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O IDEAL MODERNO
BIBLIOTHECA
POPULAR
DE
ORIENTAÇÃO
SOCIALISTA
PAZ E ARBITRAGEM
DIRECTORES
MAGALHÃES LIMA
E
TEIXEIRA BASTOS
COMP.A N.AL EDITORA
SECÇÃO EDITORIAL
ADM. J. GUEDES--LISBOA
O IDEAL MODERNO
PAZ E ARBITRAGEM
POR
MAGALHÃES LIMA
Membro do Bureau Internacional permanente da paz
LISBOA
Secção Editorial da Companhia Nacional Editora
Administrador--Justino Guedes
50, Largo do Conde Barão, Lisboa
Agencias
Porto, Largo dos Loyos, 47, 1.º
38, Rua da Quitanda, Rio de Janeiro
1897
Á Senhora Baroneza de Suttner
_Á Senhora Baroneza de Suttner, a brilhante evangelista do movimento
pacifico, auctora do famoso romance *Abaixo as armas*, que tem feito a
volta do mundo com um successo nunca visto--dedico e consagro este
livrinho. No ultimo congresso da paz que se realizou, em Hamburgo, no
passado mez de agosto, do corrente anno, foi esta illustre senhora quem
mais se esforçou, para que a nova reunião se effectuasse em Lisbôa,
pondo, em nosso favor, a sua palavra eloquente e a sua influencia
prestigiosa._
_Com esta pequena e insignificante offerta, desejo provar-lhe, em
primeiro logar, a altissima consideração em que é tido, entre nós, o seu
nome aureolado, e, em segundo logar, pretendo manifestar-lhe
publicamente o meu inolvidavel reconhecimento na obra grandiosa da paz e
da arbitragem internacional que proseguimos solidariamente._
I
O movimento pacifico
No fim do seculo XIX, nota-se este contraste singular e monstruoso: ao
passo que as industrias attingem um desenvolvimento maximo, nunca o
poder do militarismo foi maior do que em nossos dias. A guerra é um
crime no ponto de vista humanitario; é um crime no ponto de vista
social; é um crime no ponto de vista moral; e é um crime no ponto de
vista economico e financeiro. O movimento pacifico tem tomado, por toda
a parte, proporções assombrosas. Só na Allemanha existem mais de
sessenta sociedades da paz. Os Estados-Unidos da America e a Inglaterra
revelam-nos, a cada passo, a tendencia para as idéas pacificas, pela
pratica da arbitragem. O principio da arbitragem é a maior conquista
d'este seculo. É a acção do individuo substituindo-se cada vez mais á
acção do Estado. Os amigos da paz, além da suppressão dos exercitos
permanentes, pretendem resolver pela arbitragem todos os litigios
internacionaes. Nada mais racional e nada mais justo. A democracia
moderna fez da arbitragem uma das suas primeiras reivindicações. Haja
vista o que succede em todas as grandes republicas; como a Suissa, onde
existe um verdadeiro partido pacifico, organisado e disciplinado, tendo
por orgão o interessante jornal--_Os Estados Unidos da Europa_, fundado
por Charles Lemonnier e como meio de propaganda a _Liga da Paz e da
Liberdade_ que foi presidida, nas suas primeiras sessões, por Garibaldi
e Victor Hugo; o Brazil que, ainda ha pouco, recorreu a nós na questão
relativa á ilha da Trindade; os Estados-Unidos da America que, n'este
momento, negoceiam com a Inglaterra um tratado de arbitragem permanente.
Os amigos da paz encontram o seu principal ponto de apoio no
desenvolvimento intellectual e material das sociedades. As condições
economicas hão de impor o desarmamento, n'uma épocha mais ou menos
proxima. A guerra só pode aproveitar aos chefes de Estado, ambiciosos de
glorias e de conquistas. A guerra e a paz armada constituem um mesmo mal
e uma mesma calamidade. A affirmação da paz e a condemnação da guerra
entra hoje, como ponto obrigado, de todas as reivindicações operarias.
Por occasião do ultimo congresso socialista, que se reuniu em Londres, o
_meeting_ de _Hyde-Park_, em favor da paz, foi de uma imponencia
desusada. Affirmar a paz é affirmar o respeito pela vida e pela
dignidade humana. Affirmar a paz o mesmo é que consagrar o principio do
trabalho. A guerra só pode interessar aos reis e aos imperadores que
n'ella encontram o esteio ás suas ambições desregradas e á sua cupidez
nunca assaz saciada. A democracia quer e consagra a paz, como suprema
aspiração social.
Sustentam alguns que a guerra é uma solução, e que só ella pode resolver
as contendas que dividem os povos entre si. Mas, dado que assim fôsse,
como se explica que *oito mil e tantas guerras* nada puderam resolver
até hoje? Só Napoleão, á sua parte, causou a morte a *3.700.000*
pessoas. Em que melhorou a sorte da França com isso? E, porventura,
modificou ou alterou essa horrivel matança, no minimo que fôsse, os
destinos da humanidade? Desde 1648 a guerra tem custado á Europa 400
biliões de francos, roubados á producção e ao trabalho. A paz armada
absorve dois terços do rendimento das nações. Está calculado que, em
impostos directos ou indirectos, a guerra absorve, cada anno, cêrca de
um decimo do rendimento de cada francez. O cidadão que possue 10.000
francos de rendimento é obrigado a contribuir, para as despesas de
guerra, com mil francos por anno, sem prejuizo de toda a sua fortuna e
mesmo da sua vida se ella lhe fôr exigida e reclamada. O operario,
independentemente dos tres annos que é obrigado a servir na caserna, dos
vinte oito dias de serviço, em tempo de guerra, em cada anno de plena
paz, trabalha um mez para a guerra. Egual cálculo se poderia fazer em
relação aos outros paizes. Simplesmente monstruoso!
Para fazer cessar semelhante estado de cousas, o movimento pacifico
entendeu dever ampliar a sua esphera de acção, dirigindo-se
simultaneamente a todas as classes sociaes sem distincção, aos grupos
nacionaes, aos partidos politicos, aos governos, aos parlamentos e á
grande massa trabalhadora que parece ainda não ter comprehendido
claramente as vantagens que, para a civilisação, poderiam advir de um
desarmamento geral. A idéa de patria está hoje consubstanciada nos
exercitos permanentes, nas alfandegas, n'um proteccionismo economico
levado ao seu maximo exaggêro e n'outros meios artificiaes que servem
sómente para cavar um abysmo, cada vez mais fundo, entre os povos. Em
nome de um falso patriotismo, commettem-se os maiores absurdos e as
maiores infamias. No dia em que todos se convencerem que o patriotismo,
invocado pelos governos, não passa de um pretexto para illudir e
escravisar os povos; no dia em que o proletariado responder ao
chamamento ás armas com uma gréve geral ou com a recusa ao serviço
militar, n'esse dia terá soado a ultima hora para essa nefasta politica
que alguem appellidou a _politica dos kilometros quadrados_.
A paz é a grande questão, por excellencia, a que estão subordinadas
todas as soluções, sociaes, philosophicas e humanitarias. Assim o
comprehendem os pensadores, os philantropos, os jornalistas e os
publicistas de todos os paizes. Qual o meio de crear uma opinião
internacional efficaz, capaz de reagir contra o militarismo?--eis o
problema. É, n'este sentido, que se dirigem as vistas de todos os que se
interessam pelo bem-estar da humanidade e pelo futuro da civilisação. O
movimento pacifico, já hoje muito poderoso, comprehende as quatro
divisões seguintes: 1.º, a _conferencia inter-parlamentar_,
exclusivamente composta de delegados dos parlamentos; 2.º, o _congresso
universal da paz_, composto de delegados de todas as sociedades da paz;
3.º, os _comités parlamentares_; 4.º, _as sociedades da paz_. A
propaganda é, no fundo, obra eminentemente prática para a qual concorrem
milhares de trabalhadores. Os grupos inter-parlamentares teem o seu
_Bureau central_, em Berne, e as sociedades da paz teem, como principal
orgão, o _Bureau internacional da paz_, com séde tambem em Berne. As
sociedades sobem, presentemente, ao numero de 18 nos Estados-Unidos da
America, com uma centena de succursaes e de 69 na Europa, com 190
secções, regularmente constituidas, sem falar dos numerosos grupos
locaes. Muitas e importantes sociedades de damas, tendo em vista a
reivindicação dos direitos da mulher, pronunciaram-se tambem por uma
propaganda energica em favor das idéas de paz. Innumeras sociedades
operarias se proclamaram solidarias com a obra da paz. Todas estas
organisações se puzeram em contacto, umas com as outras, nos differentes
congressos internacionaes (Paris, 1889; Londres, 1890; Roma, 1891;
Berne, 1892; Chicago, 1893; Antuerpia, 1894; Budapesth, 1896; Hamburgo,
1897.) O _Bureau_ de Berne serve do centro de communicação aos diversos
grupamentos e está em correspondencia, com todos os paizes do mundo. Os
partidarios da paz contam com numerosos e importantes orgãos na imprensa
de todos os paizes: na França--_La France_; _l'Epoque_; _La paix par le
droit_; _Almanach de la paix_; _La revue liberale_; _La Coopération des
Idées_; _Le Devoir_; _Petits plaidoyers contre la guerre_: na
Inglaterra--_Concord_; _The Herald of Peace_: na Suissa--_Les Etats Unis
d'Europe_; _La conférence inter-parlementaire_; _Correspondance
bi-mensuelle_: na Dinamarca--_Fredebladet_; na Suecia--_Ned Med Vapnen_:
na Noruega--_Det Norske Frebsblad_; na Italia--Almanach _Giu le armi_;
_la libertá e la pace_: na Hollanda--_Pax Humanitate_: na Austria--_Die
Waffen Nieder_: na Allemanha--_Monatliche Friedens Korrespondenz_: na
Belgica--_L'Independance belge_: nos Estados-Unidos da America--_The
advocate of peace_; _The peace-maker_.
Para que se possa avaliar, com exactidão, do movimento que hoje
preoccupa os espiritos em todo o mundo civilisado, damos, em seguida, a
historia summaria e a lista das sociedades da paz, com o interesse que
nos inspiram todas as manifestações do direito, da justiça e da
consciencia publica, qualquer que seja o paiz onde ellas se realisem.
A. Estados Unidos da America
1--Sociedade da paz de New-York, fundada em 1815 por um grupo de vinte
individuos. Creou um grande numero de secções até á sua fusão com a
Sociedade americana da paz.
2--Sociedade da paz de Ohio, fundada em 2 do dezembro de 1815, sob a
influencia de uma brochura do dr. Noah Worcester. Contava 8 secções em
1815.
3--Sociedade da paz de Massachusets, fundada em 26 de dezembro de 1815,
pela iniciativa do dr. Worcester. Contava 22 membros do momento da sua
fundação. Em 1831 tinha 19 secções.
Sociedades actuaes
4--Sociedade americana da paz, fundada em Nova York, a 8 de maio de
1828, pela fusão das sociedades de Maine, Massachusets, de Nova York e
da Pensylvania. A sua séde foi transferida, em 1837, de Nova York para
Boston.
5--Sociedade da paz de Connectitut, fundada em 1935. Creou um grande
numero de secções.
6--União universal da paz. Esta sociedade foi fundada, em 1866, pelo sr.
Alfredo Love, em Philadelphia, e conta mais de 30 secções, espalhadas
nas differentes regiões dos Estados-Unidos, entre outras, Washington,
Nova York, Rhode Island, Pensylvania, Massachusets, Connectitut,
Carolina do Sul e Chicago.
7--Associação dos amigos da paz da America, fundada, em 1869, em Nova
Vienna. Extendeu-se até Richmond.
8--Arbitragem christã e Sociedade da paz, fundada em Philadelphia, em
1866.
9--Departamento da paz, sociedade de damas, fundada, em 1887, pela
Senhora Hannah J. Bailey, em Maine.
10--Associação nacional de arbitragem, fundada em Washington, em 1877,
por Belva Lockwood.
11--Sociedade nacional da paz, fundada, em 1893, em Kansas.
12--Liga internacional feminina da paz, fundada, em 1895, por Frost
Evans, em Mystic, Conn., possuindo secções em várias regiões.
13--Sociedade da paz da Carolina do Sul, Columbia.
14--Sociedade da paz Illinois, Chicago.
15--Sociedade pacifica de arbitragem, California.
16--Sociedade da paz de Rhode Island.
17--Associação dos amigos da paz de Philadelphia.
18--Conselho da arbitragem, Philadelphia.
B. Europa
Gran-Bretanha
1--Sociedade da paz, fundada em 14 de julho de 1896, com séde em
Londres, e tendo 31 sociedades filiadas como auxiliares.
2--Liga internacional da arbitragem, fundada em dezembro de 1868, em
Londres. Possue numerosos grupos.
3--Associação internacional da paz e arbitragem, fundada por Hodgson
Pratt, em 1880. Possue uma secção em Oxford, creou uma secção em
Bruxellas e muitas outras sociedades da paz na Italia.
4--Sociedade feminina da paz e arbitragem de Liverpool e Birkenhead,
fundada em fevereiro de 1886, em Birkenhead.
5--Comité da sociedade dos amigos da paz, fundada em 1888, em Haslemere.
6--União christã da concordia internacional, fundada em Londres, em
1889, pelo fallecido George Gillett.
7--Associação de arbitragem britannica e extrangeira, Liverpool.
8--Associação de arbitragem, Londres.
9--Associação internacional da lei, Londres.
10--Sociedade da paz de Dublin, Dublin.
França
1--Liga do bem publico, fundada em 1858, pelo sr. Potonié Pierre.
2--Sociedade francesa da arbitragem entre as nações fundada por
Frederico Passy, em 1867, sob a designação de «Liga internacional da
paz». Foi denominada mais tarde: Sociedade francesa dos amigos da paz.
3--Grupo dos amigos da paz de Puy-de-Dôme, fundado em Clermont Ferrand.
4--Sociedade da paz e da arbitragem do Familisterio de Guise, fundada, a
15 de maio do 1886, em Guise, pelo sr. Godin.
5--Associação da paz pelo direito, fundada, em Nimes, em abril de 1887,
sob a denominação de Associação dos jovens amigos da paz.
6--Sociedade da paz d'Abbeville e de Ponthien, fundada, em 1892, pelo
sr. Jules Tripier.
7--Sociedade da paz de Felletin e Aubusson, fundada, em julho de 1893,
pelos srs. Pichot e Jorrand.
8--União internacional das mulheres, fundada om 1895, em Paris, pela
iniciativa de algumas damas de Inglaterra e de França.
9--Liga franco italiana, fundada em Paris pelo st. Raqueni, com uma
succursal na Algeria.
10--A alliança universal, fundada pelo sr. Jonnet, em St. Raphael, Var.
11--Liga internacional das mulheres para o desarmamento internacional,
fundada em Paris pela princeza Wiszniewska.
Suissa
1--Liga internacional da paz e da liberdade, fundada em Genebra, em
1867, por Charles Lemonnier. A séde do seu comité central foi
transferida de Genebra para Berne, em junho de 1897.
2--Sociedade suissa da paz. Esta secção da Liga da paz e da liberdade
foi fundada em 1869, em Neuchatel, o compõe-se de 19 grupos espalhados
por toda a Suissa.
3--Sociedade academica da paz, fundada em Zurich, a 20 de julho de 1893.
4--Sociedade christã para a propaganda da paz, fundado em Bienne em
1894.
Dinamarca
Associação da paz da Dinamarca, outr'ora _Sociedade para a neutralização
da Dinamarca_ fundada em 28 do novembro de 1882, em Copenhague, pela
iniciativa do sr. Frederico Bajer. Conta cêrca de 120 secções,
organisadas e distribuidas por todo o paiz.
Suecia
Associação Sueca da arbitragem e da paz, fundada em 1883, em Stockholmo.
Conta 21 secções com grande numero da sub-secções.
Noruega
Sociedade norueguesa da paz, fundada em 1895, por iniciativa do sr. M.
Hanssen, em Christiania. Conta 28 secções.
Allemanha
1--Associação allemã para a propaganda da paz internacional, sociedade
fundada em 1874, pelo sr. Lowenthal e por elle reconstituida em Berlim.
Organisou uma sociedade de damas.
2--Sociedade da paz de Frankfort, fundada a 23 de outubro de 1886.
Contribuiu para a creação de differentes grupos allemães.
3--Sociedade dos amigos da paz de Wiesbaden, Wiesbaden.
4--Sociedade allemã da paz, fundada em 1892 em Berlim. Conta 53 grupos
que são outras tantas sociedades, e a sua influencia é enorme e cresce e
augmenta de dia para dia.
5--Sociedade da paz de Munich, Munich.
Italia
1--Sociedade internacional União lombarda, fundada em Milão, em 1887.
2--Associação da arbitragem e da paz internacional, fundada em Roma, em
maio de 1877.
3--Sociedade da paz, fundada em Veneza, em 1889.
4--Sociedade da paz, de Palermo, fundada em maio de 1890. Conta uma
secção.
6--Sociedade da paz e da arbitragem de Perugia, fundada a 16 de julho de
1892. Creou differentes sociedades.
6--Comité franco-italiano de propaganda conciliadora, fundado em Roma, a
6 de julho de 1893, pelo fallecido homem de Estado, M. R. Bonghi. É
formado por 210 membros approxidamente, entre italianos e francezes, na
sua maioria senadores e deputados.
7--Os pioneiros da paz, fundada em Turim, em 1894. Conta uma secção em
Nice.
8--União artigiana da paz e da arbitragem, Arti.
9--Comité de Borgosesia, Bargosesia, provincia de Novara.
10--Comité de Ceres para a paz e arbitragem internacional, Ceres,
provincia de Turim.
11--Comité de Barzano, Barzano, provincia de Como.
12--Sociedade para a paz e arbitragem, de Voghera, Voghera.
13--Comité de Missaglia, Missaglia, provincia de Como.
14--Comité de Torre Pellice, fundado a 31 de maio de 1896, em
Bricherasio.
15--Comité de Murisengo, fundado em dezembro de 1896, em Casale
Monferrato.
Belgica
Sociedade belga da arbitragem e da paz, fundada em Bruxellas, a 25 de
fevereiro de 1889.
Hollanda
Sociedade geral neerlandeza da paz, fundada em Amsterdam, a 26 de
janeiro de 1871. Conta 7 secções espalhadas por todo o paiz.
Austria
1--Sociedade austriaca da paz, fundada em Vienna, em 1891
2--Sociedade academica da paz de Vienna, fundada em 1891.
3--Sociedade litteraria e artistica para a propagação da idéa da paz,
fundada em Vienna, em 1894.
4--Sociedade dos amigos da paz de Trieste, fundada em 1891, como secção
da sociedade de Vienna, e constituida em sociedade independente em 1895.
5--Sociedade da paz de Baden, secção da sociedade austriaca da paz,
fundada em 1894.
6--Grupo de Reichenberg, fundado a 24 de fevereiro de 1896.
7--Sociedade academica da paz, de Insbruck, fundada om 1896.
8--Grupo da paz de Mir, fundado em 1896 em Vyzovice, Moravia.
Hungria
Sociedade hungara da paz; fundada em 1895, em Budapesth.
Russia
Confraria operaria da exaltação da Santa Cruz. Jaupal, Tscheruigow.
Portugal
Commissão geral da paz e arbitragem, inslallada em abril de 1897, na
_Sociedade de Geographia_, de Lisboa.
II
Os amigos da paz
Foi no comêço d'este seculo, após uma longa série de guerras, que a
opinião publica se pronunciou em favor da paz.[1] A _Associação dos
amigos da paz_ foi fundada, em Nova-York, no anno de 1815; no anno
seguinte extendeu-se a Londres; em 1821 fundou-se, em Paris, a Sociedade
da Moral Christã, e, em 1830, a Sociedade da paz em Genebra.
[1] Magalhães Lima--_A obra internacional_.
Os amigos da paz reuniram-se, em Londres, em 1843, e adoptaram a
proposta de uma mensagem dirigida a todos os governos civilisados. Em
janeiro de 1844, a mesma proposta foi apresentada ao presidente dos
Estados-Unidos, o sr. Beckwith, que a agradeceu com as seguintes
palavras: "Que o povo seja instruido e gose dos seus direitos, e
reclamará a paz como indispensavel á sua prosperidade."
Quatro congressos dos amigos da paz se effectuaram de 1848 a 1851: um em
Bruxellas (1848); o segundo em Paris (1849); o terceiro em Londres e o
quarto em Frankfort.
Em 12 de junho de 1849, Ricardo Cobden, o grande advogado da arbitragem,
propoz ao parlamento inglez, para que, de futuro, fosse admittido o
principio da arbitragem em todos os conflictos entre nações.
A 22 de agosto de 1849, inaugurou-se, em Paris, o congresso dos amigos
da paz.
Em 1869, Garibaldi, o heroe da Italia, abandonava os campos de batalha
para proclamar a paz e a fraternidade dos povos.
Em 1867, fundou-se, em Paris, a _Liga internacional permanente da paz_,
e, em Genebra, a _Liga da paz e da Liberdade_.
A 27 de setembro de 1878, abriu-se no Trocadero um congresso dos amigos
da paz.
Seria necessario um grosso volume, para nos occuparmos dos principaes
apostolos e dos principaes evangelistas do movimento pacifico, dos seus
serviços relevantissimos, da sua dedicação á causa da justiça e da
emancipação dos povos. Fallaremos, todavia, d'aquelles que mais se teem
assignalado, na propaganda em favor do direito humano, postergado,
ludibriado, escarnecido pelos apologistas da guerra e da conquista, isto
é, pelos defensores do roubo e do assassinato.
Comecemos pela França. Á frente do luminoso grupo, destacam-se dois
homens de sciencia, de grande e solido renome: Charles Letourneau, o
mestre da sociologia em França, o sabio anthropologo e Charles Richet, o
medico illustre, venerado e respeitado em todas as escholas e em todos
os centros scientificos e litterarios. Vem em seguida Frederico Passy,
um velho que mantem, aos 60 annos, a mesma frescura de espirito e a
mesma juventude perenne dos vinte annos. Orador eloquente, propagandista
infatigavel, escriptor brilhante, a sua acção no movimento, tem sido
benefica e fecunda em resultados práticos. A seu lado encontramos
luctadores da mais fina têmpera. Mencionemos, entre outros, Edmond
Thiaudière, um philosopho _doublé_ de um homem de lettras; Emile Arnaud,
o continuador da obra gloriosa do venerando patriarcha do movimento
Charles Lemonnier; Gaston Moch, o fino e scintillante redactor da
_Independencia belga_; Potonié Pierre, o modêlo dos apostolos, na
sinceridade, na abnegação com que advoga o seu generoso ideal; Urbain
Gohier, o jornalista impeccavel que poz a sua penna ao serviço da
propaganda; Gaston Morin, Raqueni e tantos outros egualmente sympathicos
e egualmente bemquistos.
A Inglaterra, entre os seus luctadores mais destemidos, apresenta nos
homens da estatura de Hodgson Pratt, de Frederico Stanhope, de Randal
Cremer, de Ervans Darby, de Felix Moscheles, e mensageiras da boa nova,
como Peckover e Ellen Robisson.
É na Suissa, em Berne, que reside o secretario geral do Bureau
internacional permanente da paz, Elie Ducommun. Tribuno, poeta e
escriptor dos mais brilhantes, os seus serviços á grande causa da
humanidade, podem contar-se pelos dias de cada anno. Georges Renard, o
estimado director da _Revista Socialista_, e um dos professores mais
distinctos da Universidade de Lausanne e a sua solidariedade com o
movimento pacifico é, ha muito, conhecida e apreciada. O dr. Gobat,
secretario do Bureau inter-parlamentar, assim como o doutor Marcuson,
não poderiam ser esquecidos, quando se trata de prestar homenagem aos
servidores de uma idéa.
Se nos voltamos para os Estados-Unidos da America, o paiz onde os
principios de arbitragem mais teem fructificado, como em todos os demais
paizes novos, encontramos, á frente do movimento, as primeiras
personalidades da politica, da sciencia, da litteratura, taes como
Madame Belva Lockwood, que já foi candidata á presidencia da republica,
Frost Evans, Benjamin Trueblood, etc.
Na Allemanha o movimento em favor da paz é profundo e accentuado. E
assim devia ser, porque elle corresponde, de certo modo, á corrente de
idéas que agitam aquelle paiz e o collocam á frente da democracia na
Europa. O partido socialista, por mais de uma vez se tem affirmado pela
propaganda pacifica. Independentemente d'isso, porém, póde dizer-se
afoitamente, sem receio de errar, que existe, na Allemanha, um
verdadeiro partido pacifico, perfeitamente organisado e servido por
homens convictos e dedicados, taes como Franz Wirth, ha pouco fallecido,
Adolpho Richter, o dr. E. Lowenthal, o conde de Bothemer, o dr.
Rosenthal, Haberland, Fried, e outros.
Que diremos da Austria, onde reside a _generala em chefe_, para nos
servirmos da phrase consagrada, do grande e poderoso exercito, a
baroneza de Suttner?
Nos paizes do norte, ao mesmo tempo que se nota um movimento de
renovação scientifica, observa-se um grande amor pelos ideaes generosos
o humanitarios. Assim, em Copenhague, onde o jornal socialista _Social
Democraten_ é o periodico de maior tiragem, as sociedades da paz que
foram constituidas primitivamente com o fim de advogar a neutralisação
da Dinamarca, teem á sua frente Frederico Bajer, que é, ao mesmo tempo,
o presidente do _Bureau internacional_.
Os amigos da paz encontram-se por toda a parte. Na Roumania, o porta-voz
do movimento é um antigo ministro, o fogoso tribuno, de uma popularidade
immensa em Bucaresth, chamado Nicolau Fleva. Na Russia é o sociologo
eminente, Noviow, além do conde Leão Tolstoi, certamente o mais notavel
e o mais revolucionario de todos os propagandistas, que não hesita em
aconselhar a recusa ao serviço militar, como o meio mais seguro de
anniquilar o militarismo. Na Suecia é o deputado Eduardo Wavrinski, tão
sympathico pelo seu caracter, como pela sua dedicação á causa. Na
Belgica, e particularmente em Bruxellas, um verdadeiro centro
intellectual, o numero dos pacificos é já hoje consideravel, e, para
falarmos tão sómente nos principaes, mencionaremos o senador socialista
Henri Lafontaine, o antigo deputado Houzeau, o sr. Decamps, o antigo e
vigoroso redactor da _Réforme_, Georges Lorand, e muitos outros. Na
Italia, onde o militarismo predomina fortemente, graças á influencia
allemã, o movimento pacifico, que teve em José Garibaldi um dos seus
principaes apostolos, tem-se alastrado por todo o paiz, e a propaganda,
devida á iniciativa do fallecido Bonghi e á tenacidade de Theodoro
Moneta, o antigo e conceituado director do _Secolo_, de Milão, tem
frutitificado e progredido de um modo assombroso. Muito
intencionalmente, deixei para o fim a Hungria, afim de prestar a minha
homenagem ao valente companheiro de Kossuth, o general Türr, que, á
semelhança de Garibaldi, trocou os horrores da guerra, que contemplou de
perto, pelas doçuras ineffaveis da paz.
Perguntar-nos-hão, naturalmente, o que teem feito os amigos da paz, qual
a sua obra e quaes os seus resultados effectivos e immediatos.
A obra dos pacificos tem sido enorme e impõe-se pela sinceridade dos
seus apostolos e pela grandeza da sua propaganda. Além dos oito
congressos que conseguiram reunir, em differentes cidades da Europa,
onde, com muita elevação e intelligencia, foram tratadas as questões que
mais podem interessar, presentemente, as sociedades, no ponto de vista
do direito e da justiça, os amigos da paz teem conquistado, pouco a
pouco, a adhesão dos governos e dos parlamentos á nobre causa que
defendem, fazendo prevalecer a sua opinião, por todos os modos ao seu
alcance, sempre que a lucta ou a guerra se declara entre povos.
Em 1888, um certo numero de deputados francezes e inglezes reuniam-se em
Paris e creavam uma conferencia inter-parlamentar, um areopago
internacional, destinado, em caso de conflicto, a fazer ouvir a sua
opinião imparcial, appellando para a consciencia de todos. Desde então
este areopago principiou a reunir-se todos os annos, nas mesmas cidades
onde se reuniam os congressos. Em Londres, em 1890, recebeu mais de mil
cartas, enviadas ao comité de organisação pelos membros dos diversos
parlamentos, conseguindo reunir mais de 250 assistentes, vindos de todos
os pontos do universo. Em Roma, a França esteve representada por 56
senadores e deputados; inglezes 43; allemães 16; hespanhoes 40;
austriacos 52; belgas 3; dinamarquezes 3; gregos 6; suissos 17;
italianos 358; hungaros 13; norueguezes 3; roumaicos 56; suecos 5;
portuguezes 3; hollandezes 7. Sob proposta de um deputado allemão,
adoptou-se o francez como lingua official da conferencia.
Para manter uma acção continua e ininterrupta, no intervallo das
reuniões annuaes, existe, para a conferencia um _Bureau_ permanente,
semelhante ao _Bureau internacional permanente_ que existe para os
congressos e que tão relevantes serviços tem prestado á causa da paz.
Estes dois _Bureaux_ sao independentes um do outro.
Entre os campeões do movimento, distinguem-se duas correntes
importantes: uns declaram que um desarmamento proporcional e simultaneo
não pode ser senão a consequencia de uma solução amigavel dada ás
questões que dividem os povos da Europa, e, em especial, á questão da
Alsacia e Lorena e á do desmembramento do imperio turco. Outros nutrem a
convicção que essa solução amigavel não poderá nunca ser procurada no
estado actual da Europa, e que, antes de tudo, convém estabelecer
relações juridicas entre as nações, a começar pelo estabelecimento de um
tribunal internacional ao qual seriam submettidas todas as novas
contestações. D'este modo, dizem, a confiança renasceria com a noção da
justiça internacional e chegar-se-hia forçosamente a um desarmamento
voluntario, ainda que fosse apenas parcial, e, em seguida, á solução
amigavel da contestação de territorios ou de nacionalidades.
O pensamento geral e que mais importa propagar, consiste em _ganhar a
opinião publica ás idéas de concordia e de conciliação_, afim de que os
povos possam exercer uma influencia salutar sobre os parlamentos e sobre
os governos, na hora em que certos problemas reclamem imperiosamente uma
solução, que não pode ser senão uma solução pacifica.[2]
[2] _Le programme pratique des amis de la paix_ par Elie Ducommun.
É este o pensamento predominante de todos os que se interessam pelo
movimento e para elle contribuem com os seus esforços, com a sua
actividade e com a sua iniciativa.
Os amigos da paz reunem-se frequentemente, em banquetes, que tão grandes
serviços podem prestar á propaganda, como os comicios e os _meetings_, e
d'isso tivemos uma prova com o que se passou, durante a revolução de
1848, em França; e ainda recentemente se fundou em Paris uma _associação
internacional dos jornalistas, amigos da paz_, sob a presidencia do
auctor d'estas linhas.
As sociedades feministas tambem, na sua maioria, adheriram á causa da
paz. De modo que o movimento, limitado e restricto, no seu principio, a
alguns _visionarios e utopistas_, como então lhes chamavam, foi-se
desenvolvendo até tomar as proporções, que hoje tem, de um forte e
poderoso exercito, armado da razão, a mais temivel de todas as armas, e
escudado pelo direito e pela justiça, os dois baluartes inexpugnaveis da
moderna democracia. A conquista da paz impõe-se á solução dos grandes e
complexos problemas que, presentemente, agitam a humanidade.
Um facto insignificante, mas que dá a medida da importancia do
movimento, perante o mundo! Por occasião da visita do presidente da
Republica franceza, sr. Felix Faure, ao imperador da Russia, o meu
illustre amigo Emile Arnaud publicou, na _Independencia belga_, uma
pequena nota em que consagrava as aspirações do partido pacifico perante
o acontecimento, que foi transcripta e applaudida por quasi todos os
jornaes da Europa.
Eis o artigo:
"A recepção feita pelo povo russo ao presidenie da Republica franceza
reveste claramente o caracter de uma alliança entre dois grandes povos
para a paz e para a felicidade da humanidade. Foi, pelo menos, n'este
sentido, que se exprimiram os dois grandes orgãos da imprensa russa,
antes da chegada do presidente Faure, e é n'este mesmo sentido que
continuam a exprimir-se depois da sua partida.
Presentemente, pois, a união franco-russa ultrapassa, como significação,
os limites que poderiam ter-lhe imposto os diplomatas na sua origem. E,
uma vez que o czar Nicolau II permittiu ao povo russo que tomasse parte
n'este grupamento internacional que une uma aristocracia a uma
democracia, não nos é defeso esperar que este povo, pela vontade do seu
imperador, possa um dia beneficiar d'esta união mesmo relativamente ás
suas liberdades interiores.
N'esse dia será para desejar que a união dos povos francez e russo,
essencialmente pacifica e humanitaria, se extenda a outros povos que
aboliriam a guerra, ligando-se, entre si, por tratados de arbitragem
permanente, realisando assim o _foedus pacificum_, a alliança pacifica
de povo para povo, não estabelecendo nenhum dominio de Estado para
Estado, como recommendava Kant, ha cem annos, na sua _Tentativa
philosophica de paz perpetua_."
Estes e outros factos provam-nos exuberantemente que o futuro não
pertence aos complicados armamentos nem ao canhão Krupp do nosso tempo,
mas, sim, á obra fecunda da paz, no trabalho, no altruismo e no respeito
pela dignidade de cada um e pela dignidade de todos.
III
Arbitragem internacional
De todas as idéas pacificas, a mais estudada e a que mais conquistas tem
feito no terreno pratico e no campo positivo, tem sido, sem duvida, a
_arbitragem internacional_. Foram mais de 150 os casos de arbitragem que
regularam os litigios entre Estados, desde o comêço d'este seculo.
Os Congressos e aa Sociedades da paz, o Instituto de direito
internacional, a Associação para a reforma e codificação do direito das
gentes, uma sub-commissão do _Bureau_ internacional permanente da paz,
um _comité_ instituido pelo Congresso de Chicago, occuparam-se e
occupam-se ainda, com egual competencia e egual zêlo, dos meios de
alargar os processos, seguidos até o presente com certas reservas e
certa timidez, para se estabelecer definitivamente a arbitragem em todas
as contendas internacionaes. Juristas eminentes elaboraram projectos de
grande alcance, destinados a serem submettidos aos governos, tendo em
vista a composição e attribuições de tribunaes internacionaes assim como
o processo arbitral a seguir. Teem sido publicadas obras
importantissimas sobre a questão da arbitragem internacional, nos seus
principios e nas suas applicações. Entre outras apraz-nos mencionar as
de Michel Revon e as do professor Mérignhac.
A conferencia inter-parlamentar de 1895, em Bruxellas, reuniu, n'um só,
tres projectos de organisação de um tribunal internacional ou de um
collegio de árbitros e encarregou o seu _Bureau_ de fazer um appêllo aos
Estados que quizessem formar uma primeira união sobre estas bases. Este
projecto, redigido pelo sr. Augusto Houzeau Delahaie, actualmente
senador belga, foi publicado e commentado polo sr. E. Decamps, e em
seguida enviado a todos os governos, sob a fórma de memoria, induzindo
alguns Estados neutros a formarem o nucleo de uma primeira União
internacional de arbitragem sobre as bases propostas.
A conclusão de tratados de arbitragem permanente está hoje, mais do que
nunca, na ordem do dia. Um grande passo foi dado, n'este sentido, no fim
do anno passado, pela assignatura de um _tratado de arbitragem
permanente entre a Gran-Bretanha e os Estados-Unidos da America_. Este
tratado não foi ainda ratificado, mas espera-se que o seja em breve. O
governo dos Estados Unidos da America, não só se dirigiu á Suissa como
tambem á França, no sentido de entabolar negociações, afim de
estabelecer tratados de arbitragem permanente com as duas mencionadas
nações.
Todas estas informações, aliás bem authenticas, nos foram fornecidas
pelo proprio secretario do _Bureau_, o sr. Elie Ducommun, no seu
_Programme pratique des amis de la paix_, e são de molde a incutir
alento aos espiritos ainda os mais refractarios a estas questões.
Não ha duvida que são enormes e incontestados os progressos, no campo da
arbitragem. Para se aquilatar da sua importancia, bastar-nos-na
consultar a lista dos principaes tratados de arbitragem, realizados
n'este seculo.
1--Entre os Estados Unidos e a Gran-Bretanha em 1816, relativo ao rio de
Santa Cruz e aos Lagos;
2--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1818, com respeito á
obrigação de entregar os escravos, submettidos ao julgamento do
imperador da Russia;
3--Entre os Estados-Unidos e a Hespanha, em 1819, relativamente ás
reclamações da Florida;
4--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1827, por uma questão de
limites: submettido á decisão do rei dos Paizes Baixos;
5--Entre os Estados-Unidos e a Dinamarca em 1830;
6--Entre a Beigica e a Hollanda em 1834;
7--Entre a França e a Inglaterra em 1835;
8--Entre os Estados-Unidos e o Mexico em 1839;
9--Entre os Estados-Unidos e Portugal em 1835; submettido á decisão do
imperador dos francezes;
10--Entre os Estados-Unidos e a Inglaterra em 1853;
11--Entre os Estados-Unidos e a Nova Granada em 1857;
12--Entre os Estados-Unidos e o Chili em 1858;
13--Entre os Estados-Unidos e o Paraguay em 1859;
14--Entre os Estados-Unidos e a Costa Ricca em 1860 e em 1881;
15--Entre os Estados-Unidos e o Equador em 1862 e em 1864;
16--Entre a Gran-Bretanha e o Brazil em 1863;
17--Entre os Estados-Unidos e o Perú em 1863;
18--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1863, relativo á
companhia da bahia de Hudson;
19--Entre a França e o Mexico em 1839;
20--Entre os Estados-Unidos e Venezuela em 1866;
21--Entre a França e a Russia em 1867;
22--Entre a Turquia e a Grecia em 1867 e em 1882;
23--Entre a Inglaterra e a Hespanha em 1867;
24--Entre os Estados-Unidos e o Mexico em 1868;
25--Entre os Estados-Unidos e o Perú em 1868 e era 1869;
26--Entre a Gran-Bretanha e o Perú, em 1864; o senado de Hamburgo,
escolhido como árbitro, rejeita as allegações da Inglaterra;
27--Entre os Estados-Unidos e o Brazil em 1870;
28--Entre a Gran-Bretanha e Portugal em 1870;
29--Entre os Estados-Unidos e a Hespanha em 1871 e em 1885;
30--Entre oa Estados-Unidos e a Gran-Bretanha, com respeito ao Alabama,
em 1871;
31--Entre o Japão e o Perú, em 1872; o imperador da Russia, escolhido
como árbitro, decide em favor do Japão;
32--Entre os Estados-Unidos e a Gran-Bretanha em 1871 (questão de San
Juan e das pescarias da Nova Escocia);
33--Entre a China e o Japão em 1879; árbitro o ex-presidente dos
Estados-Unidos, Ulysse Grant;
34--Entre a Gran-Bretanha e o Brazil em 1873; submettido aos ministros
dos Estados-Unidos e da Italia, no Rio;
35--Entre a Italia e a Suissa em 1874; submettido ao ministro dos
Estados-Unidos na Italia;
36--Entre a Gran-Bretanha e Portugal em 1875; submettido ao presidente
da Republica franceza;
37--Entre a China e o Japão em 1876;
38--Entre a Persia e o Afghanistan em 1877;
39--Entre a Gran-Bretanha e Liberia em 1879;
40--Entre os Estados-Unidos e a Hespanha, relativo a Cuba, em 1879;
41--Entre a Gran-Bretanha e Nicaragua em 1879 e 1881;
42--Entre os Estados-Unidos e a França em 1880;
43--Entre a Gran-Bretanha e a Russia em 1885; questão de fronteira
asiatica, submettida a uma commissão;
44--Entre a França e Nicaragua em 1881;
45--Entre o Chili e a Colombia em 1881;
46--Entre o Chili e a Republica Argentina, relativo ao Estreito de
Magalhães em 1881; submettido ao presidente dos Estados-Unidos;
47--Entre a Hollanda e o Haiti em 1882;
48--Entre os Estados-Unidos e o Haiti em 1884;
49--Entre a Inglaterra e a Allemanha, com respeito ás ilhas Fidjü em
1885;
50--Entre os Estados-Unidos e a Allemanha em 1887;
51--Entre a Allemanha e a Hespanha, relativo ás Carolinas; submettido ao
papa em 1885;
52--Entre a França e a Inglaterra (1884), a Italia, de um lado, e o
Chili, do outro, com respeito ás reclamações provenientes da guerra
entre o Chili e o Perú;
153--Entre o Perú e o Japão, relativo á captura de um barco da primeira
d'estas nações;
54--Entre Honduras, Guatemala e Salvador em 1886;
55--Entre duas povoações africanas em 1887, submettidas ao administrador
do Bechuanaland britannico;
56--Entre a Gran-Bretanha, os Estados-Unidos e o Canadá;
57--Entre Nicaragua e Costa Ricca, em 1887 e em 1889; submettido ao
presidente dos Estados Unidos;
58--Entre a Gran-Bretanha e a Hespanha, relativo a um conflicto no mar;
árbitro, a Italia, em 1887;
59--Entre a Italia e a Colombia em 1888; submettido ao governo da
Hespanha;
60--Entre a Italia e a Colombia, por causa de um conflicto no mar, em
1888;
61--Entre os Estados-Unidos e Marrocos, com a Italia, por árbitro, em
1888;
62--Entre Portugal e Marrocos; árbitro, a França, em 1888;
63--Entre a Dinamarca e os Estados-Unidos em 1889 (reclamação chamada
Butterfield);
64--Entre a Hollanda e a França; a proposito das fronteiras de Surinam;
árbitro, o imperador da Russia (1889); decisão em favor da Hollanda;
65--Entre o Brazil e la Plata; árbitro, o presidente dos Estados-Unidos,
em 1889;
66--Entre a Gran-Bretanha e a Allemanha, com respeito a uma ilha
africana, 1890; árbitro, um ministro do Estado belga;
67--Entre a Gran-Bretanha e Portugal (1890), relativo ao caminho de
ferro de Lourenço Marques, árbitros suissos;
68--Entre a Gran-Bretanha e os Estados-Unidos; 1891, com respeito ás
pescarias no mar de Behring;
69--Entre a Gran-Bretanha e a França, relativo ás pescarias na Terra
Nova, 1891; árbitro, uma commissão de 7 membros;
70--A Commissão danubiana, estabelecida em 1856, constitue um tribunal
de arbitragem permanente;
71--O Congresso de Berlim, em 1878, foi, na realidade, um tribunal de
arbitragem, organisado por sete grandes potencias para regular as
reclamações de differentes Estados na peninsula dos Balkans;
72--O Congresso Pan-americano, reunido em Washington, a 28 de abril de
1890, adoptou uma moção convidando todas as republicas americanas a
submetterem, d'aquelle dia em deante, as suas questões á arbitragem.
Esta moção foi adoptada por 17 republicas;
73--Tratado permanente de arbitragem entre a Inglaterra e os Estados
Unidos, assignado em 1897, válido por cinco annos e podendo ser renovado
em pleno direito e indefinidamente.
74--Entre a Inglaterra e o Brazil, por causa da ilha da Trindade, em
1896; árbitro Portugal.
Os principios geraes, adoptados por todos os pacificos, são os
seguintes: a politica não é senão a applicação da moral; as regras do
justo e do injusto são as mesmas, tanto para as nações, como para os
individuos; e o fundamento commum d'estas regras é a autonomia da
consciencia individual. O direito publico moderno repousa em principios
inteiramente differentes d'aquelles de que o faziam derivar os
tratadistas antigos; e a Revolução--na phrase judiciosa de Ch.
Lemonnier--não é outra cousa senão a applicação d'estes principios
novos, quer nas relações dos cidadãos entre si, quer na constituição dos
governos, quer nas relações dos cidadãos com os governos. Para fundar a
paz internacional, é mistér proclamar ousadamente o direito novo, em
harmonia com as regras da moral e da justiça, e tornal-o comprehensivel
a todos os espiritos, pela pratica d'estes mesmos principios, nas
relações dos povos entre si. Eis, em breves palavras, a base, o
fundamento e a necessidade dos tratados de arbitragem permanente entre
nações.
A palavra de ordem, dada por um dos mais dedicados apostolos do
movimento pacifico, é a seguinte:
_Exigir de todos os mandatarios do suffragio universal, e especialmente
dos membros do parlamento, o compromisso formal:_
_1.º--Que se opporão a toda a declaração de guerra que não haja sido
precedida de uma tentativa de arbitragem;_
_2.º--Que votarão os tratados de arbitragem propostos;_
_3.º--Que darão a sua adhesão á conferencia inter-parlamentar._
IV
Desarmamento
Ha quem considere o desarmamento, como um meio para conseguir a paz.
Divergimos dos que assim pensam. O desarmamento será antes um resultado
da paz e nunca um meio para a obter. Folgamos que fôsse tambem esta a
opinião consignada na memoria apresentada, ao congresso de Hamburgo,
pelo sr. Gaston Moch.
Sabemos já que a causa da arbitragem ganha terreno de dia para dia; que
está perfeitamente em harmonia com as aspirações dos povos e os seus
interesses economicos; que se oppõe aos exercitos permanentes e que as
massas trabalhadoras não teem o minimo interesse na guerra.
Será, porém, possivel um desarmamento? Em que condições?
O desarmamento constitue, como a arbitragem, um dos artigos do programma
da paz. Os exercitos permanentes roubam á producção milhares e milhares
de braços válidos e aptos para trabalhar. Manteem, além d'isso, com
todos os vicios que lhes são inherentes, o desequilibrio nos orçamentos
de todos os paizes. A sua suppressão impõe-se. Mas como? Pela recusa ao
serviço militar, do mesmo modo que as guerras se poderão, até certo
ponto, evitar pela declaração de uma greve geral. Para grandes males,
grandes remedios.
Em nosso juizo, só a federação entre povos poderá obrigar as nações a
desarmar. Emquanto, porém, isso se não consegue, é nosso dever trabalhar
para um desarmamento, senão total e completo, pelo menos parcial e
simultaneo. Jules Simon chegou a tomar a iniciativa d'uma proposta para
a conclusão de uma trégua, assegurada por dez annos, ou, pelo menos, até
a Exposição de 1900. Uma paz definitiva, um desarmamento parcial e a
instituição de um tribunal internacional, deveriam ser a consequencia
d'esta idéa. Em Inglaterra, teem-se erguido vozes auctorisadas, afim de
pedirem ás potencias que se compromettam entre si a não augmentarem os
seus armamentos, durante um certo e determinado periodo, uma vez que não
possam renunciar completamente a toda a velleidade de guerra.
Estes planos, aliás muito generosos, não passariam de simples
palliativos. O que se torna indispensavel é atacar o mal na sua origem
que é o exaggêro dos encargos militares impostos ás populações. Uma
trégua não traria comsigo a suppressão dos exercitos que se torna
necessaria, e o compromisso de não augmentar os armamentos não
alliviaria o pesado fardo que esmaga a Europa.
Com effeito--escreve Elie Ducommun--a reducção das despesas militares
constitue apenas um dos termos do problema a resolver: o outro, não
menos importante, é o afastamento das probabilidades de guerra.
Um _desarmamento parcial_ actuaria incontestavelmente nos dois sentidos,
ao mesmo tempo como meio de diminuir as probabilidades de guerra e de
alliviar os encargos militares.
Os Estados da Europa dispendem, actualmente, 5 biliões de francos, por
anno, com o militarismo: collocando-se, sob o regimen da paz de 1869,
não dispenderiam mais de 2 3/4. O augmento de 2:500 milhões de francos,
por anno, nas despesas militares da Europa, foi o resultado das guerras
de 1886 entre a Russia e a Austria e de 1870-71 entre a Allemanha e a
França.
O desarmamento significaria diminuição de impostos; amortisação de uma
parte das dividas publicas, pondo ao serviço da industria e da
agricultura os capitaes disponiveis; o equilibrio das relações entre a
producção e o consumo, e um augmento sempre crescente de hygiene, de
saude e de moralidade para os povos.
Como chegar, porém, até lá? Como conseguil-o?
Napoleão III fez várias tentativas n'esse sentido. A sua idéa fixa era o
desarmamento e a federacão europêa, apesar das guerras em que andou
sempre envolvido.
Em 1863 propoz ás potencias a reunião de um congresso, para uma revisão
amigavel dos tratados de 1815 e para o desarmamento geral. Em 1815, no
discurso da corôa, por occasião da abertura das camaras, deplorava a
indifferença dos outros soberanos, relativamente "aos verdadeiros
interesses dos povos". Em fevereiro de 1870, negociava com a Inglaterra,
para que esta o ajudasse a vencer a resistencia da Prussia, e annunciava
que daria o primeiro passo, reduzindo, a titulo de indicação, o proximo
contingente; esta reducção--dizia elle--seria de 10.000 homens sómente.
Com effeito, a 21 de março de 1870, os seus ministros apresentaram um
projecto de reducção, para o proximo contingente, de 100.000 a 90.000
homens. Este projecto foi votado pelo corpo legislativo no 1.º de julho
de 1870, por occasião do incidente Hohenzollern. A guerra foi declarada
a 15 de julho.
No estado de desconfiança em que hoje vivem as nações, um desarmamento
total seria difficil, senão impossivel. Mas não ha duvida que um
desarmamento proporcional e simultaneo seria um grande passo dado no
sentido de uma solução pacifica.
Quaes os meios, porém, de o conseguir?
Creando e desenvolvendo uma forte corrente de opinião internacional, de
modo a actuar, de uma maneira decisiva, sobre os parlamentos e sobre os
governos.
Quando os povos se convencerem que todo esse luxo de guerra serve
unicamente para destruir e para os reduzir á miseria, n'esse dia os
armamentos passarão, com applauso de todos, a figurar nos museus
archeologicos.
V
A obra da paz
Na sua reunião de 6 de março de 1897, resolveu a commissão do _Bureau
internacional_ publicar as resoluções dos congressos universaes da paz,
que se realisaram de 1889 a 1896, classificadas segundo as indicações de
Alfredo Nobel no seu testamento:
1.º--_Approximação fraternal dos povos;_
2.º--_Reducção dos exercitos;_
3.º--_Organização e desenvolvimento dos congressos da paz._
I. Approximação fraternal dos povos
A. Tendencia geral
Os principios seguintes foram proclamados em muitos congressos:
A fraternidade entre os homens implica necessariamente _a fraternidade
entre as nações_, nas suas relações.
Cada Estado soberano deve ser considerado como _egual a todos os
outros_, no ponto de vista juridico.