e 1:800 de cavallaria, sob o commando em chefe de um general, e
subordinados, directamente, ao ministro da Justiça. Estaciona em dois
quarteis, o de infantaria, na rua Evaristo da Veiga, e o de cavallaria,
na rua Frei Caneca.
As tres corporações civis são a Guarda Nocturna, a Guarda Civil e o
Corpo de Agentes de Segurança Publica. Estes, os _buffos_ de toda a
parte do mundo, indispensaveis á policia para o serviço de espionagem e
de pesquizas, são apenas 50, e immediatamente dependentes do Chefe de
Policia.
A Guarda Civil é composta de 1:500 homens, e tem a seu cargo o
policiamento das circumscripções urbanas. Á noite, esta Guarda é
auxiliada por patrulhas de cavalleiros da Brigada Policial.
Os guardas-nocturnos estão organisados em 14 das 25 zonas municipaes
da cidade, e são pagos pelos moradores das respectivas parochias. São
quatrocentos homens, approximadamente.
* * * * *
Quinze pretores, quinze juizes de direito, dois tribunaes do Jury e uma
Côrte de Appellação, constituem a justiça civil e penal do Districto
Federal.
O Pretor, que é tambem o juiz dos casamentos, tem attribuições limitadas
no Civel, no Commercial e no Crime.
Em cada Pretoria, além do juiz-pretor, ha tres supplentes, nomeados para
o substituirem no caso de falta.
No Civel e no Commercial, o Pretor processa e julga, em 1.ª instancia, as
causas cujo valôr não exceda 5:000$000 réis. No Crime processa as causas
destinadas a julgamento no Tribunal do Jury, e aquellas em que lhe cabe
lavrar sentença.
Obedecendo á antiga divisão ecclesiastica da cidade, ainda hoje
aproveitada, para os effeitos civis, em muitos casos, a 1.ª Pretoria
comprehende a circumscripção da Candelaria e a ilha de Paquetá; a segunda
a de Santa Rita e a ilha do Governador; a 3.ª actúa na circumscripção do
Sacramento; a 4.ª na de S. José; a 5.ª na de Santo Antonio; a 6.ª na da
Gloria; a 7.ª Lagôa e Gavea; a 8.ª Sant’Anna; a 9.ª Espirito Santo; a
11.ª Engenho Velho; a 12.ª Engenho Novo; a 13.ª Inhaúma e Irajá; a 14.ª
Jacarépaguá e Guaratiba; e a 15.ª Pretoria comprehende as circumscripções
de Campo Grande e Santa Cruz.
Em cada Pretoria funcciona o Registro Civil da circumscripção.
Ha tres juizes de direito do Civel; tres do Commercial; dois de Orfãos
e Ausentes; um da Provedoria e Residuos; um dos Feitos da Fazenda
Municipal e cinco do Crime. Estes processam e julgam todas as causas não
pertencentes á alçada do Pretor e á do Tribunal do Jury.
Os juizes de direito do Civel e do Commercial, julgam qualquer causa que
exceda o valor de 5:000$000 réis.
O juiz da Provedoria e Residuos, processa e julga todos os inventarios
com testamento, em que não haja menores interessados.
Havendo-os, as causas são da alçada dos juizes de Orfãos e Ausentes.
O juiz dos Feitos da Fazenda Nacional, processa e julga todas as questões
em que a Fazenda Municipal fôr interessada, como auctora ou ré.
O Tribunal do Jury é composto de doze juizes de facto, ou jurados,
sorteados entre cidadãos brasileiros e eleitores, de 21 a 60 annos de
edade. Este tribunal julga os crimes que não são submettidos a outra
qualquer jurisdicção. A presidencia é exercida, alternada e mensalmente,
pelos juizes do Crime.
A Côrte de Appellação é dividida em _primeira e segunda camara_, e tem
jurisdicção em todo o Districto Federal.
É composta de 15 juizes-desembargadores, que elegem, annualmente, o seu
Presidente, não podendo reelegel-o sem que passe o periodo de tres annos.
A Côrte de Appellação é o tribunal de segunda instancia, e julga todas as
causas que sobem dos tribunaes dos juizes de direito, que são os de 1.ª
instancia.
A terceira e ultima instancia é constituida pelo Presidente da Côrte
de Appellação e pelos presidentes da primeira e da segunda camara da
mesma Côrte, que formam o Conselho Superior, o qual tambem resolve
os conflictos de jurisdicção das auctoridades judiciaes do Districto
Federal, bem como a suspeição opposta aos desembargadores, juizes de
direito e ao Procurador Geral.
O Ministerio Publico compõem-se de um Procurador Geral, cinco promotores
publicos, seis adjuntos de Promotor, um Curador de Orfãos, um Curador de
Massas Fallidas, um Curador de Ausentes e de Evento, e de um Curador de
Residuos. É o Presidente da Republica quem nomeia todos os juizes e os
membros do Ministerio Publico.
Funcciona um escrivão privativo em cada uma das pretorias e das varas de
direito, havendo tres nas orphanologicas e dois escrivães na Provedoria e
Residuos.
Os escrivães das pretorias suburbanas exercem as funcções de tabellião.
A Côrte de Appellação tem dois escrivães, um para cada _camara_, e um
secretario geral. Cada um dos dois tribunaes do jury, é servido por dois
escrivães privativos.
* * * * *
A Chefia de Policia superintende nas seguintes repartições de serviço de
segurança publica:
—Inspectoria de Policia do Porto.
—Inspectoria de Vehiculos.
—Casa de Detenção.
—Escóla Correccional.
—Colonia Correccional.
—Gabinete de Identificação e Estatistica.
A 1.ª fiscaliza o serviço de embarque e desembarque de passageiros, assim
como o movimento das embarcações mercantes. A 2.ª faz a matricula dos
cocheiros e carroceiros, depois de submettêl-os a um exame profissional,
e regularisa o transito de carros e outros vehiculos, de accôrdo com as
posturas municipaes e sob as ordens do 1.º Delegado de Policia.
A Escóla Correccional é, tambem, uma instituição de beneficencia, visto
que dá educação physica, profissional e moral aos menores, agarrados na
via publica, como vadios e gatunos, dos nove aos quatorze annos. Occupa
um predio da rua de S. Christovão.
A Colonia Correccional está installada na ilha Grande, fóra da barra, e
é destinada á rehabilitação de adultos viciosos, por meio do trabalho.
É uma grande fazenda agricola e possúe varias officinas e escólas,
trabalhadas e frequentadas pela escumalha criminosa da população
carioca, ebrios, falsos mendigos, proxenetas, desordeiros e ladrões
recalcitrantes.
O Gabinete de Identificação e de Estatistica tira o cadastro de todos os
presos; trata da identificação de cadaveres desconhecidos e organisa os
serviços de estatistica policial e criminal. Tambem photographa os locaes
de delicto.
A Casa de Detenção abriga, provisoriamente, os presos cujos processos
correm os trâmites legaes.
Nictheroy
A capital do Estado do Rio de Janeiro, mal restabelecida ainda dos
grandes estragos que soffreu com a revolta da armada, estende-se, com os
seus arrabaldes, da ponta de Gragoatá á da Armação, ambas fortificadas.
A travessia, do Rio de Janeiro, faz-se em vinte minutos, nas excellentes
barcas, a vapor, da Companhia Cantareira e Viação Fluminense.
A cidade não encerra palacios, nem monumento algum digno de nota, porém é
agradavel á vista, pelas symetricas e impeccaveis linhas dos seus longos
e largos arruados, pelo aceio mantido em todo o perimetro civico, pelas
manifestações progressivas que patenteia aos olhos dos visitantes e pela
belleza dos seus contornos. D’estes, o mais pittoresco é a praia do
Icarahy, que as ondas docemente acariciam, bordada de lindas vivendas ao
centro de formosos jardins.
Santa Rosa, arrabalde onde os salesianos teem um collegio, é dominado
pelo monumento de Nossa Senhora Auxiliadora, estatua dourada sobre uma
torre de granito.
Do lado da Armação está o gigantesco edificio do Laboratorio
Pyrotechnico. É digno de menção o novo predio da Companhia Cantareira,
para a estação das barcas.
A matriz de S. João Baptista e as egrejas da Conceição, de S. Domingos e
de S. Lourenço, elevam as suas torres em limpida e diaphana atmosphera,
dominando um feerico panorama, em que a surprehendente bahia de
Guanabara, com todos os seus thesouros naturaes, e a paisagem terrestre,
assombrosamente arrebatadora, disputam a primazia na formosura e no
encanto do conjuncto. Nictheroy e as suas dependencias são servidas
por extensas linhas de _tramways_ electricos. Nos arredores ha algumas
fabricas, que occupam centenas de operarios.
A cidade possúe Escóla Normal, um hospital publico e o Asylo de Santa
Leopoldina, para meninas, instituição de caracter particular. Nictheroy é
a séde do Governador e de todas as repartições officiaes do Estado do Rio
de Janeiro, bem como a residencia predilecta de parte da população que
moireja na grande metropole fronteira.
Petropolis
A ex-cidade imperial, que continúa a ser, de verão, a residencia do Chefe
da Nação, do mundo official e do corpo diplomatico, está em lamentavel
estado de decadencia, quasi de ruina.
O trajecto é um encanto, e muito mais apreciavel por barca e caminho de
ferro, a galgar as encostas e contrafortes da Serra dos Orgãos, do que só
por terra. No percurso de uma hora, em barca, o observador tem occasião
de extasiar-se perante as bellezas naturaes da amplissima Guanabara,
salpicada de encantadoras ilhas e ilhotas e circumdada de montanhas
ridentes, onde as projecções solares aureolam deslumbrantes panoramas.
Desde o portosinho de Mauá que a paisagem muda, por completo, e então
o comboio, como uma fita cinematographica, deslisa por entre vegetação
luxuriante, realçada por gigantescos e formosos ramalhetes de flôres, que
corôam os cimos do arvoredo, e por onde lindos colibris, reflectindo
todas as côres da nuance universal, adejam a formosura da natureza e os
esplendôres divinos.
O trem pára na estação da Raiz da Serra, muda-se de machina e entra-se
n’aquella biblica região de primôres e de delicias que os nossos
primeiros paes trocaram por uma simples e saborosa maçã.
A opulencia vegetativa passa a segundo plano. É a téla que sublima a
belleza do céo e o deslumbramento do sol e que além, nos esplendorosos
limites do horizonte, põe termo ao assombro da nossa retina e ao supremo
encanto da nossa alma.
Descrever os innumeros e maravilhosos panoramas que a subida da Serra
proporciona ao nosso espirito, é sublimidade que, por sobrehumana, só aos
arroubos do genio é permittido attingir.
Percorrem-se, na cidade, as avenidas ladeadas de bellas vivendas no
meio de formosos jardins e suavisadas pelo deslisar de limpidas aguas;
vae-se á Cascatinha, sitio encantador e votado ao mais criminoso olvido;
contempla-se e admira-se o ineffavel amplexo da excelsa natureza a
povoação tão amimada de primôres; e como se de páramos celestes caissemos
em infectado pantano, o nosso espirito divaga da grandeza divina ás
miserias humanas.
Os buracos das ruas e a lama que os occultam, o capim que começa
a invadir os proprios passeios abandonados pela incuria official;
frontarias sujas; edificações que se não completam e outras que ameaçam
ruina; tudo isso revela, ao forasteiro, quão monstruosa é a inepcia e
vergonhoso o desleixo de quem assim trata uma localidade que é um primôr
de situação topographica e a residencia dos representantes dos povos
nossos irmãos e collaboradores na evolução ascencional para o Progresso e
para a Luz.
O brio, a dignidade nacional, o simples criterio e bom senso exigem a
conservação e o aperfeiçoamento material de Petropolis.
Conviver, no meio de um charco, com as summidades diplomaticas que, no
Brasil, representam as nações civilisadas de todo o mundo, é provar-lhes
que a nação prefere a economia de alguns vintens á subida honra de
dignamente fraternisar com os povos que a distinguem com a sua presença
e amisade. E um charco será Petropolis, em poucos annos, se continuar a
incuria e o abandono das auctoridades brasileiras.
Não é acceitavel o argumento de que a municipalidade não dispõem de
recursos financeiros.
Este é um dos casos excepcionaes em que o governo federal póde e deve
intervir por dignidade propria e do paiz que representa.
É preciso, porém, regressar e a paisagem, a natureza, Deus, o conjuncto
de perfeições que paira por sobre a Terra, na immensidade dos céos, e
que a humanidade jámais conseguirá corromper, enlevam-nos, pelos vôos do
pensamento e pelos effluvios da alma, até onde a creatura divinisa-se
pelo esquecimento eterno e pelo infinito amôr.
Apreciação Geral
Passando periodica e triumphalmente por todos os numerosos e variados
aspectos de povoação colonial, de metropole de um paiz livre e de centro
grandioso e bello da actividade humana, em todas as suas brilhantes
manifestações, Rio de Janeiro, como desde o berço, terá sempre a
aureolar-lhe o vértice glorioso dos destinos, a sua famigerada belleza
natural que, sob este especialissimo ponto de vista, a sublima á
apotheose de primeira cidade do mundo.
A sua esplendorosa situação geographica e topographica foi, genialmente,
escolhida para capital de primeira grandeza.
Porto de entrada admiravelmente defensavel e tão vasto que, com
superabundancia, abrigaria todas as esquadras mercantes e bellicas do
nosso planeta; maravilhoso scenario de cordilheiras, serras e montanhas,
corôadas de picos gigantescos, caprichosos e como que desenhados
e vestidos para enfeite e realce da colossal metropole; valles
amenissimos, encostas verdejantes e cabeços que desapparecem no seio
das nuvens, onde haurem a frescura e a seiva que alimentam e suavisam
a grandiosa cidade; todo esse conjuncto de primôres mantem a capital
brasileira em um deslumbramento natural, que é o enlêvo e o supremo
encanto dos seus moradores e visitantes. Mas, se tal é o seu aspecto
geral, quanto á natureza e á situação geographica, vejamos o que é Rio
de Janeiro como cidade, analysando-a detalhadamente, em todas as suas
curiosidades.
Esse mesmo amplexo, tão apertado quão assombrosamente bello, das
preciosidades naturaes que a envolvem, prejudicam a localidade na sua
expansão material e civica, difficultando-lhe o desenvolvimento. No
centro, como nas extremidades, a povoação esbarra em morros, collinas
e outeiros, uns que galgou, cobrindo-os de casaria, outros que procura
derrubar, para expandir-se, e ainda alguns, cuja estructura é tão
formidavel, que se torna forçoso contornar ou acceitar como limite da
cidade.
A soberba Avenida Central, algumas ruas largas que a cortam e outras que
lhe são parallelas; a magestosa Avenida Beira-Mar; o aformoseamento de
largos e praças; a erecção de monumentos publicos e a substituição de
velhas edificações, transformaram, em grande parte, o Rio colonial, do
Imperio e dos primeiros annos da Republica. A reedificação continúa a
par da construcção gigantesca e utilissima do novo porto; novissimas
avenidas e outros melhoramentos estão iniciados ou projectados, de
modo que, no espaço de um decénnio, a capital brasileira será não só
o primeiro centro civico e commercial da America do Sul, mas um dos
melhores do globo, como já é o primeiro na incomparavel formosura dos
seus contornos.
Na execução do extensissimo plano de melhoramentos materiaes não se nota,
porém, o criterio que seria para desejar em assumpto de tal magnitude e
importancia.
É assim que no aproveitamento de velhos arruamentos que ainda servem
a povoação, taes como: Ouvidor, Rosario, Hospicio, S. Pedro, General
Camara, Theophilo Ottoni e outros que communicam com a Avenida Central,
para alargamento d’esses arruados, ou para construcção de novas avenidas,
o que terá, impreterivelmente, de realisar-se em futuro mais ou menos
proximo, serão sacrificados os grandiosos e artisticos edificios que, na
Avenida Central, fazem esquinas com as ruas citadas.
Tal não se daria se houvesse o bom senso de não consentir em novas
construcções nas proximidades d’esses arruamentos, edificações que, pela
sua grandeza, quasi fazem desapparecer, á vista, a já exigua largura
d’aquelles.
Outro gravissimo erro do governo federal e da municipalidade é a
conservação, entre outros, dos morros do Castello e de Santo Antonio,
cuja suppressão aproveitaria ás mesmas collectividades, pela acquisição
de terreno edificavel; á salubridade e á hygiene publica pela circulação,
mais livre, do ar e da luz, e á esthetica da cidade, que ficaria completa
e aprimorada. Outros defeitos de menor importancia desapparecerão com o
tempo e a boa vontade de dirigentes e dirigidos.
Especialmente notavel é a falta de um Jardim Zoologico, digno d’este
nome, em um centro como Rio de Janeiro, capital de um dos mais ricos
paizes do globo, em quasi todas as especies animaes. O que existe com
este nome é deposito particular, vergonhoso e deprimente para o civismo
de uma população das tradições da capital fluminense.
A burricada das companhias S. Christovão e Carris Urbanos, deve
desapparecer, com brevidade, de um centro já abundantemente servido pela
tracção electrica.
A população mista e bizarra da grande cidade carioca, sendo morigerada
e primorosamente hospitaleira está, comtudo, longe de corresponder á
grandeza material do Rio de Janeiro e ás proporções civicas, que os
seus governantes, homens novos e progressistas, estão a imprimir-lhe.
Ella ainda não se adaptou aos costumes dos grandes centros civilisados,
onde cada qual trata da sua vida e do bem commum, sem importar-se, por
educação e por falta de tempo, com o que faz o vizinho.
Nas cidades europeias e americanas, os moradores do mesmo predio não se
conhecem, geralmente, limitando-se a cumprimentos de respeito quando,
por acaso, encontram-se na escada. No Rio ainda impéra a bisbilhotice,
e censuram constantemente os defeitos do proximo aquelles que não se
conhecem. Muito ha ainda a fazer, a caminhar no sentido progressivo,
n’este como sob outros pontos de vista.
Trata-se, todavia, de um paiz novo, insufficientemente preparado nos
primôres da civilisação; mas cuja população é intelligente e dotada de
energia e de civismo sufficientes para, dentro em poucos annos, ascender
ao logar que lhe compete no convivio universal dos povos e das nações.
Possuidor de todos os elementos progressistas e civilisadores, de uma
natureza uberrima, bellissima e fecunda, de homens eminentes pelas
primorosas faculdades de espirito e qualidades moraes que formam os
benemeritos da humanidade e da patria, o Brasil, que ainda recentemente
impoz-se á consideração universal pelo genio de um dos seus filhos,
continuará, ininterruptamente, a caminhar pela senda gloriosa dos seus
destinos; e a sua capital, material e scientificamente aformoseada á
altura da belleza natural que a sublima, brilhará, perante o mundo, como
o vivo e deslumbrante testemunho do incommensuravel poder do genio da
humanidade, fundido no cadinho immortal do trabalho, do talento, da
justiça e do amôr.
INDICE
Pag.
Razão de Ser 5
Domingo de Ramos 13
Situação e Aspecto Geral 19
Historia 27
Phases Fluminenses 39
Monumentos 45
Egrejas 61
Museus 69
Bibliothecas 77
Jardins e Parques 81
Theatros 91
Cemiterios 95
Curiosidades 99
Estabelecimentos Scientificos 117
Da Carioca ao Somaré 125
Assistencia Publica 129
Beneficencia Particular 145
Batalha de Confetti 193
Instrucção Publica 197
Corcovado 205
Governo Municipal 209
Copacabana, Leme e Ipanema 213
Salubridade 217
Viação Urbana 223
Imprensa 229
Commercio e Industria 233
Porto do Rio de Janeiro 237
Recenseamento 241
Segurança Publica 249
Nictheroy 257
Petropolis 259
Apreciação Geral 263
MONTEVIDEU
Situação e Aspecto Geral
O nome de Montevideu, que os orientaes-uruguayos
escrevem—Montevideo—provém de um cerro, com 149 metros de altura, que se
eleva defronte da capital. Encima-o a fortaleza General Artigas.
A cidade está situada em uma peninsula da embocadura do Rio da Prata, no
extremo sul do departamento de Montevideu, o mais pequeno da Republica,
em extensão territorial.
O seu porto é formado por vasta e bella bahia, de facillimo accesso, com
um ante-porto artificial, que é um arrojo de engenharia, e numerosos cáes
acostaveis, quasi concluidos, que farão de Montevideu um dos primeiros
portos do mundo.
A povoação é toda plana e o clima, regular nas quatro estações do anno,
é geralmente ameno. É raro elevar-se a temperatura, no verão, além de
30 graus e no inverno descer a zero. Apenas o vento de sudoeste, ou
_pampero_, açoita, por vezes, os mares visinhos, a bahia e a cidade.
Esta póde considerar-se dividida em tres secções. A primeira comprehende
a primitiva povoação de Zavala, o fundador, desde o extremo oeste até á
actual rua da Cidadella. Traçou-a o capitão Millan. A segunda prolonga-se
da Cidadella até Egido, e a terceira secção é a novissima cidade, que
abrange os antigos bairros de Cordon e da Aguada, bem como a area até ao
riacho Miguelete e o caminho da povoação de Propios.
Os limites actuaes e officiaes de Montevideu são o arroio Miguelete,
desde a sua foz, no Prata, até Propios, ao norte; a éste o caminho de
Propios, e ao sul e oeste o rio da Prata.
A população total da cidade é de cêrca de 260:000 habitantes, a do
departamento de 290:000, e a de toda a Republica Oriental do Uruguay, de
1.250:000 habitantes.
O aspecto geral de Montevideu é tristonho. As casas, em geral de um só
pavimento e velhissimas, dão-lhe a perspectiva de uma antiga cidade
colonial; mas, de espaço a espaço, a monotonia do conjuncto é quebrada
por bellas e modernas edificações, algumas com artisticas frontarias.
O que muito contribúe para afear as antigas e muitas das modernas casas
da cidade, é fazerem as cimalhas em fórma de sacada e de varandas
salientes, o que dá-lhes um tom original mas desagradavel á vista e
attentatorio da esthetica.
As ruas são quasi todas largas e muito arborisadas, porém a vegetação é
macilenta e rachitica. Ha lindas avenidas, sendo a principal a _Dezoito
de Julho_, com 30 metros de largura.
O centro civico de Montevideu é constituido pelas tres praças, da
Independencia, da Constituição e de Cagancha, assim como pelas arterias
publicas que as communicam, taes como Rincon, Uruguay, Sarandi, Vinte e
Cinco de Maio, Vinte e Cinco de Agosto e Zavala.
A primeira das grandes praças acima citadas, occupa o centro, é
vastissima e ajardinada, como as outras duas, não possuindo edificio
algum notavel. As fachadas de quasi todos os predios que a circundam,
assentam sobre columnas.
Na praça da Constituição avultam a Matriz, e os edificios do Jockey-Club,
do Grande Hotel e da Representação Nacional, antigamente do Cabido.
O Atheneu e o Museu e Bibliotheca Pedagogicos, são as melhores
construcções da praça Cagancha, tambem conhecida pelo nome de Liberdade,
por ostentar, ao centro, o monumento da Liberdade, uma figura feminina,
de bronze, sobre alta e elegante columna de granito. Depois d’estas, as
melhores praças da capital uruguaya são as de Trinta e Tres e do General
Flôres.
Todas, bem como as ruas principaes, são illuminadas a profusão de arcos
voltaicos, ou de fócos electricos, sendo pelo mesmo systema a illuminação
geral de toda a cidade.
Numerosos canaes subterraneos conduzem do rio Santa Lucia, a sessenta
kilometros de distancia, abundancia de agua potavel para abastecimento da
cidade.
D’entre os mais notaveis edificios de Montevideu, sobresahem, além dos
já citados, a Universidade, a Camara Municipal, o Monte de Piedade,
o Theatro Solis, a Estação Central, o Manicomio, o Banco Britannico,
as casas de Jackson, de Golorons e de Chiarino; os templos da Aguada,
Metropolitano, de S. Francisco, de Cordon e dos Redemptoristas; os
hospitaes Italiano, Hespanhol, Militar e da Caridade; os asylos dos
Expostos e de Mendigos; a Bolsa; a Escóla de Artes e Officios; o
Palacio do Governo e o Seminario Conciliar. Ha outras construcções
particulares notaveis, principalmente algumas sédes bancarias. Porém,
os principaes monumentos de Montevideu consistem nas suas instituições
de Educação e de Beneficencia. Estas, então, são modelares. O Manicomio
e os asylos de Expostos e de Mendigos, fariam honra e dariam gloria ás
maiores metropoles do nosso globo. É que a população de Montevideu é
essencialmente caritativa e affavel.
Em parte alguma poderá haver quem exceda o montevideano em extremos de
hospitalidade, de cortezia e de carinho.