôrça: Viva a República! Nesta

agudíssima crise nacional a república é mais do que uma simples forma de

govêrno. É o último esfôrço, a última energia, que uma nação moribunda

opõe à morte. Viva a República! é hoje sinónimo de--Viva Portugal!

Notas:

[1] Há excepções individuais, claramente. A fisionomia geral, no

entanto, é aquela.

[2] Se o Nazareno, entre ladrões, fôsse hoje crucificado em Portugal, ao

terceiro dia, em vez do Justo, ressuscitariam os bandidos. Ao terceiro

dia? que digo eu! Em 24 horas andavam na rua, sãos como pêros, de farda

agaloada e grã-cruz de Cristo.

[3] Continuaria a haver algumas dúzias de republicanos, por coerência,

brio pessoal ou teima doutrinária. O espírito republicano que alastrou

no país, esse extinguia-se, ou antes não se tinha gerado.

[4] Um rei segundo a Carta, entende-se.

[5] É meia consciência por habitante. Talvez excessivo.

[6] Irresponsável segundo Lombroso, não segundo a Carta.

COLECÇÃO LUSITANIA

Cada volume, elegantemente enc. em percalina, $50 ctvs.

*Volumes publicados até Janeiro de 1919*:

1--_Amor de Salvação_, por C. C. Branco.

2--_Riquezas do pobre_, por C. C. Branco.

3--_Eusébio Macário_, por C. C. Branco.

4--_Corja_, por C. C. Branco.

5--_Cartas de Amor_, por Sóror Mariana.

6 e 7--_Nossa Senhora de Paris_, por V. Hugo.

8--_Amores do Diabo_, por C. C. Branco.

9--_Frei Luís de Sousa_, por A. Garrett.

10--_José Bálsamo_ e _Mata-a, ou ela te matará_, por C. C. Branco.

11 e 12--_Madame Bovary_, por Flaubert.

13--_Menina e Môça_, por Bernadim Ribeiro.

14--_Brasileira de Prasins_, por C. C. Branco.

15--_Camões_, por A. Garrett.

16--_Romance dum homem rico_, por C. C. Branco.

17--_Cartas do meu moínho_, por A. Daudet.

18--_Freira no subterrâneo_, por C. C. Branco.

19--_Viagens na minha terra_, por A. Garrett.

20--_Carrasco de Vítor Hugo José Alves_, por C. C. Branco.

21--_Rafael_, por Lamartine.

22--_Arco de Sant'Ana_, por A. Garrett.

23--_Mosaico e Silva_, por C. C. Branco.

24 e 25--_Noventa e três_, por V. Hugo.

26--_A Religiosa_, por Diderot.

27--_Livro de Consolação_, por C. C. Branco.

28--_Atala, René, o Ultimo Abencerragem_, por Chateaubriand.

29 e 30--_Ultimos dias de Pompeia_, por Lord Lytton.

31--_Mulheres da Beira_, por Abel Botelho.

32--_O Alfageme de Santarêm_ e _D. Filipa de Vilhena_, por Garrett.

33--_Fior d'Alisa_, por Lamartine.

34--_Maria da Fonte_, por C. C. Branco.

35--_O ilustre Dr. Mateus_, por Erkmann-Chatrian.

36--_Cláudio_, por Lamartine.

37--_Dama das Camélias_, por A. Dumas.

38--_No Bom Jesus do Monte_, por C. C. Branco.

39--_Manon Lescaut_, pelo Abade de Prévost.

40--_Contos escolhidos_, por J. Brandão.

41--_Os Sacrificados_, por J. Grave.

42--_O Senhor Deputado_, por J. L. Pinto.

43--_Eugénia Grandet_, por Balzac.

44--_Os que amam e os que sofrem_, por J. Grave.

45--_Infâmia de Frei Quintino_, por U. Loureiro

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