Quem ainda não tiver o espirito dominado por um completo scepticismo, e
d'ahi lhe resulte a convicção de que tem deveres moraes a cumprir,
encontra na vida occasiões em que, máo grado seu, é preciso desagradar
áquelles pelos quaes se tem dedicação, desde que assim se lhes presta
melhor serviço e favor, do que faltando á verdade, ou deixando-a
occulta.
Indicar a existencia de erros commettidos e de males d'ahi resultantes,
não é crear esses males; assim como o negal-os não seria o meio de
corrigir uns e de evitar outros. Mau é seguir aquella escola de
apologistas, que imaginam defender qualquer entidade fazendo mentir a
historia; e tanto mais quando só a verdade é que póde ser util á
politica, á moral, e á sociedade.
Ora a politica é o governo; a moral, é o homem; e a harmonia entre os
direitos e deveres d'estes elementos, é que constitue a sociedade. Mas
desde que uns e outros ou se tem enganado, ou tem sido enganados, é um
dever dizer a verdade, sem receio, sem rebuço, sem hypocrisia, não em
verso altaneiro e insolente, mas em prosa chã e franca. A uns como
aviso, a outros por lastima, e aos poderes que regem a sociedade, como
homenagem de patriotica dedicação.
Quem assim procede de boa fé, e movido por sentimentos que só lhe são
ditados por amor não de qualquer partido, mas sim do seu paiz, tem jus a
que justiça seja feita ás suas intenções, desde que por esta fórma cuida
ter cumprido com os deveres de cidadão, e com a lealdade de subdito.